domingo, 30 de abril de 2006

DO FUNDO DO CORAÇÃO

Não estou com vontade nenhuma de fazer a tradução Português – Francês! Nenhuma!
Podia levar os papéis comigo, sentar-me numa esplanada na Foz,
mas o barulho e o riso de quem passeia ou se bronzeia associados ao cheiro forte do mar, em breve me distrairia e acabaria por não fazer nada.
Assumi um compromisso; falta pouco mais de um mês para fazer o exame e portanto, tenho que seguir o programa que estabeleci.
Talvez porque o dia está tão convidativo, eu estou a “embirrar” com palavras tão simples como o “qui” e o “que” e a pensar porque é que consideram o francês a língua ideal para o amor.
Na minha (modesta) opinião, a linguagem do amor é universal – não há uma língua específica para ilustrar o amor, uma vez que o amor se sente.
Reflecte-se no olhar, esconde-se no sorriso e percorre o corpo!
Je t’aime, I love you ou amo-te,
dizer à qualquer hora, …………..
à luz da lua, ao nascer do dia, na escuridão do quarto
– nunca de forma leviana, banal, mas do fundo do coração!

sábado, 29 de abril de 2006

JOVEM DE ESPÍRITO

Às vezes, fico sem saber se devo ou não considerar
um elogio dizerem-me que sou “jovem de espírito”.
Confesso que fiquei surpreendida quando a minha Mãe – tão conservadora, tão exigente e autoritária – mo disse. Mais ainda quando acrescentou “ser uma boa coisa”.
A expressão “parar é morrer” é sobejamente conhecida e não estou a negar a idade que tenho.
Um dia, eu vou ter que parar – porque, por uma razão ou outra o mundo vai deixar de ter interesse, evoluir não vai significar mais nada e simplesmente nada mais vai despertar interesse.
Contudo, até lá não vejo qualquer problema em tentar desvendar os enigmas do mundo e das coisas, ficar frustrada quando a solução nos escapa e recomeçar, aproveitando o que é positivo e destruindo o negativo.
Esteja-se na década dos 30, dos 40 ou dos 50!!!!

NA CASA DE SERRALVES

Ao entrar na Casa de Serralves, não é o comprimento da sala principal nem a cor quente com que pintaram as paredes que nos atraí.
São as portas envidraçadas, que ocupam toda a extensão da parede do fundo e que abrem para o jardim, dando-nos a sensação, patente aliás em qualquer parte da casa, que há ali um equílibrio perfeito.
Como se o jardim fosse o prolongamento da casa...........
Um não pode existir sem o outro......
A própria exposição de móveis Art Deco enquadra-se no espírito da casa - aberta, luminosa e terrivelmente feminina.
Os cristais, os candeeiros, as madeiras preciosas, os tampos em mármore - tudo muito elegante, delicado, subtil...
Como se estivessemos suspensos no ar, presos na época dourada e louca de 1920, 1930!

sexta-feira, 28 de abril de 2006

JORNADA FOTOGRÁFICA

Está decidido!
Amanhã, vou fotografar novamente os meus locais favoritos.
Por onde começar?
Nem hesito - pela Estação de São Bento!
Não, não vou fotografar os comboios – embora goste bastante de viajar de comboio!
Vou fotografar os painéis de azulejos; o relógio e à saída, se conseguir um bom ângulo, a Igreja dos Congregados, cuja fachada está igualmente coberta de azulejos.
Alias, como outras Igrejas da Baixa – a de Santo Ildefonso ou a Capela das Almas.
Há muito tempo que não faço uma “jornada fotográfica” e com o tempo tão bonito, sem ter que me preocupar com guarda-chuvas ou casacos, preparo-me para um dia em cheio.
A única coisa que me entristece é que não há amores-perfeitos na Praça, que continua em obras!
A beleza do dia seria completa………………

