terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

NOVA FORÇA

Conheci há alguns anos um rapaz brasileiro muito adepto da filosofia chinesa.
Dizia ele que “por mais que tentem aborrecer-me, eu rio-me e depois, converso com a pessoa para saber qual é o problema.”
Uma vez eu tentei e resultou, a pessoa ficou sem saber o que pensar, mas neste momento, vontade de me rir, eu não tenho.
Sei, no entanto que não quero que o único som que o eco devolva seja o da minha própria voz
.
Não preciso que me lembrem a minha idade ou apontem, com tanto veneno, as limitações impostas por uma sociedade cheia de preconceitos.
Posso, no entanto, lutar contra esses preconceitos, provar que tenho as capacidades necessárias para desenvolver um trabalho tão bom como o dos outros, uma década ou mais novos que eu.
Até posso mesmo organizar um Fórum para discutir questões como esta – mostrar que estamos vivos e que somos uma voz que tem que ser ouvida.
Não posso negar que os 2 primeiros meses de 2006 foram meses cheios de emoções – precipitei-me, tropecei e cai de bruços ao pensar que tinha finalmente encontrado alguém, assisto impotente ao agravamento do estado de saúde dos meus Pais e cedi, por mais do que uma vez, ao cansaço e à frustração.
Mas, e tal como o Peter e a Bety me disseram, a vida guarda surpresas agradáveis e nunca imaginei receber o apoio e a compreensão que, de uma forma ou outra, as pessoas estão a fazer chegar até mim.

Diz António Marques Leal em “Desertos de Eco”:

“….mas o dia que despontou,
mesmo na altura em o luar era apagado pela luz da manhã,
fez nascer em mim um nova força”

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

COMO UM CONTO DE FADAS

Não, hoje não falarei de amor!
Porque hoje sinto-me como a princesa dos contos de fadas encurralada na floresta encantada!
Porque sinto que as árvores se aproximam cada vez mais de mim para me esmagar e eu não encontro o caminho, que há algures para leste e que me
levará de volta à luz.
A
luz que lutei tão arduamente para manter acesa e que querem agora apagar, semeando discórdia, desconfiança, incerteza, mal-estar.
E sinto que o azul começa a fechar-se sobre mim, a dominar cada um dos meus passos e o único azul que posso permitir que haja na minha vida é o azul do céu.
Se mergulhar nesse azul, poderei não ter forças para voltar ao caminho que tracei….
O caminho onde me sinto feliz, onde consegui vencer parte dos meus medos e esquecer as minhas lágrimas…
Por isso, hoje vou “fugir”, não como cobarde, mas para arrancar de cá de dentro novo força para lutar…
Sozinha novamente, porque tu não estarás cá….
Não, hoje não falarei de amor, porque “morreu” quando tu desapareceste!

domingo, 26 de fevereiro de 2006

UM SIMPLES OLÁ

A falta que me fazes!
Estou tão só, tão confusa e porque não admitir? Com medo!

Não posso falar com os meus Pais e embora saiba que as minhas irmãs me apoiam, elas têm a sua própria vida para gerir.

Às vezes, uma pessoa alheia à situação é capaz de a analisar friamente e chamar-me a atenção para factos que, por estar tão envolvida, considero irrelevantes e a chave poderá estar aí.
Mas tu tinhas que “banalizar” a relação e por isso, afastamo-nos.
Preciso do teu apoio agora e tu só pensaste no teu prazer!
Gostava tanto de chorar nos teus braços, em vez de escondida entre os lençóis para que os meus Pais não ouçam e tu nem sequer me atendes o telemóvel!
Para quê dizer tantas vezes “amo-te, adoro-te” e depois desapareces, deixando-me um rasto fácil de seguir, mas cujo acesso me cortaste!
Ou talvez nem sequer saibas do que estou a falar, da encruzilhada onde me encontro, do penhasco donde posso cair, porque vives num mundo completamente aparte.

Hoje, deixei de acreditar em tudo, até mesmo nesta citação:

Amor é a tempestade do prazer e o encanto da doçura”

Porque é que não me dizes nada?
Nem que seja um simples Olá?!!

sábado, 25 de fevereiro de 2006

ÁGUA NO DESERTO

Hoje, lembrei-me da Tia Maria.
A tia Maria morreu há 3 anos e se me pedirem para a descrever, não consigo.

A única coisa de que me lembro é a generosidade e a grandeza do seu coração.
A alegria com que se agarrava à vida, que a castigou bastante, mas que depois a recompensou e o carinho que distribuía indiscriminadamente.

A última vez que a vi foi num almoço de domingo, em casa dela.
Lembro-me que barafustei por me ter que levantar cedo e pouco comi do abundante almoço que foi servido.

