segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

CARTA - O SORRISO


" Meus caros amigos,

Será esta a última carta que vos escrevo em 2016?

Não sei... Na verdade, neste momento não quero decidir nada.

Poderá não ser boa prática adiar o inevitável e sei que tenho que o fazer.

Até já o posso ter decidido, mas hoje, neste momento em que respiro ao Sol, não quero falar nisso.

Esta poderá não ser a última carta de 2016 e prometo escrever várias em 2017...

Para que não se esqueça a arte de a escrever.

O papel personalizado ou a folha A4 que se arranca do caderno.

A caneta de tinta permanente ou a esferográfica BIC.

Se vou rir, chorar ou apenas desabafar, será apenas o retrato da Vida.

A que ninguém poderá viver por mim, é certo, mas podem ouvir-me...

Como sempre... 

Com um sorriso... Um abraço... Uma palavra... Uma mão estendida...

Até já.

Deixo....

                                                 Um sorriso


"

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

CARTA - II


"
Caro Pai Natal,

Eu sei... Sei muito bem...

O que prometi no Natal passado... Talvez não devesse ter feito a promessa...

Mas não posso resistir à leveza do tecido, às cores quentes do estampado e à forma como esculpe o corpo...

E a maquilhagem e o cabelo têm que estar perfeitos... 

Eu sei... Sei que prometi ser mais discreta, mas para quê negar?

Adoro ser o centro das atenções...

Por isso, Pai Natal, perdoe-me se não fizer qualquer promessa este ano...

Apenas posso ser eu e pensando bem, Pai Natal?

Eu sei que gosta que eu seja assim...

Vaidosa, feliz...



Boas Festas para todos


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A CARTA


" Caro Pai Natal,

O que quero para o Natal?

Gostava que a janela do meu quarto abrisse realmente para o mar.  

Que ele entrasse no meu quarto e me confessasse as suas paixões.  

Que me levasse na crista das ondas nos dias do Sol.  

Que me explicasse o porquê da fúria nos dias de Tempestade.

Que não fosse apenas a pintura que faço nas paredes para esconder as manchas de humidade.

A história que escrevo ao desenhar cuidadosamente a prancha de surf e as nuvens.

O sorriso que só eu vejo quando paro de pintar e contemplo a minha obra.

Porque, apesar da janela que não fecha bem, das manchas de humidade, o meu quarto, Pai Natal, é lindo.

Fi-lo bonito, tornei-o meu.

Podia pedir-te muita coisa.  Uma casa nova, bonita, maior...

Mas não...  Só queria que a janela abrisse para o mar e ele embalasse o meu sono.


Feliz Natal


sábado, 17 de dezembro de 2016

O VIAJANTE


Mateus adora mapas.

Faz girar o globo terrestre, fecha os olhos e com o indicador, segue o movimento.

Onde está o dedo quando o globo para é o destino da viagem de Mateus.

Procura mapas das estradas, guias das cidades e entretém-se a planear o trajecto desde casa, ali na Rua do Almada até uma cidade interessante como Milão.

Tão convincente é ao descrever essas viagens que toda a gente pensa que ele é um felizardo, por viajar tanto e conhecer locais tão exóticos.

Mal eles sabem que a única viagem grande que Mateus fez até hoje foi a Lagos....

Um dia, o Pai vai buscá-lo ao Karaté e enquanto espera que ele se vista, resolve falar com o professor.

" Ora viva, como está? Deve estar ainda cansado da viagem..."  pergunta o professor sorridente.

" Viagem? Que viagem? " repete o Pai de Mateus, confuso.

" Sim, a viagem que fez até Milão. Foram de carro, não foram? O Mateus descreveu-me tudo..." explica o professor, surpreendido com a reacção " Até trouxe o mapa com os locais por onde passaram assinalados..."

" Mas nós só fomos até Lagos!" responde o Pai e ri-se quando percebe o que aconteceu. " Este meu filho tem uma imaginação... Adora mapas e passa o tempo a planear viagens."

O professor também se ri e confessa: " É um hobby interessante. Acha que vai ser escritor de viagens, guia turístico, tradutor oficial?"

O Futuro o dirá...

Por enquanto, Mateus viajará pelo globo terrestre à procura de locais exóticos e aventuras excitantes...




quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

SIMÃO, O IRMÃO PERFEITO





Olá, lembram-se de mim?


