sexta-feira, 31 de dezembro de 2004

15 MINUTOS DE FAMA

À minha irmã Cristina

O prometido é devido e por isso, aqui está um texto dedicado à tua ilustre pessoa, os teus 15 minutos de fama que tanto desejas.
Porque…
Um Óscar não vais ganhar…
Nem o teu nome para um Nobel vai ser proposto
A não ser, claro está que queiras participar num desses reality-shows e demonstrares ao público a graça que tens.
Creio bem que a única alternativa que tens é:
Veres o teu nome mencionado no blog – que incentivaste a construir – da tua irmã e relembrares com carinho como nos rimos até às lágrimas quando nos anunciaste com toda a seriedade que o “Mon Chéri” tem uma cereja verdadeira no recheio!
Como se nós nunca tivéssemos reparado!
Feliz 2005 para todos,
Com muitos “Mon Chéri” à mistura

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

OBRIGADO

Só quero dizer:
OBRIGADO
O pai foi operado esta manhã com sucesso!
Hoje não o podemos visitar, mas ouvimos a voz dele, pois o enfermeiro, simpático pediu-lhe para falar alto e colocou o auscultador numa posição que permitiu que o ouvissemos dizer:
"Estou bem! Sinto-me muito bem!"
A todos aqueles que rezaram por ele e me deixaram estas mensagens de coragem e força, agradeço do fundo do coração!
Obrigada por estarem presentes e pensarem em mim!!!
Como digo no "post" anterior - para ocupar a mente desatei a escrever - a minha porta está sempre aberta aos amigos!!!

ATÉ JÁ

Não vou negar que vou ter saudades de escrever na “blog das cartas”, mas não vou dizer “adeus”.
Soa a qualquer coisa muito formal, é seco e implica um corte radical.
Isto é apenas um projecto que vai ficar arquivado e uma outra tarefa distribuída
aos membros da equipa.
Porque nos vamos encontrar por aí, neste espaço único que é a blogoesfera!
Porque vai haver um outro projecto, que vai precisar do “esforço”, do “empenho” de quem se conhece bem para que resulte.
A minha porta está sempre aberta aos amigos – porque, como uma amiga me disse “entre verdadeiros amigos não há distância” e com os vossos comentários, brincalhões, mas sempre carinhosos, fizeram com que acreditasse ainda mais em mim.
Por isso, até já!!!!

MENSAGEIRO

Sonhei contigo esta noite, oh Mercúrio, mensageiro dos Deuses do Olimpo!
Pensei que tinhas entrado no meu quarto, com a tua armadura reluzente, o teu elmo dourado e as famosas asas nos pés para que não percas tempo a entregar a tua mensagem.
Pensei que tinhas uma mensagem para mim, mas iludi-me, pois ficaste apenas a olhar para mim, não disseste uma única palavra! E eu assustei-me, porque diz a Mitologia que os Deuses do Olimpo são cruéis e ninguém sobrevive à sua ira!
O que tu me queres dizer, Mercúrio?
Porque é que os Deuses querem falar comigo?
Será que sabem que quando estou cansada e preciso de relaxar, na noite limpa, com a ajuda das estrelas, eu desenho o Olimpo?

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

PEÇO A DEUS

Já lerem “As Horas” ou “Mrs Dalloway”?
Lembram-se do filme?
Neste momento, sinto-me como a “Mrs Dalloway” – ela organizava as festas para encobrir o silêncio e se pudesse, eu também o faria!
Detesto essas frases “clichés” – “ninguém disse que a vida é fácil”, “isso não é nada! Pensamento positivo”, etc!
Não é isso que me irrita, que me enerva – é saber que estou impotente, que nada posso fazer ou dizer a alguém que, tal como eu, está cheio de medo!
Uma operação é sempre uma operação e de quem falamos, é alguém que tem um lugar de destaque na minha vida - o meu Pai!
A única coisa que posso fazer é colocar o destino nas mãos de Deus e esperar!
Sei que ELE não me vai abandonar nesta hora em que se duvida de tudo e de todos – sempre O senti perto de mim – e tudo o que peço agora são palavras de conforto – palavras ditas com sinceridade, de coração, de alguém que compreenda a dor do outro e quer que as suas palavras criem raízes no coração.