Eu
ainda não sabia, mas já um bichinho reles, sem escrúpulos e malcriado se tinha infiltrado no meu corpo e atacava sem dó e piedade as minhas defesas, que sucumbiram.

Adoeci gravemente, lutei corajosamente para recuperar a minha vida e a Tia Maria não descansava, com os seus telefonemas diários e os seus terços.

Não a voltei a ver com vida, pois quando recuperei, já o coração da Tia Maria dava sinais de que algo ia mal e um dia, ela morreu em paz.

Não sinto remorsos por não a ter visto mais com vida; e tenho a certeza de que se ela estivesse agora aqui, me daria um abraço e diria:

“Tudo se resolve na vida, minha filha. Deus recompensa-nos de uma maneira ou outra” e oferecia-me um lanche digno de rei – a resposta típica da sua generosidade e bondade
.

Encontrei a citação perfeita para descrever a Tia Maria:

Na vida, o amigo é como a água no deserto!”

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

TELEFONEMAS INDESEJADOS


Há mais de 8 dias que espero que me telefones!
Continuas igual a ti próprio – lanças o foguete,
abalas a pessoa,
mas "cortas-te" nas explicações.
Tantas manifestações de amizade,
até mesmo a entidade patronal confirma
"ele nunca falou mal de ti",
ao que respondi calmamente
"isso é o que ele diz".
Conheço-te o suficiente para saber que é "fogo de vista",
que achas que sou uma "coitada",
que "bloqueio" quando surgem problemas, graves,
muitas vezes causados pela tua arrogância e leviandade.
Agora, andas com histórias,
com especulações
sobre uma situação que também me afecta.
Também sou uma parte interessada;
também tenho direito de saber o que se passa
e o pouco que sei é o que escuto.
Não, não me telefones;
saberei a verdade na altura certa,
já estou mais ou menos preparada para o choque.
Até já estou a estudar hipóteses de como "dar a volta por cima".
E, não, não as vou discutir contigo – para quê?
Se as nossas suspeitas se confirmarem,
o lado positivo da situação é
não ter que trabalhar mais contigo
e aturar as tuas malcriações e ofensas!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

SUSPEITAS

Sei que estás preocupado;
não negues – conheço-te bem!
Ainda mais porque desviaste os olhos
quando te perguntei se podia ajudar
e isso é sinal que as coisas
são mais graves do que eu pensava
e não tens coragem de me dizer.
Fala comigo;
eu pedi-te isso e é melhor encarar a verdade.
Não a quero ouvir pelos outros,
pois sei que se vão aproveitar
da minha sensibilidade e "pisar-me".
Não lhes vou dar a satisfação
de me verem chorar ou ficar atrapalhada;
tu sempre me aconselhaste
a passar por cima disso
e talvez seja por isso,
que achem que eu sou "importante".
Porque, sabes, eu não me manifesto muito
e acho que estas "bocas",
estes boatos
nunca existiriam se houvesse respeito.
Como não há,
é cada um por si,
a defender-se como pode
e não admira que todos pintem
um quadro diferente
com cores
cada vez mais carregadas, mais duras.
O que é que vais fazer da tua vida
se as nossas suspeitas se confirmarem?
E o que é que eu vou fazer da minha?
É o que me custa mais a aceitar
– mesmo a nível do governo,
fala-se muito,
promete-se muito,
mas raramente se faz alguma coisa!
Vou esperar que fales comigo;
acho que me deves isso
– é que não te quero riscar da minha vida!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

ESCREVO-TE III


Sabes, ao reler um dos primeiros posts que aqui publiquei, encontrei esta citação:
A amizade é:
"Como o perfume das flores.
Derrama o seu aroma sobre aquele que está em sua presença
"
- Dugpa Rimpoché
e por esta cabeça maluca passou a ideia - pouco provável - de que o nosso destino será acabar juntos.
Não esqueci nada do que me disseste quando, a brincar, abordamos o assunto, mas se os meus "affaires" correm mal, eu "escondo-me" nos teus braços e fico lá até sarar a ferida.
Sei quando estás preocupado; tu fazes-me rir quando estou aborrecida!
Nunca te esqueçes dos meus anos e sabes muito bem que se hesito entre um livro e um perfume, o livro vence a partida.
Temos tudo para ser um casal perfeito; por isso, para não andarmos aí aos trambolhões, não queres reconsiderar?

