sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

EM 2006

Não sei se amanhã poderei vir aqui; por isso, aqui vai o meu texto relativo ao novo ano.
Não é propriamente um texto; é apenas um conjunto de frases que resumem o que eu desejo para 2006.
E o que é que eu desejo verdadeiramente para 2006?
Além de paz no Mundo?
Que a Minha Página continue a ser o nosso ponto de encontro.
Simplesmente!
Meu, da Aluena, da Carmen, da Dora, da outra Marta, do António, etc para conversarmos.
Para só beber uma bica, um pingo, um Porto
ou então,
preparar um chá à moda antiga, com toalha branca bordada, chávenas bonitas com uma história a contar, scones quentes com manteiga a escorrer e chá de frutos a espalhar o cheiro pela casa inteira.
Outra coisa que desejo para 2006?
Vamos continuar a ser generosos
- obrigada por estarem aí!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

ESTAR OU NÃO ERRADA

Longe vão os dias em que ficar em casa a ler era a forma ideal de passar as férias.
Agora, e segundo diz a minha Mãe, "bichos carpinteiros" impedem-me de estar um minuto sossegada e nem que seja ir até à FNAC em Santa Catarina, tomar um pingo e ver as novidades, eis-me fora de casa.
Enfrentando chuva torrencial, vento agreste ou um sol sufocante!
Basta uma hora para que eu sinta que faço parte da raça humana e respire livremente.
Tenho que sair, mimar-me um pouco e por isso, hoje meti-me no Metro, fui até ao Dolce Vita, almoçei por lá e fui ao cinema.
Regressei há pouco e pondero seriamente a hipótese de te ligar.
De te lembrar que existo, mas a verdade é que tu tens o meu nº de telemóvel e também me podes ligar.
Tomar a iniciativa, fazer perguntas tipo "Como estás? O que fazes?" não comprometem ninguém - é uma conversa normal entre duas pessoas que se conhecem razoavelmente bem.
Continuas a intrigar-me - não me recusas ajuda quando preciso, mas falar num simples jantar de amigos complica as coisas.
Como escrevi aqui uma vez, não vou mendigar - seja amor ou amizade - porque isso dá-se!
Talvez tu continues sem saber como; talvez não queiras aceitar esse facto, mas não te posso ajudar, se não me falas!
Não estou errada, pois não?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

MAGOAR

Eis-nos chegadas novamente ao dia do meio – àquele dia em que muita gente suspira de alívio e pensa “Ah, já só faltam dois dias para o fim-de-semana” e parece que trabalham mais depressa e com mais animo.
Tal como aquela senhora me disse há muitos anos, enquanto esperávamos que o sinal mudasse para verde para atravessarmos “Sabe? O que eu mais gosto é dos fins-de-semana e dos fins dos meses”.
Mas este dia do meio é especial, porque é o último do ano, um ano que, no geral, não me correu mal.
Digo “no geral”, porque gostaria de mudar algumas coisas.
Só que, e já lá diz o ditado, “o futuro a Deus pertence” e eu não posso interferir.
Posso, e devo continuar com os meus cursos de línguas, cuidar do corpo e da mente, inscrevendo-me no ioga, melhorar os meus blogs e a participar noutras coisas que me dão prazer.
Eu falo muito nas “coisas que me dão prazer”, porque é exactamente por aí que devo equilibrar a minha vida.
É que eu continuo a pensar o melhor das pessoas, mas tal como uma amiga me disse, muitas vezes, essas pessoas não têm mais para oferecer e eu não devo ficar tão desapontada.
O problema é que magoam-me e magoar-me, ninguém tem o direito de o fazer!!!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

GENEROSO

A certa altura do seu livro “Paula”, Isabel Allende escreve “descobri como a vida pode ser generosa”.
Na altura em que o escreveu, a vida não lhe estava a ser generosa – ver morrer a filha não é fácil ou aceitável.
E, porquê escrever um livro sobre isso?
O livro dá a resposta - foi a própria agente da escritora que lhe pousou no colo uma resma de papel e lhe disse para escrever.
Como eu fiz na noite de Consoada – entrei no Messenger para conversar com alguém, bastante generoso, que me deixou uma mensagem a dizer “que estaria online a partir das 21h00 para conversar com quem se sente só”.
A solidão pesa; verga-nos, parte-nos a vontade e poucas são as pessoas que compreendem isso
.
“Oh, como é que podes dizer? Tens família; como é que te podes queixar disso” – não compreendem que, por muita amiga que a minha família seja, há uma curva na estrada, em que tudo acaba e não me acompanha mais.
Fico vulnerável, sozinha, a perguntar “E, agora?” – o “agora” é tentar preencher essa falha, como eu fiz, entrando no Messenger numa noite que, por tradição, é uma noite dedicada à família.
A minha família está parada na curva; sei que vai ficar ali (ler post "Realidade"), mas tal como a Isabel Allende diz, a vida pode ser generosa.
Obrigada, Aluena!

sábado, 24 de dezembro de 2005

UM GAJO PORREIRO

Cá estamos, Pai Natal nas preparações para a Noite de Consoada.

Quando era pequena e o Natal era cá em casa, lembro-me que o meu Pai me
levava a almoçar fora – num restaurante que se chamava “Os Três Irmãos” e que
agora desapareceu – e depois íamos ao circo.
Passávamos uma tarde divertida, com direito ao lanche num café, que outras
pessoas na mesma situação enchiam, longe do bulício que este dia significa.
Depois era o regresso a casa e a contagem decrescente até à vinda do Menino
Jesus – a mim sempre me disseram que era o Menino Jesus que trazia os
presentes – e explodia a alegria.
Aqui está outra coisa que vou gostar de me lembrar – os almoços com o meu Pai
no dia da Consoada e as idas ao circo, cuja mensagem se perdeu no tempo,
porque encontro as minhas alegrias e risos noutros locais.
Lembrei-me disto, talvez porque gostaria de recuperar o espírito desse dia;
tornaria o dia diferente, mais fácil, dava-lhe outra alegria – eu que sempre disse
que o meu Pai era “um gajo porreiro”.
E continua a ser; só que a idade avançada dele (83 anos) o fizeram recuar para
um outro mundo, onde não o posso seguir; mas, como já disse antes, estou
presente.
Distante, mas presente!

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

SABER O QUÊ

Enfim, confesso – estou novamente desorientada e não gosto nada de me

sentir assim, pois estou farta de prometer a mim mesma que não vou ligar

às tuas brincadeiras idiotas.

Ontem, quase que me arrancaste a cabeça, como se tivesse ferido

mortalmente o teu ego e eu tive que recuar apressadamente, dar-te uma

resposta curta e seca que cortasse qualquer hipótese de discussão.

Seguiu-se o silêncio, um silêncio árctico, tão profundo e tão frio que

quase me convenci que tinhas desaparecido da face da terra
.

Não suportei o "suspense" – talvez não o devesse ter feito – e quebrei

o "gelo", pedindo desculpas e prometi solenemente que não se falava mais

nisso.

Que não se falou, não se falou, mas como geralmente quando temos uma

discussão, amuas e evitas-me, etc - atitude própria do menino malcriado

que és - nunca pensei que tu brincasses assim comigo
.


Respondi às brincadeiras, com um sorriso um pouco irónico, porque

como estamos no Natal, vou deixar-me "convencer" que aderiste ao

espírito da fraternidade, da solidariedade e da amizade que anda pelo ar

esta semana e de que todos falam, mas que infelizmente esquecem nos

outros dias do ano
.

