sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

15 MINUTOS DE FAMA

À minha irmã Cristina

O prometido é devido e por isso, aqui está um texto dedicado à tua ilustre pessoa, os teus 15 minutos de fama que tanto desejas.
Porque…
Um Óscar não vais ganhar…
Nem o teu nome para um Nobel vai ser proposto
A não ser, claro está que queiras participar num desses reality-shows e demonstrares ao público a graça que tens.
Creio bem que a única alternativa que tens é:
Veres o teu nome mencionado no blog – que incentivaste a construir – da tua irmã e relembrares com carinho como nos rimos até às lágrimas quando nos anunciaste com toda a seriedade que o “Mon Chéri” tem uma cereja verdadeira no recheio!
Como se nós nunca tivéssemos reparado!
Feliz 2005 para todos,
Com muitos “Mon Chéri” à mistura

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

OBRIGADO

Só quero dizer:
OBRIGADO
O pai foi operado esta manhã com sucesso!
Hoje não o podemos visitar, mas ouvimos a voz dele, pois o enfermeiro, simpático pediu-lhe para falar alto e colocou o auscultador numa posição que permitiu que o ouvissemos dizer:
"Estou bem! Sinto-me muito bem!"
A todos aqueles que rezaram por ele e me deixaram estas mensagens de coragem e força, agradeço do fundo do coração!
Obrigada por estarem presentes e pensarem em mim!!!
Como digo no "post" anterior - para ocupar a mente desatei a escrever - a minha porta está sempre aberta aos amigos!!!

ATÉ JÁ

Não vou negar que vou ter saudades de escrever na “blog das cartas”, mas não vou dizer “adeus”.
Soa a qualquer coisa muito formal, é seco e implica um corte radical.
Isto é apenas um projecto que vai ficar arquivado e uma outra tarefa distribuída
aos membros da equipa.
Porque nos vamos encontrar por aí, neste espaço único que é a blogoesfera!
Porque vai haver um outro projecto, que vai precisar do “esforço”, do “empenho” de quem se conhece bem para que resulte.
A minha porta está sempre aberta aos amigos – porque, como uma amiga me disse “entre verdadeiros amigos não há distância” e com os vossos comentários, brincalhões, mas sempre carinhosos, fizeram com que acreditasse ainda mais em mim.
Por isso, até já!!!!

MENSAGEIRO

Sonhei contigo esta noite, oh Mercúrio, mensageiro dos Deuses do Olimpo!
Pensei que tinhas entrado no meu quarto, com a tua armadura reluzente, o teu elmo dourado e as famosas asas nos pés para que não percas tempo a entregar a tua mensagem.
Pensei que tinhas uma mensagem para mim, mas iludi-me, pois ficaste apenas a olhar para mim, não disseste uma única palavra! E eu assustei-me, porque diz a Mitologia que os Deuses do Olimpo são cruéis e ninguém sobrevive à sua ira!
O que tu me queres dizer, Mercúrio?
Porque é que os Deuses querem falar comigo?
Será que sabem que quando estou cansada e preciso de relaxar, na noite limpa, com a ajuda das estrelas, eu desenho o Olimpo?

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

PEÇO A DEUS

Já lerem “As Horas” ou “Mrs Dalloway”?
Lembram-se do filme?
Neste momento, sinto-me como a “Mrs Dalloway” – ela organizava as festas para encobrir o silêncio e se pudesse, eu também o faria!
Detesto essas frases “clichés” – “ninguém disse que a vida é fácil”, “isso não é nada! Pensamento positivo”, etc!
Não é isso que me irrita, que me enerva – é saber que estou impotente, que nada posso fazer ou dizer a alguém que, tal como eu, está cheio de medo!
Uma operação é sempre uma operação e de quem falamos, é alguém que tem um lugar de destaque na minha vida - o meu Pai!
A única coisa que posso fazer é colocar o destino nas mãos de Deus e esperar!
Sei que ELE não me vai abandonar nesta hora em que se duvida de tudo e de todos – sempre O senti perto de mim – e tudo o que peço agora são palavras de conforto – palavras ditas com sinceridade, de coração, de alguém que compreenda a dor do outro e quer que as suas palavras criem raízes no coração.

domingo, 26 de dezembro de 2004

UM PASSEIO COM O VENTO

Tal era o emaranhado do meu pensamento, que o vento resolveu acabar com isso e me obrigou a vaguear por esses caminhos tortuosos da minha mente!
Estranhos pensamentos a ter no Natal, mas hoje estou mais sozinha do que nunca!
Tanto queria eu dar gritos de alegria, mas o ambiente está sombrio, está frio e quaisquer tentativas de conforto são recusadas!
Tento ver as coisas, vestindo a pele dos outros, mas a porta fecha-se, com estrondo, como se duma intrusa se tratasse!
Sinto-me como a Florbela Espanca se descreve no soneto “Eu…” –
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…”

Porque não posso simplesmente encolher os ombros e esquecer!
Porque a minha porta aos meus pais eu não posso fechar!
Por isso, fingi que não compreendi e deixei que o vento me levasse!
Do ar, têm-se uma perspectiva diferente e dou por mim a rir, porque me sinto livre de aceitar as atenções de quem tudo faz para me reconfortar.
Quando assentei os pés na terra, tinha parado de chover e o sol fazia jus à canção dos “Simply Red” (Sunrise), que agora escuto!
Acho que agora vou passar e alguém me vai ver!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

FELIZ NATAL


Cá estou no topo da minha montanha azul e o que vejo é só beleza!
Não quero pensar nos perigos, na imundície, no desprezo que esperam o momento certo para atacar!
Hoje, só quero ver o rio pachorrento, a percorrer as curvas para se encontrar com o mar, que na sua fúria, crava marcas profundas nas falésias.
Ou o prado verdejante, onde a relva e os cavalos crescem selvagens e o único som é o borbulhar do riacho que o atravessa.
Ao longe, o deserto, o general perfeito das dunas douradas e escaldantes!
Mas eu estou aqui - no topo da minha montanha azul, onde o sol, a lua, a chuva e o vento competem pela minha atenção.
É por isso que acho que o caminho que sigo é o melhor para mim, é com que me identifico, é onde deixo a minha marca!!
A todos que aqui passarem, um Feliz Natal - posso fazer uma breve pausa, porque estou cansada, mas voltarei, dando, espero, gritos de alegria!

sábado, 18 de dezembro de 2004

O AZUL DAS MONTANHAS

Li algures “nas montanhas azuis” e fiquei pensativa, curiosa!
Reli novamente, convencida que tinha feito confusão, mas não – estava ali, preto no branco “nas montanhas azuis da Jamaica”.
Talvez tenham razão e as montanhas fiquem azuis naquela hora mágica, em que o sol comunga com a linha do horizonte e a noite começa a descer e a preencher os espaços, onde o sol brilhava.
Talvez fiquem azuis para encher de prazer e de admiração os olhos de quem se senta, a observar este espectáculo inesperado.
Encontrei outra cor, para juntar ao castanho que escolhi como “bandeira”.
Nunca esperei que resultasse tão bem, mas a vida reserva-nos sempre uma surpresa.
Esta foi a minha e se ontem precisei, e deram-me, “colo”, hoje até acho que as lágrimas são azuis!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

CARINHO A DAR

Folheio a lista do telemóvel à procura do teu nº, mas hesito!
Sabes, hoje preciso de "colo" - de me sentar nos teus joelhos, sentir os teus braços à volta da minha cinta e enfiar a cara no teu ombro.
Não sei se é a atitude correcta duma senhora - pelo menos, é o que a minha mãe diria! Ela tem ideias fixas sobre o que é e não é correcto e decerto que me chamaria a atenção!
Mas, não estamos a falar da minha mãe - estamos a falar de mim e da vontade que eu tenho de sentir um corpo quente enroscado no meu!
Nem estou a falar de sexo; estou a falar de carinho, de calor humano que todos precisamos e que, neste momento eu não estou a receber!
Estou cansada e pensei que se ouvisse a tua voz .......
Não, não vai mudar as coisas; mas, quem sabe?? tu podes ver as coisas dum outro ângulo e discutindo o assunto, talvez se chegue a uma conclusão.
Sei que não sou a única que teme pela estabilidade da vida e talvez não tenha o direito de te sobrecarregar com este meu problema.
Mas és o único que me ouve até ao fim, que não "sacode" os meus problemas como insignificantes, que não te importas de me ver chorar!
Vou telefonar-te, sim; vou sentar-me nos teus joelhos, mas não vou falar.
Vou apenas fechar os olhos e pensar que estamos os dois em qualquer lugar exótico a gozar a companhia um do outro, com muito calor humano e música sedutora!