O Simão, o traquina, o terrorista do bairro? 

Claro que sim; o bairro não sobrevive sem o meu “savoir-faire”…


Mas hoje… 


Hoje, tenho que ser “responsável”, pois a Mãe confiou-me a guarda do meu irmão mais novo e não posso falhar.


Por isso, nada de trepar às árvores, saltos acrobáticos ou corridas de obstáculos.


A solução? Cowboys e Indíos e o Gonçalo bate palmas, contente.


Tudo corre bem até que o Mateus, armado em parvo e convencido de que me vai derrotar nas próximas eleições para líder carismático do bairro, captura o Gonçalo.


O Gonçalo assusta-se, tropeça e caí. Segue-se um berreiro assustador e eu não hesito um segundo.


Atiro um murro ao Mateus que o derruba. Refaz-se depressa e dá-me outro em cheio no nariz.


O sangue não me impede de lhe bater novamente e se o Jacinto Jardineiro não chegasse naquele momento, não sei o que aconteceria.


Quando chego a casa, com a camisa rasgada, um olho inchado e a sangrar do nariz, a Mãe dá um grito e chama-me “irresponsável”.


“ Onde é que tens a cabeça, Simão? Bonito exemplo para o teu irmão, não há dúvida! Nem mais uma palavra! Já para o teu quarto!” exige.


Obedeço; aceito a derrota de cabeça erguida, como líder que sou. 


A Mãe é a única pessoa que não posso desafiar, mas não me importo, porque o Gonçalo abraça as minhas pernas e diz, com toda a confiança do Mundo:


“ Goto do Imão!”


domingo, 11 de dezembro de 2016

AS REGRAS


Era uma vez...

Um menino que não gostava de regras.

Não entendia porque é que tinha que lavar as mãos antes de comer ou vir para casa quando começava a chover.

Ou porque é que tinha que interromper o jogo, o jogo que estava a ganhar, porque eram horas de ir para a cama.

Porquê? Era a sua pergunta favorita e muitas vezes, não obtinha qualquer resposta.

" São regras!" explicava o irmão que obedecia a todas, sem as questionar.

Mas, um dia, tudo mudou. 

As pessoas apareceram vestidas de preto, falavam baixo e o avô, muito sério, disse-lhes para se portarem bem.

Intrigados, os dois irmãos sentaram-se na varanda. À espera de uma explicação que lhes foi dada por uma mãe chorosa e que repetia no fim de cada frase que "tinham que ser fortes".

O menino ia perguntar: "Porquê?" mas compreendeu, naquele momento, que não o devia fazer.

Não se tratava de uma regra; era algo mais forte que exigia toda a sua atenção e compromisso - a dor.

Silencioso, deslizou do banco e abraçou a mãe que chorou ainda mais.

O irmão nada fez. Fugiu, escondeu-se na casa da árvore e quando o encontraram horas mais tarde, era uma pessoa diferente.

Tornou-se agressivo, desobediente. 

 Como se culpasse as regras pelo que tinha sucedido ao Pai naquele dia de tempestade...




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O CHAPÉU DE PAPEL



Esta é a história de um chapéu de papel amarelo

Com uns corações pintados na dobra.

O chapéu sentiu-se importante e pensou: " Ah, gostam de mim! Ninguém me vai esquecer!"

Que ilusão! Um dia, esqueceram-se dele na mesa do jardim e veio o Vento que o atirou para longe.

O chapéu ainda gritou por socorro, mas ninguém o ouviu; ninguém lhe acudiu.

O Vento levou-o até a uma praia deserta e deixou-o cair na areia molhada.

Amarrotado, meio rasgado, o pobre chapéu assustou-se com a imensidão do Mar.

" Ele é sempre assim?" perguntou, hesitante à areia.

A areia riu-se e respondeu:

" Hoje está calmo! Mas nunca se sabe o que vai acontecer. Pode transformar-se num gigante em segundos."


" Mas porquê?" quis saber o chapéu, mas a areia apenas sorriu.

Minutos depois, tal como a areia tinha explicado, o Mar enfureceu-se. Tornou-se cinzento, agressivo e reclamou a posse da praia.

A areia desapareceu e o pobre do chapéu ficou submerso.  Não sobreviveu à violência.

Ficou feito em pedaços, enterrado na areia que sorriu ao Sol.

O Mar acalmou-se. O Vento partiu para o outro lado do Mundo.

