terça-feira, 28 de setembro de 2004

TEMPOS ESQUECIDOS

Tarde quente, de fim de Verão!
Tarde esquecida em jogos, risos e corridas - própria de quem espera tudo da vida! De quem é criança e ainda não se apercebeu das armadilhas que a vida esconde e dos conselhos de quem, por maldade, diz "Eu bem que avisei!".
Talvez tenha avisado, mas é como Pascal diz "O coração, às vezes, tem razões que a própria razão desconhece". Eu sei que é verdade; faço muitas vezes essa pergunta a mim própria, mas não tenho resposta. Ou tenho medo de enfrentar aquela verdade, que sei que existe, que é palpável, mas tenho de magoar alguém que é muito importante para mim.
Talvez compreenda, porque nada tem a ver com os sentimentos que nos unem!
Penso simplesmente na criança que fui e desejo voltar àquelas tardes longas, prazenteiras, em que o mundo girava, apenas para os outros!!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

UM DIA ASSIM

Um dia perfeito??
Aquele em que se desliga tudo - o computador, a rádio, a televisão e mesmo o telemóvel!
Aquele em que nos esquecemos que, no dia seguinte voltaremos a enfrentar uma rotina, com a qual, às vezes, temos dificuldade em lidar!
Aquele dia em que parece que morremos para o mundo, mas nunca para nós próprios!
Instalamo-nos confortavelmente no nosso quarto ou no terraço, à sombra e abrimos um livro, naquele ponto chave da trama, onde o possível se torna o impossível e o impossível é possível!
Há muito que não tenho um dia assim!

sábado, 25 de setembro de 2004

A PINTURA DO CÉU

Ontem, o céu parecia uma pintura. Parecia que o pintor tinha acabado de preparar a tela e começado a cobri-la com a cor base. Escolheu um azul, tão translúcido que até feria os olhos e depois, lentamente, começou a esboçar as nuvens. Sem lugar certo, sem obedecer a um padrão – tal como é na realidade – formas surrealistas, prontas a fazer as delícias de quem gosta de contar histórias.
Esta nuvem – tão perto de mim; quase a podia tocar! - parecia uma mão, estendida. A outra, mais distante, parecia estar encolhida, como se tivesse medo de ser agredida. Aquela ali parecia estar a rir do ar zangado da outra.
Pena o calor opressivo, seco, que se concentrou ali me tenha obrigado a fugir e a procurar um sítio mais fresco.

PARTIDAS DOS SONHOS

Quem sabe onde foste esta noite depois de adormeceres?
Talvez tenhas ido jogar. Roleta, num casino!
Não nesses casinos, chiques, onde os homens estão de smoking e as mulheres competem umas com as outras, escolhendo os vestidos mais “in” dos costureiros da moda. Nesses casinos, no meio de grandes e bem cuidados jardins, onde há sempre um empregado, de bandeja na mão, pronto a trazer-te a tua bebida predilecta. Nesses casinos, onde todos te bajulam, e onde até há uma pequena orquestra, a tocar música ambiente.
Talvez tenhas ido a um casino clandestino, cheio de fumo e impregnado de cheiro de comida, acabadinha de fazer e que te está a abrir o apetite. Mas, quem sabe? lá ao longe, a polícia avança e alguém te puxe pelo braço e te leve dali para fora mesmo a tempo. Quando dás por ti, está num restaurante, a comer – tu que nem gostas de comer – e a rir-te da loucura a que escapaste.
Aí, acordas sobressaltado, porque parece que estiveste a reviver uma cena do último filme que viste.
Quem sabe? Talvez tenha sido o teu subconsciente a dar vazão ao que realmente gostas de fazer.
Quem sabe? Gostas de emoções fortes e tens medo de demonstrar aquilo que é tão teu!!!
Os sonhos pregam-nos cada partida!!! Não admira que acordes cansado!