domingo, 26 de dezembro de 2004

UM PASSEIO COM O VENTO

Tal era o emaranhado do meu pensamento, que o vento resolveu acabar com isso e me obrigou a vaguear por esses caminhos tortuosos da minha mente!
Estranhos pensamentos a ter no Natal, mas hoje estou mais sozinha do que nunca!
Tanto queria eu dar gritos de alegria, mas o ambiente está sombrio, está frio e quaisquer tentativas de conforto são recusadas!
Tento ver as coisas, vestindo a pele dos outros, mas a porta fecha-se, com estrondo, como se duma intrusa se tratasse!
Sinto-me como a Florbela Espanca se descreve no soneto “Eu…” –
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…”

Porque não posso simplesmente encolher os ombros e esquecer!
Porque a minha porta aos meus pais eu não posso fechar!
Por isso, fingi que não compreendi e deixei que o vento me levasse!
Do ar, têm-se uma perspectiva diferente e dou por mim a rir, porque me sinto livre de aceitar as atenções de quem tudo faz para me reconfortar.
Quando assentei os pés na terra, tinha parado de chover e o sol fazia jus à canção dos “Simply Red” (Sunrise), que agora escuto!
Acho que agora vou passar e alguém me vai ver!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

FELIZ NATAL


Cá estou no topo da minha montanha azul e o que vejo é só beleza!
Não quero pensar nos perigos, na imundície, no desprezo que esperam o momento certo para atacar!
Hoje, só quero ver o rio pachorrento, a percorrer as curvas para se encontrar com o mar, que na sua fúria, crava marcas profundas nas falésias.
Ou o prado verdejante, onde a relva e os cavalos crescem selvagens e o único som é o borbulhar do riacho que o atravessa.
Ao longe, o deserto, o general perfeito das dunas douradas e escaldantes!
Mas eu estou aqui - no topo da minha montanha azul, onde o sol, a lua, a chuva e o vento competem pela minha atenção.
É por isso que acho que o caminho que sigo é o melhor para mim, é com que me identifico, é onde deixo a minha marca!!
A todos que aqui passarem, um Feliz Natal - posso fazer uma breve pausa, porque estou cansada, mas voltarei, dando, espero, gritos de alegria!

sábado, 18 de dezembro de 2004

O AZUL DAS MONTANHAS

Li algures “nas montanhas azuis” e fiquei pensativa, curiosa!
Reli novamente, convencida que tinha feito confusão, mas não – estava ali, preto no branco “nas montanhas azuis da Jamaica”.
Talvez tenham razão e as montanhas fiquem azuis naquela hora mágica, em que o sol comunga com a linha do horizonte e a noite começa a descer e a preencher os espaços, onde o sol brilhava.
Talvez fiquem azuis para encher de prazer e de admiração os olhos de quem se senta, a observar este espectáculo inesperado.
Encontrei outra cor, para juntar ao castanho que escolhi como “bandeira”.
Nunca esperei que resultasse tão bem, mas a vida reserva-nos sempre uma surpresa.
Esta foi a minha e se ontem precisei, e deram-me, “colo”, hoje até acho que as lágrimas são azuis!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

CARINHO A DAR

Folheio a lista do telemóvel à procura do teu nº, mas hesito!
Sabes, hoje preciso de "colo" - de me sentar nos teus joelhos, sentir os teus braços à volta da minha cinta e enfiar a cara no teu ombro.
Não sei se é a atitude correcta duma senhora - pelo menos, é o que a minha mãe diria! Ela tem ideias fixas sobre o que é e não é correcto e decerto que me chamaria a atenção!
Mas, não estamos a falar da minha mãe - estamos a falar de mim e da vontade que eu tenho de sentir um corpo quente enroscado no meu!
Nem estou a falar de sexo; estou a falar de carinho, de calor humano que todos precisamos e que, neste momento eu não estou a receber!
Estou cansada e pensei que se ouvisse a tua voz .......
Não, não vai mudar as coisas; mas, quem sabe?? tu podes ver as coisas dum outro ângulo e discutindo o assunto, talvez se chegue a uma conclusão.
Sei que não sou a única que teme pela estabilidade da vida e talvez não tenha o direito de te sobrecarregar com este meu problema.
Mas és o único que me ouve até ao fim, que não "sacode" os meus problemas como insignificantes, que não te importas de me ver chorar!
Vou telefonar-te, sim; vou sentar-me nos teus joelhos, mas não vou falar.
Vou apenas fechar os olhos e pensar que estamos os dois em qualquer lugar exótico a gozar a companhia um do outro, com muito calor humano e música sedutora!