DESAPONTAMENTO



Desengane-se quem pensou que ia chover, porque o sol está ufano e brilha com uma intensidade que faz com que os meus olhos se encham de lágrimas, apesar dos óculos.
Decidi que não me ia aborrecer, embora tenha constatado uma vez mais a veracidade do ditado "Quem vê caras não vê corações".
Surpreendeu-me ter descoberto ontem que uma pessoa, em quem confiei e com um certo nível cultural, se comportou como uma "coscuvilheira".
Que seja tão vazia de sentimentos
e a sua vida tão desprovida de sentido que perca tempo a dilacerar a vida dos outros.
Não, não vou entrar no jogo
– o dia está lindo,
é Sexta-feira e amanhã,
posso descer a Avenida até ao Castelo do Queijo.
Ou perder-me no roseiral de Serralves!
Ou percorrer o Parque da Cidade em todos os sentidos!
Mil e uma coisas que posso fazer, que me dão prazer e preenchem a minha vida.
O meu tempo é precioso demais
para andar a vasculhar a vida de quem não conheço
ou se conheço,
não quero, definitivamente,
nestas circunstâncias aprofundar mais a relação.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

MIMO



Hoje está nevoeiro e a pergunta que se faz é: será que vai chover?
Deixei a janela aberta e o cheiro a maresia invade a sala – e apetece-me esquecer propositadamente as minhas responsabilidades, seguir a vozinha trocista do meu coração, correndo para apanhar o autocarro e sair lá em baixo na Foz.
O local ideal para desanuviar, esburacar as teias de aranha, que se acumulam, mesmo sem darmos conta, no lado escuro da mente.
Até posso saltar do passeio, descalçar os sapatos e afundar os pés na areia – seguir a linha do mar até ao fim.
Mesmo com o nevoeiro – mesmo que a brisa que se levanta seja fria!
Mesmo que não veja ninguém – o mar acalma-me, segreda-me palavras de conforto e hoje eu preciso mesmo de um abraço!!!
Muito apertado e dado de coração!!!

quarta-feira, 26 de abril de 2006

TELEMÓVEIS, VIRUS E MSG



Por falar em telemóveis e SMS, acabo de receber um muito estranho da minha irmã:
"Recebi msg tua, mas sem texto. O k se passa?"
O que se passa, quero eu saber – será que o meu telemóvel foi possuído por um vírus e vai ter que ser "internado"?
Anda realmente estranho – liga e desliga por vontade própria, não bloqueia o teclado e quem me diz, que não ando a desperdiçar dinheiro em chamadas espontâneas?
Aquilo que considerei ser a minha libertação, tornou-se o meu pior pesadelo e obrigou-me a rever apressadamente as minhas prioridades.
Mudei de nº, filtro as chamadas e só a família e os amigos mais próximos é que me podem contactar
.
Os restantes mortais ligam-me para o fixo e pouco me importa se é mais barato, mais caro ou mais aborrecido, porque, por vezes têm que fazer uma segunda chamada quando não me encontram.
"O tempo deve ser aproveitado para se fazer qualquer coisa de útil e não para interferir na vida dos outros."
Quanto à minha irmã, recebeu uma mensagem (por extenso) a dizer que:
"Mudei o meu blog em inglês. Fui convidada para trabalhar noutro e estou a aprender coisas interessantes que poderão ser uma saída. Bjos"
a minha única concessão às abreviaturas.......

LIÇÃO DE VIDA



Aos anos que li "O Principezinho" e não me lembro rigorosamente de nada!
"Que vergonha!" disse à minha Mãe e
solenemente fizemos o voto de procurar, sem demoras o livro e ler a história fantástica que vai abrir os portões da nossa imaginação.
É um livro imortal, sem idade, que marca a história de literatura e da nossa vida.
Não é desperdiçar tempo com "livros para crianças", como os cépticos podem dizer, é uma lição de vida – soltar as fantasias e os desejos de quem fomos e que nos ajudará ainda mais a enriquecer a nossa vida.
A minha Mãe ainda se lembra da história e a grande preocupação dela está em como evitar a "cobra".
"Cobra??? Que cobra???" perguntei e a minha Mãe, muito séria disse "Há uma cobra, sim, não te lembras?"
Confesso que não me lembro de cobra nenhuma;
ainda não encontrei o livro, mas já se me apresenta como um desafio...
Desafio que eu gostava de ter agora, neste momento nesta sala velha e vazia....
Onde tudo parece estar a murchar, por muito que eu me preocupe e regue nas horas certas.......
..