P.S. Tal como os outros dois, este post foi escrito como se fosse uma carta. Encerro assim, porque não há dois sem três, uma experiência!

domingo, 19 de fevereiro de 2006

ESCREVO-TE II

Escrevo-te novamente, porque não consigo parar de chorar!
Será por causa do temporal que não me deixou dormir e na escuridão a minha imaginação concebeu um romance de amor, perfeito, digno dos Deuses do Olimpo?
Mas nem mesmo no Olimpo, tal coisa existe;
o que dizer, então, da raiva da Deusa Hera, quando soube que Zeus seduziu a princesa Alcmena?
Ou será porque, embora conformada, não aceito as desculpas esfarrapadas dadas para tudo terminar?
Será que a culpa foi minha?
Mas culpada de quê, se nada escondi?
Ou terá sido porque quis mais do que estavas preparado para me dar?
Não sei; nunca o saberei –
há coisas que não vale a pena esmiuçar; é deixar como estão e gozar os nossos momentos.
E, como é que nos podemos sentir sós, se temos Deus e amigos verdadeiros que zelam por nós?
Por isso, vou deixar o Inverno passar; talvez, quem sabe? a Primavera seja diferente e tu tenhas sido apenas um esboço do que poderá verdadeiramente acontecer um dia!
P.S.: Este texto, como o anterior, tem a forma de uma carta. É apenas o que eu escreveria se fosse convidada (!!!!) a escrever para a rubrica da Revista Pública “Perdidos no correio”.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

ESCREVO-TE

Escrevo-te
para preencher o tempo que me sobra e que tu dizes não ter!
Escrevo-te para, e tal como a Mrs Dalloway,
apagar o silêncio a que me votaste.
Escrevo-te
para afugentar os meus medos, que tinha ultrapassado
e que trouxeste de volta.
Escrevo-te
para desanuviar as minhas hesitações, que não soubeste acalmar!
Escrevo-te
para gritar bem alto a minha frustração
por não ter sido, uma vez mais compreendida;
a dor por ver que, uma vez mais, não sou nada!
Escrevo-te
para falar da injustiça que é ver a minha paixão ser desperdiçada!
Escrevo-te
para lamentar que nem amigos ficamos!
Escrevo-te
para terminar com o meu “luto”;
para recomeçar a minha vida que suspendi por tua causa.
Escrevo-te para dizer que nada mais há a dizer – apenas “adeus”!

P.S: Tive a ideia de escrever este texto ao ler “Perdidos no Correio” da Revista “Pública”.
Mrs Dalloway é um romance de Virgina Woolf e é o elo de ligação entre as 3 mulheres do livro “The Hours” de Michael Cunningham

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

FICAR "INDOORS"

É sexta-feira novamente!
Um outro fim de semana – várias horas para me dedicar única e exclusivamente aos meus prazeres.
Mereço depois de ter uma semana bastante complicada e que terminou com a "discussão" já habitual com o "menino mau".
Acusaram-me de valorizar demais a situação e talvez tenham razão, porque a minha preocupação principal deve ser o bem-estar dos meus Pais.
Mas, e embora esteja bastante preocupada com os meus Pais

– lógico, dada a idade e estarem sozinhos
– eu não "sobrecarrego" as pessoas com quem trabalho com isso.
Pelo contrário – tento proteger a minha vida privada, pois é disso mesmo que aqui estamos a falar – privacidade.
Como uma amiga me disse ontem, como já não há o Big Brother ou a 1ª Companhia, fala-se, inventa-se, cochica-se sobre a vida dos outros.
São manias, maus hábitos, etc e para não entrar em rota de colisão, eu finjo que não vejo ou ouço.
Falei num post anterior sobre os Impressionistas e vi que há também um livro sobre o Van Gogh e sobre vários outros pintores que vou ler.
Emprestaram-me também um livro de Gabriel Garcia Marquéz, Doze Contos Peregrinos e uma vez que parece que a maldita chuva não me vai deixar fotografar os meus sítios favoritos

para comparar as diferenças (há-as sempre!),
é melhor estar preparada para ficar "indoors".
Livros, CD’s e navegar pelo Messenger é navegar num mundo completamente diferente, um mundo que eu conheço bem e onde estou à vontade.
O mundo não se limita a estas pessoas e local –

e se desconfiam porque é virtual,
ora, verdade seja dita,
o mundo real também nos pode esmagar!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

FICAR POR AQUI


Podes crer que "ficamos por aqui".
Eu vou desistir, porque quem não entende nada sou eu.
É perfeitamente normal pedir-se desculpa;
às vezes, até dá azo a ser-se gozada indecentemente
e eu não levo mal, pela simples razão de que não me sinto "humilhada".
Sinto que a pessoa que me está a gozar, está a gozar-me
só pelo prazer de me ver corar,
ficar atrapalhada, sem saber muito bem o que dizer
e depois eu desato a rir, pois compreendi o objectivo da brincadeira.
Contigo, continuamos a não ter "transparência", continuas a ser o "menino mau"
pois
se utilizo as armas com que me "atacas",
ficas ofendido e "queixas-te"!!!
Já que dizes que "as desculpas evitam-se", desculpa lá a franqueza,
mas eu vou evitar-te ao máximo – só falo quando tiver que ser!
E é porque acho que não me devo "esconder" atrás dos outros,
embora já o tenha feito e não esteja nada orgulhosa disso!

