segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

CONTINUANDO A CONVERSA

Como gostaria de cavalgar nas ondas, tal como a Sophia de Mello Breyner descreve num dos seus poemas (http://www.escrevercomamor.blogspot.com)!
Cavalgar nas ondas, solta, livre!
Seguir a linha do horizonte e parar quando o sol a isso me obrigasse.
Olhar em volta e sentir-me dona do mundo!
Espreguiçar, fechar os olhos, respirar fundo e deixar-me surpreender, navegar pelo imprevisto
!
Sem ti!
Porque tu já não és perfeito!
Não sei se fui eu que simplesmente cresci ou se foste tu que me desiludiste, simplemente porque te limitas apenas a passar o tempo, arrastando literalmente os pés, sem te envolveres em nada, sem te interessares por nada!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

NADA VEZES NADA

Amanhã é sábado.
Nunca pensei dizer isto, mas ainda bem!
Aqui reina a confusão e eu não me dou bem com a confusão.
Tive, portanto uma ideia –
já que dominamos a técnica de dançar um bom tango, não é a altura ideal de tentarmos a rumba?
Ou então o “rap”, se achas as danças de salão muito antiquadas?
Se dominarmos as técnicas destas danças, consideradas fora de moda, somos capazes de dançar tudo.
Porque dançar não é só mexer os braços e a cabeça e abanar o esqueleto, desajeitadamente.
Dançar significa graciosidade, delicadeza, leveza
.
E os vestidos, vaporosos, de tecidos igualmente leves tipo chiffon, que são uma carícia para o corpo, pois seguem livremente cada movimento.
Mas, se optares pelo “rap”, tenho a solução ideal:
Calças de couro preto, maleáveis e um top colorido, com as cores de rebuçado de frutas.
O melhor de tudo é que podemos fazer isso em casa, convidamos uns amigos, seleccionamos as músicas e se quisermos fazer um intervalo, podemos petiscar:
Pão saloio, bolachinhas de água e sal redondinhas, queijinhos, empadinhas, presunto, fiambre e que tal provar esse vinho novo, lançado há pouco no mercado, que se chama Fragulho?
Para o centro da mesa, uma taça transparente, de cristal cheia de amores-perfeitos e pão com queijo!
Que dizes?
Nada – já se tornou um hábito, nunca queres fazer nada, nunca tens vontade de fazer nada!
E no meio desse nada, esqueces que eu existo!?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

SERÁ FÁCIL ESQUECER?

António Botto escreveu num dos seus Sonetos:

“ – O resto é perguntar à natureza
Se a noite vai além da madrugada”.

Às vezes, desejo que a noite se prolongue e o sol fique do outro lado do mundo.
Principalmente quando sabemos de antemão que algo de doloroso vai acontecer de manhã.
Pode ser uma manhã linda, o céu sem nuvens, o sol brincalhão e quente, mas:
estamos tão doentes que somos incapazes de raciocinar
tomamos uma decisão difícil e esta manhã, vamos assinar um papel que a torna definitiva
é o último dia de trabalho, num sitio onde até gostávamos de estar, mas achamos que devemos arriscar – às vezes, não vale a pena; outras, é tudo aquilo com que sonhamos
Ou

é o dia em que nos despedimos para sempre de alguém e ficamos física e emocionalmente exaustas.
Ou simplesmente sentir – se isolada, por questão de feitio e educação, do meio onde se está inserido.

Exactamente como o António Botto diz no mesmo soneto:

“Sim, julguei que era fácil esquecer”

