sexta-feira, 30 de setembro de 2005

HONESTO

O que fazer quando alguém é tão honesto?
Directo, com um reflexo perfeito no espelho – não há fumo que distorça a figura e sobretudo, os olhos.
Têm uma expressão franca, um pouco trocista até, mas não escondem a verdade do que dizem e do que sentem.
A única coisa a fazer é aceitar o que nos podem dar e esconder que queremos mais que a simples amizade.
Isso implica um grande esforço da nossa parte,
pois divide-nos e não é fácil esconder no “sótão” sentimentos diferentes dos que temos que demonstrar.
E aceitamos, porque,
como gostamos verdadeiramente da pessoa em questão, não queremos destruir a amizade sólida que é a base da nossa relação.
Sinto-me que atravessei, inadvertidamente a linha e é por isso que há agora uma certa distância.
Foi, por isso que aceitaste, mas não retribuíste o meu abraço e o meu beijo!
Vou seguir as tuas directrizes – porque prezo e muito a tua amizade – mas continuo a acreditar que um beijo é um beijo e o que eu te queria dar era apenas um beijo cheio de amizade e carinho.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

CAVALO DE TRÓIA


O meu passeio pelas nuvens continua a ser muito agradável, mas não é real!
Sei que assim é, mas continuo a iludir-me!
No fundo, sei que me refugio nas nuvens, porque me sinto como a Helena de Tróia.
Usada como desculpa para uma guerra que não é minha,
enganada porque há segredos que não são partilhados,
um destino incerto, à mercê de quem é mais forte!
Procuro respostas nos jornais, falo com amigos e só fico com promessas.
Escondo angústias; não mostro o quão preocupada estou e dou azo a más interpretações.
Porque há amigos com letra A e outros que não merecem tal título!
E nunca se sabe onde o meu Cavalo de Tróia estará escondido.
Já tive um Cavalo de Tróia,
mas não sei se desafiei novamente os Deuses e eles me preparam uma nova armadilha.
Por isso, deixem-me passear, calmamente pelas nuvens –
os Deuses avisar-me-ão quando devo descer à Terra e misturar-me novamente com a multidão!
Com os bem-amados, os mal-amados e sem amor algum!

terça-feira, 27 de setembro de 2005

ESTRANHO


Estranho a personagem do meu “pseudo romance” (às vezes escrevo páginas sem hesitação; outras, tudo me soa a oco e fico bloqueada) estar agora a pensar em “restaurar a estufa do Pai à sua antiga glória”.
Pomposa frase que me soa a antigo, a fora de moda, mas é legítima!
Talvez a ideia não seja muito original, mas apresento-a do meu ponto de vista!
Talvez seja assim que eu veja a minha relação com o meu próprio Pai, com algumas diferenças!
Apresento o Pai da minha personagem como um homem sério, caloroso, com interesses na vida e o meu é uma criança grande.
Que na infância me divertia, mas na adolescência, juventude, e mesmo hoje, me exaspera, porque não me escuta.
Posso descrever a nossa relação como distante, um pouco hostil talvez, porque há muito que deixamos de ter razões para falar.
Tenho pena que assim seja, mas o meu Pai vive escondido num passado cheio de amarguras, tristezas, que eu não quero compartilhar, porque eu quero esquecer as minhas próprias amarguras e as minhas próprias tristezas.
Talvez seja por isso que a nossa relação tenha estagnado, murchado, afundado no lodo.
Tal como a minha personagem, eu preciso de luz, das plantas para não murchar.
Mas, tal como a minha personagem, hoje, e mesmo quando ele partir, vou recordar-me dele com carinho!
P.S.: Esta foto é do Site Aves Digitais de Portugal e o autor é o José Viana