APANHADA DESPREVENIDA

Ontem, o dia não podia ter terminado da melhor maneira.
Uma mulher da minha idade ser chamada de "miúda" fez-me rir alto e arrepender amargamente

ter sido preguiçosa
e não ter ido ao cabeleireiro.
Como se isso tivesse tido qualquer influência no piropo – pois considero-o como tal – que recebi!
Nem sequer estava no Messenger!!!
O piropo apanhou-me completamente desprevenida e

fez-me ir à lua e voltar várias vezes
– a beleza vem de dentro de nós,
mas há dias em que nos sentimos particularmente feias e eu sentia-me assim.
É o que eu mais lamento –

não ter "investido" há mais tempo em mim,
deixar escapar,
não me ter abandonado plenamente àqueles prazeres,
como receber um piropo, ter uma paixoneta aguda, seduzir e ser seduzida, etc que acontecem em determinada altura na vida...
Não que eu esteja "velha".....mas nunca será a mesma coisa, pois o que se quer agora é completamente diferente
........

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

IMPRESSIONISTAS, FOTOGRAFIAS E CHUVA


Afinal, não estava a olhar para o chão, pois vi o livro sobre os Impressionistas.
Foi, por isso com prazer que me sentei com o livro no colo
e com as costas bem encostadas,
folheei e redescobri os quadros
dos homens que revolucionaram a arte no século XIX.
Uma arte que estava estagnada,
como tantas outras coisas, no tempo,
sem cor e luz.
Monet
- porque é o meu pintor favorito –
reproduziu o movimento, a claridade
e ao olhar
para o quadro “Women in the garden”,
parece que sentimos
os passos leves da dama que foge, o ondular da seda do vestido.
Ou as bailarinas de Degas, com os tutus e as fitas!
Ou o realismo das chamadas “naturezas mortas”!
E isto (vá lá Deus saber porquê!!) lembrou-me as minhas fotografias,
que guardei algures, provavelmente estão
esquecidas dentro de um livro.
Como já encontrei a Máquina, o programa de fim-de-semana promete ser aliciante.
Resta saber se o tempo mo permitirá;
é que a chuva,
malandra e traiçoeira
“bateu-nos” à porta
e quando aqui começa a chover, é difícil prever quando acaba.
Malvada, nem me vai deixar ver a lua,
porque trouxe com ela
um nevoeiro espesso, fechado, ameaçador
e o único refúgio é realmente o meu quarto.

OLHAR PARA O CHÃO

Acho que foi ao Peter que disse que tenho uma grande relação de amizade com o sol, a lua e as estrelas.
Disse também que estes elementos da natureza não se importam se eu chorar; pelo contrário, até me escondem.
Estranho talvez essa relação; mas, muitas vezes, nem sequer pensamos que o sol, a lua ou as estrelas estão lá para admirarmos.
É como se nos sentássemos num jardim e não olhássemos as flores.

Ou não víssemos as pessoas que estão sentadas no banco.
É como se estivéssemos sempre a olhar para o chão; como se tivéssemos medo de enfrentar as coisas.
Eu olhava sempre para o chão; ainda o faço por vezes, quando me sinto triste ou só.
Hoje, tenho fortes razões para tal e o sol parece que adivinhou, porque está escondido.

Vamos ver o que faz a lua logo à noite - depois, terei que me conformar!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

POUCO CONVENCIONAL


Este não é um cartão de S Valentim convencional, porque não é uma declaração de amor.
Num dos primeiros posts deste blog, eu disse que a

Amizade não é um bombom envenenado

E todos os que aqui passaram ajudaram-me a descobrir
que a amizade total, desinteressada,
ultrapassa todas as fronteiras,
todos os limites,
a linha do horizonte,
viajando para além do sol e da lua.
É o beijo que fica nas rosas de que eu tanto gosto,
é o cheiro a maresia que o nevoeiro aprofunda.
São as minhas canções desalinhadas,
incoerentes,
mas que reflectem a minha alma.
É, enfim, estar sentada na praia,
completamente alheia a tudo e a todos
e saber que compreendem isso.
Feliz Dia de S Valentim!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

A PROPÓSITO DE

A propósito de uma das crónicas da Revista "Pública", o texto de "Perdidos no Correio" é uma pequena maravilha.
Estou a escrever sobre esse texto, porque me identifiquei com a situação;

uma situação vista pelo lado masculino,
mas com a mesma angústia e dor que eu conheci.
A dor no masculino que existe e de que nunca nos lembramos!