HONESTIDADE

Hoje, sinto-me só, apreensiva!
Nem vontade tenho de olhar o mundo a girar!
Mau sinal!
Continuo confusa, a escutar fragmentos de conversas; há comentários que não entendo, sussurros pelos cantos, que param logo que a pessoa entra, há um clima de mistério, de segredos graves, prejudiciais.
Odeio esta tensão, odeio saber que algo está mal, mas não sei exactamente onde procurar a razão
.
Nunca gostei de puzzles ou de palavras cruzadas - fico impaciente, insatisfeita e porquê não, confessar? furiosa comigo mesmo, porque muitas vezes a resposta está à frente do meu nariz.
Desta vez, não se trata de um jogo, cuja única finalidade é divertir; é a nossa vida que está em aberto, é a incerteza que paira, há planos que têm que ficar adiados, ficam sonhos destruídos!
A minha pergunta é só uma:
Onde é que está a honestidade?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

OS LAÇOS

Laços, laçinhos, laçarotes - significa o mesmo!
Fitas lisas, largas, estreitas, em xadrez, com ponta comprida, em forma de estrela, de avião - tudo preparado para tornar um embrulho mais sofisticado!
Tudo desaparece em segundos - o papel é rasgado com sofreguidão, com impaciência e o pobre do laço arrancado e lançado para qualquer sítio!
Fica esquecido, é calcado e por graça, alguém resolve jogar futebol com ele, provocando grandes gargalhadas!!!
O que acontece ao pobre laço, também acontece a outro tipo de laço!
Laços familiares - dizem que "Blood is thicker than water", mas será?
Basta uma palavra mais agressiva, mais cruel para nos transformarmos nos piores inimigos.
Ou não correspondemos ao que idealizaram para sermos postos de parte, ignorados, desfeitos em pó!
Tempos houve em que isso me preocupou; agora, só tenho pena que algumas coisas se tenham convertido, depois da amargura, em resignação!

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Á ESPERA

Sinto que cheguei novamente a uma encruzilhada!
Desta vez, não tenho que atravessar o deserto e enfrentar um clima "castigador" ou uma floresta tropical, densa, onde cada ruído assusta.
É mais um campo gelado ou minado, pronto a quebrar, a explodir se se escolher o caminho errado!
Desoriento-me, olho para todos os lados, tento encontrar um ponto de referência, mas nada encontro!
Apenas me posso guiar pelo meu instinto, pelo meu bom-senso e por isso, piso o chão com cuidado e guardo silêncio.
Silêncio que se transforma numa bola de neve e ameaça esmagar-me a qualquer momento!
Mas, por enquanto só posso esperar e deixar que o rio siga o seu curso ou faça um desvio, cavando um leito mais largo!

domingo, 12 de dezembro de 2004

NO DESERTO

Não sei como é o pôr-do-sol no deserto, mas posso imaginar!
Nunca lá estive, mas posso compreender o fascínio que exerce sobre as pessoas!
Impõe respeito,
porque é imprevisível;
porque é poderoso
!
Imaginem – kilometros e kilometros de areia dourada, um sol abrasador e uma luminosidade aberta!
Não o procuro,
porque quero encontrar tesouros de civilizações antigas e vangloriar-me do facto perante o mundo!
Procuro-o,
porque não me quero esquecer de quem sou!
Porque, às vezes,
ainda preciso de me lembrar de quem sou.
Porque
,
se o meu nome significa “a Senhora da Casa”,
o deserto ensina-me
que sou exactamente isso –
a senhora da minha casa, daquilo que tenho e fiz.
Mesmo na sua imensidão!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

O VENTO


Que notícias me trazes tu, oh vento?
Há qualquer coisa que me escondes, porque não paras de brincar comigo! Abres-me o casaco, puxas-me a écharpe e insinuas-te como um amante ardente aos meus cabelos!
Oh, não, não deixes que sejam más notícias, vento! Deixa que feche os olhos e te siga!
Não importa para onde; apenas quero sentir o que tu sentes, o que fazes quando os todos poderosos te desafiam e como proteges quem de ti não tem medo!
Não, vento, não tenho medo de ti! Respeito-te, observo de longe as tuas fúrias, mas fico quieta, à espera que sossegues.
Porque tu escutas-me, vento e levas as minhas palavras aos ouvidos de quem te sabe igualmente escutar!!

