sexta-feira, 30 de junho de 2006

AINDA COM VIVALDI



A lua insinua-se e deixo de ser invisível...

Apenas ouço a música serena e suave de Vivaldi
que me faz recuar até ao mundo barroco do compositor...

Sentindo e vivendo as transformações da natureza,
Tal como a música as descreve...

Adormeço finalmente...

Em cima de uma nuvem suave,

Cheia de fantasia,

Com os círculos que os raios da lua enfiam uns nos outros,

Tecendo uma teia à volta dos planetas e destacando as constelações
longínquas e desconhecidas,

numa azáfama tal que
o próprio tempo se sente perdido e foge.....

quinta-feira, 29 de junho de 2006

ESCONDER NA NEBLINA



Escondo-me na neblina...

Quero tornar-me invisível....

Pelo menos, hoje quero esquecer o som da minha voz, a cor dos meus olhos, a suavidade da minha pele....

O meu nome, o que significa e como soa, cristalino e doce, nos teus lábios....

Nem me importo do frio que sinto e que não tento combater....

Deixo que me inunde a alma, que me pese no coração – esta tristeza que me crucifica e arranca a alegria dos meus dias....

Encolho-me, encosto-me, cubro-me toda e procuro ficar em silêncio, que
abre alas aos primeiros acordes do Concerto de Vivaldi...

As "4 Estações" – que sei de cor, de tantas vezes que o ouvi
e involuntariamente, os meus lábios esboçam um pequeno sorriso...

quarta-feira, 28 de junho de 2006

CIRCULO PERFEITO



Desenho um circulo perfeito!

E depois outro..

E mais outro até cobrir a folha....

Como se a vida fosse tão simples
como desenhar um circulo,
espremer os tubos de tintas, misturando as cores......

E ao abrir novamente a folha,
tentar decifrar o que a tinta, ao espalhar-se,
desenhou...

Uma borboleta,
A juba de um leão,
Um morcego, uma gruta...

Tudo o que a nossa imaginação
criar, o que a nossa percepção
do mundo ditar....

O tempo ri-se de mim, mas cala-se...

Sabe que tenho que tomar uma decisão e me refugio nos prazeres simples da minha infância para daí retirar a força para escolher o momento certo e as palavras menos doridas........

terça-feira, 27 de junho de 2006

VERDADE TOTAL



Fecho a porta devagar!

Como se fosse um conspirador
e dependesse da sombra e do segredo para sobreviver
...

A vida é preciosa demais para se esconder na sombra e
abro mais ainda a janela para que as estrelas e a lua
me voltem a encantar e a conquistar...

Aumento o som e deixo que a canção me envolva, me faça sonhar
novamente o
impossível e me faça esquecer
uma ausência que quero negar....

O vento encarregou-se de me deixar avisos,
avisos que ignorei e agora tenho que enfrentar...

Canto baixinho e penso
em me reconciliar com o tempo
e retomar uma relação
que é perfeita,
em que cada um sabe quais são os limites e o essencial e
os respeita...

Porque a vida só tem sentido
se tornarmos as palavras e as emoções
na verdade total....

segunda-feira, 26 de junho de 2006

PERFEITOS OU NÃO



Há dias em que eu e o tempo somos os amantes perfeitos...

Paira no ar uma certa cumplicidade,

Trocam-se olhares traquinas e enigmáticos,

Sorrisos misteriosos e tímidos e

Muitas palavras recheadas de duplos sentidos.........

Dias em que cada minuto é apreciado, com movimentos fluídos e sinceros...

Porém, há dias em que somos os piores inimigos e nem coragem temos para nos olharmos ao espelho.

É como se a luz se tivesse apagado, e a ansiedade, a angústia tivessem tomado conta das emoções e deturpado os sentidos.

Como se a pele tivesse sofrido uma queimadura profunda e a dor, como veneno, se tivesse espalhado, anulando-nos.

Hoje é um dia destes e nem o vento me faz sorrir................

domingo, 25 de junho de 2006

INICIAIS

Desenho mil vezes as tuas iniciais na areia.

E, mil vezes a onda, ao rebentar as leva, salpicando-me a saia e fazendo-me cócegas nos pés….

Rio e recomeço, soletrando-as, alongando-as e decorando-as com algas impregnadas ainda com forte cheiro a maresia e pedras lisas.