O título é "Escrevo-te para devolver o que não deste"

e fala de promessas que não foram cumpridas,
de uma esperança que morreu aos poucos,
a desilusão, a resignação, a espera por um telefonema que nunca veio.
Passei por uma situação semelhante

tardes inteiras à espera de um telefonema
ou respostas
a SMS ou mensagens esquecidas no Voice Mail.
Às vezes, havia resposta – uma corrente de palavras duras, ofensivas, insultuosas que me faziam chorar e perguntar "Porquê?".
Tal como o autor deste texto, "fartei-me" e mudei de atitude.
A partir daquele momento, seria ele, se quisesse estar comigo, que viria ao meu encontro. E nunca o fez!
No fim, o autor escreve "Escrevo-te para devolver o Outono", querendo, talvez dizer que perdeu parte da vida dele à espera de alguém que mentiu.
Eu nada escreveria, porque, como procuro o lado positivo das situações,

foi ele que me devolveu qualquer coisa:
O meu nome e a minha libertação!
Podem perguntar "Mas, não sabias isso???"
e eu direi
"Não, não sabia, porque sempre tive medo de descer até ao fundo do poço."

E não quero voltar a descer!

domingo, 12 de fevereiro de 2006

PODEROSO

O que têm de comum os Queen e a Sophia de Mello Breyner Andresen?
Sinceramente, não sei –
apenas que, pela 2ª vez esta semana, acordei a cantarolar
e achei que a música dos Queen
"It’s a kind of magic”
se adaptava
ao espírito
do poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
“ Dia do Mar”.
Sabem qual é?
Eu repito:


A minha esperança mora
No vento e nas sereias –
É o azul fantástico da aurora
E o lírio da areia

Quem é que não gosta de estar na praia ao amanhecer, seguir os passos do sol e continuar lá quando desce sobre o mar,
tornando-o dourado?
Tal como o poema de Sophia, a música dos Queen, principalmente a voz do Freddie Mercury, é poderosa, insinua-se, “queima”.
É pura magia;
é simplesmente, tal como o poema fala,
uma mensagem de esperança…
Inesquecível; é a minha esperança!

sábado, 11 de fevereiro de 2006

S VALENTIM

Eu a pensar que ia receber no Dia de S.Valentim aquele casaco de malha fininha, verde desmaiado…

Se o quiser, terei que ser eu a comprá-lo, pois estarei novamente sozinha nesse dia.

Pouco me importa, por isso, se codorniz com molho de chocolate é ou não o prato ideal para o Dia dos Namorados – nem gosto de codorniz nem de chocolate.

Impossível de acreditar?

Mas é a pura verdade –
há anos que perdi o prazer de trincar uma barra de chocolate, de a deixar derreter na boca e misturar-se com a saliva e só então, engolir.

Não sei o que aconteceu; tenho outros prazeres….

Como, por exemplo enviar um cartão a alguém, só pelo gozo que me dá de vasculhar e escolher o mais engraçado entre os milhares que há à disposição e saber que o vai apanhar completamente desprevenido.

Nunca sabe se o vai receber e se o receber, o que é que eu lhe vou dizer.

Não há nada entre nós; somos apenas amigos, o que intriga muita gente, que nele só vê o lado negativo.

Não vou falar desse lado negativo – conheço-o bem e embora seja feio responder a uma pergunta com outra, à pergunta que desejam ardentemente fazer e não têm coragem, resume-se a isto:

Onde estavam quando eu mais precisei de um amigo?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

BACH OU RAY CHARLES???

Se foi Bach ou o Ray Charles quem me embalou não sei.
Nem sequer me lembro de ter desligado o PC e o leitor de CD!
Penso que adormeci ao som de Ray Charles, pois acordei esta manhã a entoar "Georgia on my mind" – só gosto da versão dele e nada me fará mudar de opinião.
Dormi em paz e esqueci as queixas da minha Mãe que continua a ser egoísta, prepotente e a não admitir um "não" como resposta.
Aprendi a fazer "concessões" quando deixei de aceitar como minhas as prioridades e os objectivos dela e passei a valorizar os meus.
Processo lento e doloroso, que ela ainda não aceitou, porque volta e meia diz "Mas se não fores, se não estiveres, o que é que os outros vão pensar?"
Os outros vão apenas pensar que eu tive um programa mais interessante para fazer.
Como aquela tarde maravilhosa, inesquecível que passei a fotografar a Praça e os azulejos da Estação de S Bento!
Fotografias que mandei depois para uma amiga minha inglesa, para lhe mostrar como era a minha cidade e mais preciosas ainda, porque, soube depois, poderia não ter estado lá para as tirar!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