E, alguém fez um outro chapéu de papel.

Escolheu uma outra cor e um outro menino pediu para desenharem tartarugas e macacos na dobra.


==========================

A minha história de Natal....

Para as Catarinas, as Marianas, as Matildes e as Margaridas.

Para os Pedros, os Guilhermes, os Simãos e os Davids.

Para os meninos e meninas que conheço e para os que não conheço.

Que sejam Felizes... Que saibam que há dias em que perdemos, mas que há alternativas.

Exigem esforço e tempo, mas a Vida é isso mesmo....

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ZÉLIA - FIM


" Sabes onde está a teu irmão?" insiste a Mãe antes de eu pedir explicações ao Pai.

" Não, disse que tinha que "desaparecer" por uns dias; deixou-me um nº de telemóvel..." confesso " mas já tentei ligar e dá sinal de impedido." 

Os meus Pais não dizem nada por uns minutos e eu começo a sentir-me desconfortável.

" Mas o que se passa? Porque é que me chamaram?" questiono.

" Veio cá um individuo muito educado, verdade seja dita, e perguntou-nos pelo teu irmão." conta o meu Pai, acendendo um charuto.

O cheiro incomoda-me, mas não digo nada.

" Não o conheço; deve ser de algum grupo novo e da pesada!" confidencia " Respondemos que não sabíamos, que não o víamos há uns dias e ele apenas sorriu."

" Depois, polidamente pediu-nos para comunicarmos ao Bruno Machado que aguarda uma resposta até ao fim do mês!" concluí a Mãe " Sabes o que ele anda a fazer, Maria Teresa? Quem é que ele irritou?"

Abano a cabeça; o meu irmão respeitou a minha decisão de me manter à margem dos negócios da família e se me avisou do "desaparecimento" foi, talvez, por pensar que não associariam o meu nome ao dele.

Ia explicar isso aos meus Pais quando a porta se abre e o guarda-costas do meu Pai anuncia solenemente:

" Está aqui a Polícia!"


E eu sinto a minha vida, pela qual lutei tanto, a desmoronar-se....



FIM

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ZÉLIA - PARTE V


A Mãe fica calada por uns minutos e sugere:

" É melhor vires até cá. Não devemos falar nisto ao telefone!" e desliga sem esperar pela minha resposta.

Não posso ir sem terminar a reunião e é com alívio que vejo que a outra equipa recusa o nosso convite para almoço.

A minha assistente arruma os dossiers e pergunta: " Vamos almoçar?"

" Não, obrigada. Tenho que sair; surgiu um problema familiar. Espero estar de volta a meio da tarde. Discutimos então os pormenores." e, pegando na carteira, desço até à garagem.

A Andreia deve ter ficado admirada com a minha saída abrupta. Geralmente, após reuniões importantes como esta, gosto de rever de imediato todos os detalhes e enviar a proposta final antes do final do expediente.

Mas não hoje! Hoje fui "convocada" à casa dos meus Pais e "proibida" de desobedecer.

Os meus Pais moram numa vivenda num bairro sossegado. O portão está aberto e eu entro sem problemas.

Fico ali parada por uns minutos a observar o jardim antes de tocar à porta

É a minha Mãe quem abre. Como sempre, o cabelo está impecável e a roupa foi escolhida com cuidado.

" Ah, Maria Teresa. Não sei se gosto desse teu novo corte de cabelo!" é o cumprimento que me dirige.

Sorrio e dou-lhe um beijo. 

" A Mãe está óptima! Os anos não passam por si!" retribuo irónica, mas a Mãe atalha de imediato.

" Deixa de ser engraçada, Maria Teresa! Vai cumprimentar o teu Pai; temos muito que conversar." e empurra-me para a sala de estar.

O meu Pai levanta-se do sofá e cumprimenta-me, muito sério. Também não gostou muito da atitude que tomei, mas foi mais compreensivo.

" Isto é muito sério, Teresa." confidencia.

(CONTINUA)     

 


terça-feira, 29 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE IV


Foi para evitar este tipo de preocupações que mudei legalmente de nome e tentei construir uma carreira à margem das ilegalidades.

Tento concentrar-me no projecto que tenho que entregar até ao fim da semana. Não é fácil, mas a complexidade do trabalho exige toda a minha atenção e em breve esqueço a visita do meu irmão.