Mesmo que não mo desejes, Feliz Natal para ti!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

REALIDADE

Só hoje é que compreendi verdadeiramente que a noite de Consoada é no sábado.
Talvez porque estive demasiado ocupada com o meu próprio projecto de Natal e nem sequer me lembrei que devia ter incluído a compra dos presentes.
Para os meus Pais, mas creio que isso não vai ser um problema, porque o importante é o facto de que, e apesar da idade avançada deles, eu vou celebrar o Natal com eles.
Por quanto mais tempo não sei e um livro, que é o que eu ofereço geralmente, posso dar em qualquer altura.
Aliás, um dia quando tiver que arrumar as coisas deles e encontrar esse livro, cheio de pó e escondido por outros, o que eu quero é sorrir e dizer:
Ah, cá está o livro que não cheguei a ler, porque a Mãe se encarregou de me contar a história toda!” e não começar a chorar e pensar que “dei-lhe este livro naquele Natal, lembras-te?, em que…”
O dia de Natal vai ser um dia igual aos outros; não vou pensar se será o último ou não com os meus Pais e apesar dos discursos derrotistas da Mãe e dos amuos do Pai, vou gozar o melhor possível a companhia deles e deixar que se sintam reconfortados com a minha presença.
Acho que esse é o melhor presente para qualquer um de nós – estarmos em paz, a gozar a companhia uns dos outros!!

domingo, 18 de dezembro de 2005

NÃO POSSO MAIS

Olá, passarinho!
Que fazes tu aí, meio escondido, mas sempre sem me perderes de vista!
Andas de galho em galho, a observar-me, mas foges se te tento apanhar.
Reparas no que visto, sentes o meu perfume, piscas-me o olho e lanças no ar um beijo que não consigo apanhar.
Falas com todos, mas nunca comigo!
E eu até gostava que falasses comigo!
Pedi, implorei, supliquei - fiz tudo o que não devia, mas se assim o queres, passarinho, fica aí ao vento , ao frio, à chuva - deixa que te castiguem, te esmaguem como seres poderosos que são.
Eu não te vou abrir mais a janela; dei-te tudo e tu nada me deste.
E, se nada me deste....é porque não tens nada para me dar!
As coisas devem ser dadas de "coração" e nunca por "favor" - tentei explicar-te isto tantas vezes e vejo que não consegui.
Chorei tantas vezes por tua causa, passarinho - não posso mais!!!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

MONA LISA


Mona Lisa – o quadro
A canção
Ou o filme?

Definitivamente o quadro!

O quadro de Leonardo da Vinci é um marco na História da Arte e o meio sorriso de Mona Lisa abre a porta a milhares de interpretações.
A minha? Não sei – nunca vi o quadro ao vivo, mas vi reproduções, vasculhei livros de arte, naveguei pela Net e li atentamente os artigos, as críticas que encontrei.
Não se pode negar que é uma mulher enigmática, que me leva a perguntar “O que é que escondes?”.
Estarás somente a posar para o pintor, a pensar como seduzi-lo ou terás o teu amante à espera, algures?
É essa a razão do brilho trocista que se lê no teu olhar, a forma como o cabelo te abraça os ombros?
Não sei; só sei que o meu sorriso não é tão enigmático como o teu e não atrai o olhar de ninguém.
Talvez atraia e eu esteja tão presa em cativar o olhar de alguém, que me esqueci de olhar para o lado.

E se conseguir seduzir quem não estou a ver neste momento, porque não ao som da voz inconfundível de Nat King Cole a cantar suave, pausadamente “Mona Lisa”?
Eu ia gostar muito e é tão bom sonhar que nos podemos apaixonar assim, sem reservas, sem travões!

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

DEFINITIVAMENTE

Definitivamente, tenho que deixar de ouvir a Ivete Sangalo!

Se eu não te amasse tanto assim” é uma canção que define tudo aquilo que senti em relação a uma pessoa e tal como a Ivete diz a certa altura “amei-te no vento do vendaval e quis ir além do temporal”, eu também o fiz.

E, às vezes não podemos ir; temos que largar a corda e esquecer as lágrimas que, ontem ao ouvir a canção, eu deixei correr pela cara abaixo.

Pouco me importei se alguém reparou e sei que devia esquecer quem a canção me fez lembrar!

Por muito grata que me sinta porque me alertou para um problema que eu tinha que resolver!

Afastou-se; deixou-me sozinha e um amigo nunca abandona um amigo quando este mais precisa!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

POUCO A POUCO

Pouco a pouco, começo a receber respostas aos meus Cartões.
Recebi um, também com música, com o símbolo da Paz – as pombas a voarem num fundo verde – com uma mensagem muito simpática.
Alguém também me avisou carinhosamente que estará online nessa Noite e que poderemos conversar um pouco e houve outra pessoa, que ficou extremamente sensibilizada e me disse “ter adorado a surpresa”.
E a surpresa foi apenas um cartão, um simples cartão!
O Natal é exactamente isso – surpresas e surpresas agradáveis!
Mas pode acontecer que mesmo assim, não estamos felizes e segundo o artigo que li ontem, não há nada de errado em admitirmos isso.
Tal como o artigo diz, o problema está em conseguir que os outros compreendam esse ponto de vista – por exemplo, a minha Mãe e a minha irmã não aceitam que eu queira mudar um pouco a ementa, a forma de se passar o dia e nem sequer querem ouvir o porquê da minha sugestão!
Uma das dicas que o artigo dá para se passar melhor o dia de Natal é fazer o que se gosta.
Por isso, vou entrar no Messenger e conversar um pouco com a minha amiga, vou comprar um livro que me leve para o outro lado da fronteira e vou escrever.
Sobre o quê, não sei – talvez como deixar para trás quaisquer expectativas que possa ter tido em relação a determinadas pessoas!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

ATAQUES DE ANSIEDADE

O dique rebentou e aqui estou a chorar como se de algum pecado tivesse que me arrepender.
Sinto-me como se tivesse febre alta e estivesse a delirar.
Os médicos chamam-lhe “ataques de ansiedade” e uma maneira de os controlar é dar passeios a pé.
Foi o que fiz esta manhã – bem agasalhada, com o meu cachecol vermelho (que devia substituir, mas não consigo), caminhei por Santa Catarina, desci até ao Bolhão, subi Sá da Bandeira, respirando fundo e indo, sempre que possível ao encontro do sol.
Não é o sol quente de Verão; os raios não cortam totalmente o frio, mas afastaram as nuvens cinzentas e densas que desceram e ameaçaram a cidade com um vendaval.
Tal como afastaram o vendaval que abalou a minha vida nestes últimos dias!
E como já consigo ver as minhas montanhas azuis, sentir o cheiro do café a invadir as minhas narinas e ouvir as minhas cores favoritas a rirem-se e a pintarem quadros exuberantes, encontrei novamente a saída do labirinto.
Talvez consiga agora continuar a escrever a minha história, que deixei a meio. Talvez agora a minha personagem se torne novamente “viva” para mim, porque deixamos de comunicar uma com a outra; talvez por a vida dela reflecte um pouco demais a minha, porque se acaba sempre por “emprestar” à personagem os nossos próprios medos e receios.
Vamos ver se eu consigo - é outra forma de vencer os “ataques de ansiedade” !

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

MAL QUE NUNCA ACABE


Tão contente que eu estava com os meus planos para a festa de Natal, mas como bem diz a minha Mãe:
Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe
e nestes últimos dias tenho constatado que isto corresponde à verdade!
Começou com um telefonema inesperado, um pedido de desculpas e explicações que o facto de ter perdido a cabeça nada tinha a ver com a “nossa amizade”.
Gostaria de saber qual é a base dessa “nossa amizade” e surpreende-me ter dado uma explicação sobre uma coisa, que eu tratei com uma grande gargalhada e deitei no lixo sem cerimónia.
Graves coisas houve antes e nunca tal explicação me foi dada!
Mas o pior não é isso!
O pior de tudo é a maldade que se respira, o prazer que parece haver em ferir as pessoas e as provocações às quais eu não respondo.
Diz-me a cabeça que é a melhor atitude a tomar para controlar a situação.
Talvez devesse dar um berro e calar toda a gente, mas isso pioria ainda mais as coisas, que estão pesadas, frustrantes e dolorosas.
No fundo, e apesar de todos os defeitos, o “menino mau” ainda consegue mostrar alguns sinais de decência.
O que não quer dizer que não esteja vigilante, não vá o barco tombar e eu naufragar!

