terça-feira, 29 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE IV


Foi para evitar este tipo de preocupações que mudei legalmente de nome e tentei construir uma carreira à margem das ilegalidades.

Tento concentrar-me no projecto que tenho que entregar até ao fim da semana. Não é fácil, mas a complexidade do trabalho exige toda a minha atenção e em breve esqueço a visita do meu irmão.

Pago a multa, prometo solenemente não lhe emprestar o carro novamente e sigo com a minha vida.

Estou no meio de uma reunião importante quando o telemóvel toca. Não atendo, mas a pessoa insiste e o ambiente fica desconfortável.

" Talvez se possa fazer uma pausa para um café?  10 minutos?" sugere a minha assistente e levanta-se.

Os outros imitam-na e fico sozinha na sala. O telemóvel toca mais uma vez e pergunto irritada:

" O que se passa?" e sou imediatamente repreendida pela minha Mãe.

" Não estás a falar com um dos teus empregados, Maria Teresa!" recusa-se a chamar-me Zélia. 

" O teu nome é Maria Teresa; fui eu quem o escolheu e serás sempre a minha filha Teresa." repete todas as vezes que lhe peço para não o fazer.

" Tens notícias do teu irmão?" pergunta.

" Não, não sei nada dele. Sei que se ausentou, mas mais nada!" respondo " Porquê? O que se passa?"

(CONTINUA)



sábado, 26 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE III


" Tens que pagar a multa, não é? " diz, hesitante, o Machado " Eu tenho que " desaparecer" por uns dias..."

" Desaparecer??? Porquê?" pergunto, mas é realmente melhor não saber os pormenores. Por isso, não insisto.

O meu irmão levanta-se e recomenda: " Disse à Mãe que ia para o estrangeiro e que não tinha data para voltar. Está aqui o número onde me podes contactar, mas não lho dês!"

Olho-o fixamente, penso em fazer mais perguntas, mas parece que o Machado me lê o pensamento, pois abana a cabeça e saí.

O telefone toca, mas eu não atendo. Agora, estou preocupada.

O que terá feito para ter que "desaparecer" por uns dias? E não dar o número à Mãe?

Decerto é suspeito numa investigação qualquer e não quer que interroguem a Mãe.

" Bolas! Porque é que não fazes nada direito, pá?" grito para o ar.

(CONTINUA)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

ZÉLIA - PARTE II


" OH, T...." diz alto

" Cala-te, imbecil e fecha a porta!" ordeno e quando ele se senta na poltrona em frente da secretária, sussurro, irritada:" Não sabes que aqui o meu nome é Zélia e ninguém sabe que és meu irmão?"

O Machado acena afirmativamente e mais calma, pergunto:

" O que se passa? Diz lá..." e o meu irmão tira um papel do bolso que me entrega solenemente.

" O que é isto? Uma multa e com o meu carro???" e como o Machado não responde, peço uma explicação detalhada.

O meu irmão acende um cigarro, sem pedir licença e demora uns minutos a explicar-se.

" Pois, levei a Mãe ao médico e como estava demorado, fui levantar um "pacote"..."

" Imbecil!" repito " Foste com o meu carro tratar dos teus negócios "escuros"? Sabes quanto tempo levei até chegar aqui?" mas o Machado apenas sorri.

Tenho vontade de o esbofetear... Não o entendo; já desisti de o entender e não sei quantas vezes mais jurei que não o ajudaria...

" E agora?... Não te faças de engraçado e diz o que queres!" exijo.

(CONTINUA)


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

ZÉLIA


Porquê Zélia e não o meu nome de baptismo?

Zélia é mais exótico, mais enigmático... Perfeito para o negócio...

Sei muito bem que, nas minhas costas, chamam-me " A Maldita", porque sou inflexível, exigente.  

Mas cumpro sempre os prazos, os termos discutidos e tenho o respeito de todos.

Se tenho um lado negro... não falo muito nisso... Desde que não interfira na vida profissional... não há razões para o expor...

Até àquele dia em que o Machado entra, armado em dandy, no meu gabinete.

(CONTINUA)


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - FIM


" Tem a certeza que a matrícula é esta, chefe?" questiona o Bernardes.

" Absoluta! Porquê? O que se passa?" pergunta o inspector.