MÃOS FRIAS



Não adormeci com a "sensação de que ia conquistar o mundo".
Adormeci, sim resignada com a ideia de que
hoje, 4ª Feira, 2006-04-26 tinha que vir trabalhar.
Até gosto de trabalhar; empenho-me, interesso-me,
mas neste momento, sinto-me desamparada,
só numa luta desigual,
sem perspectivas de termos uma vitória
ou conquistarmos a glória.
Estou aqui sozinha, numa sala velha e vazia e
apenas partilho com Deus esta angústia, esta incerteza
se amanhã ainda poderei estar aqui nesta sala impessoal e fria, rodeada de papeis e com mails para enviar.
As minhas mãos estão frias e vazias e por vezes,
fico a olhar para o écran do computador
como se estivesse à espera que ele me respondesse, me desse uma pista.
No silêncio sepulcral que se faz, só rumores, que me esforço por ignorar, mas não posso, se levantam!

terça-feira, 25 de abril de 2006

MEMÓRIA E SENTIMENTOS II

Não há dúvida que fiz uma pergunta complicada, mas o que é que não é complicado na vida?
É um desafio e o tema tem que ser discutido abertamente.
Não é um tema “light”, pode mesmo abrir velhas feridas - a mim abriu - mas, apesar dos riscos, está sempre presente, pois procura-se uma resposta.
A que perguntas?
O amor sente-se, mas como é que se sente?
Porque é que somos infelizes com determinada pessoa e com outra, encontramos o Santo Graal?

segunda-feira, 24 de abril de 2006

MEMÓRIA E SENTIMENTOS

Sempre com o livro atrás, deambulei pela cidade, clara e fresca, de rosto aberto em mil sorrisos e de braços no ar à procura do sol.
Parei para lanchar e abri calmamente o livro, mergulhando profundamente na intriga palaciana armada por Leonor Teles, que começo a detestar.
Contudo, o que chamou a atenção não foi o carácter manipulador de Leonor Teles, mas sim uma frase, que li e voltei a ler para tentar decifrar a veracidade do que afirma.
Diz o seguinte:

“…..nos únicos espaços privados da condição humana: o da memória e o dos sentimentos”.

Diz-me a experiência que, embora privados – não há qualquer dúvida sobre isso – se houver uma brecha, podem ser sempre invadidos, infiltrados e destruídos.
Por vezes, nem o amor resiste!
Ou a verdade!
Só fica a esperança!
É a minha opinião, não sei se estou certa ou errada – é apenas o que sinto!
E vocês
?
P.S.: O romance é de José Manuel Saraiva e chama-se Rosa Brava. Recomendo-o vivamente!

domingo, 23 de abril de 2006

SAUDAÇÃO AO SOL

O dia está lindo e o Sol, matreiro já me provocou, prendendo com um dos seus raios o meu cabelo, que soltou rapidamente assim que sentiu que a minha mão se preparava para o agarrar.
Agora
faz-me caretas, deita-me a língua de fora e quando rio alto, parece que faz uma pirueta e deixa que os raios pousem novamente no meu corpo.
Faz-me um
convite, pois quer que eu enterre, lá nas dunas da praia, bem fundo o amor que vivi e que tal como a espuma das ondas se desfez.
Talvez seja por isso que deixe que a
brisa me traga fragmentos da voz fresca e suave de Sade – ele sabe que eu gosto de coisas assim….
Leves, tranquilas, mas apaixonantes ao mesmo tempo para que as sensações me dominem completamente e eu, tal como a minha rosa, me abandone totalmente ao prazer que é estar viva…
Eis porque ergo os braços numa “saudação ao sol”………..

sábado, 22 de abril de 2006

6 PALAVRAS APENAS

Como choveu ontem e como eu chorei com saudades tuas!
Deixei, por isso que o vento te levasse uma mensagem minha!
Já sabes que quando chove, lembro-me de ti, quero regressar aos teus braços e sentir novamente as tuas mãos a acariciar-me o corpo.
Não sei o que esperava; novamente o silêncio talvez....!
Mas o vento surpreendeu-me deixando-me no colo a tua resposta!
Curta, com apenas 6 palavras, mas cristalina, pura como a água, sem qualquer sentido oculto…….
Amável, educada, mas a mensagem de um estranho!
Estranha a sensação que tive….
A de ser tratada como “estranha” por alguém que disse
amar-me tanto…………….
Verdade seja, no entanto dita – melhor receber uma mensagem com apenas 6 palavras do que ser desprezada num silêncio pesado e desgastante……………