Será mesmo fácil esquecer?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

PÃO COM QUEIJO

Pouco importa as juras de amor que te possa fazer!
Nunca foste meu, nunca cuidei verdadeiramente de ti como se cuida duma planta.
Dou mais amor e carinho a esta planta, que tem um nome curioso e que me fez sorrir quando o descobri.
Pão com queijo – porquê, não sei!
Só sei que é uma mistura das violetas e dos amores-perfeitos.
As pétalas são aveludadas, agradáveis ao tacto e a harmonia do amarelo com o vermelho, o vermelho como o vinho tinto torna-a perfeita.
Parece uma planta tímida; quer passar despercebida, mas é exactamente por isso que me atrai.
No meio do canteiro, entre as outras, marca a diferença
.
Tal como tu!
Continuo sem saber por onde andas, porque apareces quando eu menos te espero e destabilizas a minha vida.
Só que esta planta oferece-me aquilo que procuro – simplicidade!
Simplicidade que sei que pode haver nas relações, sejam amorosas, familiares ou de amizade.
Entendes agora o meu silêncio? O tal silêncio que te enerva?
Eu gosto de coisas simples e claras!

domingo, 20 de fevereiro de 2005

A PORTA

Ontem…….ontem foi ontem!!!
Hoje é um novo dia e o sol brilha
!
No leitor de CD’s, canta o Rod Stewart velhos êxitos americanos, canções que fazem as delícias da minha mãe.
Não é, realmente a minha escolha, mas é o que ela gosta e é fácil dar-lhe esse prazer – recordar os seus tempos de menina!
Vivemos de recordações, não é verdade?
Neste momento, gostaria de pensar que este é um “wonderful world” como apregoa o Rod Stewart.
Não, não é – não o está a ser, mas há que ver sempre o lado positivo das coisas e estou a agarrar com todas as minhas forças essa ideia, porque todos repetem para fazer o que “a minha consciência e o meu coração me dizem”.
E o que me dizem é para confiar nas minhas capacidades, acreditar que posso sempre abrir a porta, atravessar calmamente o patamar e encontrar o corredor certo para desenvolver os meus projectos.
Li algures que o verde é a “cor da inveja”!
Estão errados – o verde é a cor da erva que cobre os prados, do caule das flores, das ervilhas que rolam pelo chão da cozinha se não se tem cuidado!
Por isso, vou erguer uma bandeira verde, vou pintar a minha porta de verde, escolher uma caneta verde para que nunca me esqueça que, aconteça o que aconteça, terei sempre uma alternativa.
O que não posso fazer é cruzar os braços ou deixar que comentários maldosos me cortem as “asas”!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

TALVEZ AMANHÃ

Se me perguntares como foi a minha semana, vou ser sincera e dizer que "não sei".
Acho que mergulhei num pesadelo ou encontrei espaço num sonho tão agradável que não quero acordar e enfrentar as coisas.
Parei no tempo e no espaço; tenho a impressão de que estou no meio dum nevoeiro tão denso, tão húmido que parece colar-se à minha pele e dificulta-me os movimentos.
Ou então mergulhei na profundezas do mar, alguém cortou o cabo que me ligava à superfície e eu luto contra a corrente que me puxa para baixo para me enterrar na areia.
Seja o que for, acordo aos gritos, com as lágrimas a correrem pela cara abaixo e mesmo depois do duche quente e duma bebida quente, continuo a ter arrepios de frio, mesmo quando o sol me "bate".
Como se quisesse dizer, "Anda lá; deixa-te de tristezas e vem brincar comigo! Tu gostas tanto".
A verdade, Sol é que hoje não tenho vontade; mas quem sabe? talvez amanhã!!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

CALMA E AMARGURA

O mar... tão calmo e eu tão amargurada!
Nem uma gaivota ao longe e eu com tanta vontade de juntar o meu grito ao delas!
Só quero saber porque é que nem mesmo aqui sou capaz de chorar!
Sempre vagueei por aqui, sempre brinquei por aqui, sempre chorei aqui, sempre encontrei consolo aqui.
Mas hoje...
..............não consigo!
...................estou gelada!
.....................não encontro a paz que tanto preciso!
..................... a solidão é mais densa e eu sinto-me incapaz de lutar!
Sinto-me quase a abandonar o barco, cobardemente, tal como os ratos!
Mas ao longe, muito ao longe, alguém murmura e creio que as palavras são estas:

Não te culpes pelos actos impensados dos outros, mesmo que isso te afecte!
Isso faz de mim o quê?
Uma vitíma?
Não, fui apenas "apanhada" no meio de jogos de interesse!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

TANGO "MUY CALIENTE"

Sonhei que...