Perdi o ar de modelo, tenho o cabelo despenteado, estou descalça, os pés molhados e cheios de areia…

onde me deito olhando directamente para o sol para que ele leia os meus lábios e saiba como o simples articular das tuas iniciais me preenche…………………………….

sábado, 24 de junho de 2006

FOGO-DE-ARTIFÍCIO

O foguete subiu rapidamente, desdobrou-se e irrompeu em pequenas explosões de luz.

Nada vimos, nada ouvimos….

Apenas falamos com o olhar, que permitimos que

Intensificasse mais ainda o ardor das palavras ditas - e que queremos que continuem a
ser só nossas….

Um lugar secreto
que os outros não sabem e não vêem…

E, agora que tudo está dito e o fogo-de-artifício terminou com um “oh” sentido da multidão, nós começamos a sorrir….

Afastando-nos, para

continuar a alimentar o "fogo-de-artifício" que, tipo seiva, nos dá vida………………………………

sexta-feira, 23 de junho de 2006

NOS ROCHEDOS



Termino a semana como gosto...

Sentada nos rochedos, com o mar a brincar com os meus pés e a divagar sobre o
silêncio....

O silêncio das histórias do mar...

O silêncio das ondas a baterem na areia...

O silêncio de quem está à espera de alguma coisa...

Talvez de uma mensagem dentro de uma garrafa....

O desejo clássico e escondido de quem
suspira e sonha....

Uma missiva de amor?

Ou de dor?

Ou de gratidão?

Ou simplesmente palavras....

Palavras que voam e que encontraram aqui, no meu peito uma razão para existirem....

Porque as mensagens que soltei,

à deriva no mar,

deram à costa e

tiveram resposta............

quinta-feira, 22 de junho de 2006

MOUSSE DE CHOCOLATE


Dedicada à 125_azul

Espalhaste o teu cheiro pela casa maliciosamente........

Estás espesso; ao cair na taça, não ficas uniforme...........

Às vezes, pareces uma montanha pronta a escalar.....

Outras, és um planalto....... ou um lago de águas paradas!

O que me atraí é o que fica agarrado ao fundo do tacho................

Que se rapa cuidadosamente.............

Com uma colher pequenina........................

Para que a sensação de bem-estar dure eternamente..........
.
Se grave para sempre e volte à superfície sempre que o cheiro do chocolate nos
chegue ao nariz................

DIVAGAR COM O SILÊNCIO



Flutuo....

Ainda nem o sol se definiu e eu continuo enroscada no lençol,
assistindo impávida e serena à luta interior do Astro Rei...

Será que vai expulsar a neblina e brindar-nos com os raios abertos,
poderosos e impetuosos?

Ou ficará escondido, permitindo que a neblina o ofusque?

Não sei; gozo aquele momento de silêncio
em que cada segundo é um minuto,
um minuto uma hora,
uma hora um dia.

Aquele momento em que acordo,
com a certeza de que tinha dormido
toda a noite envolta numa onda de paixão e sedução...

Apenas aquele momento....

Depois, o silêncio será invadido,
torturado
e manipulado
Por quem nada sabe e nada aprecia.....

quarta-feira, 21 de junho de 2006

COM O SILÊNCIO

Hoje, sigo apenas o silêncio......

Deixo que me feche os olhos
e me conduza pelos labirintos e
pelas sombras que desenha à sua passagem.
Deixo que me obrigue a escutar os ruídos que esconde....
A fúria de quem perdeu a razão,
a dor da vergonha, do
remorso ou da culpa,
que, às vezes, até não existem
....

a angústia da ausência e da incompreensão,
a depressão e a revolta....

Mas isso nada mais me diz e em breve,
ao vislumbrar a claridade, deixo as sombras e mergulho na luz....

Continuo, no entanto, a gozar o
Silêncio, que a tua presença agora enche....

Com carinho,

Com paixão,
Com paz.............

GRITANDO ALTO

A surpresa foi tal que tenho que a registar aqui!
Pela 2ª vez este ano, a minha Mãe fez-me um elogio!
Fui considerada a "Modelo da Família" e pensei logo ser a capa de uma revista
famosa de moda, tipo VOGUE.
Não sei se me agradaria estar assim tão exposta, mas que resolvia alguns
problemas, resolvia!!!
Por isso, estou a usufruir da minha fama de "Modelo" e acho que a única vez
que
me senti assim, "inchada" de orgulho foi no Liceu.
Obtive a melhor nota no teste de Inglês, melhor até que a da "Ursa" da Turma e
as minhas colegas deliraram, gritando bem alto:
"Boa, Marta! É assim mesmo!"
Depois, descobri que nada disso importa - como se costuma dizer, valores mais alto se levantam..........

terça-feira, 20 de junho de 2006

TEUS LÁBIOS NOS MEUS




Hoje, só tenho a lua como companhia.........