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

PREPARAÇÃO


Agora que acabei de enviar os meus Cartões, falta escolher uma música e conceber um jogo de cores, não só para a árvore, mas para a mesa, para nós … enfim, para que ninguém fique de fora.
Quanto à música, sei que a Diane Krall tem um disco novo, restaurando ao som de jazz velhos êxitos natalícios que todos conhecemos.
Contudo, talvez seja melhor escolher uma música mais “viva”, mais “ardente”, como por exemplo “All I want for Christmas is you”, escolhendo um som e uma orquestração mais moderna que convide a dançar.
Bem sei que há aquela ideia pré-concebida de que só devemos dançar no Ano Novo, mas não estará na altura de quebrar essa tradição e transformar o Natal numa festa que dê brado e faça as pessoas abrirem a boca de espanto?
E as cores? Oh, vamos esquecer o vermelho, o dourado e o preto!
Porque não apostar no laranja forte, no verde água, no rosa claro, no azul escuro, tendo sempre como base o branco.
Porque o branco é o branco – dispensa qualquer apresentação, é a cor mais rica que há.
E não concebo o Natal sem essa cor – é a cor que dá alento e inspira confiança! E o que é a vida sem confiança?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

COM LUVA BRANCA

A partir de 2ª Feira, dia 5, todos os meus amigos e conhecidos vão receber um Cartão de Boas Festas meu!
Até mesmo o “menino mau”, que se está a tornar insuportável com tanta amabilidade!
Não quero com isto dizer que prefiro que ele me ofenda, desrespeite e faça com que o dique rebente e eu chore amargamente.
Não, é que ele não é assim;
portanto, o que é que mudou? O que é que aconteceu? O que quer?
Não vou procurar as respostas; verdade seja dita, nem quero ter essas respostas, mas enviei o cartão, por uma questão de boa educação.
Também para lhe dar a chamada “bofetada com luva branca”, uma vez que ele acha estas coisas “uma mariquice”.
Uma coisa tão simples, um gesto tão gentil, apropriado a qualquer ocasião, mesmo não sendo Natal.
Como já aqui disse, levar um pouco de conforto e cor a alguém que, neste momento, se pode sentir derrotado, desesperado é dizer-lhe que não está esquecido!
Não resolve os problemas pendentes, mas sempre anima!
Porque é isso que eu vou sentir quando abrir os cartões que me enviarem!
Não há nada de mal em devolver aos outros o que eu própria vou sentir!

terça-feira, 29 de novembro de 2005

ENTRE FITAS E LAÇOS

Entre fitas e laços, ursinhos vestidos de Pai Natal ou Árvores Falantes, hesito!
Não sei se devo incluir uma música – muitos dos Cartões na Net têm essa vantagem – ou apenas escrever o texto.
E, sobretudo não vou chorar; não vou dar essa satisfação, talvez a quem me disse “é velha para trabalhar!”
Grande coisa!
Todos sabem disso; temos um bilhete de identidade que não nos deixa mentir e estamos conscientes que a mentalidade do País é essa.
O que vamos fazer? Ocultar a idade? Será uma solução, mas será honesta?
O pior não é enganar os outros; é enganarmo-nos a nós próprios, viver e construir uma vida de mentira, que, como alguém me disse, é uma prisão. Não se pode voltar atrás e valerá a pena?
Não, não vale – nada paga a consciência tranquila de quem fez o possível, mas, pela força das circunstâncias teve que desistir a meio.
Com isto em mente, a minha pergunta é – para quê “cravar” o punhal ainda mais fundo e abrir ainda mais a ferida?
Por Deus – há muitas formas de dizer a verdade! Para quê magoar-me daquela maneira?
Não tenho resposta; não consegui responder, porque não havia resposta possível.
Porque quem comigo fala deixa-me quase sempre uma mensagem de esperança e de coragem – mas parece-me que, para algumas pessoas isso é terreno desconhecido
.

sábado, 26 de novembro de 2005

ESTE NATAL


Hoje, não sei porquê – talvez porque vamos entrar em Dezembro – lembrei-me que está na altura de escolher os cartões de Boas Festas, fazer a lista e começar a estruturar um pequeno texto divertido para dar ainda mais cor e conforto ao cartão.
Dar um toque pessoal, um desenho, uma citação – qualquer coisa que faça a pessoa que o recebe sorrir e dizer “É mesmo da Marta.”
Eu gosto destas pequenas coisas – às vezes, escolho um tema e mando o mesmo cartão com um texto diferente, o texto que penso ser o mais adequado à pessoa a quem escrevo.
Não vou negar que houve um ano em que não o fiz – talvez porque me sentia desiludida comigo mesmo e com o mundo.
Este ano, sinto-me também desiludida, mais com o mundo do que comigo mesmo, mas como diz Paulo Coelho no “Diário de Um Mago:

Atacar ou fugir fazem parte da luta.
O que não faz parte da luta é ficar paralisado de medo”

e eu resolvi “atacar” – “atacar” a depressão, a angústia que se infiltra cada vez mais nas paredes desta casa, a casa dos meus Pais .
A casa que me viu crescer, tornar-me mulher e conhece todas as minhas hesitações, todas as minhas dores e só raramente é que ouve o som do meu riso, porque deixou de ser o meu abrigo.
Vou fazer a festa sozinha, vou vasculhar a Net à procura dos meus cartões e cada um dos meus amigos receberá um.
Uma surpresa – pode dizer apenas “Feliz Natal”,
Cuidado com o Champagne”
ou “Manda-me um SMS para saber que estás vivo” ou
“Pena não estares aqui para beberes cacau comigo à meia-noite”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

TER SOBRINHOS ADOPTIVOS

Vamos esquecer as agressividades escondidas e patentes e pensar no que de melhor nos aconteceu esta semana?
Para mim, foi abrir o Inbox e deparar-me com as fotografias de uma menina linda, moreninha e muito risonha a chamar-me carinhosamente “Titia”.
Claro que a “Titia Marta”, que está sempre pronta a derramar lágrimas, conhecida em tempos por “Madalena arrependida”, foi isso mesmo que fez.
Não só por causa da menina, que é linda, mas também pela amabilidade e simpatia daquela Mãe orgulhosa, que só me conhece daqui, da comunidade bloguista.
Estou orgulhosa da minha nova sobrinha “adoptiva”, vestida de cor de rosa, tal como eu gosto.
Porque é isso a única coisa que posso ser – tia adoptiva para os filhos dos meus amigos!
Pronta a rebolar-me no chão com eles, a aprender a jogar Play Station e outros jogos horrorosos de computador e ir às escondidas comer ao MacDonald’s.
Depois eles crescem e têm a sua própria vida, mas espero que se lembrem de mim com carinho e amizade, como alguém que participou activamente nas suas brincadeiras.
Eu não tive “um companheiro de brincadeiras” – não que tivesse uma infância infeliz, mas foi uma infância muito solitária e talvez tenha sido por isso que não tive filhos quando devia.
Mas hoje não se fala em tristezas; vamos apenas inventar brincadeiras malucas para que os nossos sobrinhos, verdadeiros ou adoptivos, não parem de rir!

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

AGRESSIVO

Hoje conheci uma faceta tua que não gostei!
És sempre tão calmo, tão carinhoso, tão diplomata, que ouvir-te falar assim tão agressivamente, fez com que eu te olhasse com surpresa e incredulidade.
Nada justificava a tua agressividade e se bem que o meu papel foi apenas o de mera espectadora, fiquei tão chocada como a pessoa, que foi vítima das tuas palavras duras e curtas.
Depois do silêncio instalado, a vida de volta ao normal, conclui que afinal, não te conheço tão bem como pensava.
Chocou-me, porque estava escondida; as tuas reacções foram sempre tão normais; as observações sensatas; as palavras ponderadas, bem enquadradas.
Nunca detectei em ti agressividade, uma agressividade que é patente, por exemplo, no “menino mau” - no olhar, na postura do corpo - o que torna fácil reconhecer que qualquer coisa vai explodir e dá-nos tempo para preparar a defesa.
Em ti não houve qualquer sinal e tal como se estivesse a montar um filme, revi todas as imagens da cena que presenciei e foste extremamente injusto!
Não sei se fale ou se me cale – talvez opte por não dizer nada, um vez que tudo está já resolvido - mas se um dia falares assim comigo, não fiques surpreendido se te responder da mesma maneira.
Esse foi o meu erro com o “menino mau”; aprendi a lição e não voltarei a deixar que me tratem assim.
E, se como o “menino mau” amuares e me deixares de falar, então aí, meu querido, estamos com um grave problema!

terça-feira, 22 de novembro de 2005

O LADO CÓMICO DA VIDA

Dizem os outros que devo levar a vida a rir!
Não é a primeira vez que me dão este conselho e às vezes, resulta tentar ver o lado cómico da situação.
Como, por exemplo, a minha Mãe achar que estou magra demais, amarela e o facto de eu adoecer provocar “caos na minha vida que já tenho que sobre!”
Ao princípio, fiquei chocada e pensei “e o caos na minha vida?”, mas como já aqui falamos, foi por amor que ela falou. Só que viu o problema do ponto de vista dela, esquecendo-se, por completo que há dois lados da moeda – o meu e o dela!
A única coisa que tenho a fazer, que posso fazer é manter-me saudável, cumprindo com todo o rigor os conselhos do meu médico.
Pode ser o suficiente e pode acontecer exactamente o contrário, mas as coisas acontecem quando menos esperamos e o pior de tudo foi ter estado 9 dias numa cama de hospital e continuar ainda hoje sem saber o porquê de ali ter estado.
Por isso, seguindo o conselho que me deram, vou tentar rir-me mais; mesmo das bocas insolentes e dos sorrisos irónicos, das brincadeiras sem graça de quem acha que o mundo lhes pertence, vá lá saber-se porquê!
Afinal de contas, eu também cá estou, conquistei e reconquistei o meu espaço e voltarei a faze-lo se tal for necessário, porque afinal eu sou tão importante como os que se acham importantes!