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

HISTÓRIA PARA CRIANÇAS

"Havia uma menina que se chamava Ventania,
e tinha uma gata por companhia" - acho que é a frase perfeita para começar a escrever uma história para crianças.
Á moda antiga - com o Bem a triunfar sobre o mal. Talvez seja realmente antiquada, mas é como Lamartine diz:
"Admiramos o mundo através das coisas que amamos".
Quem pode esquecer as princesas, prisioneiras dum gigante, do castelo cheio de armadilhas, do jovem corajoso, a enfrentar dragões e casar com a princesa e ser feliz para sempre?
Ah, ainda hoje gosto de ler esses livros - pelo prazer que me dá.
Quanto à minha história, não sei se a devo continuar. Tenho medo de não ser capaz!!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2004

UMA CAMINHADA

"A vida é um caminho que temos que percorrer;
passo a passo, um espinho;
de onde a onde, uma flor" - autor desconhecido, poeta brasileiro
Curioso, pois, neste momento, encontrei um espinho no meu caminho.
Não sei se me devo desviar ou deixar que me crave no peito, esta angústia, este medo, esta sensação de que perdi a paz conquistada. Detesto sentir-me perdida, sentir que o caminho pode estar coberto duma fina camada de gelo e qualquer passo mal dado pode significar a perda do equílibrio. Ou descobrir que, afinal estou dentro dum vulcão, pronto a soltar lava, mas entretanto, o calor e os gases que liberta sufocam-me.
Não sei verdadeiramente - só sei que após toda esta caminhada, vou encontrar um vale. Verdejante, rodeado por árvores e sulcado por um ribeiro "brincalhão", limpo ainda da mão do homem.
Não vou gostar do meu reflexo naquele água pacífica, mas disso.... trato depois!

domingo, 19 de setembro de 2004

AMIZADE

A amizade não é:
Oferecer um bombom envenenado ou um telefonema insultuoso.
Não é falar nas nossas costas, inventar contos e ditos, gozar com as nossas desgraças!
A amizade é:
Acalmar a violência que percorre o nosso corpo quando nos sentimos injustiçados.
Chamar à razão quando estamos a enveredar pelo caminho errado.
Brindar aos nossos sucessos e rir com os nossos disparates. Abrir os braços e deixar que as lágrimas de frustação, tristeza ou dor se escondam nos seus ombros.
Apreciar connosco a magia duma noite fria, a alegria dum dia lindo e ficar calado a comungar da beleza do mundo.
A amizade é:
"Como o perfume das flores. Derrama o seu aroma sobre aquele que está em sua presença" - Dugpa Rimpoché.

sábado, 18 de setembro de 2004

A ROSA

Pobre da minha rosa!
Era apenas um pequeno botão, frágil, timido e agora, é uma rosa altiva, orgulhosa, senhora de si!
Mas o seu reinado está prestes a chegar ao fim, apesar de todos os meus cuidados.
As petálas estão a ficar acastanhadas, a mirrar e, em breve vão cair.
Contudo, vou lembrar-me dela com carinho e não esquecer que a vida é isto mesmo - momentos felizes, fugazes, mas que nos permitem ter boas recordações quando algo nos desespera e ficamos perdidos!!

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

AMEI

Amei-te!! Ou pensei que te amei, o que é diferente!
Só que eu não sabia que havia uma diferença e tu brincaste com isso!
Depois, sacudiste-me; deixaste-me sozinha, indiferente, cansado do teu novo brinquedo! E eu?
Naveguei em águas profundas e desconhecidas! Naufraguei,
mas fui resgatada. Descobri o meu canto, porque todos nós encaixamos num lugar, onde tudo o que fazemos tem valor!
Será que sabes qual é o teu?

