terça-feira, 19 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE III


O contacto da Brigada Anti-Gangues explica-me que demora meses, mesmo anos a preparar uma operação como a que estava em curso quando o Zé do Laço morreu.

Não, não era o Bando do Morto, suspeitavam do Bando dos Poderosos. Ah, sim, muito importante, muito mais que o outro bando e o Zé do Laço foi crucial no desenrolar da acção.

" Então, tinham um infiltrado? E o Zé do Laço sabia? Terá sido por isso que ele morreu? " as perguntas chovem e eu quase não deixo falar o inspector.

" Talvez sim... Mas eu só sei o que se passou relativamente à operação desta brigada. O Leandro era dos homicídios e se contactou alguém da brigada relativamente ao assunto... não sei." sorri e eu fico com a impressão de que está a esconder alguma coisa.

Levanto-me, agradeço e resolvo ir até ao Jornal. Vasculhar o arquivo, desenterrar notícias sobre estes Bandos de nomes tão curiosos.

Fico frustrado por não descobrir muito material sobre o Zé do Laço. 

Mas encontro o nome de um membro do Bandos dos Poderosos. Está preso, mas talvez o possa entrevistar.

Quem é que me poderá ajudar? O Dr Simão, o director do Jornal deve ter conhecimentos no Ministério.

Ou posso escrever uma carta ao advogado...

Satisfeito, arrumo as notas e saio para a night. 

Olho para o relógio...  

Ainda é cedo...

Talvez encontre alguém no Bar do Leão.

CONTINUA

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE II


O Sargento Bernardes confessa-se surpreendido, pois não sabia que o Inspector Leandro tinha uma irmã e um sobrinho da minha idade.

" Ele raramente falava da família.  Lamento, se soubesse, tinha ligado quando ele morreu." acrescenta.

Quer saber o que se passa, fica surpreendido pelo tema do meu artigo e confirma a opinião dos velhotes do café da Travessa do Laço.

" Às vezes, trabalhava para nós como informador e não sabemos exactamente se descobriram e foi por isso que o mataram." explica " Não te posso dizer mais do que isto; alguém empurrou um carro contra a esquadra na Noite de Natal com ele lá dentro."

" Mas foi algum gangue?" insisto " O diário do Tio só se refere à morte do Zé do Laço, como infeliz, azar dos azares... Depois escreve " Terá sido o gangue do Morto"? Quem é o gangue do Morto? "

Bernardes ri-se bem humorado. 

" Posso dar-te o contacto de alguém da Brigada Anti-Gangue. Podem explicar-te com funciona... " e escreve um nome num papel.

Levanta-se e dá a entrevista como terminada.

Recapitulando: 

O Zé do Laço aparece morto na noite de Natal.

O Tio Leandro estava de serviço.

Os suspeitos fazem parte de um gangue, o dito "Bando do Morto".

1ª Nota: O Zé do Laço está a trabalhar para o Tio Leandro como informador? Se sim, que tipo de informações?
2ª Nota: Terão combinado encontrar-se na Noite de Natal para passar informações? Terá sido por isso que o Tio não se importou de ficar de serviço?
3ª Nota: Quem deu com a língua nos dentes e expôs o Zé do Laço? Alguém do gangue seguiu-o e assistiu a algum encontro entre ele e o Tio?
4ª Nota: Ou a Brigada denunciou-o para proteger o infiltrado deles?


CONTINUA

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO


" É... Esta Travessa sem o Zé do Laço... não é nada!" dizem.

" Que ideia! O Zé do Laço era um pequeno ladrão que foi incriminado e apanhado no fogo cruzado dos gangues!" riem-se.

Estou num pequeno café na Travessa do Laço, um café bem limpo e com instalações modernas.

A clientela é constituída por velhotes, que se reúnem ali para falar sobre Futebol, jogar damas e recordar os tempos em que havia por ali uns rufias poderosos.

" Eu sei disso, mas era engraçado falar sobre as desventuras do Zé. Ouve lá, porque é que estás tão interessado nele? " interrogam-me.

" Sou estudante de jornalismo e tenho que escrever um artigo sobre criminosos." respondo.

Os velhotes riem-se e um comenta:

" E escolheste o Zé do Laço?" e as gargalhadas são mais intensas.

Fico a pensar se não terá sido uma má ideia, mas o meu Tio, o Inspector Leandro conhecia o Zé do Laço.

Encontrei uns diários dele quando estivemos a limpar a casa dele e achei engraçado o nome do Zé do Laço.

Amanhã, vou até à Judiciária tentar falar com o Sargento Bernardes. Sei que trabalhou com ele; talvez me diga alguma coisa.

A minha Mãe pouco fala dele; ele passava a maior parte do tempo imerso no trabalho e nem sempre aparecia nas festas familiares.