Que, surpreendente, amavelmente se sentou à minha frente....

Para partilhar confidências, que ainda não estou preparada para fazer....

Ou para simplesmente gozar o prazer de escutar música...

E, ao ouvir o "Besame", com guitarras e piano a remodelar a melodia,

senti novamente os teus lábios nos meus e,


pensei se não me terias beijado como "si fuera la última vece"....

Porque "mañana poderei estar lejos, muy lejos de ti".....

Não me sinto "lejos" de ti.....pelo contrário, sinto-te bem próximo de
mim....

Como? Perguntou-me a Lua, mas eu apenas sorri....

Não sei; apenas o sinto......................

segunda-feira, 19 de junho de 2006

MEIA LUZ



Aparento uma calma, que não sinto...

O meu coração bate fortemente e ameaça romper o meu peito......

As mãos estão secas e irrequietas, mas eu sei que esta angústia passará quando....

As luzes da sala se apagarem e até da orquestra, eu me abstrair....

Sentir apenas o silêncio e a penumbra......

Deslizar pelo chão envernizado, apenas com os focos de luz a seguirem os meus passos...

A contrastarem com o negrume do meu vestido e a acentuarem o vermelho dos meus lábios.

Nada mais importa – nem mesmo os aplausos no fim!

Apenas ter emprestado ao
tango a paixão e o amor que alimenta o meu corpo....................

domingo, 18 de junho de 2006

NOVA HISTÓRIA COM O TANGO

Dedicado a quem disse que me pode pisar os pés, dançando tango
Por vezes, não te entendo

Apertas-me até quase me sufocares, queres sentir o meu corpo colado ao teu….

Depois, arrancas-me os braços do teu pescoço e largas-me, sem dó nem piedade no meio do chão…

Onde fico rodopiando sobre mim mesma….

Até me lançar novamente, deslizando na tua perseguição…

Enlaçando-te novamente para então, completarmos

Harmoniosa, apaixonadamente um tango fatal,

Onde cada gesto significa uma paixão avassaladora…………

HISTÓRIAS DO MAR

Ontem, a maré estava vaza…

Saltei as pocinhas, galguei os rochedos…

E sentei-me, na posição de Buda, de olhos fechados…

Até que o mar me arrebatou, num tango frenético, num rodopiar de

Histórias de embalar de

piratas barrigudos e zarolhos presos nos labirintos do tempo

de castelos esculpidos nas rochas com paciência e devoção pelas sereias,
enquanto suspiram pelos amados

de grutas perfeitas para encontros de amor clandestinos

de novos caminhos para aventuras impossíveis

Histórias o mar me contou e que lembro agora,

para esquecer a dor e a saudade por não te ter aqui…

sábado, 17 de junho de 2006

CEREJA CAMUFLADA

Tempo longínquo, em que eu, menina parvinha,
pensava que comer um chocolate resolvia
todos os meus problemas……………
A vida ou o tempo, ou a conjugação dos dois,
demonstrou-me que a realidade é bem diferente,
mas não me apagaram a onda de sensações que
mordiscar um “Mon Chéri” desencadeia no corpo
.
Primeiro, trincar o chocolate,
depois sentir o licor a espalhar-se e misturar-se com o chocolate,
provocando um calor que preenche o fluxo sanguíneo e manifesta a sua superioridade ao cérebro
Por fim, a cereja, camuflada, mas que é sempre uma surpresa
O chocolate pode não resolver os nossos problemas,
mas dá-nos talvez um estímulo para continuarmos em frente….
E, é em frente, com ou sem os prazeres do chocolate que devemos continuar
…..

sexta-feira, 16 de junho de 2006

SEDUÇÃO COM CHAMPAGNE


O Champagne está, delicadamente gelado e os morangos, alinhados como soldados na formatura.