domingo, 25 de setembro de 2005

CONSOLO

A palavra-chave de hoje é consolo.
Porquê?
Porque alguém me consolou – com palavras carinhosas, conselhos amigáveis, chamadas de atenção discretas e um remate final inesperado, inesquecível.
Estou consolada, mas não convencida, porque à questão em si, não tive resposta.
Não sei se porque a pessoa em causa não sabe ela própria a resposta;
porque se encontra igualmente presa num labirinto tão complexo como o meu.
Tal como eu, sente-se nervosa, insegura e como não tem certeza de nada, não quis alimentar uma esperança em que eu insisto em me agarrar.
Todos nós temos a nossa maneira de encarar as coisas e não é segredo para quem aqui passa que eu tento sempre descobrir um lado positivo.
Posso ser ingénua, ignorante, burra, o que me quiseram chamar, mas se perdermos a esperança, perdemos tudo.
No entanto, vivendo nesta cidade tão linda, onde há um sentimento de união tão forte, porque é que eu continuo a chorar?
Apesar de dizer que me sinto “consolada”?
Por alguém que zela verdadeiramente pelo meu bem-estar?
Não é fácil ver o mundo à nossa volta ruir; saber que não se vai poder salvar tudo – apenas o essencial e pensando bem, o que é o essencial?
Pode ser tudo e pode ser nada!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

PASSEAR NAS OU COM AS NUVENS


Ando a passear pelas nuvens.
Literalmente e lembro-me que há um filme com esse título:
“Um Passeio nas Nuvens
Não vou contar a história; é mais uma história de amor – banal o tema, mas retratado com tanto calor, com tanta abnegação, porque aquele homem, ao apaixonar-se profundamente por aquela mulher, aceitou incondicionalmente a gravidez dela, o filho do outro homem que a abandonou.
Aquela criança ia ser muito amada e feliz, porque nem todos os pais se amam assim.
Incondicionalmente!
Amam a criança sim,
mas podem não amar um ao outro;
pode nem sequer haver amizade
entre a mãe e/ou o pai dela!
Sei que o meu passeio nas nuvens tem os dias contados; sei que, um destes dias, posso chocar com uma nuvem mais pesada, atormentada, dorida, negra que vai fragmentar a minha em mil pedaços.
Sem regresso!
Sem compaixão!
Lenta ou repentinamente
!
Mas, como já não estou verdadeiramente sozinha, vou reencontrar a minha auto-estima (que ficará abalada) nos meus projectos, nas minhas conversas com as gaivotas, o mar e com o vento.
P.S: A foto é de Dane Gerneke

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

ALGO VAI MAL


Algo vai mal no Reino da Dinamarca” (Hamlet)
Algo por aqui também vai mal, pois deixei de te ver e ao dizer isto, sinto que a nossa “wavelength” se quebrou.
Deixamos de estar unidos; está a cavar-se um fosso e quando tento lembrar-me das tuas feições, só encontro sombras, uma silhueta mal desenhada.
Nem me recordo mais da tua voz!
Ou do teu riso!
Só ouço o relógio a bater as horas, na torre da Igreja ou os passos miudinhos de quem vai acender a vela a Santo António.
Creio que te deixei de ouvir quando passei a ser um objecto, uma “coisa” esquecida num banco de jardim e sabes?...nem um livro eu trato como uma “coisa”.
Por isso, como faço sempre que me sinto desorientada, estou aqui a olhar para a estátua da “Menina Nua da Praça”, a tentar decifrar na expressão dela algum sinal, alguma resposta.
Algo vai mal e eu não sei bem o quê…..
Tu assim não me tratavas! O que mudou???
Porque, na tua presença, eu “florescia”, abria as minhas “pétalas” e brilhava ao sol!

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

COM FRIO


As manhãs começam a estar frias e eu, friorenta, já fui buscar um casaco mais grosso.
O vento, à minha frente faz rodopiar as folhas, como se me dissesse
“Prepara-te, Marta! Vou começar a soprar com mais força e não te vou dar descanso.”
Pouco me importa o vento; o que me preocupa é o frio e é por isso que hoje saio, relutante de casa.
Estranho pensar que há alguns anos não me custava nada sair de casa para vir trabalhar!
Como nós nos modificamos; como compreendemos e vemos as coisas doutra maneira; como aquelas pessoas, por quem tínhamos tanta consideração, desceram até ao último patamar da minha escada de vida.
Estranha a sensação de que para essas pessoas, isto não passa de uma grande brincadeira; pouco lhes importa nós termos “investido” parte da nossa energia e dedicarmos tanto do nosso tempo para construirmos uma coisa a partir do nada!
Nem um “obrigado”, nem uma explicação – somos tratados como se não existíssemos: como simples “zeros”!
Numa das suas crónicas, Edson Athayde fala do seu tio Olavo, "que coleccionou durante a vida de trabalho frases que ilustram o que é na realidade a vida de quem trabalha para assegurar o dia seguinte".
Uma dessas frases retrata exactamente o que acabo de dizer e termina com “Isto significa que está a sonhar e corre o risco de se atrasar”.
Raramente me atraso, mas isso é porque sou uma boa profissional e se assumi um compromisso, mesmo que haja problemas, devo cumpri-lo até ao fim.
Tão preocupada que eu estou com o beijo que recebi e com as suas consequências;
oh, vou gozar o momento e deixar que ele me beije novamente!
P.S.: A fotografia chama-se "A Calma" e é de Ricardo Martinelli

