sexta-feira, 26 de setembro de 2014

APAIXONADAMENTE


Meu amor,
Não sei se isto é uma carta de amor.
Aquela que nunca escrevi, porque te amei apaixonadamente.
Tão forte que até doía só de pensar em ti.
Hoje escrevo-a para me lembrar de ti.
Agora que te despediste de mim e de tudo o que fizemos juntos.
Acordo vazia; arrasto o corpo e os pés pelo tempo e penso sempre que estás no jardim e, a qualquer momento, vais entrar para beber um café.
Continuo a fazer os teus queques preferidos que ofereço ao rapaz que trata agora do jardim.
Às vezes, ele sugere plantar coisas diferentes, mas eu não deixo.
Ele abana a cabeça; deve pensar que estou maluca, senil, mas tu querias o jardim assim e se o mudasse agora, perdia-te.
A sala também está igual. Nem arrumei na estante o livro que estavas a ler e sei bem que não o vou ler.
Como poderia? Ouviria sempre a tua voz a explicar-me os detalhes mais interessantes do enredo...
Mas a loucura maior talvez tenha sido deixar o cão apropriar-se da tua poltrona. Não tenho coragem de o enxotar; sentimos muito a tua falta...
Não era isto o que queria dizer... Queria falar-te de amor, de sentidos à flor da pele. De desejo a jorrar no corpo...
Nunca precisamos de palavras para dizer como éramos importantes um para o outro. Sabíamos pelo olhar, pelo toque, pelo beijo.
Por isso, amor, não posso escrever uma carta de amor, porque sei que sabes, não podes ter esquecido, que te amei e te continuarei a amar...
Apaixonadamente, amor.
E nunca te vou dizer adeus... exactamente por isso.


Luz

Resposta a um passatempo da Editora Pastelaria Studios 
(publicado no blog da editora)

sábado, 20 de setembro de 2014

SORRISO "EXCERTO DO MEU CONTO SOBRE CAFÉ E CHOCOLATE"


Breve introdução:
O desafio era escrever sobre Café e Chocolate.  Escrevi sobre alguém que:

"
Ok, até posso ser viciada em chocolate e café.
Até posso ter peso a mais e evitar olhar para o espelho para não me assustar com a silhueta.
Mas tens que concordar que a minha vida não é fácil e se bem que saiba que este não é o caminho correcto – comer para esquecer – o teu não é muito melhor.
Enquanto berras e dizes as maiores barbaridades, eu bebo um café. Cheiro-o, sorvo-o enquanto escuto as histórias dos outros. Há os faladores, sempre a contarem histórias inacreditáveis; outros são mais discretos, não se confessam, mas ouvem avidamente.
Naquele café, somos uma família e sentimos a falta uns dos outros. Porque a pausa para o café é sagrada – o mundo para, desaparece e a nossa vida é apenas nossa.
Mas como te vou convencer disso? Que tudo é possível e que eu sou a protagonista numa história em que decido o final. Poderá não ser o teu final, talvez não seja o meu, mas evado-me da agressividade que dizes não ter.
É mais fácil trincar um bombom e deixar que se derreta lentamente do que discutir contigo e perder a razão.
Misturo os sabores do café e do chocolate num bolo de prazer, numa aventura que ninguém compreende.
Porque acham que é um deperdício de sabores, de aromas. Mas é exactamente por causa dos sabores, dos aromas que tudo se torna mais intenso.
A minha cara parece uma lua cheia. Mas eu gosto de observar a Lua enquanto como um chocolate de leite.

De me enrolar numa manta, com um bom livro na mão e beber uma grande chávena de café com leite.
"
Nota: Este Conto está publicado na Colectânea Café & Chocolate (Pastelaria Studios)

sábado, 13 de setembro de 2014

"ANTÓNIO SEDUZIDO" (EXCERTO DO MEU CONTO SOBRE SEDUÇÃO)


Breve Introdução:

Um desafio na aula de Português: seduzir e como seduzir. Escrever um poema que seduza o leitor.
António está pouco à vontade com o tema, pois "escrever , “com floreados” como diz, não é realmente a sua área". Mas eis que....



"O poema é curto, simples e cheio de musicalidade. É isso que intriga o António e que faz com que o volte a ler. Pausadamente, saboreando cada uma das estrofes.
Fala de amor? Amor escondido no nevoeiro? Estará o autor a falar de um amor proibido, contrariado? Proibido por quem? E porquê?
António folheia o livro, procura um outro poema que responda às questões deste.
Mas os outros poemas apenas falam de memórias de outros dias. Alguns estão carregados de uma tal dor que até o magoam.
É um poeta triste, esconde a angústia no mar, confessa-se à Lua, encontra conforto nas sombras.
Está preso a um passado que não consegue esquecer e de que fala em palavras simples, humanas.
António procura outros livros do poeta; quer ler outros poemas, saber como ele fala da sedução.
O poema não fala em sedução, mas António apaixona-se.
Deixa que essas palavras tão simples, tão humanas, o seduzam, lhe inflamem os sentidos.
Fica confuso; a mente, sempre prática, analítica, não compreende as emoções que a percorrem.
António sente-se como se tivesse perdido o controlo sobre a vida, sobre todos os planos perfeitos que delineou e pergunta-se se não estará louco.
Lembra-se do que a professora disse na aula “..seduzir o corpo e a alma.” e compreende que seduzir é ver para além do horizonte, descobrir na banalidade das coisas a cor.
No poema que escreve, António confessa-se.
Como sempre desdenhou as palavras, nunca confiou nelas...
Nunca lhes deu voz, confundiu-as...Tornou-as secas, agrestes; não lhes abriu a alma...
E, agora?
Atravessa a linha do horizonte…
Calmamente…
Abrindo a porta ao mistério e reinventando-se.
Por entre as memórias da Lua e a lucidez do Mar.
"

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

LUA DE MARFIM



É com prazer que informo que participo 
nesta nova Colectânea 
organizada pela editora Lua de Marfim.

Caso desejem adquirir um exemplar,
podem contactar directamente
a editora para o e-mail:
antologias.luademarfim@gmail.com

 A Colectânea anterior, 
na qual também participei,
chama-se "Cartas"