Pago a multa, prometo solenemente não lhe emprestar o carro novamente e sigo com a minha vida.

Estou no meio de uma reunião importante quando o telemóvel toca. Não atendo, mas a pessoa insiste e o ambiente fica desconfortável.

" Talvez se possa fazer uma pausa para um café?  10 minutos?" sugere a minha assistente e levanta-se.

Os outros imitam-na e fico sozinha na sala. O telemóvel toca mais uma vez e pergunto irritada:

" O que se passa?" e sou imediatamente repreendida pela minha Mãe.

" Não estás a falar com um dos teus empregados, Maria Teresa!" recusa-se a chamar-me Zélia. 

" O teu nome é Maria Teresa; fui eu quem o escolheu e serás sempre a minha filha Teresa." repete todas as vezes que lhe peço para não o fazer.

" Tens notícias do teu irmão?" pergunta.

" Não, não sei nada dele. Sei que se ausentou, mas mais nada!" respondo " Porquê? O que se passa?"

(CONTINUA)



sábado, 26 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE III


" Tens que pagar a multa, não é? " diz, hesitante, o Machado " Eu tenho que " desaparecer" por uns dias..."

" Desaparecer??? Porquê?" pergunto, mas é realmente melhor não saber os pormenores. Por isso, não insisto.

O meu irmão levanta-se e recomenda: " Disse à Mãe que ia para o estrangeiro e que não tinha data para voltar. Está aqui o número onde me podes contactar, mas não lho dês!"

Olho-o fixamente, penso em fazer mais perguntas, mas parece que o Machado me lê o pensamento, pois abana a cabeça e saí.

O telefone toca, mas eu não atendo. Agora, estou preocupada.

O que terá feito para ter que "desaparecer" por uns dias? E não dar o número à Mãe?

Decerto é suspeito numa investigação qualquer e não quer que interroguem a Mãe.

" Bolas! Porque é que não fazes nada direito, pá?" grito para o ar.

(CONTINUA)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE II


" OH, T...." diz alto

" Cala-te, imbecil e fecha a porta!" ordeno e quando ele se senta na poltrona em frente da secretária, sussurro, irritada:" Não sabes que aqui o meu nome é Zélia e ninguém sabe que és meu irmão?"

O Machado acena afirmativamente e mais calma, pergunto:

" O que se passa? Diz lá..." e o meu irmão tira um papel do bolso que me entrega solenemente.

" O que é isto? Uma multa e com o meu carro???" e como o Machado não responde, peço uma explicação detalhada.

O meu irmão acende um cigarro, sem pedir licença e demora uns minutos a explicar-se.

" Pois, levei a Mãe ao médico e como estava demorado, fui levantar um "pacote"..."

" Imbecil!" repito " Foste com o meu carro tratar dos teus negócios "escuros"? Sabes quanto tempo levei até chegar aqui?" mas o Machado apenas sorri.

Tenho vontade de o esbofetear... Não o entendo; já desisti de o entender e não sei quantas vezes mais jurei que não o ajudaria...

" E agora?... Não te faças de engraçado e diz o que queres!" exijo.

(CONTINUA)


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ZÉLIA


Porquê Zélia e não o meu nome de baptismo?

Zélia é mais exótico, mais enigmático... Perfeito para o negócio...

Sei muito bem que, nas minhas costas, chamam-me " A Maldita", porque sou inflexível, exigente.  

Mas cumpro sempre os prazos, os termos discutidos e tenho o respeito de todos.

Se tenho um lado negro... não falo muito nisso... Desde que não interfira na vida profissional... não há razões para o expor...

Até àquele dia em que o Machado entra, armado em dandy, no meu gabinete.

(CONTINUA)


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - FIM


" Tem a certeza que a matrícula é esta, chefe?" questiona o Bernardes.

" Absoluta! Porquê? O que se passa?" pergunta o inspector.

" Não me é estranha. Onde é que vi isso?" comenta o sargento " Ah, bem sabia que a tinha visto! Segundo o relatório do Torcato, o carro com essa matrícula pertence ao consórcio que estamos a investigar. É utilizado pelos ditos membros da Administração. Isto é interessante...." e Leandro ouve papéis a serem mexidos e alguma coisa a cair ao chão.

" Então?" diz o inspector, impaciente.