" Não me é estranha. Onde é que vi isso?" comenta o sargento " Ah, bem sabia que a tinha visto! Segundo o relatório do Torcato, o carro com essa matrícula pertence ao consórcio que estamos a investigar. É utilizado pelos ditos membros da Administração. Isto é interessante...." e Leandro ouve papéis a serem mexidos e alguma coisa a cair ao chão.

" Então?" diz o inspector, impaciente.

" A presidente do tal consórcio é uma mulher. Chama-se Zélia, Zélia Soutelo, mais conhecida pela " Maldita"." informa o Bernardes " Está-me a ouvir, chefe?" insiste quando o Leandro não responde.

Mas Leandro não pode responder. Na porta da sala, completamente vestida e com uma arma na mão, aparece a mulher que lhe enche os sonhos.

" É melhor desligar, Inspector." pede com um sorriso agradável. " Temos muito que conversar."


FIM

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE V


Quando volta para o apartamento, tenta ligar para o Bernardes.

Mas dá sinal de interrompido e Leandro considera telefonar para o Torcato.

" Não, é melhor que seja o Bernardes. Melhor não alarmar a equipa para já!" diz em voz alto.

Tocam à porta e o inspector abre.  

É a Zélia. Está deslumbrante com o cabelo preto apanhado e um vestido branco solto que escorrega rapidamente pelo corpo no calor do beijo que trocam.

Zélia fecha os olhos, deliciada e Leandro beija-a novamente.

Pega-lhe na mão para a levar para o quarto, mas o telemóvel toca nesse momento.

O inspector suspira e desculpa-se:

" Tenho que atender; pode ser o Bernardes!"

" Não tem importância! Desde que não te peçam para ires...." e, apanhando o vestido do chão, desaparece no corredor.

Leandro espera uns segundo e quando atende, é ríspido.  

" Bem sei que lhe pedi para me ligar, Bernardes, mas podia ter demorado mais um bocado."

" Oh, chefe, desculpe. Estive a confirmar umas dicas e ia agora escrever o relatório. Vi que me tentou ligar. O que se passa?" justifica-se o sargento.

Leandro respira fundo e relata tudo o que se passou naquela manhã.

(CONTINUA)  
 





domingo, 13 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE IV


Mas, volvidos dois meses, Leandro já tinha encontrado o equilíbrio entre a vida profissional e amorosa,

Está feliz, mais relaxado e não é de admirar o sorriso radiante quando atende o telefonema da Zélia naquele domingo.

" O que faço? Estou um mandrião; ainda nem tomei banho!" confessa " Encontramo-nos para almoçar?... Cá em casa? Mas não tenho nada...." protesta.

Zélia ri-se e propõe: " Vamos fazer um almoço tipo piquenique.... Há uma loja gourmet aqui perto; não te preocupes.  Eu levo, mas tu tratas do vinho. E tem que ser bom!" remata.

Leandro ri-se e desligam poucos minutos depois.

O inspector dá um jeito à sala, limpa a cozinha e depois de um chuveiro, apressa-se a sair.

Parado à porta do prédio, está um carro preto.  Leandro acha estranho, pois a rua está deserta, tanto de pessoas como de carros, mas expulsa o assunto da mente.

Mas alguém põe o motor a funcionar e uns segundos mais tarde, Leandro ouve o carro a deslizar.

Continua a andar lentamente e decide parar em frente do quiosque. 

O carro passa por ele e estaciona uns metros à frente.

Leandro tem quase a certeza de que está a ser seguido. Por quem e porquê?

" Estás a seguir-me, malandro?" e hesita em o confrontar ou fingir que não percebeu.

Opta por ignorar, mas memoriza a marca, o modelo, a cor do carro e num golpe de sorte, consegue anotar a matrícula.

(CONTINUA)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE III


O jantar tinha sido um sucesso.

Ela escolheu um restaurante discreto e demonstrou ser uma mulher afável,inteligente, culta, qualidades que o Leandro muito apreciava.

No sábado seguinte, foram passar o dia fora e no domingo, ao cinema.

Jantar uma ou duas vezes por semana tornou-se um hábito e quando ela sugeriu passarem um fim de semana num Hotel, Leandro anuiu.

Mostrou-se um pouco nervoso e confessou-lhe que há muito tempo que não estava com uma mulher.