sexta-feira, 21 de abril de 2006

DEVAGAR, COM NUVENS



Abri a janela devagar, não fosse o vento entrar de rompante e torturar as pétalas da minha rosa!
Sim, "salvei" a minha rosa da chuva, que numa mistura das 3 – a elegante, a irritante e a castigadora – invadiu a cidade ontem à noite.
Hoje, a Invicta acordou com tempo instável - o céu escondido, em parte por nuvens volumosas e cinzentas, ameaçando o sol que tenta sorrir, rasgando-as e trazendo consigo outras mais leves e brancas.
Inspiro profundamente, passo cuidadosamente o dedo pelas pétalas da rosa e saio.
A rosa está a começar a abrir, promete tornar-se exuberante e perfumar ainda mais o quarto.
Eu?
Sinto-me "feia", mas amanhã tratarei de "desfazer" essa sensação.


P.S.: A fotografia é do site "fotografia na net".

quinta-feira, 20 de abril de 2006

JUNTO AO CORAÇÃO



Dizem as más-línguas que hoje vai chover!
Será aquela chuva miudinha, irritante e trocista?
Ou aquela com bátegas tão grossas e fortes, que, em contacto com o chão, liberta fumo?
Ou a elegante, que apenas ameaça e depois assusta-se, escondendo-se bem longe, para lá do arco-íris?
Seja qual for, a Invicta está preparada para a receber; eu estou preparada!
O meu único problema é a rosa que comprei.
Acordei com uma vontade súbita de fazer qualquer coisa diferente - e comprei uma flor, uma rosa!
Mesmo que chova, tenho que a levar – não a posso deixar murchar sozinha, abandonada numa sala triste, vazia de sentimentos e sem paixões!
Talvez enfie o pé dentro do livro,
o botão fora e
a leve bem junto do coração........
E lembrar-me de ti!

quarta-feira, 19 de abril de 2006

LEITURA EM DIA



Ontem, falei dos cheiros da casa, da nossa infância, impossíveis de esquecer e provavelmente nunca recuperados.
Hoje, falarei do cheiro dos livros – o que nem todos entendem e sei que os mais cépticos se riem!
Mas os amantes de livros sabem do que falo – até são capazes de encontrar de olhos fechados um determinado livro!
Com páginas amareladas, tão finas que ameaçam rasgarem-se a qualquer momento –sinal de que o livro foi lido e relido muitas vezes, se tornou uma preciosidade, uma relíquia, porque acompanhou a vida de uma ou mais pessoas, e foi amado.
Amado, sim, porque os livros amam-se;
simplesmente porque marcam uma época da nossa vida – ou porque estamos infelizes e encontramos na leitura um refúgio ou porque estamos apaixonados e aquele livro é um presente desejado.
Com certas partes sublinhadas a lápis, para chamar a atenção, ou para a beleza da frase ou a verdade do conteúdo.
Ou com as páginas ainda ásperas ao toque, a cheirarem a novo, a tinta, a capa colorida, cuidada e brilhante.
Qual será a história deste livro?
O que é que vai significar para as nossas vidas?
Isso é o segredo de cada um – pode ou não ser partilhado, conquistado ou escondido para sempre!

P.S.: O Quadro é de Van Gogh - achei apropriado!!

terça-feira, 18 de abril de 2006

CHEIROS DOCES



Para escrever, basta-me apenas uma palavra, uma frase ou uma noite bem dormida, recheada de magia e beleza que quero compartilhar com os outros.
Desta vez, foi o titulo de um livro que me chamou a atenção e fez com que eu analisasse cuidadosamente o que escondia.
"A Casa e o Cheiro dos Livros
" e eu dei por mim a lembrar-me de todos os cheiros que povoaram a casa dos meus Pais e vivem agora, apenas na minha memória.
Como é que eu posso esquecer
O cheiro da marmelada acabada de fazer, que eu comia à colher ainda a escorrer pelo prato?
Ou do café para preparar o recheio de uma certa torta enrolada?
Ou do pão torrado, sinal de que o lanche estava pronto?
Ou das batatas fritas e do bife mal passado?
Agora, não como nada disto; nem tenho prazer nisso – como a minha Mãe diz, "já não sabes comer".
Talvez sim; talvez não – talvez tenha que procurar alternativas, mas o importante é que nunca esquecerei aqueles cheiros agradáveis de doces e comida caseira, feita com muito carinho e alma!
P.S: O livro em questão é de Maria do Rosário Pedreira; é de poesia e encontram poemas da sua autoria no meu outro blog: COM AMOR (www.escrevercomamor.blogspot.com)