sábado, 19 de novembro de 2005

BENÇÃO


Vagueio!
Estou em todos os lugares e em nenhum!
Chove e está frio, mas eu estou indiferente, porque é sábado, é o meu dia e eu resolvi mimar-me!
Não é que tenha esquecido os meus problemas pendentes; vão apenas ficar em suspenso por hoje!
O dia em que sou dona do tempo, do espaço e controlo o meu mundo!
Até o telemóvel vai ficar desligado – hoje vou exercitar a visão, apreciar demoradamente o que está lá, mas que, por vezes, pelas preocupações, pela falta de tempo não vejo.
Talvez seja hoje o dia em que vou ler atentamente o resumo daquele livro, com aquele título curioso “Não digas que foi um sonho” para saber se vale a pena arriscar a nossa vida por um sonho.
Ainda acredito que sim – e gosto de os colorir com cores fortes e perfumes suaves!
É como o Paulo Coelho diz em “Na Margem do Rio Piedra” – Às vezes, a felicidade é uma bênção, mas geralmente é uma conquista.
Hoje, vou transformá-la numa bênção!

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

AFRODITE - AMOR E BELEZA


Também eu, Afrodite, gostaria de ter nascido da espuma do mar e poder, em qualquer altura misturar-me com essa espuma e viajar para outras orlas marítimas.
Enlouquecer os marinheiros, com promessas, risos, fugas e depois reaparecer para tornar mais doce a rendição.
Isto é um mito; uma fantasia da Antiguidade Clássica e a ti atribuíram o papel da deusa da Beleza e do Amor.
Neste momento de instabilidade que atravesso, em que a minha vida vai ter que mudar, pelas decisões difíceis que vou ter que tomar, vou precisar de todo o amor que encontrar em mim e nos outros.
Compreender, como bem disse uma amiga minha, que não há falta de amor por parte dos meus Pais – é não saberem como amar que se torna o verdadeiro problema.
Como o “menino mau” que aparece quando a luz está acesa e desaparece ao primeiro sinal de calamidade.
Apelo, portanto a ti, Afrodite para que me guies nesta viagem pela espuma do mar, pelas ondas gigantes que ameaçam destruir o navio.
Não vou ter medo, pois tu, como deusa da Beleza e do Amor, vais encontrar maneira de, quando eu desembarcar alguém estar lá à minha espera, no porto, com ou sem flores, para me abraçar, se não louco de paixão, pelo menos com muito carinho.
Alguém que sabe que o verdadeiro amor está na confiança, no respeito e na estabilidade e na amizade que as palavras e o corpo transmitem!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

O ORGULHO E PAULO COELHO


A verdade é que não conheço bem a obra de Paulo Coelho.
Mas, ontem na Fnac, encontrei um pequeno livro com uma série de citações dos vários livros que ele escreveu.
Como sempre, escrevi no meu bloco algumas dessas citações, as que me chamaram mais a atenção.
Uma delas, inserida no seu livro “O Monte Cinco”, diz o seguinte:

Quem não duvida de si mesmo é indigno, porque confia cegamente na sua capacidade e peca por orgulho.
Bendito seja todo aquele que passa por momentos de indecisão”


Creio que ele não se refere a coisas tão caricatas como se devemos vestir a saia verde ou amarela.
Esses momentos de indecisão são muito mais graves do que se possa pensar e podem ter consequências desastrosas para a nossa vida.
Como eu que neste momento, não sei verdadeiramente o que fazer.
O que a cabeça me diz, o coração rejeita e eu estou a deixar que o tempo me ajude a encontrar uma solução.
Uma solução que tenho que ser eu a encontrar, mas o que fazer, quando ele num tom de voz tão sexy, que ficamos incoerentes, diz tudo o que se desejou ouvir a vida inteira?
Pensando com a cabeça, sei que me vou magoar se ceder e sei que aí me sentirei indigna de mim própria.
Não que vá pecar por orgulho; mas talvez pela falta dele!

sábado, 12 de novembro de 2005

AMABILIDADE REPENTINA

O que dizer da tua amabilidade repentina?
Estava tão habituada aos teus gritos, às tuas ofensas que agora me sinto “esmagada” com tantos “se fazes o favor”, “quando estiveres mais livre” ou “obrigada”.
Estou desconfiada, porque conheço-te o suficiente para saber que esta amabilidade toda não vai durar e um dia destes, vais destruir em cinco minutos a tranquilidade que eu cultivei a custo.
Não será mais honesto da tua parte dizer exactamente o que queres?
Uma carta, uma tradução?
Não te vou dizer que não e até sabes que eu o gosto de fazer!
Por isso, diz lá o que queres ou será que estou a cair novamente no erro de ler nas atitudes das pessoas coisas que lá não estão?
Sou misteriosa? Não digo facilmente o que penso? Mantenho-me distante?
Nunca ouviste dizer que “gato escaldado, da água fria tem medo!”? Ou que conheces dos teus amigos? a cara ou o coração?"
E porque é que vou confiar em ti quando me tratas como se me tivesses ódio?
Ah, não sabias?
É o que te leio no olhar, muitas vezes e como te recusas a falar comigo sobre isso, eu mantenho as distâncias, porque já me magoaste muito e apenas me quero proteger!

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

PERFEITO

Dedicado a alguém muito especial

Que maldade – deixar tocar o telemóvel uma eternidade e no fim, ouvir uma voz pausada, sem timbre “Chegou à caixa de correio do nº tal. Ao ouvir o sinal…blá, blá,, “blá”!!
E eu que precisava tanto de falar contigo…
Primeiro, fiquei destroçada, mas depois, tive vontade de te bater.
Todo aquele cuidado em me pôr à vontade, frisar vezes sem conta “liga sempre que precisares. Não te preocupes com as horas…” e agora nada!
Fiquei parada, no meio daquele temporal, tipo estátua, sem me aperceber de nada - nem das pessoas que me olhavam curiosas nem da chuva torrencial que quase me arrancou o guarda-chuva das mãos.
Balbuciei qualquer coisa sobre o egoísmo e a insensibilidade dos homens, mas quando me acalmei, procurei desculpas – coitado, está a chover e tem que se concentrar na condução”, ou “está ainda em reunião e tem o telemóvel desligado ou “isto não é muito importante. Pode esperar até amanhã! Se calhar até estou a ver as coisas mal.”
Mais ou menos confortada, lá cheguei a casa, mudei de roupa e instalei-me confortavelmente no sofá. Já embrenhada no livro, o toque do telemóvel assustou-me e dado a hora, atendi a medo.
Não precisava - eras apenas tu a desculpares-te por não me teres atendido, - “estava tanta chuva e a polícia estava a vigiar” e a perguntares-me, carinhosamente o que se passava e o que podias fazer por mim.
O que mais posso desejar de um amigo, que considero perfeito!!!

FÉNIX RENASCIDA

Coisas curiosas – os provérbios!
Um dos provérbios que transcrevi mais tarde no meu outro blog, é japonês e diz que as “palavras são como uma teia de aranha”.
A sabedoria oriental explicou-me, melhor que ninguém, como eu, que me esqueci completamente daquele ditado “Quem vê caras não vê corações”, deixei que palavras normais, sem qualquer sentido oculto, fossem deturpadas e mais tarde usadas contra mim.
Fiquei presa numa teia de aranha, que eu própria teci, sem saber como a minha imprudência se tinha tornado a minha pior inimiga.
Mas o provérbio diz também que as palavras podem ser um “abrigo” e foi ao gritar bem alto que rasguei a cortina da minha culpa e do meu remorso e libertei todas as palavras que esmaguei durante anos.

Ao lançar o desafio no BookCrossing sobre os provérbios, fiquei surpreendida e grata pela resposta que obtive.
Por isso, o provérbio índio que a Patiblue me enviou

“A fortuna bate sempre à porta que sorri."

fez com que eu sorrisse novamente e sem bem que o sorriso ainda não tenha atravessado o olhar, pois há ainda corredores sombrios e escorregadios a atravessar, sinto-me como a Fénix renascida.