NOVO DESAFIO


A Carmen, do blog "Eu sei que vou te amar" lançou-me este desafio.
Admitir em público 5 das minhas manias.
1 – NUNCA SAIR DE CASA SEM TOMAR O PEQUENO ALMOÇO
Fico irritada o dia inteiro se não tomar o pequeno almoço. É o que gosto mais – o leite quente com Canderel e o pão torrado.
2 – TOMAR DUCHE COM CALMA
Detesto que me apressem quando estou a tomar duche. Há um ritual que tenho que seguir – deixar correr a água até atingir a temperatura certa, deitar uma dose generosa de gel na esponja, passar com delicadeza no corpo. Secar-me com a toalha quente, o desodorizante e perfume, montes de perfume.
3 – SAIR IMPECÁVEL DE CASA
Roupa a condizer, maquilhagem discreta, cabelo bem penteado. Sem nada fora de lugar, pois tenho uma imagem a preservar e como tudo, dá trabalho. Mas divirto-me imenso.
4 - CHEGAR A QUALQUER LADO MEIA HORA ANTES DA HORA COMBINADA
Diz-se "é melhor esperarmos nós que os outros", mas torna-se bastante desagradável quando os outros nem sequer se lembram que nós estamos à espera deles e só nos telefonam no dia seguinte a pedir desculpa. Contudo, aproveito sempre o tempo de espera, entrando, certo e sabido, numa livraria, onde já me foram buscar.
5 – NUNCA SAIR DE CASA SEM UM LIVRO
Mesmo quando viajo, o livro está sempre na carteira. Sinto-me positivamente "despida" se não o levar, mesmo que às vezes, não tenha tempo para ler.
São manias.... o que havemos de fazer!

Vou lançar o mesmo desafio a:

Aluena do blog "A Bica"
Descamisado do blog "O meu umbigo"
Peter do blog "Conversasdexaxa"
Dora do blog "Atrás da Porta"

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

LENDA PESSOAL

Voltando outra vez ao Paulo Coelho, no livro “O Alquimista” ele diz:

Quanto mais se chega perto do sonho
Mais a Lenda Pessoal se vai tornando
A verdadeira razão de viver

Mas eu não me quero transformar numa lenda ou desenvolver uma pessoal.
Eu apenas não me quero afundar e ontem, voltei a chorar ao passar pela Praça, a Praça que mais parece um monte de cimento do que uma Praça e ouvir alguém dizer:

“Mas os jardins? O que é que eles vão fazer aos jardins?”

Sim, onde estão os jardins dos amores perfeitos?
Com as pombas a esvoaçar, a esconderem a cabeça da “Menina Nua”, a lutarem pelas migalhas de pão que uma alma caridosa espalha.
O facto de por ali passar uma nova linha de Metro não significa que se transforma um dos ex-libris da cidade num local impessoal, arrancando todo um passado e enterrando as memórias em postais, fotografias e gravuras, num livro que será publicado anos mais tarde e que fará com que toda a gente diga “Ah, que interessante, era assim que a Praça era?”
É o habitual; é o que se diz sempre; uma “deixa” de um filme de 2ª categoria!
Pensando bem, talvez seja esta a minha Lenda Pessoal – sonhar que a Praça continua igual.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

CHATEADA


Estou aborrecida!
Não, vamos chamar as coisas pelos correctos nomes – estou chateada!
Admiram-se?
Eu também;
raramente emprego estes termos, mas hoje está pior que os outros dias.
Tento sempre "inventar"
(como tal fosse possível!!)
coisas para fazer – "emagreço" pastas, faço o arquivo lentamente, quase como se estivesse a pedir licença a uma perna para levantar a outra, faço traduções que ninguém me pede e quando recebo um e-mail, até salto de alegria.
Noutro dia, imprimi um artigo do jornal francês "Le Monde"
e traduzi-o para a minha aula.
Porque, e embora já soubesse francês, resolvi refrescar ou reaprender? esta língua que está um pouco esquecida.
Talvez porque não a sabem dar com arte,
não sabem estimular as pessoas a apreciar.
O computador acaba por fazer quase tudo....
Há programas que facilitam a tradução e a retroversão
e pouco importa se estas não são feitas correctamente.
Claro que sou suspeita, porque é uma das minhas paixões
e talvez tenha tido a sorte de estudar
com professoras que se empenhavam,
que encaravam o ensino como uma carreira.
Talvez esteja aqui a minha "chance" de iniciar um outro tipo de carreira!
Não sei;
o mercado está um pouco saturado de empresas que oferecem esse tipo de serviços.
A chave está em ser diferente – mas em quê e como?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

