quinta-feira, 28 de maio de 2015

CEGO



O amor é cego e matou-me.
Naquele ano, naquele dia, naquela hora...
Quando finalmente te confrontei e percebi que nunca gostaste de mim.
Fui apenas um joguete nas tuas mãos, um meio para atingir um fim e todas as palavras que me disseste eram falsas.
Estou destroçada... Sinto-me humilhada...
Mas é a fúria que me corrompe a alma que me assusta verdadeiramente...
Porque agora eu grito... Bem alto e só pergunto: Onde errei?
Ter acreditado em todas as histórias que me contaste e que agora sei que são mentiras?
Ou porque ignorei a voz dos outros, afastei-os do meu caminho para me dedicar a ti?
Sinto vergonha de mim... Das palavras ofensivas com que destruí as amizades de outrora... Da solidão que enche a minha vida...
Por minha culpa... Porque te quis amar por completo... Porque o amor tem que ser assim...
Mas nunca pensei que alguém pudesse ser tão egoísta, que só se amasse a si próprio e que maltratasse tanto os outros.
Vejo as horas que perdi à tua espera, as horas que não vivi por mim...
Os amigos de quem me afastei e que não me conhecem... Tratam-me como se fosse uma estranha....
E não sei o que fazer... O que dizer...
Porque fui cega por amor e deixei que me matasse...
Enquanto que tu continuas por aí, vaidoso e egoísta...

TEMA PROPOSTO "QUANDO O AMOR É CEGO" - ESTA É A MINHA RESPOSTA




segunda-feira, 25 de maio de 2015

COM PAIXÃO




Se eu pudesse...
Se eu soubesse como...
Escreveria o teu nome na Lua
Nessa Lua Cheia,
alegre e provocadora
Que seduz o teu corpo
Todas as noites,
com paixão...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O HOJE




Hoje... 
Quantas vezes escrevi “hoje”?
E o “hoje” de hoje é diferente, porquê?
Porque me lembrei da minha Mãe e a saudade... 
A saudade sufocou-me...

Em memória da minha Mãe

26.02.1924 - 23.05.2010

terça-feira, 19 de maio de 2015

HISTÓRIAS SOBRE A NOITE




Ah, a noite...
O que esconde a noite?
Ela é insinuante, intensa...
Sedutora, exótica...
Ou simplesmente erótica?

Ah, a noite...
Onde me refugio...
Para pensar em ti e amar-te
nos gestos e nos olhares...
Para os quais nunca encontrarei palavras...

Porque a noite é mágica...
E não há nada que explique a magia...


sábado, 16 de maio de 2015

DISCURSOS DA CHUVA



Hoje é uma noite de chuva
E não tenho um poema para escrever
Pois continuo sem ter palavras,
palavras brilhantes que falem do tempo,
que pensem em ti...
Num discurso sobre o meu desejo,
a minha paixão pela vida...

Mas para quê falar em memórias,
em memórias gloriosas
que se confundem agora com lamentos?
Para quê falar em paixão,
essa paixão que acorda os sentidos
e os insinua em ti?

Hoje é uma noite de chuva...
E eu não sei o que fazer ou sentir...
Estou parada na estrada da vida...
Não sei o que espero...
Se espero por palavras

Ou simplesmente por mim...

POEMA PUBLICADO NA COLECTÂNEA "POEMA-ME" APRESENTADA HOJE AO PÚBLICO EM LISBOA

terça-feira, 12 de maio de 2015

DEIXAR




Esta noite....
Deixo as luzes acesas e enfrento o espelho...
Não escondo nem as rugas nem as brancas... Nem o cansaço do olhar...
Apenas me escondo do Mundo... Nesta noite, neste quarto...
Onde deixo que me amem...