domingo, 16 de abril de 2006

PRESENTE DE PÁSCOA


Deixo aqui para os meus amigos um pequeno presente de Páscoa - um poema de Sophia de Mello Breyner:

OS AMIGOS - Livro “A Musa”

Voltar ali onde a verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta impetuosa
Juventude antiga –
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela-do- mar em minha mão

TODO O TEMPO DO MUNDO


Tenho todo o tempo do mundo” disse o meu Pai e a família seguiu-lhe o exemplo.
Estamos todos muito relaxados, como se efectivamente tivéssemos todo o tempo do mundo – que queremos deixar lá fora para que não perturbe a paz familiar.
Mas eu sinto-me irrequieta, o silêncio começa a oprimir-me e por isso, saio.
Faço como o meu Pai – vou ver se a “rua continua no mesmo sítio”.
A rua continua, sim no mesmo sítio; as pessoas não – desaparecem algumas, aparecem outras que modificam, dão outra vida, outro rosto à rua.
E aqui estou eu, na rua deserta à procura de algo que me diga que é efectivamente a rua da minha infância tranquila e cheia de regras.
É a rua da minha infância; eu apenas modifiquei as regras e vejo-a agora com outros olhos, com outra perspectiva.
Quando volto para casa, tenho um leve sorriso nos lábios e já não me sinto tão irrequieta!
Hoje, Domingo de Páscoa é um dia em que devemos fazer tudo por tudo para ter todo o tempo de mundo!

sábado, 15 de abril de 2006

ACORDAR COM CHUVA



A chuva acordou-me e pensei, por minutos ter sido o telemóvel a vibrar!
Pensei que me tivesses enviado um SMS, mas não havia nenhum envelope no écran!
Foi, realmente a chuva, que me
cumprimentou ruidosamente assim que abri a janela e o vento, talvez com ciúmes, pois só penso em ti, esbofeteou-me!
É quando chove que me lembro mais de ti!
Podíamos estar aqui, sentados no chão, perdidos num abraço sem fim, com beijos carinhosos à mistura, a falar ou em silêncio.
Porque nos conhecemos bem, porque temos gostos parecidos, completamo-nos e isso não sei se voltarei a sentir com mais alguém!

quinta-feira, 13 de abril de 2006

LÁ FORA



Lá fora, parece que o mundo parou.
De vez em quando passa um autocarro,
que quebra o marasmo da tarde!
Estou cansada; tenho coisas para fazer,
mas penso duas vezes
antes de começar a martelar as teclas do computador,
que teima em bloquear nos momentos cruciais.
Em que temos urgência em redigir o documento e enviá-lo para alguém
ou está pronto para impressão e perdemos a ligação!
Hoje, a sorte está do meu lado, mas o sol chama-me e desejo ardentemente estar lá em baixo em Santa Catarina, a ver o mundo passar...
Sem nada dizer, sem nada pensar – apenas sentir que estou num local:
que conheço bem...
que não me canso de fotografar...
onde tudo parece igual...
e o silêncio que se faz quando o relógio do C&A dá as horas............