HONESTIDADE

Hoje, sinto-me só, apreensiva!
Nem vontade tenho de olhar o mundo a girar!
Mau sinal!
Continuo confusa, a escutar fragmentos de conversas; há comentários que não entendo, sussurros pelos cantos, que param logo que a pessoa entra, há um clima de mistério, de segredos graves, prejudiciais.
Odeio esta tensão, odeio saber que algo está mal, mas não sei exactamente onde procurar a razão
.
Nunca gostei de puzzles ou de palavras cruzadas - fico impaciente, insatisfeita e porquê não, confessar? furiosa comigo mesmo, porque muitas vezes a resposta está à frente do meu nariz.
Desta vez, não se trata de um jogo, cuja única finalidade é divertir; é a nossa vida que está em aberto, é a incerteza que paira, há planos que têm que ficar adiados, ficam sonhos destruídos!
A minha pergunta é só uma:
Onde é que está a honestidade?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

OS LAÇOS

Laços, laçinhos, laçarotes - significa o mesmo!
Fitas lisas, largas, estreitas, em xadrez, com ponta comprida, em forma de estrela, de avião - tudo preparado para tornar um embrulho mais sofisticado!
Tudo desaparece em segundos - o papel é rasgado com sofreguidão, com impaciência e o pobre do laço arrancado e lançado para qualquer sítio!
Fica esquecido, é calcado e por graça, alguém resolve jogar futebol com ele, provocando grandes gargalhadas!!!
O que acontece ao pobre laço, também acontece a outro tipo de laço!
Laços familiares - dizem que "Blood is thicker than water", mas será?
Basta uma palavra mais agressiva, mais cruel para nos transformarmos nos piores inimigos.
Ou não correspondemos ao que idealizaram para sermos postos de parte, ignorados, desfeitos em pó!
Tempos houve em que isso me preocupou; agora, só tenho pena que algumas coisas se tenham convertido, depois da amargura, em resignação!

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Á ESPERA

Sinto que cheguei novamente a uma encruzilhada!
Desta vez, não tenho que atravessar o deserto e enfrentar um clima "castigador" ou uma floresta tropical, densa, onde cada ruído assusta.
É mais um campo gelado ou minado, pronto a quebrar, a explodir se se escolher o caminho errado!
Desoriento-me, olho para todos os lados, tento encontrar um ponto de referência, mas nada encontro!
Apenas me posso guiar pelo meu instinto, pelo meu bom-senso e por isso, piso o chão com cuidado e guardo silêncio.
Silêncio que se transforma numa bola de neve e ameaça esmagar-me a qualquer momento!
Mas, por enquanto só posso esperar e deixar que o rio siga o seu curso ou faça um desvio, cavando um leito mais largo!

domingo, 12 de dezembro de 2004

NO DESERTO

Não sei como é o pôr-do-sol no deserto, mas posso imaginar!
Nunca lá estive, mas posso compreender o fascínio que exerce sobre as pessoas!
Impõe respeito,
porque é imprevisível;
porque é poderoso
!
Imaginem – kilometros e kilometros de areia dourada, um sol abrasador e uma luminosidade aberta!
Não o procuro,
porque quero encontrar tesouros de civilizações antigas e vangloriar-me do facto perante o mundo!
Procuro-o,
porque não me quero esquecer de quem sou!
Porque, às vezes,
ainda preciso de me lembrar de quem sou.
Porque
,
se o meu nome significa “a Senhora da Casa”,
o deserto ensina-me
que sou exactamente isso –
a senhora da minha casa, daquilo que tenho e fiz.
Mesmo na sua imensidão!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

O VENTO


Que notícias me trazes tu, oh vento?
Há qualquer coisa que me escondes, porque não paras de brincar comigo! Abres-me o casaco, puxas-me a écharpe e insinuas-te como um amante ardente aos meus cabelos!
Oh, não, não deixes que sejam más notícias, vento! Deixa que feche os olhos e te siga!
Não importa para onde; apenas quero sentir o que tu sentes, o que fazes quando os todos poderosos te desafiam e como proteges quem de ti não tem medo!
Não, vento, não tenho medo de ti! Respeito-te, observo de longe as tuas fúrias, mas fico quieta, à espera que sossegues.
Porque tu escutas-me, vento e levas as minhas palavras aos ouvidos de quem te sabe igualmente escutar!!

SOBRE A NOITE

Dizem muita coisa sobre a noite!
Dizem que:
é terna
é boa conselheira
todos os gatos são pardos
se fez para amar

A noite esconde vícios e virtudes!
A noite desperta sentimentos, paixões, brilhos diferentes da luz do dia!
A noite é o momento que aguardamos ansiosamente, porque nos liberta!
A noite é a hora de partilhar segredos, risos e entregar-se a brincadeiras sensuais! Ou ver aquele filme proibido, a comer pipocas ou a beber algo civilizado como o chá!
Ai, a noite - delírios românticos, mas também de violência! Paz, silêncio interrompido pela sirene da ambulância!
Noite - a grande jornada que acaba com o raiar do dia e o recomeço duma rotina!

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

ESPLENDOR

Há um poema que fala do esplendor da relva!
Essa relva, que calcamos sem dó e piedade, em que estendemos as mantas e fazemos piqueniques à sombra das árvores.
Essa relva, gasta, seca, sem graça, sem realmente qualquer esplendor!
Mas não creio que seja a essa relva, essa relva triste dalguns jardins públicos, a que o poema se refere!
Talvez fale da relva em sentido figurado, como algo que renasce todos os anos, que atinge a maturidade e a beleza quando é amada! Tal como deve acontecer com as pessoas!
Ou talvez evoque um quadro bucólico, com os cavalos a comerem serenamente a relva que cresce selvagem como eles
!
Não sei; não sei de quem é o poema nem me lembro do título
Seja o que for, ontem fui ter com o meu amigo, o meu amigo perfeito ao café!
Como estava de costas, pensei em lhe pregar um susto, mas quem apanhou um susto fui eu!
Ao aproximar-me da cadeira, com as mãos abertas para lhe tapar os olhos, o meu amigo ergueu o braço e sem se voltar, disse "Olá, já cá estás!".
Quando me sentei e olhei interrogativamente para ele, ele sorriu-me e disse simplesmente "Foi o cheiro".
"O cheiro????" comecei a dizer, indignada, mas, depois compreendi. Ele reconheceu o meu perfume e a única coisa que eu podia fazer era aceitar isso como um elogio.
Nem toda a gente repara nisso e eu senti-me........como se tivessem feito um retrato e capturado a minha expressão de puro deleite!