A chama da lamparina treme, enquanto o chocolate derrete, borbulhando

Até a Lua se apercebe da importância da noite e contribui, derramando a prata mais perfeita, colidindo com o brilho dos cristais e ofuscando as velas, que, derrotadas se apagam.

É uma noite mágica, sedutora..
Em que vamos, finalmente abrir o peito para deixar falar o que juramos no olhar, segredamos quando apertamos as mãos, divagamos nos sorrisos…

Misturando o aroma do champagne com a doçura do morango mergulhado no chocolate….

quinta-feira, 15 de junho de 2006

CHOCOLATE ESCONDIDO


Parto, lenta, deliberadamente
o quadrado do chocolate…
Não sei
se para gravar na memória o cheiro
que se infiltra nas narinas e nas mãos
se para não esquecer o teu olhar de gula

Nunca saberei
se é por mim,
se é pelo chocolate que o teu olhar está assim perdido
….
Sem nada fixar, apenas aquele quadrado de chocolate
que está na minha mão e que levo até à tua boca…
Os teus lábios afloram-me a palma, suaves e leves como uma borboleta e enquanto nos meus olhos, o espanto e a paixão se espelham,
tu arrancas-me o quadrado e foges, rindo

para saboreares, sozinho, num recanto escondido
o chocolate, que tão generosamente reparti contigo
………………

PECADO DE CHOCOLATE

De repente, fiquei com saudades…

Do chocolate que comia às 6ªs Feiras….

Da urgência, da antecipação do prazer com que o desembrulhava e dava a primeira dentada…………..

Para depois, só depois, com dentadas milimétricas, tentar que o sabor se prolongasse…..

Por tempo indefinido………………

Parece que ainda o sinto a desfazer-se na boca, a delícia que era trincá-lo e o sussurro de prazer, de satisfação e ao mesmo tempo, frustração que soltava……

Pecado maior e mais saboroso quando o comia às escondidas da minha Mãe, e mais grave quando dizia uma pequena mentira “branca”…………………………….

quarta-feira, 14 de junho de 2006

A SEREIA ENCANTADA



Em breve, terei que mergulhar...

O sol descerra lentamente os seus raios, que se espalham pelo mar,
dando-lhe uma tonalidade dourada...

Contudo, quero ver-te antes de mergulhar...

Ontem, atracaste nesta pequena enseada, protegida por estes penhascos
em forma de pétalas,
estiveste sentado no "deck" em intensa observação das estrelas,
mas não sei o que elas te disseram...

Não te falaram de mim, decerto, de como nadei até aqui,
de como me escondi nesta gruta e me cobri de algas
quando decidiste varrer a enseada com o foco potente do holofote.

O que esperavas encontrar, além do silêncio da lua e o suave deslizar das
ondas?

Um dos raios do sol já entrou...não me posso demorar
– dizem que, quando o sol nos mata, desfigura também as nossas feições
e eu quero que,
se cruzares comigo no alto mar, me lembres para sempre...

Eu, a sereia que te encantou e te povoou os sonhos........

terça-feira, 13 de junho de 2006

BRINCAR COM GOLFINHOS

Dedicado a quem falei sobre "golfinhos"

Todos louvam a lua;
apaixonam-se em cada luar e choram quando as nuvens altas a escondem;
sentem-se reis quando a lua, no manto tranquilo do mar,
reflecte toda a sua glória e grandiosidade;
desesperam quando a lua se torna tímida e
favorece os rochedos;
acendem fogueiras na praia,
numa vã tentativa de a cativarem;
dão azo a uma paixão desenfreada,
a uma procura incessante de amor,
por vezes impossível, na luz lângida da lua...
Cheia, poderosa, sorridente....
Eu???
Estou a nadar com os golfinhos....
a aprender a fazer piruetas, a dar cambalhotas, mergulhando em seguida...
cada vez mais fundo...
até me encontrar no fundo do mar, a conversar amenamente com Neptuno, transformando-me, depois numa sereia....
que seguirá, pela luz da lua, o teu barco encantado!!!

