quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

SERÁ FÁCIL ESQUECER?

António Botto escreveu num dos seus Sonetos:

“ – O resto é perguntar à natureza
Se a noite vai além da madrugada”.

Às vezes, desejo que a noite se prolongue e o sol fique do outro lado do mundo.
Principalmente quando sabemos de antemão que algo de doloroso vai acontecer de manhã.
Pode ser uma manhã linda, o céu sem nuvens, o sol brincalhão e quente, mas:
estamos tão doentes que somos incapazes de raciocinar
tomamos uma decisão difícil e esta manhã, vamos assinar um papel que a torna definitiva
é o último dia de trabalho, num sitio onde até gostávamos de estar, mas achamos que devemos arriscar – às vezes, não vale a pena; outras, é tudo aquilo com que sonhamos
Ou

é o dia em que nos despedimos para sempre de alguém e ficamos física e emocionalmente exaustas.
Ou simplesmente sentir – se isolada, por questão de feitio e educação, do meio onde se está inserido.

Exactamente como o António Botto diz no mesmo soneto:

“Sim, julguei que era fácil esquecer”

Será mesmo fácil esquecer?

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