terça-feira, 30 de agosto de 2016

A EMPRESA - PARTE II


A verdade é que não sei como começar esta história...

Nem acho que seja importante falar onde nasci, o que faziam os meus Pais e o que estudei...

Porque o interessante é o que aconteceu depois... 

Depois de ter trabalhado aqueles anos como ajudante de florista e estudado à noite para tirar um Curso de Gestão de Eventos...

Ter organizado festas de crianças e almoços para pessoas conhecidas como freelancer aos fins de semana...

E conhecido aquele homem misterioso que se ofereceu para financiar a minha pequena empresa. 

Há anos que não penso nele... Estivemos juntos enquanto fomos úteis um para o outro e um dia, simplesmente deixamos de o ser.

Dito assim, sem qualquer paixão, faz de mim calculista... Eu acho que estou a ser realista, mas como disse, consideram-me arrogante.


(CONTINUA)


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A EMPRESA - PARTE I



A verdade é que devia ter escutado os conselhos da minha Mãe...

Mas eu, Maria Filomena Peres, decidi que seria eu a impor regras à vida e não o contrário...

O que não está errado, se não se esquecer o básico - o respeito pelos outros e por nós próprios.

E eu aborreci muita gente com a minha arrogância e as minhas exigências...

Se não tivesse sido tão precipitada, talvez não estivesse sentada aqui na sala de espera do Tribunal como arguida num processo contra a minha empresa de eventos.

Publicidade negativa para uma empresa que construí com muito trabalho, empenho e paixão.

Diz-me a assistente que alguns clientes cancelaram e exigiram o reembolso. Nem quero pensar no prejuízo...

Mas o que aconteceu para estar hoje aqui no Tribunal?

Eu conto...


(CONTINUA)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO ZÉ DO LAÇO - O FIM



Aconteceu tudo tão rápido que só agora percebo a armadilha.

Claro que o membro importante da organização não pode ser acusado de homicídio.

Onde é que eu tinha a cabeça?

Fazem-lhe perguntas, mas ele apenas diz que jantou com ela.  

Que o comportamento dela foi tudo menos discreto... 

Sim, bebeu um copo em casa dela, mas quando a deixou, ela estava viva.

Também interrogam o Leão e este limita-se a recitar uma lição bem estudada.

Eu atrapalho-me um pouco e eles pressionam-me até confessar o crime que sei bem que não cometi.

Segundo diz o advogado, posso não ter uma pena muito pesada.  

Só tenho pequenos delitos no meu registo criminal e não há grandes provas contra mim.

Aconselha-me a ter calma, mas eu não consigo. 

Não esqueço a cara do Tavares quando sabe do crime...

Primeiro, fica vermelha, depois pálida e com um murro violento na secretária, faz voar papéis, canetas e estatuetas em todas as direcções.

" Imbecis!" brada, ameaçando-nos com o punho fechado " Incompetentes! Agora tenho que "limpar" a porcaria que vocês fizeram."

E, "limpou" tão bem que eu, o mais inocente de todos, estou numa cela à espera do julgamento.

Está decidido: se me "safar", não fico cá!

Vou emigrar para o Dubai...



FIM




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO ZÉ DO LAÇO - PARTE VIII


Não sabemos o que se passa lá dentro.

Não me atrevo a fazer perguntas... Nunca devia ter dado ouvidos ao Zé da Viola! penso.

O guarda-costas está impassível. Aguarda... 

O quê? Não estou a gostar nada disto e tento sair do carro, mas Leão impede-me.

" Só quero apanhar um pouco de ar..." justifico, mas nesse momento, a porta abre-se e o nosso "convidado" aparece.

Continua de tronco nu, está descalço e parece transtornado.  

Leão saí do carro imediatamente e pergunta-lhe: " O que se passa? " e o outro responde:

" Creio que está morta!" e cai no meio do chão.

Corremos os dois para dentro da casa e não queremos acreditar no que estamos a ver.

Há garrafas partidas, cadeiras derrubadas, roupa rasgada no meio do chão. E sangue...

Ela está no meio do corredor, nua, a sangrar abundantemente da cabeça. 

Leão toca-lhe no pulso e confirma: " Está morta!"

 " O que fazemos? " pergunto, mas Leão não responde. 

Apressa-se a sair e deixa-me sozinho no meio daquele caos.

(CONTINUA)



domingo, 14 de agosto de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO ZÉ DO LAÇO - PARTE VII


A mulher que entra é sexy e sabe que o é. 

O perfume dela ainda se insinua às minhas narinas e a mão arde-me onde ela me tocou.