P.S.: Os provérbios estão a ser publicados no meu outro blog: www.escrevercomamor.blogspot.com

terça-feira, 8 de novembro de 2005

MUNDO E VOLTA

Tão embrenhada estava no mundo dos sonhos que foi muito duro acordar para a realidade.
A realidade de ter que me levantar, quando sinto que o estou a começar a fazer por obrigação!
Porque nada me pertence; com nada me identifico e talvez seja por isso que tenha, mentalmente partido em busca do Taj Mahl.
Ou outro sítio exótico, em busca de calor que agora nos escapa, pronto para semear a destruição e o caos noutro local.
E, eu começo a pensar se, como a minha Mãe diz, não devíamos conversar um pouco mais com Deus.
No sentido literal da palavra – deixar que Ele se aperceba do nosso medo, da nossa angústia, da nossa frustração e só então, ajoelhar-nos e rezar com paz e devoção.
E, nunca esquecer que, e por muito improvável que isso possa parecer, Deus pode fechar uma porta, mas deixa sempre uma janela aberta (ditado muito antigo).
Talvez aí esteja o calor humano, a vida em comunidade e em família, noções que alguns consideram antiquadas, mas que continuam a ser bastante importantes!

sábado, 5 de novembro de 2005

VISITAR O AMOR PERFEITO


Hoje, não sei porquê, acordei a pensar no Taj Mahl.

Na Net, segundo o website que descobri, algumas pessoas acham que se deve estar lá quando nasce o sol – como se estivéssemos a polir um espelho!

Outros dizem que é quando o sol baixa na linha do horizonte e se mistura com os primeiros clarões da lua.

Não sei; só estando lá, vendo como a luz se reflecte nas paredes e jardins do mausoléu, embelezando certos espaços e escondendo outros é que poderei decidir se este é realmente um monumento:

À perfeição
Ou à eternidade
Ou se é simplesmente uma ilusão, uma fantasia
Ou remorso por não a ter amado como devia tal como os cépticos definem o amor

Pouco importa agora; para quê esmiuçar o que é realmente o amor quando um amor, que se diz ter sido perfeito, nos deixa como herança qualquer coisa que nos faz sentir tão pequenos?

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

MENSAGEM


Tentei encontrar-te no Messenger, mas não estavas online!
Tínhamos falado sobre a possibilidade de conversarmos online, para estarmos mais à vontade, mas na realidade, não tínhamos combinado em concreto.
Por isso, conversei com outras pessoas, que estavam online e se sentiam tão solitárias como eu, neste dia escuro e triste.
A chuva continuava a cair; a temperatura baixado e era feriado – dia em que, por norma se aproveita para se por o sono, e não só em dia!
A conversa até se tornou interessante, pois todos tínhamos lido determinado livro e como tínhamos opiniões divergentes, falamos abertamente sobre a nossa posição.
Quando decidimos fechar a sessão, a chuva tinha parado, mas as nuvens estavam opacas, ameaçadoras, assustadores e lembro-me que pensei:
“Meu Deus, esta vai ser uma noite de tempestade!” e apressei-me a fechar a persiana, como se esta me protegesse contra a fúria duma natureza revoltada, à procura de sangue.
Quando me sentei, confortavelmente no sofá para ler, não me sentia nada deprimida ou aborrecida por não te ter encontrado.
Deixei-te muitas vezes pistas para me encontrares – algumas vezes, foste lá ter; outras, fiquei sozinha.
Mas, em qualquer ocasião, falamos sempre abertamente, claramente, sem mentiras ou explicações apressadas, atabalhoadas, de quem quer cobrir os rastos duma realidade bem diferente da que quer transmitir aos outros.
Hoje, achas que podes vir saborear um chocolate quente comigo? Só com espuma ou com natas por cima?

domingo, 30 de outubro de 2005

HISTÓRIAS DE CHUVA E PREGUIÇA


Estou preguiçosa; nem vontade tenho de sair para tomar um pingo!
Está a chover torrencialmente e o barulho da chuva a bater no telhado é ensurdecedor e deprimente.
Não me consigo concentrar – eu que escrevi tanto sobre a chuva!
e neste momento, estou aqui, com os cotovelos pousados na mesa, a olhar para o écran do computador, sem conseguir ordenar as ideias, como faço habitualmente antes de escrever qualquer um dos meus textos.
O telemóvel continua a receber mensagens e em breve vai bloquear, porque eu nem as abro nem as apago.
Sei que não são da minha irmã, pois já teria telefonado, preocupada, perguntas rápidas e curtas “o
que aconteceu? Porque não me respondes?”
És tu que me procuras, mas eu não te quero encontrar!
Não quero saber nada sobre ti!
Se estás bem ou mal, se vais para fora este fim-de-semana – não quero saber!
Se estás arrependido e me queres compensar de alguma maneira – não quero saber, porque sei que não é verdade.
Nunca admitiste que erraste; porquê agora?
Já reparaste que discutimos sempre por causa disso?
Seres incapaz de admitires que erraste e de pedires desculpa?
Ah, porque é que eu ainda perco o meu tempo contigo?
Nem sequer estou mais apaixonada por ti!
Ou será que sim e não o quero admitir? Estamos tão distante um do outro!
Acho que vou escrever sobre a chuva – é fria, mas pelo menos é “transparente”!
Não se arma em “estrela de cinema” ou “salvador da pátria”, sem o ser!
A chuva é o que é!
Água!
Oxigénio!
Nuvens escuras!
Colisão de altitudes!

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

FANTASMAS


O vento arrasta igualmente fantasmas que, com um riso profundo e macabro escondem o rosto, mergulhando na escuridão dos cantos e das salas.
O que mais me assusta é o da idade – vaidoso, trocista, irónico – sempre a mostrar-nos um espelho, o reflexo da nossa cara!
O problema não é envelhecer; o problema é acharem-nos “velhas” para trabalhar e a idade nada tem a ver com a competência.
A competência é algo que se adquire, que se constrói ao longo do tempo, em que se procura alargar os conhecimentos e aplicá-los ao que se faz.
É difícil aceitar que, por causa da nossa idade, as pessoas pensam duas vezes antes de avaliarem a nossa candidatura e escolhi “avaliar”, porque é a palavra correcta.
O que está em causa é o que nós podemos fazer pela empresa, com a nossa experiência que é sempre uma “mais-valia”, porque, perante uma determinada situação, não vamos entrar em pânico, mas vamos agir fria, profissionalmente, explorar todos ângulos e encontrar uma solução prática.
Desculpem se me estou a queixar, mas tentem ver as coisas tal como eu as vejo e sinto.
E, se procuro a calma do Adágio de Albinoni, se deixo que o som do órgão, do cravo e do violino libertem em mim fantasias, desejos, porque não??

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

ESTAR PERDIDA


Entre perfumes, sorrisos e amor, pensei que estava perdida.
Mas, como é que podemos estar perdidos no meio de coisas tão lindas e cheirosas como um perfume, um sorriso generoso e um amor genuíno?
Como é que não podemos relaxar, ao pensar em coisas doces como um bombom ou o cheiro forte do café?
Como é que podemos pensar que o amor é, tal como Eugénio de Andrade diz, no seu poema, que, por coincidência se chama “O Amor”:

“Assim é o amor: mortal e navegável”

Fiquei espantada quando o li a primeira vez, mas quando o reli, compreendi!
Sei bem do que fala o poema; já senti a fragilidade do meu ser, senti que podia navegar para outro mundo que não este, sem saber bem porquê.
Há sempre uma pergunta; há sempre uma resposta incompleta; há sempre ditos que se negam e eu????
Vou continuar à procura dos perfumes, dos sorrisos e do amor, não para me esconder, mas para marcar a minha presença, mesmo no seio daqueles que me ignoram
!

domingo, 23 de outubro de 2005

O SORRISO

No seu editorial desta semana da Xis, a Laurinda Alves fala do sorriso, que ela considera ser “uma linguagem silenciosa que diz tanto ou mais do que as próprias palavras.”
Que ela está certa, não tenho qualquer dúvida! E sei também como uma “situação banal”, tal como ela descreve, se pode “transformar num momento especial”.Porque não é a primeira vez que chego chorosa e triste à confeitaria, onde tomo um pingo todas as manhãs, e saio reconfortada. Basta apenas o tom ligeiro e brincalhão do empregado e o sorriso generoso de uma das clientes para que eu sorria também.
Triste, com as lágrimas a brilhar ainda no canto do olho, mas um sorriso!
Só com os anos, com a experiência de vida é que identificamos as verdadeiras “nuances” do sorriso ou a falta dele e nós próprios aperfeiçoamos o nosso.
Até podemos ter um especial, aquele que guardamos só para os amigos especiais, para aqueles em quem confiamos plenamente – aquele sorriso que vai para além da alma e para o qual não há nem palavras nem máquina fotográfica que imortalize!
A Laurinda fala em 19 tipos de sorrisos; acrescenta o meio sorriso, que classifica de “misterioso e atraente”.
Mas esqueceu-se de falar do meu sorriso!
A única testemunha é o écran do computador, mas espero sinceramente que quem por aqui passe leia este meu texto com um sorriso nos lábios.
Pouco importa se é triste, tímido ou irónico; o que é preciso é que seja genuíno!