" A presidente do tal consórcio é uma mulher. Chama-se Zélia, Zélia Soutelo, mais conhecida pela " Maldita"." informa o Bernardes " Está-me a ouvir, chefe?" insiste quando o Leandro não responde.

Mas Leandro não pode responder. Na porta da sala, completamente vestida e com uma arma na mão, aparece a mulher que lhe enche os sonhos.

" É melhor desligar, Inspector." pede com um sorriso agradável. " Temos muito que conversar."


FIM

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE V


Quando volta para o apartamento, tenta ligar para o Bernardes.

Mas dá sinal de interrompido e Leandro considera telefonar para o Torcato.

" Não, é melhor que seja o Bernardes. Melhor não alarmar a equipa para já!" diz em voz alto.

Tocam à porta e o inspector abre.  

É a Zélia. Está deslumbrante com o cabelo preto apanhado e um vestido branco solto que escorrega rapidamente pelo corpo no calor do beijo que trocam.

Zélia fecha os olhos, deliciada e Leandro beija-a novamente.

Pega-lhe na mão para a levar para o quarto, mas o telemóvel toca nesse momento.

O inspector suspira e desculpa-se:

" Tenho que atender; pode ser o Bernardes!"

" Não tem importância! Desde que não te peçam para ires...." e, apanhando o vestido do chão, desaparece no corredor.

Leandro espera uns segundo e quando atende, é ríspido.  

" Bem sei que lhe pedi para me ligar, Bernardes, mas podia ter demorado mais um bocado."

" Oh, chefe, desculpe. Estive a confirmar umas dicas e ia agora escrever o relatório. Vi que me tentou ligar. O que se passa?" justifica-se o sargento.

Leandro respira fundo e relata tudo o que se passou naquela manhã.

(CONTINUA)  
 





domingo, 13 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE IV


Mas, volvidos dois meses, Leandro já tinha encontrado o equilíbrio entre a vida profissional e amorosa,

Está feliz, mais relaxado e não é de admirar o sorriso radiante quando atende o telefonema da Zélia naquele domingo.

" O que faço? Estou um mandrião; ainda nem tomei banho!" confessa " Encontramo-nos para almoçar?... Cá em casa? Mas não tenho nada...." protesta.

Zélia ri-se e propõe: " Vamos fazer um almoço tipo piquenique.... Há uma loja gourmet aqui perto; não te preocupes.  Eu levo, mas tu tratas do vinho. E tem que ser bom!" remata.

Leandro ri-se e desligam poucos minutos depois.

O inspector dá um jeito à sala, limpa a cozinha e depois de um chuveiro, apressa-se a sair.

Parado à porta do prédio, está um carro preto.  Leandro acha estranho, pois a rua está deserta, tanto de pessoas como de carros, mas expulsa o assunto da mente.

Mas alguém põe o motor a funcionar e uns segundos mais tarde, Leandro ouve o carro a deslizar.

Continua a andar lentamente e decide parar em frente do quiosque. 

O carro passa por ele e estaciona uns metros à frente.

Leandro tem quase a certeza de que está a ser seguido. Por quem e porquê?

" Estás a seguir-me, malandro?" e hesita em o confrontar ou fingir que não percebeu.

Opta por ignorar, mas memoriza a marca, o modelo, a cor do carro e num golpe de sorte, consegue anotar a matrícula.

(CONTINUA)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE III


O jantar tinha sido um sucesso.

Ela escolheu um restaurante discreto e demonstrou ser uma mulher afável,inteligente, culta, qualidades que o Leandro muito apreciava.

No sábado seguinte, foram passar o dia fora e no domingo, ao cinema.

Jantar uma ou duas vezes por semana tornou-se um hábito e quando ela sugeriu passarem um fim de semana num Hotel, Leandro anuiu.

Mostrou-se um pouco nervoso e confessou-lhe que há muito tempo que não estava com uma mulher.

Ela riu-se e perguntou, brincalhona: " Refere-se a sexo?".  

Leandro riu-se também e correspondeu ao beijo que ela lhe exigiu.

Naquela segunda feira, Leandro estava nas nuvens e entrou tão sorridente no gabinete que o Bernardes não se conteve e comentou:

" O Chefe teve companhia este fim de semana. E ela deve ser...."

" Não interessa se tive ou não companhia, Bernardes!" interrompeu o inspector " O relatório que lhe pedi? Já devia estar na minha mesa..."