sábado, 4 de dezembro de 2004

RADICAL

Sei que o relógio não para!
Continua a dar horas impiedosamente, a aproximar-nos cada vez mais do clímax! Será que, como diz o fado, “temos o destino marcado” e os factos acontecem porque as estrelas traçaram o nosso perfil?
Obedecemos a uma lógica, que não compreendemos, tipo “Deus escreve direito por linhas tortas”, a uma carta tipográfica onde, e para se ser convencional se marca a azul os nossos sucessos e a vermelho as falhas?
Não sei; faço as perguntas ao vento e deixo que o eco me devolva as respostas!
Há, no entanto uma coisa que modificaria se voltasse atrás – gostava de não te ter conhecido!
Ou melhor, nunca devia ter deixado que te intrometesses na minha vida desta forma!
Passaste como um vendável, destruíste as minhas ilusões, questionaste os meus valores e depois, “voaste”!
Não estamos na selva e mesmo na selva, há regras que têm que ser seguidas.
Há uma hierarquia que é respeitada, há valores que passam de geração para geração e evita-se, tenta-se evitar, uma anarquia que não leva a lado nenhum.
Talvez esteja a ser radical, mas para quê distorcer a verdade?
A verdade é que estamos sempre em pé de guerra; nunca nos vamos entender e ainda me pergunto – porque é me sinto assim?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

ROMANCE

Se ser romântica é:
Deixar a mente vaguear por aí e fantasiar coisas fantásticas, impossíveis de realizar
E ter consciência de que assim é

Então eu quero:
ser sempre romântica, ter um pé neste mundo e no outro para que, na fusão dos dois, encontrar paz na alma, na verdade das coisas, no riso quando estou descontraída
Hoje acordei assim, a conceber um mundo de ilusão, para além das nuvens escuras, da chuva fria que desceu sobre a cidade
Hoje quis ser a gaivota que teima em planar, à procura dum lugar mais seguro e mais seco para ficar, porque o mar deve estar em revolta, a atormentar-se, a crucificar o paredão
Hoje estou no mundo dos sonhos, porque é o que o meu espírito deseja para descansar
De quê?
De tudo e de todos, mas nunca das palavras que fecham a minha mensagem e a fazem chegar àqueles que, duma forma ou outra, estão sempre comigo
E, se alguém rir, que ria – o sentido das coisas está para além do que está presente!

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

NO TEMPO

O tempo:
conquista-se
guarda-se
aproveita-se
regula-se
controla-se
Porque dura apenas um instante, um minuto, um segundo!
Não volta; não nos dá oportunidade de refazer, reformular, redimir!
Corta-nos as asas, evapora-se e por vezes, torna-se num pesadelo, num buraco negro, num pecado escondido!
É como no Conto de Dickens - o passado está passado, mas podemos corrigir os erros do presente e gozar plenamente o futuro.
Lembro-me que tive medo quando me contaram esta história; depois esqueci-a, mas agora estou a relembrar, a reler esta e outras histórias para crianças.
Porque ainda me fazem sorrir e eu preciso de sorrir - já corrigi alguns dos meus erros, há outros que vão ter que ser "enterrados", porque não encontro abertura do outro lado e vou concentrar-me a gozar o meu futuro!

domingo, 28 de novembro de 2004

FRASQUINHOS DE CRISTAL

Perdi-me no meio dos cristais!
Perdi-me a observar como captam e brincam com a luz!
Perdi horas a seleccionar, a imaginar como é que esta taça ou a outra resultava com o arranjo de Natal
!
E, no meio de todos aqueles cristais, encontrei frasquinhos, cuja única finalidade é a de decorar a mesinha de cabeceira ou a montra dum coleccionador.
Estou indecisa entre dois desses frasquinhos – um é de cristal branco, liso, mas a parte inferior está coberta por uma folha de prata, trabalhada.
É uma rosa em relevo, perfeita em cada pormenor – as pétalas estendem-se para o bocal e parece que se enrolam aí, como se quisessem crescer mais, mas encontraram um obstáculo!
O outro é um pouco maior – tem uma forma convencional e a única diferença é a cor! É um salmão muito suave e à luz, torna-se mais carregado, mais escuro, como se tivesse algo de grandioso a esconder no interior!
E tem!
O reflexo da simples folha de trevo, em prata que o decora!
Devolveram-me o sorriso, iluminaram-me o dia!
Vou comprar os dois - vou guardar um!
O outro? Vou dar a alguém que é coleccionadora deste tipo de frasquinhos! Até já perdeu a conta; tem-nos de todas as cores, formas e materiais!
Estou certa que o meu frasquinho vai ocupar um lugar de destaque naquela montra – vai ser dado e recebido com carinho!
É isso que conta – nada mais!

sábado, 27 de novembro de 2004

MIL

Escrevo mil discursos, que depois calo.
Procuro mil palavras, que digam, sem ofender, a minha opinião verdadeira, sobre as tuas atitudes e a tua conduta
.
Mas, depois reflicto e acho que será uma perda de tempo.
Há pessoas que não sabem escutar os outros; melhor que ninguém, eu sei o que isso é.
Tenho pena; gostava que as coisas fossem diferentes, principalmente no seio daqueles que constituem o núcleo familiar.
Mas não são; encontrei, portanto outras formas de estar presente, de apoiar, sem comprometer o meu equilíbrio.
Hoje deixei que o mais negro dos meus pensamentos bloqueasse a minha paixão. Porque me queres destruir e eu não compreendo a razão da tua raiva!
Mal não te fiz; apenas acho que as coisas se conseguem, utilizando uma boa dose de diplomacia e de tolerância. E, depois, a vida é minha e estás a interferir, sem qualquer direito. Nem meu amigo és!
Já se ouve o amolador – dizem que vem lá chuva. Ao limpar o ar e as ruas, talvez limpe esta tristeza que ganhou raiz e “tapou” a minha cor!
Era tão bonita, a minha cor e estava tão feliz!Porque é que tinhas que atravessar novamente o meu caminho?
Logo agora, perto do Natal e quando a minha ferida é ainda tão recente!

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

UMA COR, UMA MENSAGEM

Já que estou a procurar um cartão pouco convencional, tenho também que encontrar o texto certo.
Um texto especial para pessoas especiais, que estão receptivas ao que sinto, que entendem o que verdadeiramente quero dizer, que respeitam as palavras!
Não é só uma mensagem de amor e carinho; tem que ser uma mensagem de cor, que cubra um pouco a dor, a tristeza, a angústia!
Uma mensagem que não seja oca, que prometa coisas que se possam cumprir - um lema para vida, um tema para desenvolver ao longo do ano, um projecto para levar avante.
Estou a pedir demais? Estou a ser romântica demais? Estarei a repetir-me?
Eu sou assim; sei que tenho muitos dias cinzentos - canso-me com facilidade, porque encontro no meu caminho pessoas que não mereçem o meu respeito e isso entristece-me.
É por isso que a cor é tão importante para mim; não só a minha, a cor com que os outros me vêem, mas também a cor com que eu os vejo!