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

À NOITE

A noite……..
O que dizem dela!
Será realmente “feita para amar” ou para esconder o lado negro das coisas?
Será que a noite é realmente
Feita de risos, de luzes, de brilhos, de champagne ou outras bebidas, ritmos e danças sul-americanas, de declarações e paixões alucinantes?
Ou, pelo contrário e como diz o título do livro, tem um “lado errado”?
“Clandestino”, escondido, obscuro, violento que todos conhecem, mas fingem que não há?
Será que é possível “esquecer”…
As lutas, as discussões acesas, as facas cravadas, o sangue espalhado e os passos furtivos que a noite encobre?
E o que dizer dos que têm a sua vida organizada à noite para assegurar que eu tenha pão fresco para o pequeno-almoço?
A noite é rica, abunda em segredos e sugestões, em dores e alegrias, em paixões e no exótico.
A noite foi realmente feita para amar – qualquer que seja o seu lado!

terça-feira, 18 de outubro de 2005

POEMAS

A minha relação com a poesia nem sequer foi fácil!
Para mim, a poesia era uma selva, um pântano que me recusava a desbravar e a atravessar!
Porquê?
A prosa facilitava a compreensão e eu achava que a minha vida já era complicada!
Tudo mudou no dia em que me sentei a chorar amargamente
e tive realmente que desbravar e atravessar a tal selva que tanto me assustava!
Talvez porque tive que enfrentar o medo que tinha dos outros e do mundo;
talvez porque descobri que a prosa não me oferecia a tal protecção que eu insistia que tinha!
Talvez porque ao ler a poesia, compreendi que o céu pode ter as
cores do arco-íris ou a que eu lhe quiser dar;
que posso pintar quadros com as nuvens e arrancar um sorriso ao sol ou posso simplesmente sentar-me e reflectir com a lua.
Talvez porque encontrei na poesia uma nova forma de comunicar com os outros; um outro confidente, um outro amigo!
O primeiro poema que li foi “A Hora da Partida” da Sophia de Mello Breyner; o que estou a ler é de Eugénio de Andrade, “Post Scriptum”.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

ACREDITAR

Desenhei arcos com os raios do sol e amarrei com um laço espampanante as nuvens.
Depois, arrastei-as com esforço e mergulhamos nas águas frias do rio, que se abriu para me acolher.
Não sei do que fujo – talvez das tuas palavras, tão gastas, tão tristes, porque nada significam.
Apenas que não mudaste; continuas só a olhar para o teu umbigo e eu quero pintar as nuvens com as minhas palavras.
Quero renovar a minha vida, com outras palavras, com outros significados, com outra luz.
E contigo presente……eu não consigo pensar!
Tenho que partir; tenho que reescrever novamente a minha vida e parar de me sentir culpada, porque o meu único pecado….
Foi acreditar!

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

LER ROMANCES DE AMOR

Não sei porquê – lembrei-me do livro de Luis Sepúlveda “O Velho que lia romances de amor”.
É um livro muito pequeno, lê-se num instante, mas fica-se com vontade de o reler logo de seguida.
Como se cada palavra encerrasse nela um segredo que queremos desvendar, custe o que custar e o maior segredo do livro é a simplicidade dessas palavras.
Como se a vida fosse fácil, mesmo muito fácil, mas a selva é densa demais, cruel demais e rapidamente engole tudo o que lhe aparece pela frente.
Também eu li romances de amor – com grandes tragédias pelo meio, mas todos ficam felizes no fim, conhecem o estilo?
Não estou nada feliz com o meu romance de amor; mesmo nas páginas da história que escrevo, tal como eu, a minha personagem procura novas saídas, reencontra antigos projectos e desafios para se esquecer do amor que escorreu pelos dedos, tal como a areia, nem ela própria compreende como!
Talvez deva novamente reler “O Velho que lia romances de amor”.
Talvez para me convencer que chamar-me “querida” nada significa; talvez me dê coragem para lhe pedir que só me chame isso se o disser com a verdade no coração.
Para quê desperdiçar palavras, se o que me fica na boca não é mel?

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

SABES O QUE É??????

Olho, vezes sem conta para o relógio.
Assusto-me quando um telemóvel toca.
Mas não é o meu – continua mudo e eu já sei que amuaste e que me vais evitar durante dias.
Até que….
Um dia, vais acordar e pensar “Vou sacudir a vida dela”
e sem que eu tenha tempo de reagir, invades a minha zona, afastas para o lado qualquer resistência que haja, porque…
“Levas uma vida tão apagada; tão parada!”
Talvez seja parada; talvez não tenha mistérios,não esteja envolvida em brincadeiras exóticas, sensuais, excitantes!
Mas, pelo menos, eu sei que sou “amada” e tu?
Sabes o que é isso????

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

QUEIMAR OS ASES

Hoje, não tenho vontade de brincar com o vento ou com as folhas que começam a cair!
Nunca pensei fazer tal pergunta ao espelho:
Vale a pena levantar-me da cama, lavar-me, vestir-me e sair para trabalhar?
Nem sequer tenho vontade de sorrir ou mesmo de disfarçar o meu aborrecimento.
Não posso ficar bem disposta com alguém aos berros às 09h00 da manhã – nem sequer tinha tirado o casaco!
Também não me posso zangar com ele – até tem razão; só que não é em mim que deve descarregar a frustração.
E, neste momento estou a olhar para o écran do computador e a escrever sobre a minha frustração, o meu ressentimento e o meu aborrecimento.
E não devia estar!
Oh, eu sei; estou a armar-me em vítima!
Mas sabem verdadeiramente o que é ser-se vítima?
É estar-se mal com o mundo inteiro; achar que o mundo
inteiro está a conspirar contra si e estar presa ao que mundo inteiro diz de si!
O mundo não me fez mal nenhum; já fez, mas eu contornei os obstáculos e conquistei o meu lugar.
A única coisa que quero agora é que reconheçam o meu valor e me proponham algo novo, um desafio, porque eu sei que vou responder correctamente.
Ninguém diz nada; ninguém faz nada e eu??
Acho que já “queimei” todos os meus “ases”!

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

BRILHAR MAIS FORTE

Subi até ao cume da montanha mais alta do mundo!
Estou ofegante; tenho uma dor que me apunhala o peito e faz com que tenha que me sentar.
Ali, na neve fofa e fria, mas eu estou tão cansada que nem noto!
A nuvem, onde eu passeava com tanta alegria, acaba de se fragmentar e já que tinha que cair, pensei que a neve me amorteceria a queda.
Não amorteceu e durante uns dias, vou sentir-me rejeitada, punida, como se estivesse em carne viva.
Perguntas que ficavam sem resposta, encontros cancelados à última hora, desculpas esfarrapadas – a repetição do nosso último filme, com os mesmos cenários, apenas com ligeiras alterações nos diálogos.
Só que desta vez eu não estou a chorar – estou desapontada, mas encolho os ombros e vou cuidar dos meus amigos, alguns dos quais estão já a refilar por eu ter “desaparecido” da rota habitual.
E nem preciso de dizer que se o meu amigo (do post Honesto) me ligar e me convidar para jantar fora, eu vou dizer que sim.
Nunca se sabe os que os Deuses têm reservado para momentos como este, mas aconteça o que acontecer, ficarei sempre feliz.
Um bom jantar, uma boa conversa com alguém que se aprecia – até as estrelas vão brilhar mais forte!

terça-feira, 4 de outubro de 2005

A PROCURA DO LUZ

Ontem, eu a falar em “tropeçar no escuro” e alguém acendeu a luz para que eu pudesse atravessar o meu caminho com segurança.
Esse alguém escreveu na dedicatória do livro que publicou, que eu comprei e lhe enviei para esse efeito:
“Para os verdadeiros amigos, não há distâncias” e essa é a verdade, a realidade, o mundo que eu e esta minha amiga conhecemos.
A minha amiga tem uma vida muito ocupada; não lhe foi, portanto possível responder-me pessoalmente, mas pediu a alguém que o fizesse em seu nome.
Entendi isso como um gesto de amizade, de carinho, de gentileza e sobretudo, de boa educação, porque, e como o mail diz, ao pedir desculpa pelo atraso, “pior seria ficar sem resposta.”
A boa educação não ocupa lugar; devia ser inato, mas muita gente anda por aí, sem saber do que se trata e pensa que é “grande”.
“Grande” em quê? Gostaria de saber, porque muitas vezes confunde isso com sorte e a sorte nada tem a ver com o fundamental da questão – boa educação, valores!
Por isso, é sempre bom saber que há alguém que compreende, conhece e procura os caminhos da luz!