DIAS ASSIM



Hoje já sou "Martinha" e "querida"?
Já te esqueceste do que me disseste ontem?
Bem não te entendo!
Esforço-me, mas não consigo!
Há dias em que se torna impossível falar contigo e fico magoada pela crueza do que dizes
e há dias em que me tratas assim,
como se eu fosse importante para ti!
Não vais mudar; daqui a um minuto, já te esqueceste da "Martinha" e perdeste-te nesse teu mundo que consideras perfeito, onde não há lugar para dúvidas, medos e hesitações.
Cansas-me com esse teu egoísmo, com esses modos de "menino grande" e convencido e egoísmo, desculpa-me a franqueza, basta-me o da minha Mãe.
De qualquer modo, "menino mau", desejo sinceramente que sejas feliz e...
Uma boa Páscoa!

quarta-feira, 12 de abril de 2006

RENOVAR CERTEZAS



Páscoa – adoro a Páscoa!
Gosto dos Coelhos e das pratas coloridas que embrulham os Ovos de Chocolate!
Gosto de comer folar e beber chá bem quente!
Gosto de estar parada em Santa Catarina com o vento a sussurar-me ao ouvido!
Entrar na Igreja, para rezar sozinha e em silêncio!

Descansar, iludir-nos que a Paz Mundial pode ser conquistada!
A
Páscoa !!!
O dia em que reflectimos,
renovamos as nossas certezas e paixões!
De que tu fazes parte!
Porque o teu lugar na minha história – ninguém to tira!

terça-feira, 11 de abril de 2006

ALIMENTAR OS SONHOS



Definitivamente, estamos na Primavera!
Com este sol, quem é que quer encafuar-se num ginásio e estar lá horas a suar em bica?
Bem fiz eu que só vou ao fim da tarde, no momento em que ele começa a viagem para o outro lado do mundo, deixando atrás de si a saudade e suspiros para que a noite termine depressa.
Mas para quê terminar depressa a noite?
Se nas noites de Primavera e de Verão há leveza, beleza, riqueza, perfumes e amores arrebatados!
Às vezes, é a luz do dia que põe fim aos sonhos desejados e abençoados pela noite, mas o que será a vida se não se alimentar de sonhos?

segunda-feira, 10 de abril de 2006

SEDUÇÃO



Hoje o dia está lindo
por enquanto, o sol está quieto a deixar que a brisa o provoque, mas tudo leva a crer que, brevemente vai esticar os raios
e atingir-nos em toda a sua amplitude.
Eu vou deliciar-me com as suas carícias;
até trouxe uma roupa mais leve, mais clara e se chamei a atenção de alguém,
se há algum piropo a desenhar-se na expressão do olhar, pois que o digam em voz alta – eu vou sorrir por inteiro!
Dos olhos ao andar,
com passos certos e rápidos
da saia que dança, até às mãos que ganham vida própria
Sinto-me com asas, pronta a voar até à tua janela – será que abres e me deixas entrar?
Será que me deixas seduzir-te?

Seduzir-te apenas e entregar-me completamente à tua sedução, amando-te cada vez mais!

domingo, 9 de abril de 2006

REDIMIR OU NÃO


Se há coisa que eu aprendi nesta minha viagem pela galáxia foi que o tempo não é ilusão e cada minuto do meu tempo foi conquistado.

Milímetro por milímetro; tempo que eu não sabia como controlar, pois sempre vivi de tempo emprestado, do tempo dos outros.

É por isso que cada minuto se torna precioso e perder tempo a pensar na vida vazia de quem não sabe o que fazer com o dele é deixar que o meu se evapore!

Reli vezes sem conta a frase da Audrey Hepburn:

As pessoas, mais que as coisas, devem ser resgatadas, redimidas, consoladas.”
e sei que isso é possível, porque eu própria fui resgatada e consolada.

E hoje, só Deus sabe porquê,
estranhamente acordei com a sensação de que tu continuas a cuidar de mim.

Mesmo sem haver já um envolvimento romântico!
Talvez porque aceitei,
porque voltei a controlar o meu tempo,
estou novamente a “varrer” os meus pesadelos
e o meu pânico e “agarrei” novos projectos!