segunda-feira, 12 de junho de 2006

O BEIJO


Dedicado a alguém que o saberá


Ontem, pensei em ti...
E, depois ralhei a mim mesma, porque escavei numa ausência que me foi imposta e sobre a qual não me pediram opinião.
De ti resta-me apenas o nome, porque nem das tuas feições me lembro já e mesmo o teu nome, o tempo esbateu-o e transformou-o num pó cinzento ...
Que, por vezes, me faz espirrar quando, ao navegar pela desarrumação dos papeis, encontro folhas escritas por ti...
Que amarfanho numa bola e depois, rasgo em mil pedaços que o vento, que entrou sorrateiro, espalha maliciosamente, pelos cantos do quarto só pelo prazer de me ouvir gritar de frustração........
Não, não vou escrever um diário, como é moda, sobre a tua ausência, porque deixaste de ser importante...
O sol hoje trouxe-me o beijo de alguém, que está perto, tão perto que ao acordar, sinto que me toca levemente na mão....
Como para me assegurar que posso sempre tropeçar e cair no seu abraço
.........

domingo, 11 de junho de 2006

BORBULHAS DE AMOR

Hoje, acordei a cantarolar o refrão da canção “Borbujas de Amor”.

Lembras-te?

“Hacer silhuetas de amor
Bajo la luna

Como gostávamos de desenhar na areia molhada, onde as ondas quebram os limites entre o mar e a terra, silhuetas de amor!

Lembras-te do toque dos meus dedos a contornar o teu rosto?

Pois eu guardo aqui, no lugar onde me tocaste com o teu apetite de mim, o som do nosso prazer, o eco dos nossos murmúrios, a ternura das nossas palavras!
E lembras-te da lua?

Lembras-te como pintou o meu corpo quando se rendeu ao teu, quando me incendiaste a alma?

Quando nos fundimos numa paixão que inventámos sem reservas ou pudor, protegidos pelas dunas do vento?

Como guardamos, sôfregos a luminescência que desenhou nos nossos corpos suados a verdade do nosso desejo?

Aquele lugar que se tornou secreto, que nem a maré penetra….

E como eu me perco, em cada luar, na ilusão de te voltar a ter um dia novamente…

Como procuro em cada novo luar um sinal teu que não chega……….

Porque partiste simplesmente, sem um aviso, sem uma palavra………….
Entendes agora porque fujo da lua?

Á LAIA DE EXPLICAÇÃO

Por vezes, há textos com os quais não ficamos satisfeitos.
Sentimos que há qualquer coisa que falta, qualquer detalhe que temos que desenvolver e não sabemos o quê e como….
Foi o que me aconteceu com o texto que vou colocar a seguir…
Escrevi-o em Março deste ano, a partir do refrão da canção “Borbujas de amor”, uma canção que apelou o meu lado romântico.
Como me dizem muitas vezes, “As coisas são como são e não como queremos”, na altura o texto reflectiu o que eu sentia
.
Recentemente, ao reler o que escrevi, achei que o devia desenvolver, focar ainda mais a imagem da lua e da maré como testemunhas de uma paixão que terminou.
Este é o resultado – espero que gostem……………………….

sábado, 10 de junho de 2006

CASO NECESSITEM DE UM ABRAÇO

Foi a andorinha, que pousou no beiral, talvez perdida e a chamar pelo resto do bando, que me acordou.

De um sono, onde tropecei em ti, deslumbrei-me e deixei que me conduzisses àquele mundo em que apenas os sentidos vibram.

Onde o teu riso iluminou os meus dias, onde as minhas incertezas, que tinham naufragado no esquecimento e se ergueram agora novamente, estilhaçaram em mil pedaços…….

De um sono, que apaziguou a minha revolta e donde emergi limpa e lutadora.
Vou fazer chá, deixar que, enquanto arrefece o seu aroma de frutos silvestres se propague pela casa, se entrelace com o vento, que vou deixar entrar à vontade

Depois, vou escolher a toalha, pôr a mesa e deixar tudo pronto para se tocarem à porta, poder oferecer um refresco….

E um abraço também, acaso necessitem disso
………..

sexta-feira, 9 de junho de 2006

LINHA DO HORIZONTE



Olho para a linha do horizonte e pergunto-me se é lá o fim do mar..........

Caminho lentamente, deixo que o mar conquiste primeiro a pele, circule pelas pernas, faça um remoinho no umbigo, chegue ao peito e beije o pescoço.......

Deito-me para trás, fecho os olhos e deixo que o mar me leve...
não importa para onde.......

Sinto-me leve, parece que o meu corpo já não me pertence.....

Voo com as gaivotas, levanto-me com o sol, barafusto com o vento, mas não chego à linha do horizonte, porque o.....