LEVANTAR DA CAMA

Hoje, realmente não me devia ter levantado da cama!
As pessoas dizem cada coisa e até gostava de saber a que "histórias" se estava a referir.
Eu não estava a "inventar" uma história; apenas me limitei a dar um recado, que, por sinal, até não era para a pessoa em questão.
Há pessoas que não sabem estar caladas e outras que não perdem a oportunidade de humilhar
.
E se estamos a falar de medo, do que nos poderá acontecer amanhã, favor notar que quem tem mais a perder sou eu.
Estou numa idade bastante mais ingrata e tal como uma das actrizes que faz parte do elenco da "A mais velha profissão" diz, "Em Portugal, temos que ser todos jovens e bonitos", este é o panorama com que me deparo.
Não me conforta pensar que tenho 2 irmãs que me podem ajudar – só me podem ajudar até uma determinada altura e eu não quero ser um "peso".
As pessoas criam hábitos, formas de viver, há uma certa independência e ter que baixar a cabeça, porque o dinheiro não é nosso, é frustrante.
Num dos blogs que visitei, diziam que "o futuro não existe" e eu sinto-me inclinada a concordar, especialmente se as pessoas que fizerem parte dele, forem assim tão mesquinhas, tão...nem sei dizer!
Para já, vou concentrar-me no presente,
porque fiz asneira e não sei muito bem o que fazer
para me redimir!
Ou desbloquear?
Ou qualquer outra palavra que signifique resolver!!!!!!!

domingo, 5 de fevereiro de 2006

MANHÃS DE DOMINGO


Adoro as manhãs de Domingo
a calma, a paz que a minha irmã, brusca e prática como sempre insiste em interromper, trazendo com ela um vento desconhecido.
A não esquecer que eu até gosto do vento
– deixo-o entrar livremente e até o considero o “meu amante favorito”.
Exigente, egoísta, só aparece quando quer, mas ao mesmo tempo, trocista, brincalhão e não descansa até me ver sorrir.
Mas o da minha irmã tornou-se, como ela, impessoal;
é frio, calculista e não me oferece qualquer conforto.
Assustou-me, porque, embora nunca tivéssemos sido íntimas, ainda conseguíamos comunicar.
Até ontem em que algo, que não sei identificar, se quebrou…
Liga à Terra, Marta, liga à Terra” diz a pobre da minha Madrinha,
que deve estar cansada de me ouvir chorar ao telefone.
Mas todos nós sabemos que vamos buscar carinho a quem nos dá e ela nunca mo recusou………………

sábado, 4 de fevereiro de 2006

AMANHÃ FALAMOS

Eu cá hoje vou fazer como o Manuel Alegre: “descansar e pensar no futuro”.
Claro está que não posso comparar o meu futuro com o dele – nem sequer sei se na 2ª Feira, quando me apresentar no meu local de trabalho, o tenho!
Há sempre essa dúvida:
será que é hoje que nos vão dizer alguma coisa sobre o futuro da firma?”,
mas eles continuam a comportar-se normalmente
e eu guardo no meu silêncio
a minha preocupação,
não vá uma palavra ser mal interpretada
e dar azo a boatos maliciosos.
Mas posso descansar – não em grande estilo,
tirando uns dias de folga e indo até a Andorra
para esquiar e fazer compras
(há que tempos que não faço uma viagem!!!),
mas escolhendo um bom filme, sobre o qual escreverei mais tarde.
A família hoje terá que passar sem mim, até porque está no “banco”, de castigo.
Tive que lhes apresentar o “cartão vermelho”,
pois o que me fizeram…não dá para esquecer facilmente.
Vai a luz abaixo, verificam o quadro, mas “esqueceram-se”(!!!!) de ver se o cilindro estava ligado ou não.
Aquilo que no Verão seria revigorante, refrescante e delicioso,
com temperaturas quase negativas tornou-se num instrumento de tortura perfeito…
isso mesmo, tive que tomar o duche com água gelada!
Brrr…………………
Por isso, hoje vou privá-los do prazer da minha companhia,
mas como não fico zangada por muito tempo,
ao fim da tarde regressarei para tomar o chá de que sou adepta.
Vou deixar
1000
beijinhos
Para quem aqui passar….
E, amanhã falamos???