" Tem calma, Zé. Olha que ela não é para o teu bico!" repreendo-me enquanto ela correspondeu ao beijo sensual com que Mateus (assim se chama o "convidado" do Torcato) a cumprimenta.

Leão faz-me sinal para avançar e chegamos ao restaurante quase em cima da hora.

Eles desaparecem no interior e o Leão diz-me para voltar dali a hora e meia, duas horas.

Procuro um restaurante calmo para jantar e leio o jornal.  Às vinte e três horas estaciono em frente do restaurante, mas não há sinal nem do Leão nem dos "convidados". 

Ligo o rádio e escolho uma estação que só dá música. Entusiasmo-me, ponho a música alta e só dou conta que eles saíram quando o Leão bate com força no vidro.

Saio com um sorriso de desculpa, mas eles nem dão conta, tão agarrados estão um ao outro.

Entram, o Leão instala-se ao meu lado e arrancamos.

" Para onde?" pergunto e ela responde alegremente: " Para minha casa, na Estrada da Murta!" 

Ele segreda-lhe qualquer coisa e ela desata a rir. Beijam-se furiosamente e Leão sobe o vidro da divisória.

Há risos, gritos de prazer, mas tanto eu como o Leão mantemos o olhar na estrada.

Ao entrarmos na Estrada da Murta, questiono com o olhar o guarda-costa que baixa o vidro e pergunta:

" Onde? " e uma voz grita: " A vivenda branca com as portadas verdes. " Casa Paixão ", o portão deve estar aberto."

Olho rapidamente pelo espelho. Ela já está meia despida e ele está em tronco nu.

Lá está a vivenda e o portão está aberto como ela disse. 

Paro o carro e a porta abre-se violentamente.  Ela tenta fugir, tropeça, mas ele agarra-a pelo cabelo.

" Para! Mas o que é isto? O que estás a fazer?" grita. Preparo-me para a socorrer, mas o guarda-costas impede-me.

" Fica quieto!" rosna e eu fico quieto.  

Ela continua a gritar, mas ele limita-se a arrastá-la para dentro e fecha a porta com determinação.

(CONTINUA)



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO ZÉ DO LAÇO - PARTE VI


" Lembras-te da conversa que tivemos quando entraste ao serviço?" pergunta-me e sem esperar resposta, continua: " Hoje, precisamos que sejas formal e mais discreto do que nunca."

" Com certeza!" afirmo e o Tavares sorri, maldoso: " Óptimo! É o que eu quero ouvir!".

" Hoje, vais ser o motorista particular de alguém importante da organização. 
Esperam-te às oito da noite na Quinta das Maçãs. Entra pela cozinha e pede para falares com o Leão. Ele diz-te o que vais fazer." 

" Leva fato completo, camisa branca e gravata preta ou cinzenta." exige. " E, Zé? " adverte " Bico calado sobre o que vires e ouvires, certo?"  e, satisfeito com o meu sinal, manda-me embora.

São oito horas e aguardo na cozinha pelo Leão. Este aparece, também ele com um fato preto e camisa branca e um auricular. É um homem grande, musculado e raramente olha a pessoa de frente.

" És o motorista? Sabes onde é o restaurante Ibérico? Óptimo! A reserva é para as nove e meia, mas primeiro, temos que passar pela Rua dos Almeidas. Leva o carro para a porta principal e espera lá por nós." e saí.

Na cozinha, as pessoas continuam silenciosas e ninguém responde ao meu "Boa Noite".

Volto para o carro, sem perceber nada. Aquela cozinha estava limpa, perfeita demais, mas sentia-se que o ambiente era pesado.  Como se as pessoas tivessem medo!!!

De quê? Ai, no que é que me vim meter?  Pergunto-me quando paro o carro em frente à porta principal.


(CONTINUA)

domingo, 7 de agosto de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ZÉ DO LAÇO - PARTE VI


E cá estou eu a caminho da Mealhada...

Evito a estrada principal e chego mais cedo do que o previsto.  

Dizem-me que tenho que esperar e recomendam-me um restaurante.

Não há que hesitar: leitão com dose dupla de batatas fritas. 

Vinho??? Não, é melhor um Ice Tea... 

Instalo-me na esplanada e desfruto por completo da hora livre...

Estou a acabar a sobremesa e recebo um telefonema. 

A encomenda está pronta e posso regressar à base.

Chego à garagem pouco depois das sete da tarde. 

E, horror dos horrores, o Tavares está lá e faz-me sinal para o seguir até ao gabinete.

" O que fiz de errado?" e passo rapidamente em revista todas as entregas que fiz.

Mas não é sobre isso que o Tavares quer falar...


(CONTINUA)