Mar não tem fim......................................

À CHUVA NA PRAIA



Hoje, ameaça chover.......
Chuva com bátegas grossas e inclinadas ou chuva miudinha, vulgarmente conhecida por "molha tolos"???
Não está frio – a temperatura está amena e o sol consegue, por vezes, irromper por entre as nuvens escuras e sorrir...
Como eu sorrio....
Gosto de dias assim e até de passear na praia...
Ficar com o cabelo molhado e colado à cabeça, a roupa húmida e os sapatos a enterrarem bem fundo na areia...
Atirar pedras ao mar e seguir o rodopio que elas formam quando mergulham nas ondas........
Ouvir apenas...........
O mar...............tranquilo, às vezes,
mas também em revolta, encrespado e duro.......

quinta-feira, 8 de junho de 2006

MISTO DE MEDO E PRAZER



Pensando bem, porque é que vou deixar que uma "serpente" me estrague o dia?
A temperatura baixou ligeiramente, respiramos melhor, porque aquele bafo sufocante e doentio que caracteriza os dias de muito "calor" desapareceu, estou vestida com cores alegres e entrei em depressão????
Seria, talvez dar importância demais a alguém que nada mais vê que as suas próprias ideias e não admite que pode estar errada.
Por isso, fui "vadiar" – um "banho de loja" para esquecer quão ingrata esta vida pode ser e agora que estou melhor, pergunto-me:
Porque é que não aprendi a guiar?
Podia entrar num stand de automóveis, fingir que estava interessada naquele descapotável e dar uma volta a alta velocidade, gritando alto num misto de prazer e medo...........

AZARES DA VIDA


Hoje, bloqueei....
Sentei-me em frente do computador e a folha continua em branco, lisa, pronta para as palavras que constróem a minha vida...
Estou parada, perdida, como se alguém escondido na sombra me tivesse tapado a boca e apanhada de surpresa, gelada de pânico, eu não conseguisse reagir...
Sensação estranha esta
...................
Parece que tudo deixou de trabalhar e a mente não responde aos meus gritos surdos, cheios de angústia....
Talvez me sinta assim, porque ter deparado, logo cedo pela manhã, com uma "serpente"...........
Aquelas "serpentes" que, por vezes atravessam o nosso caminho na vida, que têm o condão, embora as ignoremos, de nos aborrecer.........
Azares da vida.......

quarta-feira, 7 de junho de 2006

PARAÍSO "REFRESCANTE"



Gostaria de saber porque é que não me enganei e não apanhei o autocarro para a Foz?
Saia no Castelo do Queijo, descia até ao passadiço e sentava numa daquelas esplanadas à beira do mar...
Refrescava as ideias, deixava que o corpo relaxasse e esquecia-me de tudo e de todos....

Andar de Metro tem as suas vantagens – as estações têm ar condicionado e é como se entrássemos no Paraíso quando descemos as escadas, deixando para trás o calor sufocante que aprisionou a cidade.
Contudo, não sei se o Paraíso é "refrescante" – todos nós temos uma ideia, uma concepção diferente do que é o Paraíso e há mesmo quem não acredita que exista.
Eu acredito que existe – um lugar onde não se fala do tempo...
O tempo é a chave para tudo.................................
o tempo para guardar tudo aquilo que desejamos e às vezes, não alcançamos pelo nosso próprio egoísmo ou porque nos esquecemos que o tempo tem armas secretas, contra as quais não podemos lutar
.....
Gosto de pensar que o Paraíso é "refrescante"...
Porque fiz do meu tempo qualquer coisa que me "refresca" o ego
..........

terça-feira, 6 de junho de 2006

BANHO DE MANGUEIRA



Este calor fez-me lembrar as férias que eu passava no Mindelo com a minha Madrinha quando era uma catraia inconsciente e completamente alheia à rotação dos planetas.
O momento mais alto do dia não era o banho de mar, demorado por causa das corridas de natação, da procura incessante dos beijinhos e o arrancar dos mexilhões das rochas.
Era o banho de mangueira ao fim da tarde, antes do jantar, com a água fria do poço....
A água com que se regava o jardim, minúsculo, mas muito bem cuidado.
Os gritos eram imensos, com o impacto da água a bater no corpo cheio de sol e de sal.
E eu tentava desenfreadamente fugir para o lado contrário, pensando enganar assim a mangueira, que às vezes, deixavam cair de propósito e ficava a dançar sozinha.
Como uma serpente....depois do ataque surpresa à sua presa, consciente da sua vitória...
Como algumas pessoas fazem, mas isso nada tem a ver com um simples banho de mangueira refrescante......
Que é apenas uma recordação agradável e grata da minha infância.......