Se isto não é "redimir-me", não sei o que será!

sábado, 8 de abril de 2006

À FALTA DE MELHOR

Que coisa feia!
Inventar histórias, distorcer a verdade e tentar magoar a pessoa – diz muito sobre ti, não diz?
Fico parada, incapaz de acreditar no que estou a ouvir e penso se a tua vida é assim tão vazia para que tentes minar a dos outros?
Porque é que não vais até lá baixo à Praça do Cubo na Ribeira e não fazes o circuito das 6 Pontes?
Até podes sair no cais em Gaia, atravessar a rua e fazes uma visita guiada pelas Caves!
Pena não se poder atravessar o tabuleiro inferior da Ponte D Luís e usufruir do sol a bater insistentemente nas costas, do barulho ensurdecedor do motor dos barcos e do cheiro característico do rio, que segue o seu curso lenta, calmamente, sem qualquer preocupação.
E, quando chegares a esta margem, porque é que não te sentas numa esplanada na Praça do Cubo (nem sequer deves saber onde é!!) e observas o percurso que o sol faz quando a lua se aproxima?
Enriqueces o teu tempo em vez de tentares perturbar a paz dos outros, com provocações e idiotices!

sexta-feira, 7 de abril de 2006

MIMAR O CORAÇÃO



Vamos terminar a semana de uma maneira agradável e pensar em coisas que façam vibrar o coração?
Esquecer a chuva e pensar no sol!
Esquecer a angústia que é ter desfeito as ilusões e saber que, afinal o nosso amor não é assim tão perfeito como queríamos e concentrar-nos num passeio sossegado à beira rio?
Ver quem passa?
Ou simplesmente abrir o nosso livro e deixar que as intrigas, mais ou menos credíveis guiem os nossos passos?
Ou comparar os preços das várias agências para subirmos o rio até ao Pinhão e à Régua?
Conhecer as vinhas, entrar no santuário das caves e segurar o copo de Vinho do Porto contra a luz, apreciando a cor?
Mimar-nos, enfim, deixar que o coração domine, que o sangue circule livremente e o amor nos volte a conquistar.
Sobretudo isso!

quinta-feira, 6 de abril de 2006

NA INVICTA



Ontem, fomos severamente punidos
pelo desvario de 2ª Feira,
pela nossa alegria em ver finalmente o sol.
Ah, que alívio foi pensar que se podia arrumar (finalmente) as camisolas grossas e vestir os rosas claros e o branco,
enfim, cores frescas e diferentes
e principalmente,
com a máquina fotográfica em punho fotografar os fins de tarde cheios de esplendor desta cidade, que amamos inexplicavelmente.
Fica linda, poderosa ao fim da tarde a cidade;
nunca nos cansamos de fotografar
sempre os mesmos locais, porque
encontramos sempre qualquer coisa diferente,
com luzes esbatidas, discretas,
transbordantes de alegria e de orgulho.
E tudo isto desapareceu com as bátegas fortes, persistentes
e esmagadoras que rebentaram lá por detrás daquelas nuvens negras,
e em questão de segundos, crucificaram a cidade.
Ficou tudo descontrolado,
as caras voltaram a fechar-se,
foi-se buscar novamente os anoraks
e os guarda-chuvas,
as botas e os planos de ir às compras no fim de semana ficaram adiados.
Exactamente isso
– apenas adiados,
porque esta chuva vai ser vencida,
ou não fossemos nós a Invicta!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

CAMINHO DE CASA



Uma vez, eu escrevi que "nunca nos esquecemos do caminho de casa, haja o que houver".
Casa que,
ou porque decidimos que está na altura de termos o nosso próprio canto,
ou porque casamos e vamos constituir a nossa própria família
ou simplesmente porque queremos viajar ou trabalhar fora, deixamos para trás.
Também porque há conflitos no seio da família que não conseguimos resolver e a única resposta será a nossa saída.
Tudo depende da maneira como encaramos a vida e talvez achem que eu não saí de casa por medo, por cobardia!
Pode ter sido por todas essas razões,
mas a principal foi a falta de dinheiro
e neste momento,
deixar duas pessoas idosas, cujas capacidades diminuem de dia para dia, entregues a si próprias seria de uma crueldade extrema!
Estruturei a minha vida doutra maneira,
investi em interesses que também posso desenvolver em casa
e "eduquei" os meus Pais a respeitarem o meu tempo livre.
Às vezes, desespero-me, mas esta semana vai ser mais fácil, porque a mana Cristina, a mais sociável e divertida das 3, resolveu vir até cá.
Toda cheia de "nove horas", lá porque vive na capital.

Será que se esqueceu que veio para a cidade que é, em si, uma "nação"?
Claro que não – está em casa, não está?