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

TROPEÇAR

Há frases engraçadas que nos fazem reflectir, como por exemplo, o título de abertura de um das partes do livro “A guardiã de sonhos”.
“Crianças que tropeçam no escuro” e a minha pergunta é a seguinte:
Os adultos não tropeçam também?
Há, no entanto uma diferença – a criança esquece porque é que tropeçou; em breve nem se lembra porque é que tem aquela cicatriz no joelho.
As nossas cicatrizes são mais complicadas e eu tropeço muito e tenho muitas!
Até agora, tenho conseguido levantar-me, olhar em frente e continuado!
Porque, tal como o título do livro, temos que guardar os sonhos para quem já nasceu, está a crescer ou começa hoje a formar-se no ventre materno.
Não sei para quem guardo os meus sonhos; mas, pelo menos, tenho muita gente com quem os compartilhar!
Por isso, não vou ter medo se tropeçar novamente no escuro!!!

domingo, 2 de outubro de 2005

BOOKCROSSING

Esqueci-me de falar de uma outra maneira de nos consolarmos.
Que é importante, porque nos permite fazer uma espécie de levitação, ou seja, deixarmos o nosso corpo aqui e entrarmos na alma de uma das personagens.
Estou a falar de um livro e este ano resolvi inscrever-me no BookCrossing e fazer parte de uma comunidade, cujo objectivo é fazer uma biblioteca universal.
Tenho montes de livros aqui que estão “mortinhos” por sacudir o pó, viajar, conhecer nova gente e novos objectivos.
O livro voltará para mim – não por uma questão de egoísmo, mas porque faz parte da minha vida e não podemos abandonar um companheiro de batalhas, que, por vezes, perdemos. Ele é o único que sabe dos nossos segredos, que nunca revelará, porque a única coisa que regista é o toque e o perfume da nossa pele.
No BookCrossing, tenho uma estante com uma série de livros registados.
Um dos membros desta comunidade, que me convidou a visitar a sua estante, diz que os “livros dizem muito sobre a pessoa que os compra.”
Se concordo com esta afirmação?
Claro que sim e se visitarem a minha estante, vão ficar a saber que gosto de um bom policial, com uma história inteligente e soluções plausíveis.
Ou de um romance – não daqueles “lamechas” e cor-de-rosa – mas de ficção histórica ou não, com pessoas reais, situações reais, com as quais me possa identificar.
Que é o caso do que estou a acabar de ler – “Os filhos de Eve” em que cada uma das personagens encontra a sua razão de viver e as histórias do passado – ressentimento, amargura, etc - deixam, muitas vezes, de ter sentido.
Afinal de contas, na história de crianças, a tartaruga cortou a meta?

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

HONESTO

O que fazer quando alguém é tão honesto?
Directo, com um reflexo perfeito no espelho – não há fumo que distorça a figura e sobretudo, os olhos.
Têm uma expressão franca, um pouco trocista até, mas não escondem a verdade do que dizem e do que sentem.
A única coisa a fazer é aceitar o que nos podem dar e esconder que queremos mais que a simples amizade.
Isso implica um grande esforço da nossa parte,
pois divide-nos e não é fácil esconder no “sótão” sentimentos diferentes dos que temos que demonstrar.
E aceitamos, porque,
como gostamos verdadeiramente da pessoa em questão, não queremos destruir a amizade sólida que é a base da nossa relação.
Sinto-me que atravessei, inadvertidamente a linha e é por isso que há agora uma certa distância.
Foi, por isso que aceitaste, mas não retribuíste o meu abraço e o meu beijo!
Vou seguir as tuas directrizes – porque prezo e muito a tua amizade – mas continuo a acreditar que um beijo é um beijo e o que eu te queria dar era apenas um beijo cheio de amizade e carinho.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

CAVALO DE TRÓIA


O meu passeio pelas nuvens continua a ser muito agradável, mas não é real!
Sei que assim é, mas continuo a iludir-me!
No fundo, sei que me refugio nas nuvens, porque me sinto como a Helena de Tróia.
Usada como desculpa para uma guerra que não é minha,
enganada porque há segredos que não são partilhados,
um destino incerto, à mercê de quem é mais forte!
Procuro respostas nos jornais, falo com amigos e só fico com promessas.
Escondo angústias; não mostro o quão preocupada estou e dou azo a más interpretações.
Porque há amigos com letra A e outros que não merecem tal título!
E nunca se sabe onde o meu Cavalo de Tróia estará escondido.
Já tive um Cavalo de Tróia,
mas não sei se desafiei novamente os Deuses e eles me preparam uma nova armadilha.
Por isso, deixem-me passear, calmamente pelas nuvens –
os Deuses avisar-me-ão quando devo descer à Terra e misturar-me novamente com a multidão!
Com os bem-amados, os mal-amados e sem amor algum!

terça-feira, 27 de setembro de 2005

ESTRANHO


Estranho a personagem do meu “pseudo romance” (às vezes escrevo páginas sem hesitação; outras, tudo me soa a oco e fico bloqueada) estar agora a pensar em “restaurar a estufa do Pai à sua antiga glória”.
Pomposa frase que me soa a antigo, a fora de moda, mas é legítima!
Talvez a ideia não seja muito original, mas apresento-a do meu ponto de vista!
Talvez seja assim que eu veja a minha relação com o meu próprio Pai, com algumas diferenças!
Apresento o Pai da minha personagem como um homem sério, caloroso, com interesses na vida e o meu é uma criança grande.
Que na infância me divertia, mas na adolescência, juventude, e mesmo hoje, me exaspera, porque não me escuta.
Posso descrever a nossa relação como distante, um pouco hostil talvez, porque há muito que deixamos de ter razões para falar.
Tenho pena que assim seja, mas o meu Pai vive escondido num passado cheio de amarguras, tristezas, que eu não quero compartilhar, porque eu quero esquecer as minhas próprias amarguras e as minhas próprias tristezas.
Talvez seja por isso que a nossa relação tenha estagnado, murchado, afundado no lodo.
Tal como a minha personagem, eu preciso de luz, das plantas para não murchar.
Mas, tal como a minha personagem, hoje, e mesmo quando ele partir, vou recordar-me dele com carinho!
P.S.: Esta foto é do Site Aves Digitais de Portugal e o autor é o José Viana

domingo, 25 de setembro de 2005

CONSOLO

A palavra-chave de hoje é consolo.
Porquê?
Porque alguém me consolou – com palavras carinhosas, conselhos amigáveis, chamadas de atenção discretas e um remate final inesperado, inesquecível.
Estou consolada, mas não convencida, porque à questão em si, não tive resposta.
Não sei se porque a pessoa em causa não sabe ela própria a resposta;
porque se encontra igualmente presa num labirinto tão complexo como o meu.
Tal como eu, sente-se nervosa, insegura e como não tem certeza de nada, não quis alimentar uma esperança em que eu insisto em me agarrar.
Todos nós temos a nossa maneira de encarar as coisas e não é segredo para quem aqui passa que eu tento sempre descobrir um lado positivo.
Posso ser ingénua, ignorante, burra, o que me quiseram chamar, mas se perdermos a esperança, perdemos tudo.
No entanto, vivendo nesta cidade tão linda, onde há um sentimento de união tão forte, porque é que eu continuo a chorar?
Apesar de dizer que me sinto “consolada”?
Por alguém que zela verdadeiramente pelo meu bem-estar?
Não é fácil ver o mundo à nossa volta ruir; saber que não se vai poder salvar tudo – apenas o essencial e pensando bem, o que é o essencial?
Pode ser tudo e pode ser nada!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

PASSEAR NAS OU COM AS NUVENS


Ando a passear pelas nuvens.
Literalmente e lembro-me que há um filme com esse título:
“Um Passeio nas Nuvens
Não vou contar a história; é mais uma história de amor – banal o tema, mas retratado com tanto calor, com tanta abnegação, porque aquele homem, ao apaixonar-se profundamente por aquela mulher, aceitou incondicionalmente a gravidez dela, o filho do outro homem que a abandonou.
Aquela criança ia ser muito amada e feliz, porque nem todos os pais se amam assim.
Incondicionalmente!
Amam a criança sim,
mas podem não amar um ao outro;
pode nem sequer haver amizade
entre a mãe e/ou o pai dela!
Sei que o meu passeio nas nuvens tem os dias contados; sei que, um destes dias, posso chocar com uma nuvem mais pesada, atormentada, dorida, negra que vai fragmentar a minha em mil pedaços.
Sem regresso!
Sem compaixão!
Lenta ou repentinamente
!
Mas, como já não estou verdadeiramente sozinha, vou reencontrar a minha auto-estima (que ficará abalada) nos meus projectos, nas minhas conversas com as gaivotas, o mar e com o vento.
P.S: A foto é de Dane Gerneke