terça-feira, 23 de novembro de 2004

NOVEMBRO

Tão perdida que eu estava, tão sufocada pela minha "perda", que nem dei conta que Novembro está a acabar e que pouco falta para o Natal.
Novembro é um mês tão rigoroso, tão solene, tão fechado que até estou contente por não me ter apercebido da sua "entrada em vigor".
Não sei se vou ter vontade de elaborar listas de Natal ou enfeitar a casa, mas há muita coisa que vai prender a minha atenção, porque procuro sempre um sentido para tudo. Aliás, nunca o escondi - pareço ter vivido dentro dum casulo e finalmente, rompi-o e tornei-me uma borboleta curiosa!
Sabem do que gosto?
De cartões - não daqueles cartões convencionais, pomposos com réplicas de quadros alusivos à quadra, mas sim a cartões com desenhos simples, traços esbatidos, mas significativos.
Quem fala de cartões de Natal, também fala de cartões a desejar as melhoras, um bom aniversário, convite para um jantar misterioso.
De papel reciclado, de papel de seda, de cores fortes ou suaves, vamos mandar um cartão a alguém.
Não só porque é bom para o nosso ego, mas também para que a outra pessoa se alegre também!!

sábado, 20 de novembro de 2004

BANALIDADES

Hoje, não vou deixar que ninguém perturbe a paz do meu dia!
Acordei relaxada e sorridente, como há muito não estava e resolvi brincar.
Claro que tinhas que ser tu o alvo da minha brincadeira – tu, em quem confio e que me conhece o suficiente para não se ofender com o que possa dizer, porque falo mais com o coração, que com a mente!
Até já me estou a rir, só de pensar na tua surpresa quando leres essa mensagem louca, sem nexo, confesso!
Vais abrir e fechar os olhos, como se não acreditasses no que estás a ler, vais puxar pelo bigode, sinal de que ficaste nervoso e vais certificar-te que é realmente o meu nº. Decerto, pensarás “Coitada! Desta vez, passou-se”.
Mas, depois vais reler cuidadosamente o SMS e compreenderás o que escondi habilmente nas palavras.
É que tenho esta vontade louca de
apesar do vento gélido, andar descalça no parque!
De molhar as mãos naquele pequeno lago e salpicar quem passa!
De dançar alegremente na rua!
Quem, melhor que tu, para seres cúmplice nessa aventura?

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

SER VISTA

Gosto do que vejo espelho!
Ainda sinto os olhos um pouco doridos e vermelhos, mas disfarçei com uma sombra um pouco mais forte que o habitual.
Para os lábios, escolhi um baton acastanhado para combinar com o laranja da minha camisola.
O resto - o sol e o vento encarregam-se de devolver a cor à uma pele sensível e pálida!
O sorriso? Não é um sorriso rasgado ou brilhante que ilumina os olhos.
É discreto, ainda mostra o quão frágil me sinto, mas não deixo de tentar que ele apareça, porque é fundamental para que eu deixe definitivamente o meu "luto".
Ah, sim o livro, também está aqui, porque hoje eu vou andar por aí, entrar naqueles locais que, por tempos, deixei de frequentar!!!Não sei quem vou encontrar, mas pelo menos, vou sentar-me a uma mesa, ver gente e ser vista!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2004

AMIGO PERFEITO

Sinto-me como se o navio naufragasse nos penhascos e no meio da confusão, me atirasse ao mar!
Acordei numa praia deserta - numa praia de areia fina e branca, completamente só!
Mas hoje posso estar sozinha; sinto-me limpa, sem medos, sem ressentimentos!
Ontem, tive que dar vazão às lágrimas estranguladas há tanto tempo na minha garganta, explodiram tal e qual uma bomba e eu não quis sofrer sozinha o impacto!!
Não vou pedir desculpa; nem mais vou falar sobre o assunto - só sei que vá para onde for, decida o que decidir, conheça quem conhecer, case com quem casar, vou olhar sempre para trás para ter a certeza de que estás perto!
Não sei se há amigos perfeitos; só sei que te considero como tal!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

ESTRANHAMENTE

Hoje, não aguentei mais e bati à tua porta!
Pálida, com os olhos dilatados, com o queixo a tremer - sinal de que pouco faltava para desatar a chorar!
E, foi o que fiz, abraçada a ti, com o teu cheiro bem masculino debaixo do meu nariz, inchado e vermelho.
Estas lágrimas, que eu ignorei, neguei que existiam, mas que não me deixavam respirar! Soltei-as, finalmente, lenta, dolorosamente!
Quando acalmei, limpaste-me as lágrimas, beijaste-me e estranhamente, deixaste-me sair sozinha, sem uma palavra!
Estranhamente, nada mais havia a dizer! Porque dissemos tudo - eu queria ser consolada e tu abrigaste-me!
Quando cheguei a casa, o telemóvel vibrou e havia um pequeno envelope que abri ansiosamente.
Dizia apenas: "Dorme bem!" e foste tu que enviaste a mensagem!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

MIL COISAS

Este ano, escolhi o castanho como a cor base para refazer o meu espaço, de novo vazio ou talvez não!
Mas hoje vamos falar do castanho, que é uma cor
quente e combina com todas as outras, transformando-as, arrancando a tristeza e deixando só o brilho.
O castanho
chama a atenção sobre si como eu, como pessoa, fiz.
Um dia, tive que bater o pé e dizer bem alto "Estou aqui!".
Ontem, perdi-me novamente de amores numa lojinha, que se pretende ser discreta, engana-se. Chama-se "PORTO DE AROMAS" e é de velas - de todas as cores, feitios, tamanhos, cheiros para mil e uma coisas!
Um jantar romântico, um centro de mesa original, etc - o que combina connosco!!!
Porque a minha vida era cinzenta e triste, todos os anos escolho uma cor como "bandeira"!

terça-feira, 9 de novembro de 2004

OSCAR WILDE E OUTROS

Quando dei por mim, tinha 5 ou 6 livros no meu colo!
Livros de criança e eu estava a reler cada uma daquelas histórias com um prazer indescritível! Quem é que se esqueceu dos contos de Hans Christian Anderson ou dos Irmãos Grimm? Ou a história de Oscar Wilde "The Happy Prince" - aquela estátua revestida de ouro, que observa a cidade do alto do pedestal e vê a miséria dos outros? Lembram-se do que fez - pediu ajuda à andorinha para distribuir a riqueza que o cobria por aqueles que necessitavam!
Choro sempre quando leio esta história, porque, no fundo a sociedade não mudou muito - continua a ser uma sociedade egoísta e a história, embora tenha sido escrita no século XIX, marca bem o contraste entre o fausto e a pobreza, a razão de viver e desistir das coisas ou não.
Nunca sabemos completamente o que vai na alma dos outros.
Eu apenas sei que atravessei o corredor da morte, quase atravessei a fronteira, mas algo me prendeu aqui.
O quê?? Não sei, mas deixou de ser importante descobrir o porquê.
Há uma história que tenho que escrever, há um monstro que permanece escondido, apesar dos meus esforços para que renasça e dê todas as explicações.
Estou triste e frustada, tal e qual a Ventania!