Na casa onde cresceu, com as pessoas que a amam incondicionalmente e que a defenderão até à morte, se tal for necessário.
Tenho razão naquilo que digo - "nunca nos esquecemos do caminho de casa, haja o que houver".

terça-feira, 4 de abril de 2006

ILUSÕES OU NÃO?


Encontrei um poema que fala de "abandono":

"Meu amor, meu amor, porque foi que viemos
a nos abandonarmos um ao outro;
como é que eu e tu deixámos que entre nós
se interpusesse esta aparência de abandono?
"
Nuno Bragança, Directa

e não sei porquê, acho que se adapta à nós.
Não talvez no sentido de que o poeta fala,
mas porque "abandonamos" depressa demais a arena da paixão!
Deixamos que o mundo exterior falasse alto demais
!
Ontem, tomei coragem e enviei-te um SMS.
Fui contra todos os conselhos,
ignorei a mensagem oculta no teu silêncio
e desejei ardentemente uma resposta.
Que veio!
Simples, cortês
e que me fez, por instantes perder o equilíbrio das coisas!
Apenas por instantes,
porque depois de agradeceres,
ergueste novamente o muro,
voltaste a condenar-me à "prisão",
fugiste outra vez ao meu pedido mudo de explicações.
E, eu voltei à estaca zero,
estou novamente confusa
- não sei se te devo contactar novamente,
não vás tu interpretar mal
e apagares definitivamente as pistas.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

FALAR DE PAIXÃO

Quando falo de "paixão", digo geralmente que "ultrapassa os sentidos" e digo-o porque é assim que a concebo.

Não há palavras que possam descrever as sensações contraditórias e, ao mesmo tempo doces, que fervilham, sem qualquer explicação no sangue!

Em que a cabeça é projectada para a lua e afasta-nos da razão,

porque paixão é isso – perder a noção de tudo;

do certo, do errado,


do duvidoso,

do misterioso,

do simples e do complicado;

o coração parece ter invadido cada pedacinho da nossa pele, dos nossos ossos, expondo tudo!

Faz-nos sentir nuas, loucas, exuberantes!

Talvez seja por isso que, quando tudo se desfaz, a queda seja rápida e dolorosa ;

talvez seja por isso que haja pessoas que dizem que estamos apenas a viver uma fantasia; que a paixão não existe!

A paixão não existe, sim mas é para elas que nunca a experimentaram!

Fantasia ou não – viver com paixão é enfrentar a vida, é enriquece-la, é vibrar com ela!

Mesmo que haja lágrimas – mas nem tudo pode ser doce, pois não?
Não saberia ao mesmo, pois não?

MOMENTO SÓ DELES



"Quando o nosso amor desperta, o sol se desespera
e se esconde lá na serra....."

Madalena – versão cantada pela Elis Regina

Claro que há outras versões, talvez com uma sonoridade diferente, cantadas com um outro "feeling", mas eu prefiro esta.
A voz de Elis Regina tinha qualquer coisa de misterioso e despertava a nossa imaginação.
Se fechar os olhos, até posso imaginar o porquê do sol se esconderestá zangado, roído de inveja, por não ser o centro de atenções daquele par que sorri e está completamente abandonado à paixão que ultrapassa os sentidos.
O sol sente-se ofuscado e procura na serra um lugar de destaque, onde as flores, os pássaros brincam às escondidas com a sombra.
Onde a água pulsa de vida e estende o rosto aos raios daquele sol, que, apaziguado, relaxa e se instala com dignidade no seu posto, na sua cadeira de rei.
Quanto a Madalena e ao seu par – nem sequer deram conta que o sol se foi embora e que ameaça chover.
Vivem um momento que é só deles; como eu já vivi e pelo qual ainda suspiro!

sábado, 1 de abril de 2006

O SOM DA TUA VOZ

Hoje, resolvi dar um passeio com as nuvens!
Flutuar, pairar no espaço,
procurar novos planetas,
descobrir novas teorias!
Hoje é o dia em que só escuto a minha voz,
em que repenso as teorias dos outros
e refaço a minha!
No espelho, só vi o meu reflexo;
já não estás lá ;
já nem me consigo lembrar
se os teus olhos eram castanhos ou azuis!
Apenas ouço a tua voz......
Carinhosa.....
Envolvente.......
Quente..........................
Inesquecível......................