Mas deixou-lhe grande parte do dinheiro que tinha acumulado. O resto foi para a Misericórdia.

Porquê? Talvez para ajudar jovens como o Zé do Laço. 


CONTINUA

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O CLANDESTINO - O FIM


Mas a Noémia telefona nessa noite.

Quer passar uma semana com os meninos.  

" Estão no Algarve com a tua Mãe? Não há problema... estou em Huelva, é só atravessar a fronteira." diz.

Esteve a pensar e talvez seja uma boa ideia vender as casas. Investir parte do dinheiro num fundo para os estudos dos meninos. O que acha o Gustavo?

Talvez não seja má ideia, pensa o Gustavo. Pode comprar um andar perto da Mãe e do colégio.

Facilita a vida a toda a gente e é isso que faz quando regressa das férias.

Leva a D.Margarida (" Oh, Engenheiro, eu também? Mas porquê?" protesta a senhora, mas vê-se que fica feliz quando o Gustavo responde " A D.Margarida é parte da família.") e a Mãe.

Por isso, em meados de Outubro, os cinco mudam para um duplex cheio de Sol e ainda a cheirar a novo.

Apesar de já ter começado as aulas na Universidade, a Luísa aparece para darem passeios ditos "misteriosos" e que as gémeas adoram.

O Pedro continua sem falar muito e a Rita tem um novo hobby.

A D.Margarida está encantada com a nova casa e o Gustavo aprende a relaxar e a gerir a vida profissional e pessoal.

A Noémia telefona de vez em quando, combina fins de semana e cancela tudo à última da hora.

Os miúdos ficam desapontados e o Gustavo confessa que se sente perdido.

No fundo, não está. É uma pessoa de referência na vida dos miúdos, a vida está equilibrada e só falta mesmo, diz a brincar o Dr Gonçalves, conhecer alguém e apaixonar-se.

Gustavo ri-se, diz nem pensar, mas, num fim de semana, a Luísa vem ajudá-lo com os miúdos.

Acabam todos a jantar no MacDonald's, o Pedro encontrou uns amigos e a Rita e as gémeas estão a jogar.

A conversa entre os dois adultos é agradável e o Gustavo atreve-se a convidá-la para um jantar a sós.

Depois.... tudo acontece....



FIM


quarta-feira, 13 de junho de 2018

O CLANDESTINO - PARTE IV


No dia seguinte, Gustavo fala com a D.Margarida que o ouve atentamente.

" Não posso dizer que estou surpreendida; a D.Noémia passava mais tempo a viajar do que em casa." comenta " Não se preocupe, Engenheiro, eu ajudo-o. Vamos lá dar o pequeno almoço aos meninos. Já pensou em contratar uma babysitter? " sugere.

Entre os dois, convencem os miúdos a levantarem-se, a vestirem-se e a tomarem o pequeno almoço.

Depois, o Engenheiro Gustavo leva-os ao colégio e fica a pensa no que a D.Margarida disse sobre uma babysitter.

" Se quiser, a minha sobrinha Luísa é a pessoa indicada. Está na Universidade com uma bolsa e está à procura de um part-time para ganhar uns trocos. Eles vão ficar em férias dentro de duas semanas e podem ficar num ATL de manhã. A Luísa vai buscá-los à hora de almoço para passearem. O que acha? " 

O Gustavo acha que é uma boa ideia. Uma das avós telefona e diz que vai buscar os meninos ao colégio para lancharem fora.

Até podem jantar e dormir lá em casa, o que acha o Gustavo da ideia?

O Gustavo não tem nada a dizer; até agradece.

A sobrinha da D.Margarida é uma rapariga bem disposta e fica logo amiga das miúdas.

O Pedro continua calado, sem dizer nada, embora participe nas brincadeiras e nos passeios que a Luísa organiza.

Da América, há poucas notícias e o Gustavo não sabe o que dizer aos filhos.

Acaba por os deixar ir para o Algarve com a avó; tem um projecto para terminar.

" Pareces cansado!" comenta o Dr Gonçalves " Os miúdos? "

" Estão bem; estão no Algarve com a minha Mãe. Falei com eles ontem; parece que se estão a divertir." responde o Gustavo.

" E notícias da Noémia? " questiona o director financeiro.

Gustavo suspira.... Não sabe nada sobre a Noémia. 


CONTINUA

terça-feira, 12 de junho de 2018

O CLANDESTINO - PARTE III


Lídia entra e pede desculpa por incomodar, mas telefonaram do colégio.

Ninguém foi buscar os meninos, será que o Engenheiro Gustavo os pode ir buscar?

Gustavo suspira e comenta:

" Estás a ver porque é que eu queria ficar clandestino? "

" Não adianta nada; tens que enfrentar os problemas!" responde o Dr Gonçalves.