sábado, 6 de novembro de 2004

SOL & COMPANHIA

Hoje está sol e por isso, fui dar uma volta!
Cheia de casacos e com um cachecol vermelho!
Sentei-me no jardim, cheio de folhas sofridas, arrastadas, espancadas pelo vento e de pombas, com as penas arrepiadas a discutir amigavelmente, tal como eu, um lugar ao sol!
À minha frente, está a estátua da “Menina Nua” – já falei dela num outro texto, tirei-lhe uma fotografia e, para mim, é realmente um ponto de referência!
Talvez seja a ponte entre a fantasia e a realidade!
Mas não; é apenas uma estátua bonita e como apreciadora de beleza e de romance, sinto-me à vontade para a procurar todas as vezes que preciso dum “empurrão” para enfrentar novos desafios, escrever novas histórias, novos romances, encontrar nova gente. O segredo está aí – encontra-se sempre algo novo; onde é a interrogação e é isso que me estimula!
Como disse a Audrey Hepburn “As pessoas, mais que as coisas, devem ser resgatadas, redimidas, consoladas”, o que é verdade!
Hoje, sinto-me tudo isso e o que para trás ficou, “fecha-se”, “completa-se” - é um circulo, um capitulo, uma etapa!
Nova semana – um novo mistério para desvendar, sempre com a “Menina Nua” em qualquer lugar do coração e do pensamento

quinta-feira, 4 de novembro de 2004

LEVANTAR

TALVEZ.................
seja altura de me levantar da "chaise-longue" e recomeçar!
Recomeçar e não lamentar o que aconteceu!
Guardar, relembrar, rir, reescrever ou não as páginas do diário ! Com ternura, porque foi assim que terminamos - com ternura!
Sim, é isso o que vou fazer!
Sobretudo lembrar com carinho que, por momentos, fui única para alguém!
Alguém que me fez sentir tudo aquilo que uma mulher deve sentir e eu gostei muito de o sentir!
Não sei se o voltarei a sentir; esse alguém apareceu quando eu mais precisava de ter carinho, atenção, calma!
Uma relação é sempre diferente da outra - não há duas pessoas iguais, dizem!
Eu acho que sim, que há!
Neste momento.......só quero recomeçar!!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

SEI QUE É SÓ HOJE

"Onde estás tu?
Estás aí, escondida, sentada na cadeira que finges que é uma "chaise-longue" e que és a Joséphine a repousar antes do baile."
Não, não estou escondida; tenho apenas frio - é por isso que estou assim toda encolhida, coberta pelas mantas.
Se sou a Joséphine, deixa-me ser; os sonhos são nossos e tenho os pés bem assentes - sei muito bem até onde quero e posso ir!
Estou só; melhor, fiquei só, porque a minha relação não resultou. Talvez porque quis demais ou porque não exigi nada, porque achei que o que recebi me bastava.
Não sei; só sei que hoje chove, lentamente recupero duma desilusão e a melhor forma de encontrar novamente gosto em viver, é realmente fingir que estou numa "chaise-longue", que sou uma personagem real ou não e que alguém me trará o chá dentro de momentos.
Eu sei que é só hoje!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

BOLEROS, SALSA E ETC

Voltei a ter insónias e para relaxar, tentei pensar em coisas simples, pouco profundas, mas que tivessem, falassem de beleza.
Quando dei por mim, estava a pensar no cheiro agridoce do café que perfuma a casa quando se acaba de almoçar. Associa-se logo esse cheiro forte e rico a um país quente, cheio de ritmo, de fogo que se espalha nas danças exóticas, sensuais!
Ou porque não falar do pão quente, acabado de fazer?
De sentir os dentes a partir a crosta, bem tostada, e a enterrar-se no miolo, onde a manteiga já se entranhou, mas ainda escorre e se não tivermos cuidado pinga nas mãos?
Adormeci, convencida que estava a apanhar café, a cantar e a brincar com os outros. Porque é isto que falta – não cantamos nem brincamos o suficiente!
Nem dançamos – deixamos de dançar os boleros, os tangos, a salsa e tudo isso faz parte da arte de sedução.
A sedução é uma arte e até isso se perdeu!
Talvez esteja a entrar num caminho que desconheço, mas a vida é cheia de fantasias, de sensações novas e quem sabe? Aprender danças sul-americanas talvez ajude a dar um novo ritmo à minha vida!

domingo, 31 de outubro de 2004

O CAMINHO DA LUZ

Não é o vento que entra de rajada no meu quarto e brinca com os livros que me assusta!
Nem a chuva que se prepara para castigar uma vez mais a cidade!
Nem mesmo os teus silêncios, que acabei por compreender e aceitar!
Eu própria estou mais silenciosa, porque estou desiludida com aqueles que teimam em viver nas trevas!
São egoístas esses, que têm o poder na mão para modificar as coisas, mas se escondem por trás duma máscara, duma frase feita, duma explicação débil, que não tentam procurar o caminho da luz!
Esses para quem ninguém mais existe; que se julgam os donos do mundo, imbatíveis e afinal, o mundo também se pode voltar contra eles
!
Já andei no caminho das trevas e para lá não quero voltar!
Estou feliz no caminho da luz, onde me encontrei e onde estou em paz!
Porque continuo a ter o meu amigo sincero e sei que basta um clik no rato para que um de vocês me estenda a mão!
Luz = verdade! De que não devemos ter medo
!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2004

PERFUMES

Não sei se escrevo prosa!
Não sei se escrevo poesia!
Só sei que escrevo o que tenho aqui dentro escondido e que partilho com quem sabe ler verdadeiramente o que aqui exprimo!
Nem sempre é fácil; por vezes, perdemo-nos em caminhos sinuosos, em cavernas de acesso difícil, mas encontramos o caminho de volta.
Ontem, deixei-me levar pelos aromas dos perfumes, deixei que me envolvessem numa dança louca de cheiros a jasmim, a incenso!
Até me esqueci que lá fora, o vento e a chuva conspiravam para nos amargurarem a noite!
O perfume que escolhi chama-se ICY, porque é fresco, leve - combina comigo!

terça-feira, 26 de outubro de 2004

NÃO ESQUECI

Esqueci-me:
dos lagos tranquilos, escondidos entre as montanhas!
dos ribeiros, de águas puras e selvagens onde os animais bebem sem medo!
das cascatas e das quedas de águas nos sitíos mais inesperados!
das cataratas imponentes e violentes e do nevoeiro que formam e do rugido que soltam!
Mas não me esqueci:
do sorriso daquela menina, toda vestida de rosa
e
dos beijos que atirava com a mãozinha para quem passava

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

VONTADE

Dormi um sono profundo, sem sonhos, mas quando acordei, pensei logo em ti, onde estavas e o que fazias!
Não vou negar a tua falta, a saudade ou a vontade de te ligar para o telemóvel! Não vou negar que me vai doer, ainda mais porque sempre foste honesto comigo. Era fácil conviver contigo, porque sempre me trataste como alguém que te merecia respeito!
Hoje, vou começar a descer o desfiladeiro - está escorregadio, as pedras lisas demais e há poucos apoios para os pés.
Nunca fui muito boa a escalar; acabo sempre com as mãos e os pés ensanguentados.
Vou ter medo; vou ter vontade de desistir; vou barafustar contra tudo e contra todos, dizer coisas de que depois me vou arrepender!
Mas, tal como o mar depois da tempestade, vou ficar calma. E, vou continuar, mesmo que os Deuses tenham decretado que passarei o resto da minha vida só! Ou não e alguém esteja à minha espera no fim do arco-íris!

domingo, 24 de outubro de 2004

ONTEM

Ontem, foi o dia que guardei para mim.
Recusei que alguém me ditasse as regras do jogo – ontem, foi o dia em que vagueei pelas ruas, sem dar atenção a quem quer que fosse
!
Ontem, vasculhei as lojas à procura de novas cores para alegrar o meu mundo, para seduzir a minha alma!
Ontem, perdi horas à procura dum livro novo, diferente!
Ontem, deixei-me levar pelas emoções – não sei se ri, não sei se chorei!
Ontem, fui à procura do rio – daquele rio turvo, mas imponente que seguia o seu curso, calma, lentamente, como se nada o preocupasse!
Ontem, encontrei paz, fiquei em paz e estou finalmente em paz!

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

OBRIGADA

Há momentos em que queremos estar sós!
Outros em que procuramos aqueles que são nossos amigos!
Há momentos em que esquecemos que temos um passado!
Outros em que deixamos que ele nos atormente, nos crucifique, nos faça rastejar e para quê?
É sempre a pergunta que fica, o ponto de interrogação, uma ferida mal cicatrizada!
Sugeriram-me que procurasse o que está por trás do arco-íris! Engraçado, mas nunca pensei nisso!
Mas, quem sabe? talvez lá encontre o que procuro de diferente. Aqui, encontrei-vos - um prazer, uma benção e por isso, obrigada!