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

SEGREDOS

O dia do meio é o dia que sabe melhor! Parece que aquela sensação de que estamos cercados por todos os lados, por muros altos, que não podemos transpor, desaparece. Fica-se diferente; qualquer problema deixa de ser problema, porque estamos perto do fim de semana. Ah, poder apreciar a manhã, estendido na cama, sem telefone ou despertador, perder o rasto ao tempo, ter horas à nossa frente para preencher com prazer!
Todos nós temos os nossos prazeres secretos, aquilo que raramente partilhamos com os outros! Há sempre uma hora em que nos dedicamos ao que temos de mais precioso em nós!
Hoje é o dia de meio e decerto que há surpresas, coisas secretas, só nossas a preparar!

terça-feira, 14 de setembro de 2004

BRINCAR COM A LUA

Ontem, quis brincar com a lua. Mas a lua não me deu qualquer hipótese e deixou que a nuvem, que trouxe novamente a chuva, a escondesse!
Ando novamente à chuva, mas pouco me importo. Sorrio, continuo a sorrir, a deixar que a alma se mostre aberta, limpa de dor e de receios.
Talvez a lua saiba disso e achasse que ontem era dia de eu a animar!!!

sábado, 11 de setembro de 2004

Á CHUVA

Tento antecipar-me à chuva, que me surpreende na rua. Corro à procura de abrigo, mas mesmo assim, o casaco fica trespassado pelas pingas grossas, que queimam a pele sem dó e piedade. Desfaz-me o penteado e só se ouve exclamações de raiva, frustação e risos divertidos. Eu ri também, pois não faço qualquer esforço para me resguardar. Tento proteger o botão frágil de rosa, que alguém me deu, num gesto simpático após as férias!

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

IRMÃS

Guerras curtas, mas por vezes dolorosas - de papel, de almofada, do que vier à mão!
Gritos de raiva, de dor, de fazer positivamente "gelar o sangue"!
Esconderijos, palavras passe para dar acesso a segredos só nossos!
Lanches com coisas surripiadas da despesa, quando a mãe não está a ver!
Cochichos à hora de dormir na escuridão, quando se está proibido de falar.
Confidências de tudo e de nada; queixas injustas e conselhos valiosos.
Como Pam Brown diz:
"Quem nos felicita pela nossa mais incrível façanha com um
"Boa! Eu não te disse que ias conseguir?"
Estranho ter lido esta citação e saber que é o que a minha própria irmã me diz muitas vezes! Porque é verdade; ela sabe o quanto me esforço por conseguir viver a vida em pleno!

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

PORQUE É

Há uma sombra que envolve a clareza do dia!
Torna-se difícil ler os sinais e eu perco-me, entro em pânico e olho em volta, sem nada ver!
Não paro e entro na Igreja, onde aprecio os azulejos que retratam a vida dum determinado Santo, a quem dirijo uma prece em silêncio.
Porque é o silêncio que invade o meu ser e faz ressurgir o que lá está escondido.
Porque é a paz que domina aquele local, que faz com que me sinta bem com a vida.
Porque, quando saio, fico a olhar o mundo que roda e deixo que me levem para apreciar ainda mais a excitação que é estar viva!!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

VOLTAR A CASA


Frio - há um vento frio que anuncia que o Outono está perto!
Gelo - começo a sentir-me gelada e até a Torre parece mais triste, mais abandonada! A cor torna-se mais agreste e eu suspiro. Profundamente, como se estivesse a preparar-me para uma prova de esforço.
É triste ter que dizer adeus ao sol, que enfraquece e dá outra tonalidade às coisas.
Mas eu não tenho medo, porque, mesmo na escuridão, conheço o caminho de volta a casa
!

terça-feira, 7 de setembro de 2004

SORRIR


Sorrio, mesmo sem tu estares presente!
Noto o brilho dos teus olhos quando me vês; o sorriso maroto que escondes quando te surpreendo a olhar para mim.
Não precisas de dizer nada - eu sei que estás perto e sigo-te em pensamento, deixo que abraces o meu caminho, que afastes as pedras de que só damos conta quando nos impedem de caminhar!
Voamos com as gaivotas; nadamos contra a corrente com os salmões; escondemo-nos na floresta com os veados; deitamo-nos com as estrelas para que a noite dure mais e rimos.
Mesmo que seja só hoje; amanhã, posso estar no outro lado do mundo e tu ficas aqui. À minha espera, tal como eu, quando é a tua vez de partires!
Porque o que nos une verdadeiramente é saber respeitar o espaço de cada um de nós!! À qualquer hora, em qualquer momento!