O porteiro não acha nada estranho o Afonso pedir-lhe para abrir a porta.
Aliás, o Senhor Engenheiro foi bem claro: sempre que os meus filhos aparecerem e eu não estiver cá, deixe-os entrar.
O Afonso entra, larga a mochila e o anorak no hall e visita a cozinha.
Vai a passar no corredor que vai para os quartos quando ouve vozes.
O Pai está em casa? Não o ouviu entrar?
Bate à porta, entra sem esperar resposta e vê o Pai na cama abraçado à Tia Eugénia, mulher do tio Romeu.
Afonso fica estupefacto, a Tia Eugénia solta um grito e tapa-se e o Pai diz, zangado:
" O que fazes aqui a esta hora? Porque é que não telefonaste para saberes se podias ou não vir? "
Afonso não responde, foge do quarto, derruba o tabuleiro que tinha preparado e, arrastando a mochila e o anorak, saí.
Desce as escadas rapidamente, passa pelo porteiro que o tenta, sem sucesso deter e está na rua.
Está tão nervoso que perde o sentido de orientação e quando dá por si, não sabe onde está.
Tenta acalmar-se, dirige a uma paragem para se orientar.
Ora, bolas, está a ir para Sul e a casa da Mãe e o colégio ficam para Norte.
Estuda o percurso de um autocarro e talvez este sirva. Pode sair no Parque, dali já sabe como ir para casa.
O telemóvel toca, mas Afonso ignora-o.
Ou é o Pai ou a Mãe e ele já sabe que vai ouvir um grande sermão.
CONTINUA