segunda-feira, 12 de setembro de 2005

UM BEIJO AO VENTO


O tempo encontrou o vento e perguntou-lhe porque é que hoje, precisamente hoje que o sol brilha, ele soprava com tanta ferocidade.
O vento não respondeu, apenas soltou uma rajada mais forte que atirou com o tempo contra a porta.
Depois, escondeu-se, deixando o tempo a rir-se, porque não há refúgio possível para o vento.
O vento e o tempo andam de mão dada; o que um destrói, o outro não devolve.
O vento pode vir de Leste, de Sul, de Norte ou mesmo de Oeste.
Pode soprar com rajadas de 170 Km/h, transformar-se num ciclone ou num furacão, mas depois acalma e há dias em que nos esquecemos dele.
O tempo continua a contar, impiedoso, cruel, trocista, porque sabe que no fim será o vitorioso.
O vento já me arrancou o beijo e o tempo apaga-o da minha memória, mas não antes de eu o saborear, de lembrar o toque suave dos lábios nos meus, das palavras de ternura no meu ouvido.
Um beijo por que tanto esperei, que tanto me fez chorar e agora que o recebi, não sei o que pensar.
Talvez o devesse ter recusado; talvez devesse ter gritado, insultado, mas não consegui.
A surpresa foi tal que não reagi e aceitei o beijo nos meus lábios tal como me foi dado.
Apenas um beijo – o beijo dos meus sonhos que se concretizou e nada mais!
Porque acredito que me foi dado com vontade; o próximo não sei….

E quando se sente que foi por obrigação, melhor não ter recebido……….

1 comentário:

Carmem L Vilanova disse...

Concordo em absulutamente tudo o que escreves hoje, minha amiga querida! Gostei muito!
Sabes? Estou a dever-te a resposta de teu email tao querido! Vou responder-te nao duvides... ainda esta semana!
Deixo-te beijos e sorrisos, querida amiga! E muitas flores para adornar a tua alegria!