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

A PORTA

Sem saber bem donde, hoje apareceu um arco-íris.
Começou a desenhar-se no preciso momento em que abri a porta!
Como se soubesse que eu precisava de sorrir, de sentir a beleza de cada uma daquelas cores suaves, delicadas como são as cores dos bibes das crianças!
Porque trazem esperança, contam histórias, provocam risos!
Sei que a porta não se fechou completamente; talvez eu possa ainda entrar e esclarecer tudo!
Ou não e fique apenas uma recordação!
De qualquer forma, vou recomeçar - vou procurar novas cores, novas ideias, novos livros, mas sempre apoiada naqueles prazeres simples, como a gargalhada duma criança feliz!
Enfim, tudo aquilo que me enche o coração e que posso e quero dar!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

A DOR

A chuva parou, mas o vento continua a soprar e a empurrar-nos para um destino que não queremos.
Desligo o telemóvel, porque quero estar só e os outros olham-me desconfiados, não acreditando que eu seja maluca ao ponto de enfrentar a ventania!
Mas eu preciso de ar, de esquecer a dor que insiste em me pontapear e a fazer com que sangre, bem lá no fundo do meu ser!
Depois, quero chorar e não quero que os outros vejam. Ou melhor, mesmo que vejam, quero que fiquem na dúvida se estou mesmo a chorar ou se é este vento agreste e frio que faz com que as lágrimas humedeçam os meus olhos!
Este é um momento privado e já que não o posso partilhar com quem queria, prefiro ficar só!!!

À CHUVA

Eis que chegas, por fim, chuva malvada!
Chicoteias-me e ris-te do meu cabelo em rebuliço, da minha roupa molhada!
Oh, chuva malcriada que escureces a minha cidade, com este nevoeiro espesso, roubas-lhe a alegria, porque não deixas o sol brilhar!
Insolente, a brincar com os meus sorrisos, a transformar o esperançoso em desesperado!
Oh, chuva, se queres brincar, aqui estou - a oferecer-te o meu rosto para que o transformes numa pintura abstracta, o meu corpo numa escultura pós-moderna.... mas tu sabes, não sabes, chuva que apesar dos altos e baixos, tenho prazer em viver e em estar contigo!

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

O DESFILADEIRO

Por onde quer que vá, só ouço falar de amor!
Mas hoje não vou falar de ti - vou falar de mim!
De mim e do medo que me atrofia os dias e me faz sentir isolada de mim própria e dos outros!
Da dor que tento disfarçar,
mas que não me deixa concentrar no que gosto verdadeiramente.
Do silêncio que os outros interpretam mal, mas que quem me conhece bem, sabe que ele é sinal de que algo vai mal!
Da minha boca seca, dorida!
Das palavras que me custa a articular e que só consigo escrever!
Do grito que deveria dar - bem alto, para soltar esta dor que me faz ter medo
!
Do desfiladeiro a que cheguei e que tenho que atravessar, mas que vou atravessar com calma, com tempo para não escorregar, cair e perder tudo!
Porque só eu o posso fazer e com o apoio de quem me quer bem. Aqueles que são meus amigos verdadeiras e para quem não há distâncias!

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

A "CAÇA"

Não sei o que faço; não sei o que penso!
Perdi-me na vaidade; na euforia das coisas que, afinal não me pertencem!
Está escuro; está frio e não posso vaguear pelas ruas!
Contudo, sei que amanhã vou andar à "caça" do monstro das 3 cabeças com a Ventania e a Sofia - monstro esse que todos, duma forma ou doutra, temos na nossa vida!
Poderei não saborear o bombom, mas estará lá um solitário com um botão de rosa para que o seu aroma tome conta do quarto.
Talvez até o descreva na minha história, porque, enfim como Flaubert diz: "Cuidado com a tristeza. Ela é um vício!"

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

PAIXÃO

Dizem os outros que estou apaixonada. Estarei? Não sei; talvez se a paixão for:
pensar em ti
escrever páginas e páginas sobre ti e depois destruir tudo para que ninguém saiba verdadeiramente o que penso.
Enfim, quero proteger-te de tudo o que te possa magoar! Para que não sofras - mesmo que isso signifique que tenha que me afastar de ti!
Mesmo que viva atormentada pela saudade; mesmo que cada lágrima escondida me rasge um pouco mais o coração!
Porque eu estou a ficar magoada, pois não entendo os teus silêncios! E tenho medo da tua resposta, se fizer uma pergunta indiscreta! E, porque tenho horror à maldade de quem fala sobre o que nada entende, apenas para preencher o vazio da vida!
Se estou a ser cobarde??... Penso nisso depois!


quarta-feira, 13 de outubro de 2004

PEQUENOS PRAZERES

Pequenos prazeres!
Aqueles prazeres que fazem parte integrante da nossa vida e de que nem nos apercebemos como nos afectam!
O bombom que se derrete na boca e a sensação que invade o nosso corpo. Quente, espesso, o doce misturado com a saliva!
Entrar numa banheira cheia de água quente, com espuma e óleos aromáticos! Relaxante, esquecemos a fadiga, fechamos os olhos e suspiramos de contentamento!
Ou uma lingerie nova - não para seduzir os outros, mas para nos seduzir! Realçar o corpo, deixar que o espelho devolva a imagem duma mulher feliz!
Enfim, pequenas coisas de que os outros podem troçar, mas que devem respeitar, porque o prazer que tiramos dessas pequenas coisas é tal, que parece que estamos no céu!!!

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

NO BOSQUE

Pensei procurar o sol e a lua! Talvez encontrasse uma resposta para o frio que me invade a alma, mas em vez disso, fui passear com a Ventania e a gata Sofia, para o bosque. O bosque onde estas duas personagens se perdem e inventam mil histórias de encantar para quem quer que lá passe e as escute!!
Dei por mim a escutar o que dizia o meu coração e a escrever as palavras que ele me ditava. Pouco a pouco, a história começou a ter sentido e agora que parei, sinto-me despida, desconsolada, desanimada, porque não sei verdadeiramente o que a Ventania e a Sofia estão a fazer neste momento.
Também eu quero encontrar o duende, porque diz a lenda, que se o olharmos nos olhos, ele não pode mentir e há uma verdade que eu quero descobrir!!! Neste momento, sinto-me com forças para a encarar - a verdade e dar continuidade à história da Ventania e da Sofia!!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

EU E A LUA

Amores escondidos, de que ninguém fala! Porque só a nós pertence!
Há qualquer coisa de excitante no mistério que nos rodeia!
Há aquele meio sorriso, que todos estranham, mas que só nós sabemos o significado!
Há um novo significado para tudo o que fazemos; há uma inveja mal-contida que ignoramos, porque estamos felizes!
Contudo, há coisas de que nunca falamos, nunca deixamos a descoberto, porque não temos a certeza de que isto foi, é e será apenas um momento!
Como disse um escritor - esqueci o mome - "O sol quando nasce é para todos"!
Mas eu acho que a lua também - brilha na escuridão da noite, esconde as mágoas e a solidão.
Hoje, LUA, é a tua vez de me animares!