Estava a dançar contigo um tango fatal, em que cada um dos nossos passos contava uma história...

Uma história de amores contrariados, frustrados, amargurados...Tal como as nossas próprias histórias...

Quando me enlaçaste e os nossos olhos se encontraram, foi como se eu não existisse....
apenas o tango, a história que os nossos pés traçavam, em perfeita harmonia interessava.

No tango, é a expressão do nosso corpo que conta e tu agarraste-me, como se fosses um naufrago e tivesse encontrado terra.

Mas, depois largaste-me abruptamente e daí em diante, cada passo, cada gesto foi uma angústia, uma súplica, uma rejeição.

No fim, quando a música parou e ficamos expostos aos gritos de euforia de quem assistia, aí vi a sombra dum sorriso.

Leve, quase imaterial, mas um sorriso!

Deixei cair a écharpe que tinha enrolada ao pescoço e qual despojo de guerra, caiu entre as tuas mãos e aí ficou, como recordação do momento em que estivemos verdadeiramente unidos, a contar num tango a história da nossa vida!

Só que esse é o nosso segredo!
Para os outros, fica apenas a imagem dum tango, bem dançado, “muy caliente”!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

RALHAR

Ralha-me!
Não fiques a olhar para mim, com esse ar reprovador!
Diz alguma coisa; tu, melhor que ninguém, sabe como detesto o silêncio!
Não nego - tens toda a razão; já devia ter desistido, mas que queres?
Gostei dele, em tempos e ainda não resolvi isso, totalmente na minha cabeça.

Sim, armaram-me uma "armadilha"!
Sim, eu fui na "conversa"!
E para quê? Para nada - porque foi exactamente isso que recebi!
Nada vezes nada - nem um telefonema nem um SMS a cancelar o encontro!
Agora estou aqui, refugiada ao pé de ti; não estou propriamente a sangrar, porque bem lá no fundo, eu sabia que ele ia fazer isto mais uma vez.

É isto que não entendo - se não quer ter mais nada comigo, está meses fora da minha vista, porque é que de repente e quando eu penso que esqueci, aparece como se nada fosse, com promessas que nunca cumpre, nunca pensou em cumprir?
E o mais grave de tudo, porque é que eu lhe aparo os golpes?
Não sabes? Nem eu!!!

Vamos ao cinema este fim de semana? É isso mesmo - esquecer, não por cobardia, mas para preservar a nossa dignidade!


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

DIA DE S.VALENTIM

"Estou aqui não porque tenha obrigação de estar,
não porque me sinta encurralado nesta situação,
mas porque prefiro estar contigo
a estar em qualquer outra parte do mundo inteiro"

Copiei esta frase do livro "A ponte para a eternidade" de Richard Bach e copiei -a , porque acho que nunca ninguém me fará uma declaração de amor tão simples, tão pura, tão verdadeira como esta!

É raro encontrar/ouvir palavras tão completas como estas, que ultrapassam os limites da razão, deliciam os olhos, conquistam a mente e entranham-se no coração para sempre!

Pena não ter ninguém a quem mandar um cartão de S.Valentim - escolheria um cartão simples, sem nada escrito ou desenhado e escreveria esta frase.

Porque nada mais haveria a dizer!
Porque é assim que gostaria de viver o amor, apesar de ter consciência de que às vezes, pode ser uma utopia!
Faz bem viver uma utopia e deixo a frase aqui, no meu blog para quem me visite, se está verdadeiramente apaixonado/a e não sabe o que dizer à/ao amada/o, ter uma ideia para uma declaração/sedução!
Bem haja quem ama alguém!
Ou recorde um amor antigo, mas que a/o fez feliz!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

O PORTO EM MIM

Li este fim-de-semana um artigo muito interessante sobre o Porto (na revista do Jornal Expresso).

Entre várias citações, destaco a de Sophia de Mello Breynor:

O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias”

O Porto é exactamente isto – uma cidade misteriosa e silenciosa, mas que me escuta, que fala sempre comigo e nunca trai os meus segredos!