Ela riu-se e perguntou, brincalhona: " Refere-se a sexo?".  

Leandro riu-se também e correspondeu ao beijo que ela lhe exigiu.

Naquela segunda feira, Leandro estava nas nuvens e entrou tão sorridente no gabinete que o Bernardes não se conteve e comentou:

" O Chefe teve companhia este fim de semana. E ela deve ser...."

" Não interessa se tive ou não companhia, Bernardes!" interrompeu o inspector " O relatório que lhe pedi? Já devia estar na minha mesa..."

Com um " Desculpe, chefe" , Bernardes saiu do gabinete, mas numa pausa, ele e o Torcato discutiram intensamente o affair do chefe.

" Ainda bem! Há tanto tempo que não tem ninguém!" disse o detective.

" Está mais acessível, mais brincalhão!" referiu o Bernardes " Até deixou de usar aquelas camisas aborrecidas."

Entretanto, Leandro tentava concentrar-se no caso, mas o pensamento fugia-lhe para o corpo quente da mulher com quem tinha passado o fim de semana.

(CONTINUA)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A PAIXÃO DE LEANDRO - PARTE II


Tinham-se conhecido no hall do Tribunal.

Ela parecia perdida, indefesa e quando lhe perguntou onde era a Secção VI numa voz baixa e doce, Leandro não se limitou a apontar o caminho; acompanhou-a até lá.

Ela agradeceu-lhe com um sorriso aberto e um olhar tão sexy que Leandro ficou sem respirar uns segundos.

Não pensou mais no assunto até receber uma planta e um cartão que dizia simplesmente:

" Obrigada pela ajuda.Telefone-me. 
91xxxxxxx
Zélia "

O Bernardes e o Torcato gozaram quando o viram com a planta, mas Leandro ignorou-os, pois não se lembrava de ter dado um cartão de visitas a uma mulher com aquele nome. 

Mas ficou curioso e para grande desilusão do Bernardes e do Torcato, fechou a porta do gabinete e marcou o número.

Quando ela respondeu, o inspector reconheceu aquela voz baixa e doce e sem saber bem como, convidou-a para jantar naquela noite.

Quando desligou, Leandro, divorciado e sem uma amiga especial há tanto tempo, deu por si a assobiar baixinho.

" Oh, Chefe, encontramo-nos aqui às 08h00? " perguntou o Bernardes, mas Leandro olhou para ele tão sério que o sargento não se atreveu a dizer mais nada.

(CONTINUA)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A PAIXÃO DO INSPECTOR


Alguém descuida-se e a porta do prédio bate com força.  

Leandro acorda sobressaltado e olha para o relógio.

" Bolas! São 08 horas e é domingo!" resmunga, mas está Sol e as pessoas querem aproveitar o dia na praia.

Resignado, levanta-se e decide tomar o pequeno almoço na varanda.  Hoje, não quer ler o jornal; está deprimido demais. 

A investigação está num impasse; há novas pistas, mas Leandro acha que o resultado vai ser o mesmo.

Zero! Suspira, contrariado e está quase a telefonar ao Sargento Bernardes para lhe pedir que confirme uns dados quando o telemóvel toca.

" Estou?" e ao reconhecer a voz, sorri como um adolescente.

(CONTINUA)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ANTÓNIO SEDUZIDO - O FIM


E, no poema que escreva, fala sobre as palavras.... As palavras que o seduziram...

A voz que começa a escutar... Mesmo quando resolve uma equação...

Ou explica um gráfico...

Talvez agora não tenha tão certeza do que o Mundo lhe quer revelar, diz...

Confessa-se admirado por ter dúvidas... Põe a alma a nu...

Quando se senta, um pouco envergonhado, nada o prepara para a salva de palmas que enche a sala.

O Afonso grita: " Eh, pá! Quem diria que escreverias um poema tão forte?"

Mas António só olha para a professora e esta sorri...

Como se nunca tivesse duvidado de que ele conseguiria escrever um poema...

António ainda pensa em dizer uma piada... 

Mas agora que as palavras são tão preciosas... seria perdê-las novamente.... 


FIM

 
P.S.: Aceito sugestões para o próximo conto...

A frase poderá ser a habitual: " Era uma vez...."