segunda-feira, 29 de novembro de 2004

NO TEMPO

O tempo:
conquista-se
guarda-se
aproveita-se
regula-se
controla-se
Porque dura apenas um instante, um minuto, um segundo!
Não volta; não nos dá oportunidade de refazer, reformular, redimir!
Corta-nos as asas, evapora-se e por vezes, torna-se num pesadelo, num buraco negro, num pecado escondido!
É como no Conto de Dickens - o passado está passado, mas podemos corrigir os erros do presente e gozar plenamente o futuro.
Lembro-me que tive medo quando me contaram esta história; depois esqueci-a, mas agora estou a relembrar, a reler esta e outras histórias para crianças.
Porque ainda me fazem sorrir e eu preciso de sorrir - já corrigi alguns dos meus erros, há outros que vão ter que ser "enterrados", porque não encontro abertura do outro lado e vou concentrar-me a gozar o meu futuro!

domingo, 28 de novembro de 2004

FRASQUINHOS DE CRISTAL

Perdi-me no meio dos cristais!
Perdi-me a observar como captam e brincam com a luz!
Perdi horas a seleccionar, a imaginar como é que esta taça ou a outra resultava com o arranjo de Natal
!
E, no meio de todos aqueles cristais, encontrei frasquinhos, cuja única finalidade é a de decorar a mesinha de cabeceira ou a montra dum coleccionador.
Estou indecisa entre dois desses frasquinhos – um é de cristal branco, liso, mas a parte inferior está coberta por uma folha de prata, trabalhada.
É uma rosa em relevo, perfeita em cada pormenor – as pétalas estendem-se para o bocal e parece que se enrolam aí, como se quisessem crescer mais, mas encontraram um obstáculo!
O outro é um pouco maior – tem uma forma convencional e a única diferença é a cor! É um salmão muito suave e à luz, torna-se mais carregado, mais escuro, como se tivesse algo de grandioso a esconder no interior!
E tem!
O reflexo da simples folha de trevo, em prata que o decora!
Devolveram-me o sorriso, iluminaram-me o dia!
Vou comprar os dois - vou guardar um!
O outro? Vou dar a alguém que é coleccionadora deste tipo de frasquinhos! Até já perdeu a conta; tem-nos de todas as cores, formas e materiais!
Estou certa que o meu frasquinho vai ocupar um lugar de destaque naquela montra – vai ser dado e recebido com carinho!
É isso que conta – nada mais!

sábado, 27 de novembro de 2004

MIL

Escrevo mil discursos, que depois calo.
Procuro mil palavras, que digam, sem ofender, a minha opinião verdadeira, sobre as tuas atitudes e a tua conduta
.
Mas, depois reflicto e acho que será uma perda de tempo.
Há pessoas que não sabem escutar os outros; melhor que ninguém, eu sei o que isso é.
Tenho pena; gostava que as coisas fossem diferentes, principalmente no seio daqueles que constituem o núcleo familiar.
Mas não são; encontrei, portanto outras formas de estar presente, de apoiar, sem comprometer o meu equilíbrio.
Hoje deixei que o mais negro dos meus pensamentos bloqueasse a minha paixão. Porque me queres destruir e eu não compreendo a razão da tua raiva!
Mal não te fiz; apenas acho que as coisas se conseguem, utilizando uma boa dose de diplomacia e de tolerância. E, depois, a vida é minha e estás a interferir, sem qualquer direito. Nem meu amigo és!
Já se ouve o amolador – dizem que vem lá chuva. Ao limpar o ar e as ruas, talvez limpe esta tristeza que ganhou raiz e “tapou” a minha cor!
Era tão bonita, a minha cor e estava tão feliz!Porque é que tinhas que atravessar novamente o meu caminho?
Logo agora, perto do Natal e quando a minha ferida é ainda tão recente!