sábado, 9 de maio de 2015

OS VAMPIROS - EXCERTO



“ Quero uma história sobre vampiros!” pede o Vasco, aos gritos
A Vera empurra o irmão para o lado e diz: “ Não, avô. Não lhe dê ouvidos; ele só gosta de sangue e de facas. Eu quero uma história sobre princesas.”
Outra vez?” protesta o Vasco “ Hoje é a minha vez de pedir uma história e eu quero uma sobre vampiros!” e o avô Manuel sorri aos dois meninos.
E, se eu contar uma história com vampiros e com princesas? ” sugere e o Vasco fica muito satisfeito. Deita a língua de fora à irmã, como quem diz “estás a ver como vou ter os meus vampiros?” e senta-se aos pés do avô.
O avô Manuel pensa um bocado antes de começar. Contar uma história sobre vampiros e princesas era a única maneira de os manter quietos; se fizesse a vontade à Vera, o Vasco ia interromper vezes sem conta a história e iam acabar todos por ficarem muito irritados.
Esta é a história do Jaime, um jovem vampiro que vivia numa floresta muito densa, onde não entrava a luz do Sol. Porque os vampiros morrem quando expostos à luz do Sol e escolhiam sítios como esta floresta para viverem.
A verdade é que o Jaime estava aborrecido, cansado de cavalgar num local tão sombrio, do cheiro das velas, de se vestir sempre de preto...Enfim, de ser igual a toda a gente que morava no castelo.

Queria saber como era cavalgar num sítio cheio de luz e de verde.Como eram as outras pessoas, o que vestiam e o que comiam.

Excerto do meu conto infantil "Os Vampiros" 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

SIMPLESMENTE




Esta noite, perdoa-me...
Se não respondo ao teu sorriso... Ao teu beijo...
Se me refugio no silêncio e não digo nada...
Não sei se sinto culpa... Se tenho pena de mim...
Sei que devo enfrentar todos esses medos... mas hoje...simplesmente...
não quero pensar nisso...


OBRIGADA





Como sabem, participo na Colectânea "POEMA-ME" que será lançada em Lisboa no próximo dia 16 de Maio.

Por motivos vários, não estarei presente no lançamento, mas gostaria de compartilhar com todos o prazer que é ter mais um dos meus poemas publicados.

Obrigada

sábado, 2 de maio de 2015

O SAPO CANTOR


Esta é a história de um sapo vaidoso que queria ser cantor de ópera.
Apresentou-se em público certo dia e cantou tão mal que toda a gente se foi embora.
Desapontado, entra num bar e eis o que acontece:

"
Desanimado, entrou num café e esteve quase para voltar para trás, tão alta estava a música. Mas não era só a música, pois o café estava cheio de gente bem disposta, que acompanhava o refrão da canção. O sapo vaidoso avançou por entre a multidão e viu que, ao fundo da sala, havia um palco, um microfone e uma grande tela onde apareciam palavras. “O que é isto?” perguntou o vaidoso ao sapo mais próximo. Este olhou-o como se ele fosse doutro planeta e respondeu: “É karaokê! Não sabes o que é karaokê?” e o vaidoso sorriu apenas para que o outro não percebesse que ele realmente não sabia o que era.
A música acabou e houve um grande aplauso quando um sapo com um fato branco e uma cabeleireira vermelha subiu ao palco. Na tela, apareceu o nome da canção e depois, a letra. O sapo fantasiado agarrou no microfone, fez uns passos de dança que puseram toda a gente a rir e começou a cantar.
Em breve, toda a gente cantava e dançava e o sapo vaidoso deu por si a participar activamente.”Isto é divertido!” pensou e cansado, foi até ao bar. Sentou-se, pediu uma cerveja e quando lha serviu, o empregado perguntou-lhe: “Então, não vai arriscar?”. “Eu? Não tenho jeito!” afirmou o vaidoso, mas o empregado abanou a cabeça e disse: “Tente! Escolha uma canção fácil e siga em frente!” e gritou bem alto “Este Senhor é o próximo!”
Houve logo aplausos, sapos a gritarem nomes de canções, mas o vaidoso resolveu cantar uma canção rock que ouvia muitas vezes na rádio. Em cima do palco, com o holofote em cima dele, o sapo deu um grito, tal como o cantor original e, satisfeito com a resposta do público, continuou.
A voz saiu-lhe calma, segura e cada vez mais confiante, o sapo vaidoso até dançou, acompanhado por uma multidão divertida.
Quando terminou, estava feliz. Já nem se lembrava do que tinha acontecido antes e festejou o resto da noite com os novos amigos.

"
Excerto do meu conto infantil "O Sapo Cantor"