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

ILUSÕES E TRISTEZAS


Sopra-me o vento ao ouvido:
O que é que esperavas?
Abro os lábios, mas não consigo articular as palavras e o vento ri-se, dá-me o que passa por um beijo na face e desaparece.
E até a “Menina Nua da Praça”, que pouco fala, diz numa voz fina, sem timbre, abanando a cabeça, reprovadora “Oh, Marta, Marta.”
Fico só, a conversar com o espelho que apenas me devolve a imagem de alguém triste, porque se iludiu novamente.
Só que desta vez é diferente:
não mendiguei – mantive a minha integridade intacta, mas não sei se me serve de consolo!
Talvez, agora com o beijo, a nossa história inacabada possa ter um final.
Supõe-se que as pessoas aprendam alguma coisa;
infelizmente, às vezes isso só acontece nas histórias – na vida é bem diferente!
Agora que obtive resposta à pergunta que me atormentava, o tal “se” de que já falei, talvez eu esteja livre!
Completamente!
Afinal, sempre aprendi alguma coisa com a fantasia, com a expectativa que criei e que terminou com um beijo.
Curioso os caminhos do coração e do destino
!

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

UM BEIJO AO VENTO


O tempo encontrou o vento e perguntou-lhe porque é que hoje, precisamente hoje que o sol brilha, ele soprava com tanta ferocidade.
O vento não respondeu, apenas soltou uma rajada mais forte que atirou com o tempo contra a porta.
Depois, escondeu-se, deixando o tempo a rir-se, porque não há refúgio possível para o vento.
O vento e o tempo andam de mão dada; o que um destrói, o outro não devolve.
O vento pode vir de Leste, de Sul, de Norte ou mesmo de Oeste.
Pode soprar com rajadas de 170 Km/h, transformar-se num ciclone ou num furacão, mas depois acalma e há dias em que nos esquecemos dele.
O tempo continua a contar, impiedoso, cruel, trocista, porque sabe que no fim será o vitorioso.
O vento já me arrancou o beijo e o tempo apaga-o da minha memória, mas não antes de eu o saborear, de lembrar o toque suave dos lábios nos meus, das palavras de ternura no meu ouvido.
Um beijo por que tanto esperei, que tanto me fez chorar e agora que o recebi, não sei o que pensar.
Talvez o devesse ter recusado; talvez devesse ter gritado, insultado, mas não consegui.
A surpresa foi tal que não reagi e aceitei o beijo nos meus lábios tal como me foi dado.
Apenas um beijo – o beijo dos meus sonhos que se concretizou e nada mais!
Porque acredito que me foi dado com vontade; o próximo não sei….

E quando se sente que foi por obrigação, melhor não ter recebido……….

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

DIA DE NEVOEIRO


Às vezes, basta uma pequena palavra para que o dia seja diferente.
Encontrei este pequeno poema da Sophia de Mello Breyner e devo confessar que não o entendi muito bem.
Li, reli, desesperei-me, pensei que não havia salvação possível para mim, que tinha perdido a aptidão para ver além do que está escrito.
E, no entanto é tão simples!
Também eu estive à espera de alguém, que desapareceu da minha vida e nos dias de nevoeiro, penso que esse alguém surgirá, tal como o D Sebastião, por artes mágicas ou por eu o desejar tanto, do nada.
Sophia diz no poema “o agoiro de uma fantástica vinda”; eu não posso, não quero mais do que o imediato.
Tal como a Sophia sugere, eu vou até à praia e ver como nevoeiro começa lentamente a esconder o mar, a espalhar-se pela areia, escondendo as gaivotas e a humidade infiltrar-se no casaco!
Hoje está um dia assim; estou presa no escritório, a obrigações e a deveres, mas a minha cabeça está lá, na praia, a tentar orientar-me pelos gritos estridentes das gaivotas.
Dia que todos nós conhecemos, mas que para alguns, é apenas um dia aborrecido e para outros, é mágico.