Com um " Desculpe, chefe" , Bernardes saiu do gabinete, mas numa pausa, ele e o Torcato discutiram intensamente o affair do chefe.

" Ainda bem! Há tanto tempo que não tem ninguém!" disse o detective.

" Está mais acessível, mais brincalhão!" referiu o Bernardes " Até deixou de usar aquelas camisas aborrecidas."

Entretanto, Leandro tentava concentrar-se no caso, mas o pensamento fugia-lhe para o corpo quente da mulher com quem tinha passado o fim de semana.

(CONTINUA)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE II


Tinham-se conhecido no hall do Tribunal.

Ela parecia perdida, indefesa e quando lhe perguntou onde era a Secção VI numa voz baixa e doce, Leandro não se limitou a apontar o caminho; acompanhou-a até lá.

Ela agradeceu-lhe com um sorriso aberto e um olhar tão sexy que Leandro ficou sem respirar uns segundos.

Não pensou mais no assunto até receber uma planta e um cartão que dizia simplesmente:

" Obrigada pela ajuda.Telefone-me. 
91xxxxxxx
Zélia "

O Bernardes e o Torcato gozaram quando o viram com a planta, mas Leandro ignorou-os, pois não se lembrava de ter dado um cartão de visitas a uma mulher com aquele nome. 

Mas ficou curioso e para grande desilusão do Bernardes e do Torcato, fechou a porta do gabinete e marcou o número.

Quando ela respondeu, o inspector reconheceu aquela voz baixa e doce e sem saber bem como, convidou-a para jantar naquela noite.

Quando desligou, Leandro, divorciado e sem uma amiga especial há tanto tempo, deu por si a assobiar baixinho.

" Oh, Chefe, encontramo-nos aqui às 08h00? " perguntou o Bernardes, mas Leandro olhou para ele tão sério que o sargento não se atreveu a dizer mais nada.

(CONTINUA)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A PAIXÃO DO INSPECTOR


Alguém descuida-se e a porta do prédio bate com força.  

Leandro acorda sobressaltado e olha para o relógio.

" Bolas! São 08 horas e é domingo!" resmunga, mas está Sol e as pessoas querem aproveitar o dia na praia.

Resignado, levanta-se e decide tomar o pequeno almoço na varanda.  Hoje, não quer ler o jornal; está deprimido demais. 

A investigação está num impasse; há novas pistas, mas Leandro acha que o resultado vai ser o mesmo.

Zero! Suspira, contrariado e está quase a telefonar ao Sargento Bernardes para lhe pedir que confirme uns dados quando o telemóvel toca.

" Estou?" e ao reconhecer a voz, sorri como um adolescente.

(CONTINUA)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ANTÓNIO SEDUZIDO - O FIM


E, no poema que escreva, fala sobre as palavras.... As palavras que o seduziram...

A voz que começa a escutar... Mesmo quando resolve uma equação...

Ou explica um gráfico...

Talvez agora não tenha tão certeza do que o Mundo lhe quer revelar, diz...

Confessa-se admirado por ter dúvidas... Põe a alma a nu...

Quando se senta, um pouco envergonhado, nada o prepara para a salva de palmas que enche a sala.

O Afonso grita: " Eh, pá! Quem diria que escreverias um poema tão forte?"

Mas António só olha para a professora e esta sorri...

Como se nunca tivesse duvidado de que ele conseguiria escrever um poema...

António ainda pensa em dizer uma piada... 

Mas agora que as palavras são tão preciosas... seria perdê-las novamente.... 


FIM

 
P.S.: Aceito sugestões para o próximo conto...

A frase poderá ser a habitual: " Era uma vez...."

sábado, 29 de outubro de 2016

ANTÓNIO SEDUZIDO - PARTE IV



Surpreende a senhora da biblioteca ao pedir livros de poesia.

" Não estarás enganado, António? Tu, a leres poesia? " pergunta, brincalhona.

António não responde e lê.  Lentamente, encontra respostas para o que sente ao ler um poema.

Emociona-se e descobre cor na vida.

Paixão no Vento... Amor na Lua... Desejo no Sol... Sussurros na pele...

A vida não é apenas uma estatística; há pessoas, emoções, sentimentos...

António abre o coração a tudo isso e beija a namorada com uma tal paixão que esta pensa que está a sonhar.

António está seduzido e aprende a seduzir...

O matemático torna-se um poeta....


CONTINUA