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

ALGO VAI MAL


Algo vai mal no Reino da Dinamarca” (Hamlet)
Algo por aqui também vai mal, pois deixei de te ver e ao dizer isto, sinto que a nossa “wavelength” se quebrou.
Deixamos de estar unidos; está a cavar-se um fosso e quando tento lembrar-me das tuas feições, só encontro sombras, uma silhueta mal desenhada.
Nem me recordo mais da tua voz!
Ou do teu riso!
Só ouço o relógio a bater as horas, na torre da Igreja ou os passos miudinhos de quem vai acender a vela a Santo António.
Creio que te deixei de ouvir quando passei a ser um objecto, uma “coisa” esquecida num banco de jardim e sabes?...nem um livro eu trato como uma “coisa”.
Por isso, como faço sempre que me sinto desorientada, estou aqui a olhar para a estátua da “Menina Nua da Praça”, a tentar decifrar na expressão dela algum sinal, alguma resposta.
Algo vai mal e eu não sei bem o quê…..
Tu assim não me tratavas! O que mudou???
Porque, na tua presença, eu “florescia”, abria as minhas “pétalas” e brilhava ao sol!

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

COM FRIO


As manhãs começam a estar frias e eu, friorenta, já fui buscar um casaco mais grosso.
O vento, à minha frente faz rodopiar as folhas, como se me dissesse
“Prepara-te, Marta! Vou começar a soprar com mais força e não te vou dar descanso.”
Pouco me importa o vento; o que me preocupa é o frio e é por isso que hoje saio, relutante de casa.
Estranho pensar que há alguns anos não me custava nada sair de casa para vir trabalhar!
Como nós nos modificamos; como compreendemos e vemos as coisas doutra maneira; como aquelas pessoas, por quem tínhamos tanta consideração, desceram até ao último patamar da minha escada de vida.
Estranha a sensação de que para essas pessoas, isto não passa de uma grande brincadeira; pouco lhes importa nós termos “investido” parte da nossa energia e dedicarmos tanto do nosso tempo para construirmos uma coisa a partir do nada!
Nem um “obrigado”, nem uma explicação – somos tratados como se não existíssemos: como simples “zeros”!
Numa das suas crónicas, Edson Athayde fala do seu tio Olavo, "que coleccionou durante a vida de trabalho frases que ilustram o que é na realidade a vida de quem trabalha para assegurar o dia seguinte".
Uma dessas frases retrata exactamente o que acabo de dizer e termina com “Isto significa que está a sonhar e corre o risco de se atrasar”.
Raramente me atraso, mas isso é porque sou uma boa profissional e se assumi um compromisso, mesmo que haja problemas, devo cumpri-lo até ao fim.
Tão preocupada que eu estou com o beijo que recebi e com as suas consequências;
oh, vou gozar o momento e deixar que ele me beije novamente!
P.S.: A fotografia chama-se "A Calma" e é de Ricardo Martinelli

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

ILUSÕES E TRISTEZAS


Sopra-me o vento ao ouvido:
O que é que esperavas?
Abro os lábios, mas não consigo articular as palavras e o vento ri-se, dá-me o que passa por um beijo na face e desaparece.
E até a “Menina Nua da Praça”, que pouco fala, diz numa voz fina, sem timbre, abanando a cabeça, reprovadora “Oh, Marta, Marta.”
Fico só, a conversar com o espelho que apenas me devolve a imagem de alguém triste, porque se iludiu novamente.
Só que desta vez é diferente:
não mendiguei – mantive a minha integridade intacta, mas não sei se me serve de consolo!
Talvez, agora com o beijo, a nossa história inacabada possa ter um final.
Supõe-se que as pessoas aprendam alguma coisa;
infelizmente, às vezes isso só acontece nas histórias – na vida é bem diferente!
Agora que obtive resposta à pergunta que me atormentava, o tal “se” de que já falei, talvez eu esteja livre!
Completamente!
Afinal, sempre aprendi alguma coisa com a fantasia, com a expectativa que criei e que terminou com um beijo.
Curioso os caminhos do coração e do destino
!

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

UM BEIJO AO VENTO


O tempo encontrou o vento e perguntou-lhe porque é que hoje, precisamente hoje que o sol brilha, ele soprava com tanta ferocidade.
O vento não respondeu, apenas soltou uma rajada mais forte que atirou com o tempo contra a porta.
Depois, escondeu-se, deixando o tempo a rir-se, porque não há refúgio possível para o vento.
O vento e o tempo andam de mão dada; o que um destrói, o outro não devolve.
O vento pode vir de Leste, de Sul, de Norte ou mesmo de Oeste.
Pode soprar com rajadas de 170 Km/h, transformar-se num ciclone ou num furacão, mas depois acalma e há dias em que nos esquecemos dele.
O tempo continua a contar, impiedoso, cruel, trocista, porque sabe que no fim será o vitorioso.
O vento já me arrancou o beijo e o tempo apaga-o da minha memória, mas não antes de eu o saborear, de lembrar o toque suave dos lábios nos meus, das palavras de ternura no meu ouvido.
Um beijo por que tanto esperei, que tanto me fez chorar e agora que o recebi, não sei o que pensar.
Talvez o devesse ter recusado; talvez devesse ter gritado, insultado, mas não consegui.
A surpresa foi tal que não reagi e aceitei o beijo nos meus lábios tal como me foi dado.
Apenas um beijo – o beijo dos meus sonhos que se concretizou e nada mais!
Porque acredito que me foi dado com vontade; o próximo não sei….

E quando se sente que foi por obrigação, melhor não ter recebido……….

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

DIA DE NEVOEIRO


Às vezes, basta uma pequena palavra para que o dia seja diferente.
Encontrei este pequeno poema da Sophia de Mello Breyner e devo confessar que não o entendi muito bem.
Li, reli, desesperei-me, pensei que não havia salvação possível para mim, que tinha perdido a aptidão para ver além do que está escrito.
E, no entanto é tão simples!
Também eu estive à espera de alguém, que desapareceu da minha vida e nos dias de nevoeiro, penso que esse alguém surgirá, tal como o D Sebastião, por artes mágicas ou por eu o desejar tanto, do nada.
Sophia diz no poema “o agoiro de uma fantástica vinda”; eu não posso, não quero mais do que o imediato.
Tal como a Sophia sugere, eu vou até à praia e ver como nevoeiro começa lentamente a esconder o mar, a espalhar-se pela areia, escondendo as gaivotas e a humidade infiltrar-se no casaco!
Hoje está um dia assim; estou presa no escritório, a obrigações e a deveres, mas a minha cabeça está lá, na praia, a tentar orientar-me pelos gritos estridentes das gaivotas.
Dia que todos nós conhecemos, mas que para alguns, é apenas um dia aborrecido e para outros, é mágico.

P.S.: O poema está no meu outro blog: htpp://www.escrevercomamor.blogspot.com
P.S.: A foto é da Zambujeira do Mar

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

APRENDER COM AS CRIANÇAS


Uma das personagens do livro que estou a ler diz que “Um livro pode ser um tapete mágico ou uma máquina do tempo” e o comentário que a Dora me deixou no post anterior fala nisso.

Devemos deixar a criança voar, abrir a mente, explicar-lhe que, além do prazer, o livro também pode ensinar.


Eu aprendi muita coisa – encontrei nos livros um refúgio, uma fuga que deve existir, mas que deve ser controlada.

Apesar das birras, dos choros, das zangas, uma criança completa-nos.
Nunca esquecerei o meu sobrinho, de pé no sofá, com 2, 3 anos a fazer tiro ao alvo com os lápis de cor.

Ou da neta duma amiga da Mãe, só com a camisolinha interior e uns collants amarelos e a “chucha” na boca a olhar para mim de esguelha e depois sair com uns passinhos vacilantes para se esconder. Adorava brincar às escondidas comigo!

Posso não ser mãe, posso até não concordar com a maneira como as minhas amigas estão a educar os filhos, mas não me importo nada de me estender com eles no chão, fazer barricadas e lançar o camião contra a parede.

Ou de confessar a minha ignorância em não saber brincar com a play station!
Não posso saber tudo!