quinta-feira, 29 de abril de 2010

TÃO ORIGINAL






Posso ter imaginado,


- como poderei ter a certeza


se estava já tonta de sono ? -


mas acho que adormeci com a tua voz


a segredar-me qualquer coisa.


Suspirei,


balbuciei


e tu inclinaste


para me ouvires melhor?


Ou estavas a acariciar-me o cabelo e


descobriste esse bocadinho


de pele por detrás da orelha?


Misterioso, escondido, esquecido...


e no entanto,


tão original....








Foto de Graça Loureiro " Feelin'Love" (Olhares)


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sexta-feira, 23 de abril de 2010

SONHOS E TESOUROS



Porque é que as palavras soam amargas e impacientes, não sei.


Permanecem em terra, embora o mar esteja aparentemente calmo.


Talvez seja por haver pouco vento e tenham medo de não chegarem intactas ao destino


Talvez seja eu o destino e não seja capaz de as pintar com as cores da aurora boreal
e o azul, que me está na mente, seja muito monótono.


Talvez os sonhos tenham fugido de mim, estejam agora enterrados na areia, à espera que, tal como numa caça ao tesouro, eu os abra ao mundo.

Já publicado no Facebook
Foto de Nuno de Sousa (obrigada, Nuno)
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domingo, 18 de abril de 2010

JOGOS DE MAGIA




Um dia,
escrevi que o
Vento não tinha sombra.
Como te encontrei nele,
um dia, não sei.
Ou não é a sombra do Vento,
mas a minha?
Guardada no teu cheiro.
Incolor, sem odor,
mas pura magia.
Pois só a magia
pode explicar
essa vontade em
me esqueceres,
essa ânsia em me
lembrares logo a seguir.
O cheiro a mel.
O sorriso tímido
e o rubor descabido.



Foto de Hugo Macedo,
"Nice & Smooth", (Olhares)


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quinta-feira, 15 de abril de 2010

SILÊNCIO









Diz-me tudo o que pensas
antes de sussurrares o meu nome
e de te perderes em mim.
Diz-me tudo o que sonhaste,
mesmo quando o tempo conspira
contra nós e o dia acaba sem me
teres em ti.
Conta-me tudo no silêncio,
no calor e no suor.
No prazer em que o corpo derrapa.
No êxtase em que tudo culmina.




Foto: Facebook (Desconheço o autor)
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

DESAFIO Á VERGONHA





Lê-me,
lê-me por completo.
Sou fácil de ler, quando me solto na brisa,
me mostro claramente ao Sol.
Quando enlaço a minha nudez na tua
e te sinto meu conspirador.
Quando as minhas mãos se cansam do silêncio
e te percorrem lentamente.
Ainda penso que sou louca por te seduzir
tão descaradamente,
mas tu desafias-me a vergonha
e eu fantasio-me na tua nudez



Foto de Graça Loureiro, "Almost in Heaven" (Olhares)
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domingo, 4 de abril de 2010

PAPEL PRINCIPAL


Tentei escrever qualquer coisa diferente.
E, quando tudo falhou, tentei escrever sobre a chuva.
Porque está uma noite de chuva e estou sozinha.
Neste palco, só existo eu, a luz do candeeiro e a chuva, que disseram, desaparecia esta noite.
Entreteria outra gente noutro local que não a minha janela.
Chamei-lhe, uma vez impiedosa; noutra, agradeci-lhe por ter ocultado as minhas lágrimas.
Hoje não sei o que lhe chamaria ou o que lhe agradeceria.
Hoje, estou cansada e doente e nem de ti quero falar.
Por isso, hoje vou fechar a luz mais cedo e se a chuva resmungar, deixa.
Nem sempre temos o papel principal.
Foto de José Ramos, "À procura de almas" (Olhares)
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