Quer me esconda atrás da estátua da “Menina Nua da Praça”, quer me sente nos Jardins de Serralves ou mesmo quando me refugio na Igreja dos Congregados e me confesso.

Já não sei quantas fotografias tirei à Praça da Liberdade, pois há sempre coisas diferentes.
Desta vez, são os canteiros.
Além dos amores-perfeitos, plantaram também túlipas!
Delgadas, elegantes, o vermelho contraste fortemente com o amarelo suave, o violeta transparente e o branco puro dos amores-perfeitos!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

A VOLTA

Voltaste!!!
É que, desde que partiste, nada foi perfeito!
Não, não te vou falar das aves de mau agoiro, que teimam em sobrevoar o meu espaço e ameaçam a minha paz.
Nem do medo que tenho em sucumbir e queimar-me!
Talvez sem razão, sem fundamento, porque são apenas rumores!
Vou querer saber tudo sobre essa tua viagem – o que viste, o que fizeste, quem conhecestes.
E, não, não vou fazer beicinho e perguntar porque é que não me levaste, porque é que não partilhaste isso comigo.
Há coisas que são só nossas, não é?
É só este o lugar que me ofereces na tua vida e eu “saboreio-o”, porque nunca me deixas ficar sozinha.
Mas tenho um convite para fazer.
Que tal partilhares comigo as surpresas de um bom vinho acompanhado duma bolachinha apetitosa, barrada com foie-gras?
O convite diz “Talento, sedução e elegância” e isso tem tudo a ver connosco, não achas?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

AVENTURA COM CAFÉ

Gosto de ir àquele café.
Servem o café numa chávena de vidro, com muita espuma de tal forma que o açúcar faz um “montinho” antes de ser sugado.
Corro o risco de parecer malcriada, e nem quero pensar no que a minha mãe diria se me visse, mas vou com a colher “rapar” o que fica de espuma na chávena.
Penso no que seria trabalhar ao ar livre, a apanhar café.
Paredes-meias com a selva, que os homens controlam de forma brutal, aniquilando, sem dó e piedade a fauna e a flora, com golpes certeiros de serras e fogos!
Creio que um dia a selva reconquistará o que foi seu, mas isso é outra história e um desejo de alguém que pergunta, se trabalhando arduamente ao ar livre, suada e cansada terá tempo para apreciar um fim de tarde?
A resposta é sim – perante tal espectáculo, tudo desaparece e fica-se apenas extasiado.
Não é esse o objectivo da vida - apreciar a beleza, encontrá-la nos sítios mais inesperados?
Tal como eu fiquei, a saborear aquele pingo, que em nada se compara com o pôr-do-sol.
Lamento se pareço revoltada!
A verdade foge-me e eu estou ansiosa por respostas, que continuam a não ser satisfatórias, porque continua a haver muitos pontos de interrogação.
Por isso, vou sair à procura de aventuras exóticas e sobretudo, dum fim de tarde espectacular!!!
O resto? Pensarei quando lá chegar –
é inevitável, eu sei, mas.....a vida continua e infelizmente, não posso estalar os dedos para que o génio da garrafa satisfaça todos os meus desejos!
Porque eu sei muito bem o que lhe pediria!
Não há mal nenhum em pedir o melhor para nós próprios!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

DELICADOS

Delicio-me com os poemas sensuais de Pablo Neruda.
Sinto-me seduzida e amada pela simplicidade dos de Vinicius.
Sorrio com o carinho dos de Cecília Meireles.
Choro com a angústia dos de Florbela Espanca.

Selecciono-os com cuidado, esses poemas!
Identifico-me com eles e por vezes, dou por mim a fazer mil e uma interpretações do mesmo poema.

Porque:

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas”
Florbela Espanca, “Poetas

Eu tive a minha dose, continuo a ter a minha dose de dores amargas e secretas, que conhecem um pouco, porque eu levantei o véu, porque não consigo esconder esta frustração, essa angústia que corrompe a vida e me traz lágrimas aos olhos!