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

UMA COR, UMA MENSAGEM

Já que estou a procurar um cartão pouco convencional, tenho também que encontrar o texto certo.
Um texto especial para pessoas especiais, que estão receptivas ao que sinto, que entendem o que verdadeiramente quero dizer, que respeitam as palavras!
Não é só uma mensagem de amor e carinho; tem que ser uma mensagem de cor, que cubra um pouco a dor, a tristeza, a angústia!
Uma mensagem que não seja oca, que prometa coisas que se possam cumprir - um lema para vida, um tema para desenvolver ao longo do ano, um projecto para levar avante.
Estou a pedir demais? Estou a ser romântica demais? Estarei a repetir-me?
Eu sou assim; sei que tenho muitos dias cinzentos - canso-me com facilidade, porque encontro no meu caminho pessoas que não mereçem o meu respeito e isso entristece-me.
É por isso que a cor é tão importante para mim; não só a minha, a cor com que os outros me vêem, mas também a cor com que eu os vejo!

terça-feira, 23 de novembro de 2004

NOVEMBRO

Tão perdida que eu estava, tão sufocada pela minha "perda", que nem dei conta que Novembro está a acabar e que pouco falta para o Natal.
Novembro é um mês tão rigoroso, tão solene, tão fechado que até estou contente por não me ter apercebido da sua "entrada em vigor".
Não sei se vou ter vontade de elaborar listas de Natal ou enfeitar a casa, mas há muita coisa que vai prender a minha atenção, porque procuro sempre um sentido para tudo. Aliás, nunca o escondi - pareço ter vivido dentro dum casulo e finalmente, rompi-o e tornei-me uma borboleta curiosa!
Sabem do que gosto?
De cartões - não daqueles cartões convencionais, pomposos com réplicas de quadros alusivos à quadra, mas sim a cartões com desenhos simples, traços esbatidos, mas significativos.
Quem fala de cartões de Natal, também fala de cartões a desejar as melhoras, um bom aniversário, convite para um jantar misterioso.
De papel reciclado, de papel de seda, de cores fortes ou suaves, vamos mandar um cartão a alguém.
Não só porque é bom para o nosso ego, mas também para que a outra pessoa se alegre também!!

sábado, 20 de novembro de 2004

BANALIDADES

Hoje, não vou deixar que ninguém perturbe a paz do meu dia!
Acordei relaxada e sorridente, como há muito não estava e resolvi brincar.
Claro que tinhas que ser tu o alvo da minha brincadeira – tu, em quem confio e que me conhece o suficiente para não se ofender com o que possa dizer, porque falo mais com o coração, que com a mente!
Até já me estou a rir, só de pensar na tua surpresa quando leres essa mensagem louca, sem nexo, confesso!
Vais abrir e fechar os olhos, como se não acreditasses no que estás a ler, vais puxar pelo bigode, sinal de que ficaste nervoso e vais certificar-te que é realmente o meu nº. Decerto, pensarás “Coitada! Desta vez, passou-se”.
Mas, depois vais reler cuidadosamente o SMS e compreenderás o que escondi habilmente nas palavras.
É que tenho esta vontade louca de
apesar do vento gélido, andar descalça no parque!
De molhar as mãos naquele pequeno lago e salpicar quem passa!
De dançar alegremente na rua!
Quem, melhor que tu, para seres cúmplice nessa aventura?

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

SER VISTA

Gosto do que vejo espelho!
Ainda sinto os olhos um pouco doridos e vermelhos, mas disfarçei com uma sombra um pouco mais forte que o habitual.
Para os lábios, escolhi um baton acastanhado para combinar com o laranja da minha camisola.
O resto - o sol e o vento encarregam-se de devolver a cor à uma pele sensível e pálida!
O sorriso? Não é um sorriso rasgado ou brilhante que ilumina os olhos.
É discreto, ainda mostra o quão frágil me sinto, mas não deixo de tentar que ele apareça, porque é fundamental para que eu deixe definitivamente o meu "luto".
Ah, sim o livro, também está aqui, porque hoje eu vou andar por aí, entrar naqueles locais que, por tempos, deixei de frequentar!!!Não sei quem vou encontrar, mas pelo menos, vou sentar-me a uma mesa, ver gente e ser vista!!!