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

CHEIRO A CHUVA

Cheira a chuva e até as árvores estremecem!
Como se pressentissem que a chuva as vai sacudir, massacrar, dilacerar os troncos e as folhas toda a noite!
Na linha do horizonte, há uma nuvem espessa, escura que o vento está a trazer, lentamente, para terra. O céu perde a cor e parece ficar coberto de cinza - dum branco opaco, opressivo que um relâmpago mais atrevido começa a rasgar!
Sem qualquer aviso, a nuvem passa e o céu volta a ficar azul, mas um azul tão carregado, tão dorido que se fica com medo.
A chuva ultrapassa a fronteira e começa a fustigar, com força, com determinação, tudo o que encontra pela frente!
Afinal, as árvores tinham razão - a chuva vai provocar estragos, em tudo e em todos, a noite inteira!

terça-feira, 5 de outubro de 2004

AMOR, AMAR

Amar é:

Incerteza?


Saberás que não te amo e que te amo
Pois que de dois modos é a vida,
A palavra é uma asa de silêncio,
O fogo tem sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te
Para recomeçar o infinito
E para não deixar de amar-te nunca:
Por isso não te amo ainda
Amo-te e não te amo como se tivesse
Nas minhas mãos a chave da felicidade
E um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
E por isso te amo quando te amo

Pablo Neruda – Cem Sonetos de Amor


Ou conhecimento total?

“Quando o meu pai pede à minha mãe uma chávena de café e ela bebe um gole para ver se está ao gosto dele”. (dum inquérito feito a crianças entre os 5 e os 6 anos sobre o que pensavam que era o amor).

Somos heróis? Ou bodes expiatórios?
Ultrapassamos a velocidade da Luz?
Ou ficamos presos no gelo da desilusão?
Podemos viver sem ele? Ou é o centro de tudo?

Já fui um bode expiatório; já fui uma heroína! Arrisquei; perdi e ganhei! Cantei de “galo” e escondi lágrimas amargas na escuridão. Por causa de promessas, sem sentido, feitas no ar!

Amar é:

Já não saber como era a vida antes de o descobrir!

sábado, 2 de outubro de 2004

PRETO - A COR

Porquê o preto e não outra cor? Porque é que o preto é o símbolo do erotismo ou da pornografia?
O preto é uma cor presente; combina com tudo, dá forma a todas as mensagens e nada tem a ver com frieza, desdém ou mau agoiro.
Pelo contrário: é capaz de “acender” paixões, ter o papel principal numa sedução, que se quer perfeita. O preto faz realçar a pele, o brilho nos olhos, a vida no cabelo e faz com que o sorriso fique ainda mais aberto. O preto é simplesmente, uma cor “sexy”, porque nos nos valoriza.
Aliás, ser ou não sexy, não se define pela cor; é um estado de alma! Cada um deve procurar o que o faz sentir-se sexy! Acho que é um bom conselho e quem diz que o preto é a cor do pecado, não entende nada. O preto é um mistério que se deve desvendar – mesmo eu que não a visto!

DIVAGAR

Divago e não encontro sentido nas palavras!
Talvez seja por causa do Outono e das cores ricas que espalha no vento – o avermelhado e o dourado!
Talvez seja a mesquinhez das pessoas, que me desilude!
Talvez seja o silêncio, que não entendo e de que me afasto!
Talvez porque talvez é uma palavra que encerra muitos significados e que não gosto!
Talvez porque ache que um simples sim ou não seria mais apropriado!Mas, e já que todos se escondem por detrás do “talvez”, vou continuar a divagar até encontrar um sentido!!

terça-feira, 28 de setembro de 2004

TEMPOS ESQUECIDOS

Tarde quente, de fim de Verão!
Tarde esquecida em jogos, risos e corridas - própria de quem espera tudo da vida! De quem é criança e ainda não se apercebeu das armadilhas que a vida esconde e dos conselhos de quem, por maldade, diz "Eu bem que avisei!".
Talvez tenha avisado, mas é como Pascal diz "O coração, às vezes, tem razões que a própria razão desconhece". Eu sei que é verdade; faço muitas vezes essa pergunta a mim própria, mas não tenho resposta. Ou tenho medo de enfrentar aquela verdade, que sei que existe, que é palpável, mas tenho de magoar alguém que é muito importante para mim.
Talvez compreenda, porque nada tem a ver com os sentimentos que nos unem!
Penso simplesmente na criança que fui e desejo voltar àquelas tardes longas, prazenteiras, em que o mundo girava, apenas para os outros!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

UM DIA ASSIM

Um dia perfeito??
Aquele em que se desliga tudo - o computador, a rádio, a televisão e mesmo o telemóvel!
Aquele em que nos esquecemos que, no dia seguinte voltaremos a enfrentar uma rotina, com a qual, às vezes, temos dificuldade em lidar!
Aquele dia em que parece que morremos para o mundo, mas nunca para nós próprios!
Instalamo-nos confortavelmente no nosso quarto ou no terraço, à sombra e abrimos um livro, naquele ponto chave da trama, onde o possível se torna o impossível e o impossível é possível!
Há muito que não tenho um dia assim!

sábado, 25 de setembro de 2004

A PINTURA DO CÉU

Ontem, o céu parecia uma pintura. Parecia que o pintor tinha acabado de preparar a tela e começado a cobri-la com a cor base. Escolheu um azul, tão translúcido que até feria os olhos e depois, lentamente, começou a esboçar as nuvens. Sem lugar certo, sem obedecer a um padrão – tal como é na realidade – formas surrealistas, prontas a fazer as delícias de quem gosta de contar histórias.
Esta nuvem – tão perto de mim; quase a podia tocar! - parecia uma mão, estendida. A outra, mais distante, parecia estar encolhida, como se tivesse medo de ser agredida. Aquela ali parecia estar a rir do ar zangado da outra.
Pena o calor opressivo, seco, que se concentrou ali me tenha obrigado a fugir e a procurar um sítio mais fresco.

PARTIDAS DOS SONHOS

Quem sabe onde foste esta noite depois de adormeceres?
Talvez tenhas ido jogar. Roleta, num casino!
Não nesses casinos, chiques, onde os homens estão de smoking e as mulheres competem umas com as outras, escolhendo os vestidos mais “in” dos costureiros da moda. Nesses casinos, no meio de grandes e bem cuidados jardins, onde há sempre um empregado, de bandeja na mão, pronto a trazer-te a tua bebida predilecta. Nesses casinos, onde todos te bajulam, e onde até há uma pequena orquestra, a tocar música ambiente.
Talvez tenhas ido a um casino clandestino, cheio de fumo e impregnado de cheiro de comida, acabadinha de fazer e que te está a abrir o apetite. Mas, quem sabe? lá ao longe, a polícia avança e alguém te puxe pelo braço e te leve dali para fora mesmo a tempo. Quando dás por ti, está num restaurante, a comer – tu que nem gostas de comer – e a rir-te da loucura a que escapaste.
Aí, acordas sobressaltado, porque parece que estiveste a reviver uma cena do último filme que viste.
Quem sabe? Talvez tenha sido o teu subconsciente a dar vazão ao que realmente gostas de fazer.
Quem sabe? Gostas de emoções fortes e tens medo de demonstrar aquilo que é tão teu!!!
Os sonhos pregam-nos cada partida!!! Não admira que acordes cansado!