P.S.: O poema está no meu outro blog: htpp://www.escrevercomamor.blogspot.com
P.S.: A foto é da Zambujeira do Mar

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

APRENDER COM AS CRIANÇAS


Uma das personagens do livro que estou a ler diz que “Um livro pode ser um tapete mágico ou uma máquina do tempo” e o comentário que a Dora me deixou no post anterior fala nisso.

Devemos deixar a criança voar, abrir a mente, explicar-lhe que, além do prazer, o livro também pode ensinar.


Eu aprendi muita coisa – encontrei nos livros um refúgio, uma fuga que deve existir, mas que deve ser controlada.

Apesar das birras, dos choros, das zangas, uma criança completa-nos.
Nunca esquecerei o meu sobrinho, de pé no sofá, com 2, 3 anos a fazer tiro ao alvo com os lápis de cor.

Ou da neta duma amiga da Mãe, só com a camisolinha interior e uns collants amarelos e a “chucha” na boca a olhar para mim de esguelha e depois sair com uns passinhos vacilantes para se esconder. Adorava brincar às escondidas comigo!

Posso não ser mãe, posso até não concordar com a maneira como as minhas amigas estão a educar os filhos, mas não me importo nada de me estender com eles no chão, fazer barricadas e lançar o camião contra a parede.

Ou de confessar a minha ignorância em não saber brincar com a play station!
Não posso saber tudo!

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

A HORA DAS CRIANÇAS


O livro que acabei de ler, em Inglês chama-se “The Children’s Hour” e se tivesse que o traduzir, “A Hora das Crianças” é perfeitamente adequado.
Podem pensar que é um livro de crianças, escrito a pensar nas crianças e de vez em quando, um adulto deve ler com muita atenção um livro desse género. Para poder comparar com as histórias da sua própria infância e poder pronunciar-se sobre o assunto. Para as poder escolher para os seus filhos e saber despertar-lhe o interesse para a leitura.
Como se diz vulgarmente, muita gente fala de “cor” e diz os maiores disparates!
Isto será assunto para outro post, porque é sobre o meu livro que eu quero.
A vida naquela casa decorre lenta, tranquilamente, com longos passeios pela praia com os cães e à noite, a descoberta da Internet e dos Chat Rooms preenche as horas que guarda para si.
Primeiro, Mina tratou da Mãe e agora tem a cargo a irmã, que sofreu um acidente de viação e está numa cadeira de rodas. Pode parecer um desperdício, mas não é!
Porquê?
Não vou contar a história toda; este é o tópico principal e a única coisa que quero frisar é a vida familiar rica que ali existe.
Amor, carinho, calor, compreensão, união – tudo o que deveria existir numa família e às vezes, não há.
A minha pergunta é muito simples: porque é que os valores familiares resultam com certas pessoas? Porque é que a maior parte é só fachada?
Talvez para esconder a hipocrisia, a solidão, a confusão, a tristeza!
Histórias tristes, fruto nem sei bem de quê…..
Porque todas as crianças necessitam que alguém lhes leia uma história ou brinque simplesmente com elas!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

VAMOS VOAR???


Sempre a voar em círculos, cada vez mais baixo, a gaivota acaba por “fazer uma aterragem” forçada no jardim.
Não fecha as asas, o bico está entreaberto e nos olhos lê-se desespero.
Está confusa, está perdida – não sabe para que lado fica o mar e quero desesperadamente gritar-lhe que se sobrevoar aqueles telhados, encontrará o rio.
Se seguir o rio, este levá-lo-á até ao mar e aí, encontrará um penhasco alto, onde poderá descansar da sua aventura por esta selva de betão.
Mas a gaivota afasta-se, deixa-me sozinha e tudo o que eu lhe queria dizer era que, também aqui nesta selva de betão, nos perdemos, ficamos confusos e desesperamos.
Por vezes, não voltamos a “sobrevoar” o mar – ficamos escravos do nosso desespero, da dor e da desilusão.
Mas, nem tu nem eu vamos cair nessa armadilha que a vida pode preparar e juntas, vamos sempre sobrevoar o mar, deixar que ele nos restitua as forças e a moral!
Vamos????