terça-feira, 16 de novembro de 2004

AMIGO PERFEITO

Sinto-me como se o navio naufragasse nos penhascos e no meio da confusão, me atirasse ao mar!
Acordei numa praia deserta - numa praia de areia fina e branca, completamente só!
Mas hoje posso estar sozinha; sinto-me limpa, sem medos, sem ressentimentos!
Ontem, tive que dar vazão às lágrimas estranguladas há tanto tempo na minha garganta, explodiram tal e qual uma bomba e eu não quis sofrer sozinha o impacto!!
Não vou pedir desculpa; nem mais vou falar sobre o assunto - só sei que vá para onde for, decida o que decidir, conheça quem conhecer, case com quem casar, vou olhar sempre para trás para ter a certeza de que estás perto!
Não sei se há amigos perfeitos; só sei que te considero como tal!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

ESTRANHAMENTE

Hoje, não aguentei mais e bati à tua porta!
Pálida, com os olhos dilatados, com o queixo a tremer - sinal de que pouco faltava para desatar a chorar!
E, foi o que fiz, abraçada a ti, com o teu cheiro bem masculino debaixo do meu nariz, inchado e vermelho.
Estas lágrimas, que eu ignorei, neguei que existiam, mas que não me deixavam respirar! Soltei-as, finalmente, lenta, dolorosamente!
Quando acalmei, limpaste-me as lágrimas, beijaste-me e estranhamente, deixaste-me sair sozinha, sem uma palavra!
Estranhamente, nada mais havia a dizer! Porque dissemos tudo - eu queria ser consolada e tu abrigaste-me!
Quando cheguei a casa, o telemóvel vibrou e havia um pequeno envelope que abri ansiosamente.
Dizia apenas: "Dorme bem!" e foste tu que enviaste a mensagem!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

MIL COISAS

Este ano, escolhi o castanho como a cor base para refazer o meu espaço, de novo vazio ou talvez não!
Mas hoje vamos falar do castanho, que é uma cor
quente e combina com todas as outras, transformando-as, arrancando a tristeza e deixando só o brilho.
O castanho
chama a atenção sobre si como eu, como pessoa, fiz.
Um dia, tive que bater o pé e dizer bem alto "Estou aqui!".
Ontem, perdi-me novamente de amores numa lojinha, que se pretende ser discreta, engana-se. Chama-se "PORTO DE AROMAS" e é de velas - de todas as cores, feitios, tamanhos, cheiros para mil e uma coisas!
Um jantar romântico, um centro de mesa original, etc - o que combina connosco!!!
Porque a minha vida era cinzenta e triste, todos os anos escolho uma cor como "bandeira"!

terça-feira, 9 de novembro de 2004

OSCAR WILDE E OUTROS

Quando dei por mim, tinha 5 ou 6 livros no meu colo!
Livros de criança e eu estava a reler cada uma daquelas histórias com um prazer indescritível! Quem é que se esqueceu dos contos de Hans Christian Anderson ou dos Irmãos Grimm? Ou a história de Oscar Wilde "The Happy Prince" - aquela estátua revestida de ouro, que observa a cidade do alto do pedestal e vê a miséria dos outros? Lembram-se do que fez - pediu ajuda à andorinha para distribuir a riqueza que o cobria por aqueles que necessitavam!
Choro sempre quando leio esta história, porque, no fundo a sociedade não mudou muito - continua a ser uma sociedade egoísta e a história, embora tenha sido escrita no século XIX, marca bem o contraste entre o fausto e a pobreza, a razão de viver e desistir das coisas ou não.
Nunca sabemos completamente o que vai na alma dos outros.
Eu apenas sei que atravessei o corredor da morte, quase atravessei a fronteira, mas algo me prendeu aqui.
O quê?? Não sei, mas deixou de ser importante descobrir o porquê.
Há uma história que tenho que escrever, há um monstro que permanece escondido, apesar dos meus esforços para que renasça e dê todas as explicações.
Estou triste e frustada, tal e qual a Ventania!