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

HISTÓRIA PARA CRIANÇAS

"Havia uma menina que se chamava Ventania,
e tinha uma gata por companhia" - acho que é a frase perfeita para começar a escrever uma história para crianças.
Á moda antiga - com o Bem a triunfar sobre o mal. Talvez seja realmente antiquada, mas é como Lamartine diz:
"Admiramos o mundo através das coisas que amamos".
Quem pode esquecer as princesas, prisioneiras dum gigante, do castelo cheio de armadilhas, do jovem corajoso, a enfrentar dragões e casar com a princesa e ser feliz para sempre?
Ah, ainda hoje gosto de ler esses livros - pelo prazer que me dá.
Quanto à minha história, não sei se a devo continuar. Tenho medo de não ser capaz!!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2004

UMA CAMINHADA

"A vida é um caminho que temos que percorrer;
passo a passo, um espinho;
de onde a onde, uma flor" - autor desconhecido, poeta brasileiro
Curioso, pois, neste momento, encontrei um espinho no meu caminho.
Não sei se me devo desviar ou deixar que me crave no peito, esta angústia, este medo, esta sensação de que perdi a paz conquistada. Detesto sentir-me perdida, sentir que o caminho pode estar coberto duma fina camada de gelo e qualquer passo mal dado pode significar a perda do equílibrio. Ou descobrir que, afinal estou dentro dum vulcão, pronto a soltar lava, mas entretanto, o calor e os gases que liberta sufocam-me.
Não sei verdadeiramente - só sei que após toda esta caminhada, vou encontrar um vale. Verdejante, rodeado por árvores e sulcado por um ribeiro "brincalhão", limpo ainda da mão do homem.
Não vou gostar do meu reflexo naquele água pacífica, mas disso.... trato depois!

domingo, 19 de setembro de 2004

AMIZADE

A amizade não é:
Oferecer um bombom envenenado ou um telefonema insultuoso.
Não é falar nas nossas costas, inventar contos e ditos, gozar com as nossas desgraças!
A amizade é:
Acalmar a violência que percorre o nosso corpo quando nos sentimos injustiçados.
Chamar à razão quando estamos a enveredar pelo caminho errado.
Brindar aos nossos sucessos e rir com os nossos disparates. Abrir os braços e deixar que as lágrimas de frustação, tristeza ou dor se escondam nos seus ombros.
Apreciar connosco a magia duma noite fria, a alegria dum dia lindo e ficar calado a comungar da beleza do mundo.
A amizade é:
"Como o perfume das flores. Derrama o seu aroma sobre aquele que está em sua presença" - Dugpa Rimpoché.

sábado, 18 de setembro de 2004

A ROSA

Pobre da minha rosa!
Era apenas um pequeno botão, frágil, timido e agora, é uma rosa altiva, orgulhosa, senhora de si!
Mas o seu reinado está prestes a chegar ao fim, apesar de todos os meus cuidados.
As petálas estão a ficar acastanhadas, a mirrar e, em breve vão cair.
Contudo, vou lembrar-me dela com carinho e não esquecer que a vida é isto mesmo - momentos felizes, fugazes, mas que nos permitem ter boas recordações quando algo nos desespera e ficamos perdidos!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

AMEI

Amei-te!! Ou pensei que te amei, o que é diferente!
Só que eu não sabia que havia uma diferença e tu brincaste com isso!
Depois, sacudiste-me; deixaste-me sozinha, indiferente, cansado do teu novo brinquedo! E eu?
Naveguei em águas profundas e desconhecidas! Naufraguei,
mas fui resgatada. Descobri o meu canto, porque todos nós encaixamos num lugar, onde tudo o que fazemos tem valor!
Será que sabes qual é o teu?

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

SEGREDOS

O dia do meio é o dia que sabe melhor! Parece que aquela sensação de que estamos cercados por todos os lados, por muros altos, que não podemos transpor, desaparece. Fica-se diferente; qualquer problema deixa de ser problema, porque estamos perto do fim de semana. Ah, poder apreciar a manhã, estendido na cama, sem telefone ou despertador, perder o rasto ao tempo, ter horas à nossa frente para preencher com prazer!
Todos nós temos os nossos prazeres secretos, aquilo que raramente partilhamos com os outros! Há sempre uma hora em que nos dedicamos ao que temos de mais precioso em nós!
Hoje é o dia de meio e decerto que há surpresas, coisas secretas, só nossas a preparar!

terça-feira, 14 de setembro de 2004

BRINCAR COM A LUA

Ontem, quis brincar com a lua. Mas a lua não me deu qualquer hipótese e deixou que a nuvem, que trouxe novamente a chuva, a escondesse!
Ando novamente à chuva, mas pouco me importo. Sorrio, continuo a sorrir, a deixar que a alma se mostre aberta, limpa de dor e de receios.
Talvez a lua saiba disso e achasse que ontem era dia de eu a animar!!!

sábado, 11 de setembro de 2004

Á CHUVA

Tento antecipar-me à chuva, que me surpreende na rua. Corro à procura de abrigo, mas mesmo assim, o casaco fica trespassado pelas pingas grossas, que queimam a pele sem dó e piedade. Desfaz-me o penteado e só se ouve exclamações de raiva, frustação e risos divertidos. Eu ri também, pois não faço qualquer esforço para me resguardar. Tento proteger o botão frágil de rosa, que alguém me deu, num gesto simpático após as férias!

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

IRMÃS

Guerras curtas, mas por vezes dolorosas - de papel, de almofada, do que vier à mão!
Gritos de raiva, de dor, de fazer positivamente "gelar o sangue"!
Esconderijos, palavras passe para dar acesso a segredos só nossos!
Lanches com coisas surripiadas da despesa, quando a mãe não está a ver!
Cochichos à hora de dormir na escuridão, quando se está proibido de falar.
Confidências de tudo e de nada; queixas injustas e conselhos valiosos.
Como Pam Brown diz:
"Quem nos felicita pela nossa mais incrível façanha com um
"Boa! Eu não te disse que ias conseguir?"
Estranho ter lido esta citação e saber que é o que a minha própria irmã me diz muitas vezes! Porque é verdade; ela sabe o quanto me esforço por conseguir viver a vida em pleno!

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

PORQUE É

Há uma sombra que envolve a clareza do dia!
Torna-se difícil ler os sinais e eu perco-me, entro em pânico e olho em volta, sem nada ver!
Não paro e entro na Igreja, onde aprecio os azulejos que retratam a vida dum determinado Santo, a quem dirijo uma prece em silêncio.
Porque é o silêncio que invade o meu ser e faz ressurgir o que lá está escondido.
Porque é a paz que domina aquele local, que faz com que me sinta bem com a vida.
Porque, quando saio, fico a olhar o mundo que roda e deixo que me levem para apreciar ainda mais a excitação que é estar viva!!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

VOLTAR A CASA


Frio - há um vento frio que anuncia que o Outono está perto!
Gelo - começo a sentir-me gelada e até a Torre parece mais triste, mais abandonada! A cor torna-se mais agreste e eu suspiro. Profundamente, como se estivesse a preparar-me para uma prova de esforço.
É triste ter que dizer adeus ao sol, que enfraquece e dá outra tonalidade às coisas.
Mas eu não tenho medo, porque, mesmo na escuridão, conheço o caminho de volta a casa
!

terça-feira, 7 de setembro de 2004

SORRIR


Sorrio, mesmo sem tu estares presente!
Noto o brilho dos teus olhos quando me vês; o sorriso maroto que escondes quando te surpreendo a olhar para mim.
Não precisas de dizer nada - eu sei que estás perto e sigo-te em pensamento, deixo que abraces o meu caminho, que afastes as pedras de que só damos conta quando nos impedem de caminhar!
Voamos com as gaivotas; nadamos contra a corrente com os salmões; escondemo-nos na floresta com os veados; deitamo-nos com as estrelas para que a noite dure mais e rimos.
Mesmo que seja só hoje; amanhã, posso estar no outro lado do mundo e tu ficas aqui. À minha espera, tal como eu, quando é a tua vez de partires!
Porque o que nos une verdadeiramente é saber respeitar o espaço de cada um de nós!! À qualquer hora, em qualquer momento!