PIRÂMIDE DE CALOR



Sentar-me como Buda e fechar os olhos é agradável...
Erguer os braços, juntar as palmas da mão e construir uma pirâmide não é um mistério insolúvel...

Mesmo visualizar um cordão dourado, a que juntei um fio vermelho, a prender-me os pulsos e puxar-me para cima, na direcção do sol..........
Contudo, a certa altura, o meu fio rebentou e os braços obedeceram à ordem muda do corpo, caindo pesadamente e desfazendo a sensação de bem estar e harmonia que começava a invadir-me.
A razão para um desfecho tão dramático de um exercício, que nada de temeroso encerrava, foi o calor sufocante da sala de aula, sem qualquer tipo de ventilação!!!
As pequenas gotas irritantes de suor passearam-se descaradamente pelas palmas das minhas mãos, humedecendo o fio invisível que indicava graciosamente à minha pirâmide a direcção do sol................
Escusado será dizer que a minha aula de yoga ficou arruinada..........

segunda-feira, 5 de junho de 2006

NO TRILHO DO SOL



Perguntaram-me se eu estava a escrever uma carta ao meu amor..........
Como se uma coisa tão pessoal, tão privada, tão intima eu escrevesse à vista de todos.......
Há coisas para as quais não se encontram palavras....
Há coisas que só se sentem, para as quais é absolutamente necessário estar em sintonia, a tal sintonia de que falo e procuro......
Bem sei que pode ser ilusão, bem sei que pode ser um castelo de areia que o mar impiedoso conquista...
Mas também sei que é possível reconquistar-se o que o mar levou....
Sujando as mãos de areia, escavando bem fundo..........
No trilho do sol..............
Onde o encontro...................
Porque ambos gostamos da luz e dos sorrisos do sol
!

domingo, 4 de junho de 2006

NO ROSEIRAL EM SERRALVES

Uma rosa precisa de luz!
Uma rosa precisa do sol para desabrochar e soltar o perfume secreto que esconde entre as pétalas fechadas.
Em Serralves, percorri o jardim por entre caminhos e veredas perdidos entre a vegetação luxuriante, fora do percurso feito normalmente, onde tudo tem uma razão de ser…
Como tudo na vida…..
Onde o clássico se mistura com o exótico, o real com a ilusão, o romântico com a frieza……..
Esquecendo-nos de que estamos no meio da cidade; apenas se escuta o vento a acariciar as folhas ou a água a sussurrar com o sol a fazer jogos de luzes e cores.
A visita terminou no sítio mais adequado para esta “rosa”!!!
No roseiral, onde cada rosa é uma história silenciosa pronta a ser revelada……………

A FAMA DO VENTO

Se procura a fama, Sr Vento não é reproduzindo uma fotografia que deu brado na altura e correu o mundo que o vai conseguir!
É que eu não sou a Marilyn Monroe ;
não tenho as formas curvilíneas da diva……..
Nem respiro sensualidade, mas quando estou feliz, como agora……………….
Há uma gargalhada solta, um brilho secreto nos olhos, frases sem nexo espalhadas pelo ar e
por isso,
não, não me importo que faça a minha saia esvoaçar, moldando-me as pernas ou a levante,…………….
Sentir o seu beijo, o seu abraço
…………..
Mesmo que às vezes, proteste contra a sua ferocidade, o Sr sabe como aprecio a sua companhia…
Que estar sentada na praia, em confidências com o mar, sem si a “massacrar-me” não é a mesma coisa………………………….

sábado, 3 de junho de 2006

UMA ESMERALDA

Acabo de ver uma bebé muito linda!
Estava sentada, sossegadinha e muito confortável numa cadeirinha e entretida a conversar com um pezinho minúsculo encaixado num sapatinho cor-de-rosa!
Contudo, o que me chamou mais a atenção foi o tufo de cabelo preto, puro!
Preto como o corvo!
Lembrou-me a minha Avó paterna – a Avó Branca.
As pessoas riam-se do nome, porque a primeira coisa que viam era a coroa de cabelo negro e luzidio que a Avó tinha.
Só depois é que olhavam para a cara e viam uma pele muito branca, translúcida onde sobressaía uns olhos muito verdes e penetrantes!
Como uma esmeralda!
Em bruto, sem estar lapidada e polida!