Nessa noite, o Dr Gonçalves pergunta à mulher:

" Diz-me uma coisa, o nosso filho não anda na mesma turma que o do Gustavo?"

A mulher confirma e questiona: 

" Qual o interesse nisso agora? "

" O Gustavo e a Noémia vai divorciar-se e, se calhar, vamos ter que dar apoio ao Gustavo. Parece que ele vai ficar com a custódia dos miúdos."

Ifigénia quer mais detalhes, mas o marido diz que o próprio Gustavo ainda não sabe o que vai fazer.

Entretanto, o Gustavo explica cuidadosamente a situação aos filhos, mas não tem a certeza de que eles compreenderam.

" Não vamos ver mais a Mãe? " pergunta a Rita, de oito anos enquanto o Pedro, que tem onze, fica muito calado.

As gémeas, Clara e Clotilde de quatro, continuam a brincar, presas no seu Mundo de fantasia.

" Claro que sim! Nas férias... Uma viagem até à América, à Disney... O que dizem? " mas os miúdos ficam calados.

Gustavo deita-os, mas não tem sono.

Como é que isto aconteceu?

CONTINUA

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O CLANDESTINO - PARTE II


O Dr Gonçalves abre a porta do gabinete e pergunta:

" O que é que se passa contigo? Estou farto de te ligar e tu não respondes? A D. Lídia parece não saber por onde andas, mas pelos vistos, só estás escondido no gabinete."

Faz sinal a Lídia que murmura uma desculpa que nenhum dos dois parece ouvir e esta saí.

O Gonçalves senta-se e volta a perguntar:

" O que se passa? Algum problema com a Noémia? "

Gustavo endireita-se na cadeira e responde:

" Há sempre um problema com a Noémia! Vamos avançar com o divórcio; os advogados já estão a tratar disso, mas pouco ou nada há a discutir. Apenas se fico com a casa no Gerês, o apartamento no Algarve e a casa aqui."

" Então? Qual é o verdadeiro problema? " insiste o Dr Gonçalves.

" Os miúdos. A Noémia quer ir para Nova Iorque... não os quer levar e eles também não querem ir. Tenho que ficar eu com eles e tenho muitas dúvidas." desabafa o Engenheiro Gustavo.

" Seria estranho se não tivesses dúvidas. Tens que organizar a tua vida doutra maneira. E pedir ajuda." aconselha o Gonçalves " Eu a Lígia ajudamos no que for necessário. Já falaste com a senhora que trata da casa aqui? "

" Pois.... Ela conhece os miúdos desde pequenos. Pode organizar as refeições, as idas para o colégio. Acho que a minha Mãe também pode dar uma ajuda." concede Gustavo.

" Vão surgir outros problemas, mas resolve-os à medida que aparecerem. Eles já sabem? " diz o Dr Gonçalves.

" Não, vou falar com eles hoje. Não me sinto muito à vontade com a ideia." admite o Gustavo.

" Diz a verdade. Se fores honesto, eles respeitam-te mais." e Gonçalves sorri.

Batem à porta.



CONTINUA

domingo, 10 de junho de 2018

O CLANDESTINO


" Hoje, não estou para ninguém, entendeu??? Fui para a China, para onde quiser... Mas não estou cá... Hoje, sou um clandestino!" diz o Engenheiro Gustavo à secretária que o olha...

Estupefacta? Aterrorizada? Petrificada? Lídia não sabe... 

Nunca na vida o Engenheiro Gustavo lhe falou assim...

Exigente, sim, mas sempre bem-educado, polido. Será que se zangou novamente com a mulher?

Lídia ouviu uns rumores de que a D. Noémia é um pouco convencida e arrogante e que estão sempre a discutir.

" Será bipolar? " sugere a Amélia na pausa para o café.

" Sei lá! Além disso, o homem pode estar preocupado com outra coisa." responde Lídia.

" Dinheiro! Dizem que ela é uma gastadora!" exclama a Sofia do Departamento do Contencioso.

" Não creio que isso seja isso que o preocupe. Ela tem dinheiro de família e um cargo bem remunerado." diz a Lídia.

Mas antes que Amélia ou Sofia dissessem qualquer coisa, o Dr Gonçalves entra na sala e pergunta pelo Engenheiro Gustavo.

" Sabe onde ele está? Tentei telefonar-lhe, mas ele simplesmente não atende. Nem mesmo o telemóvel."

" Ele pediu para não ser incomodado. Depois fechou-se no gabinete. Não sei se saiu, entretanto." explica Lídia.

" Ah, sim??? Eu incomodo-o!" replica o Dr Gonçalves e saí da sala.

Lídia segue-o.


CONTINUA