SOBRE A NOITE

Dizem muita coisa sobre a noite!
Dizem que:
é terna
é boa conselheira
todos os gatos são pardos
se fez para amar

A noite esconde vícios e virtudes!
A noite desperta sentimentos, paixões, brilhos diferentes da luz do dia!
A noite é o momento que aguardamos ansiosamente, porque nos liberta!
A noite é a hora de partilhar segredos, risos e entregar-se a brincadeiras sensuais! Ou ver aquele filme proibido, a comer pipocas ou a beber algo civilizado como o chá!
Ai, a noite - delírios românticos, mas também de violência! Paz, silêncio interrompido pela sirene da ambulância!
Noite - a grande jornada que acaba com o raiar do dia e o recomeço duma rotina!

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

ESPLENDOR

Há um poema que fala do esplendor da relva!
Essa relva, que calcamos sem dó e piedade, em que estendemos as mantas e fazemos piqueniques à sombra das árvores.
Essa relva, gasta, seca, sem graça, sem realmente qualquer esplendor!
Mas não creio que seja a essa relva, essa relva triste dalguns jardins públicos, a que o poema se refere!
Talvez fale da relva em sentido figurado, como algo que renasce todos os anos, que atinge a maturidade e a beleza quando é amada! Tal como deve acontecer com as pessoas!
Ou talvez evoque um quadro bucólico, com os cavalos a comerem serenamente a relva que cresce selvagem como eles
!
Não sei; não sei de quem é o poema nem me lembro do título
Seja o que for, ontem fui ter com o meu amigo, o meu amigo perfeito ao café!
Como estava de costas, pensei em lhe pregar um susto, mas quem apanhou um susto fui eu!
Ao aproximar-me da cadeira, com as mãos abertas para lhe tapar os olhos, o meu amigo ergueu o braço e sem se voltar, disse "Olá, já cá estás!".
Quando me sentei e olhei interrogativamente para ele, ele sorriu-me e disse simplesmente "Foi o cheiro".
"O cheiro????" comecei a dizer, indignada, mas, depois compreendi. Ele reconheceu o meu perfume e a única coisa que eu podia fazer era aceitar isso como um elogio.
Nem toda a gente repara nisso e eu senti-me........como se tivessem feito um retrato e capturado a minha expressão de puro deleite!

sábado, 4 de dezembro de 2004

RADICAL

Sei que o relógio não para!
Continua a dar horas impiedosamente, a aproximar-nos cada vez mais do clímax! Será que, como diz o fado, “temos o destino marcado” e os factos acontecem porque as estrelas traçaram o nosso perfil?
Obedecemos a uma lógica, que não compreendemos, tipo “Deus escreve direito por linhas tortas”, a uma carta tipográfica onde, e para se ser convencional se marca a azul os nossos sucessos e a vermelho as falhas?
Não sei; faço as perguntas ao vento e deixo que o eco me devolva as respostas!
Há, no entanto uma coisa que modificaria se voltasse atrás – gostava de não te ter conhecido!
Ou melhor, nunca devia ter deixado que te intrometesses na minha vida desta forma!
Passaste como um vendável, destruíste as minhas ilusões, questionaste os meus valores e depois, “voaste”!
Não estamos na selva e mesmo na selva, há regras que têm que ser seguidas.
Há uma hierarquia que é respeitada, há valores que passam de geração para geração e evita-se, tenta-se evitar, uma anarquia que não leva a lado nenhum.
Talvez esteja a ser radical, mas para quê distorcer a verdade?
A verdade é que estamos sempre em pé de guerra; nunca nos vamos entender e ainda me pergunto – porque é me sinto assim?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

ROMANCE

Se ser romântica é:
Deixar a mente vaguear por aí e fantasiar coisas fantásticas, impossíveis de realizar
E ter consciência de que assim é

Então eu quero:
ser sempre romântica, ter um pé neste mundo e no outro para que, na fusão dos dois, encontrar paz na alma, na verdade das coisas, no riso quando estou descontraída
Hoje acordei assim, a conceber um mundo de ilusão, para além das nuvens escuras, da chuva fria que desceu sobre a cidade
Hoje quis ser a gaivota que teima em planar, à procura dum lugar mais seguro e mais seco para ficar, porque o mar deve estar em revolta, a atormentar-se, a crucificar o paredão
Hoje estou no mundo dos sonhos, porque é o que o meu espírito deseja para descansar
De quê?
De tudo e de todos, mas nunca das palavras que fecham a minha mensagem e a fazem chegar àqueles que, duma forma ou outra, estão sempre comigo
E, se alguém rir, que ria – o sentido das coisas está para além do que está presente!