P.S.: Lamento informar que os meus cabelos e olhos são castanhos!!!

sexta-feira, 2 de junho de 2006

TRANSPARENTE COMO O LAGO



Estranho – isto é muito estranho!
Toda a gente se queixa de que "acordou atrasada", mas eu?
Eu acordei viçosa e radiante............
Até nem protesto com o calor................
Sorrio mais e esta manhã até "favoreci" alguém, a quem geralmente não falo, com um sorriso espontâneo e um olhar brincalhão.....
Misturo as cores do arco-íris; fico sem saber onde começa o amarelo e termina o verde.
O dia está claro, quase transparente e eu???

Tenho novamente vontade de ir até ao jardim, molhar sorrateiramente as mãos no lago e salpicar, "inocentemente" quem passa.
Calo a voz da consciência, que insiste em dizer que pareço uma criança rebelde,
mas porque não fazer a vontade a esta vontade de nos comportarmos como irresponsáveis??????
Como aqueles adolescentes que não resistiram ao impulso e beijaram-se ali mesmo, na passadeira...............

quinta-feira, 1 de junho de 2006

"AS MINHAS CRIANÇAS"

Refiro-me, muitas vezes, aos meus Pais como as “minhas crianças”.
A razão é simples – desde que entraram nos 80’s, tornaram-se mais dependentes de nós; olham para nós como se detivéssemos a solução para os problemas diários; somos a ponte que eles precisam para entrar no mundo fora das paredes desta casa.
Um mundo que os está confundir; pela violência, pela perda de valores que eles consideravam sagrados.
Às vezes, desesperam-me, mas outras vezes, até nos rimos.
Como hoje, em que o meu Pai decidiu “fazer um dueto” com as pombas que aproveitam a fresca da noite para exercitar as asas e chilreavam alegremente……………….
Um dueto muito desafinado, que fez com que os gatos da vizinha suspeitassem duma guerra iminente e começassem desesperadamente a miar, procurando atabalhoadamente um abrigo.
Tive que rir e ri com gosto, ainda mais porque o meu Pai estava alegre, descontraído e lembrei-me que, em criança, acordei, muitas vezes assustada, porque ele adorava imitar o rosnar de um cão……………………………………………

QUE RAIVA!

Sou uma desastrada!!!!
Não é que entornei água por cima do telemóvel???
Meu Deus, será que fiz mal ao "bichinho"?
Será que funciona??
Estou à espera de duas chamadas muito importantes!
Uma é da Alliance Française por causa do meu exame no dia 29 deste mês e a outra é, enfim.....
ULTRA-SECRETA!
Parece que isto está a vibrar.....
Está mesmo; é um SMS....................
Oh, não, não vou gastar dois euros para saber o que diz o meu horóscopo diário!!!
Que raiva!!!!!!!!!!!!!

CIFRAS E CÓDIGOS


Hoje, sentei-me numa esplanada e tentei encontrar a chave das cifras de "O Codex 632" de José Rodrigues dos Santos.
O livro está escrito de uma forma muito lúcida, com explicações dadas no momento oportuno e coerentes entre si, tornando a leitura fácil.
Foi num dos capítulos que eu encontrei este poema de Fernando Pessoa/Ricardo Reis:

PARA SER GRANDE, sê inteiro; nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Qual a interpretação que a personagem principal – o professor universitário Tomás Noronha – lhe irá dar, desconheço!
A minha é fácil de dar, e acho que todos concordam:
Temos que viver em sintonia com o nosso interior para podermos alcançar os nossos sonhos e os nossos objectivos.
Ninguém, a não ser nós próprios, deve ditar as leis da nossa própria vida!
Pena que haja sempre alguém que não o perceba e tente minar o nosso caminho
!

CRISTALINO



Ridículo ter esta vontade insólita de:

comprar uns ténis para brincar à vontade na areia do parque infantil

deslizar pelo escorrega

subir o mais alto possível no baloiço

ficar tonta com as voltas do carrossel

e comer algodão doce, ficar com os dedos pegajosos e rir, rir................

Um riso solto, cristalino....
Como o das crianças..................