sábado, 6 de novembro de 2004

SOL & COMPANHIA

Hoje está sol e por isso, fui dar uma volta!
Cheia de casacos e com um cachecol vermelho!
Sentei-me no jardim, cheio de folhas sofridas, arrastadas, espancadas pelo vento e de pombas, com as penas arrepiadas a discutir amigavelmente, tal como eu, um lugar ao sol!
À minha frente, está a estátua da “Menina Nua” – já falei dela num outro texto, tirei-lhe uma fotografia e, para mim, é realmente um ponto de referência!
Talvez seja a ponte entre a fantasia e a realidade!
Mas não; é apenas uma estátua bonita e como apreciadora de beleza e de romance, sinto-me à vontade para a procurar todas as vezes que preciso dum “empurrão” para enfrentar novos desafios, escrever novas histórias, novos romances, encontrar nova gente. O segredo está aí – encontra-se sempre algo novo; onde é a interrogação e é isso que me estimula!
Como disse a Audrey Hepburn “As pessoas, mais que as coisas, devem ser resgatadas, redimidas, consoladas”, o que é verdade!
Hoje, sinto-me tudo isso e o que para trás ficou, “fecha-se”, “completa-se” - é um circulo, um capitulo, uma etapa!
Nova semana – um novo mistério para desvendar, sempre com a “Menina Nua” em qualquer lugar do coração e do pensamento

quinta-feira, 4 de novembro de 2004

LEVANTAR

TALVEZ.................
seja altura de me levantar da "chaise-longue" e recomeçar!
Recomeçar e não lamentar o que aconteceu!
Guardar, relembrar, rir, reescrever ou não as páginas do diário ! Com ternura, porque foi assim que terminamos - com ternura!
Sim, é isso o que vou fazer!
Sobretudo lembrar com carinho que, por momentos, fui única para alguém!
Alguém que me fez sentir tudo aquilo que uma mulher deve sentir e eu gostei muito de o sentir!
Não sei se o voltarei a sentir; esse alguém apareceu quando eu mais precisava de ter carinho, atenção, calma!
Uma relação é sempre diferente da outra - não há duas pessoas iguais, dizem!
Eu acho que sim, que há!
Neste momento.......só quero recomeçar!!!

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

SEI QUE É SÓ HOJE

"Onde estás tu?
Estás aí, escondida, sentada na cadeira que finges que é uma "chaise-longue" e que és a Joséphine a repousar antes do baile."
Não, não estou escondida; tenho apenas frio - é por isso que estou assim toda encolhida, coberta pelas mantas.
Se sou a Joséphine, deixa-me ser; os sonhos são nossos e tenho os pés bem assentes - sei muito bem até onde quero e posso ir!
Estou só; melhor, fiquei só, porque a minha relação não resultou. Talvez porque quis demais ou porque não exigi nada, porque achei que o que recebi me bastava.
Não sei; só sei que hoje chove, lentamente recupero duma desilusão e a melhor forma de encontrar novamente gosto em viver, é realmente fingir que estou numa "chaise-longue", que sou uma personagem real ou não e que alguém me trará o chá dentro de momentos.
Eu sei que é só hoje!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2004

BOLEROS, SALSA E ETC

Voltei a ter insónias e para relaxar, tentei pensar em coisas simples, pouco profundas, mas que tivessem, falassem de beleza.
Quando dei por mim, estava a pensar no cheiro agridoce do café que perfuma a casa quando se acaba de almoçar. Associa-se logo esse cheiro forte e rico a um país quente, cheio de ritmo, de fogo que se espalha nas danças exóticas, sensuais!
Ou porque não falar do pão quente, acabado de fazer?
De sentir os dentes a partir a crosta, bem tostada, e a enterrar-se no miolo, onde a manteiga já se entranhou, mas ainda escorre e se não tivermos cuidado pinga nas mãos?
Adormeci, convencida que estava a apanhar café, a cantar e a brincar com os outros. Porque é isto que falta – não cantamos nem brincamos o suficiente!
Nem dançamos – deixamos de dançar os boleros, os tangos, a salsa e tudo isso faz parte da arte de sedução.
A sedução é uma arte e até isso se perdeu!
Talvez esteja a entrar num caminho que desconheço, mas a vida é cheia de fantasias, de sensações novas e quem sabe? Aprender danças sul-americanas talvez ajude a dar um novo ritmo à minha vida!