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

"OLÉ"


Pena não ter sabido mais cedo, pois gostaria imenso de assistir ao espectáculo do Ballet Nacional de Espanha hoje no Coliseu.
Ou fui eu que não prestei atenção ou a publicidade dada ao evento não foi a mais adequada.
Admiram-se de eu vibrar com este tipo de música e bailado;
talvez pensem que o mais adequado para mim é a música clássica e sacra.
Que gosto – principalmente a música que misture o órgão com o violino.
Mas nem sempre!
Há dias em que tenho a sensação que mal posso erguer a cabeça, tal é o sentimento de culpa e a dor
que ao procurar refúgio na música,
escolho um estilo mais leve, mais solto.
Exactamente o que acontece
quando assisto a
um espectáculo de danças sul-americanas
ou, neste caso,
típicas espanholas (sevilhanas, etc).
"Completam-me", ou seja,
fazem com que
me torne a "sombra" do bailarino e participe activamente no "bailado"
e como há uma profusão de cor e calor,
faço a minha própria interpretação da história que os movimentos, os gestos e as expressões contam.
A verdade é que eu sou
uma pessoa para quem a cor é muito importante;
que adora jogos de cor,
porque acha que a vida é muito cinzenta.
Embora seja o ano de Mozart
e será de bom tom, ou não?
assistir a um dos concertos
que assinala o evento (250 anos),
este fim de semana escolho um espectáculo de sapateado, de leques, de vestidos com folhos, etc.
Mesmo que não o veja ao vivo, para que é que serve a imaginação?
Olé!!!!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

MEIA PALAVRA


Pode beber o chá que quiser, mas continua a ser "malcriada"!
Pelo menos, segundo o que me ensinaram
parar para escutar e tentar descobrir
com quem falo
quando o meu telemóvel (privado) toca
é sinal de má educação e falta de respeito.
A minha vontade é tapar o bocal e
perguntar com um sorriso irónico
"Precisa de alguma coisa?".
Mas, e como já disse aqui algures neste blog,
há pessoas com quem não devemos perder tempo
ou dar oportunidades.
Como dizem os ingleses, cheguei ao "end of the line"
e se bem que saiba que
falam de mim nas minhas costas,
limito-me a ignorar,
porque aqui
a generosidade não tem lugar.
O que não quer dizer
que eu não vá continuar a ser
"generosa" e "bem educada",
porque é nisso que acredito.
Como acho que não devo descer de "nível"
para que os outros entendam a mensagem....
A mensagem é muito clara
e diz-se
"para bom entendedor meia palavra basta".
Só não entende quem não quer..........

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

BATALHA GANHA


Será por ter ido ao cabeleireiro à hora de almoço que me sinto assim?
Como se estivesse a pairar nas nuvens?
O cabelo cheira a lavado, sinto-o solto quando mexo a cabeça!

Há dias, vi uma fotografia minha antiga
e pensei horrorizada
"Meu Deus, eu era assim?"
Roupa pesada, clássica demais e
geralmente um ou dois nºs acima do que deveria vestir.
Esta mania que temos de que somos gordas...........
Agora sou adepta do "casual wearing"
e quem me vê agora, fica surpreendida por me ver
usar calças compridas,
camisolas às riscas e aderentes ao corpo
e saias de ganga.
Que desperdício de tempo –
poder usar roupas confortáveis
e ao mesmo tempo bonitas, com um ar chique,
pois não exagerei no "casual wearing".
Quanto ao ser-se ou não gorda, passei do 38 para o 34,
o que, por vezes, dificulta a escolha.
O que se passou???
Mais vale esquecer;
serviu para me descobrir e como me sinto bonita,
a batalha já está ganha!

PLANOS "FURADOS"

Realmente não posso fazer planos!
Eu, enroscada nos cobertores, quentinha, na fronteira entre o dormir e o acordar relutante, a imaginar o meu chá, à moda antiga, mesmo sendo eu a única convidada e eis que alguém me acorda, bruscamente, sem dó e piedade.
Como não me "matei" na pressa de impedir o meu Pai de sair de casa às 05h40 da manhã, é inexplicável.
Mas o meu Pai, com 83 anos, comporta-se como uma criança e uma criança rebelde a quem, por vezes, é preciso ralhar.
Agora que acalmei e vejo o ridículo da situação, rio-me e corro o risco da Snra Isabel, que entrou agora na minha sala, achar que eu enlouqueci.
Só que episódios como este repetem-se
e como insistem em estarem sozinhos, sem ninguém durante o dia, o que é que poderá acontecer enquanto eu e a minha irmã estivermos a trabalhar?
Ultimamente estou a falar muito dos meus Pais e peço desculpa se vos aborreço, mas estou preocupada,
sinto-me frágil, porque começo a não ter força física para os ajudar.
Daí a razão de quer fazer ioga, para aprender a relaxar
e quem sabe?
fazer com que eles se riam enquanto demonstro o
que aprendi na aula.
Uma hipótese muito remota,
pois creio que eles até já perderam a vontade de sorrir.