sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O ROUBO - PARTE II


A gerência confirma a saída e o Meireles, feliz e contente, começa a passar os processos ao Zé Manel.

O Zé Manel não está nada satisfeito, pois queixa-se que a informação está desorganizada e incompleta.

Além disso, o Meireles confirma muita coisa verbalmente e isso origina uma certa confusão.

Quando confrontado, o Meireles encolhe os ombros e diz, irónico: " Um rapaz tão inteligente como tu resolve isso num instante!!!"

" Recomeça do zero!" aconselha o Gonçalves.

" E, o que faço quando o cliente disser que não combinou aquilo com o Meireles? " pergunta, desesperado, o Zé Manel.

" Pede desculpa, faz nova proposta, combina outras condições de pagamento, desconto." sugere o Gonçalves.

O Zé Manel acalma e decide proceder como o Gonçalves sugere. Há clientes que aceitam as novas propostas, mas outros ainda exigem falar com o Meireles.

Só quando lhes é dito que é impossível, é que concordam em receber as novas propostas.

Por isso, quando o Meireles saí no Natal, todos respiram de alívio.

Mas o pior ainda está para vir.


CONTINUA

 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O ROUBO


" Está decidido! No Natal, vou-me embora!" anuncia o Meireles naquela manhã.

" Aos anos que dizes isso! Só acredito quando a gerência me informar!" responde sensatamente o Gonçalves.

Os outros riem. Conhecem muito bem o Meireles; quando se depara com um obstáculo, desiste de imediato e faz grandes discursos sobre o que faria se fosse ele a decidir.

" Não acreditas??? É a pura verdade!" insiste o Meireles, mas o Gonçalves encolhe os ombros.

Está um pouco farto de queixas; principalmente as do Meireles, que está sempre a criticar os outros e é incapaz de admitir que o erro pode ter sido dele.

A única coisa boa é que esquece rapidamente o que diz.

Por isso, quando a gerência confirma que o Meireles vai sair no Natal, o Gonçalves fica estupefacto.

" Tem a certeza? Ele vai mesmo sair no Natal? " repete.

CONTINUA

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A CONFUSÃO - O FIM


O sócio em Londres não considerou a ausência do Paulo alarmante; talvez tivesse tido uma reunião de negócios fora e não teve tempo de avisar.

" Sem avisar a mulher? " era o que a expressão do Leonardo dizia, mas continuou a ouvir as instruções, sem interromper.

Quando desligou, confidenciou: " Isto está cada vez mais estranho! A mulher não sabe de nada, não recebi qualquer mensagem dele a pedir-me para tomar conta do bar... Este diz para trabalharmos como normalmente...Muito estranho!" 

Encolhi os ombros e voltei para o meu posto. A noite decorreu calma e às oito e meia de manhã, lá estávamos nós no Banco a fazer o depósito das duas noites.

Antes de ir para casa, comprei o jornal e lá estava em letras gordas:

" HOMEM MORTO NA VIELA TRABALHAVA PARA O BANDO DO COMBOIO " e por baixo, a foto do tal indivíduo.


A notícia continuava com o biografia do sujeito, as ligações ao bando e avançava com algumas razões para a morte.

Dizia também que estavam à procura de Paulo Morias, o gerente do Bar Modesto, a poucos metros do local do crime, uma vez que tinha sido a última pessoa a vê-lo com vida.

Quase não dormi a pensar no assunto e qualquer coisa me dizia que o sucedido ainda ia fazer correr muita tinta.

Quando cheguei ao Bar, a Polícia estava lá a fazer uma busca, pois achava que o Paulo também trabalhava para o Bando do Comboio e o bar era apenas uma fachada.

" Bem dizia eu que aquele indivíduo só traria confusão!" desabafei com o Leonardo, mas este nem me respondeu, de tão surpreendido que estava.

FIM



 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE IV


Mas o Paulo não apareceu nessa noite...

Felizmente, o Leonardo sabia a password do cofre e pudemos tirar dinheiro.

Ficamos um pouco surpreendidos por ver que o Paulo não tinha depositado o "caixa" do dia anterior.

" Eh, pá, vamos ter que esperar até às oito e meia e depositamos tudo." pediu-me o Leonardo.

" Não será melhor telefonarmos? Ele pode estar só atrasado..." sugeri e o Leonardo fez a chamada do fixo.

" Boa noite, posso falar com o Paulo? É do bar, o Leonardo." disse polidamente.

Quem respondeu também não sabia do Paulo e aconselhou-nos a contactarmos o outro sócio do Paulo.

" Mas esse não está em Londres? " comentei e o Leonardo, tão baralhado como eu, acenou que sim.

Tivemos que vasculhar a secretária do Paulo, mas lá se encontrou o número de telefone do sócio, de quem pouco ou nada sabíamos.

CONTINUA

  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A CONFUSÃO . PARTE III


Fui petiscar qualquer coisa com o Leonardo antes de apanhar o Metro.

Quando cheguei a casa, adormeci de imediato e acordei por volta das três da tarde, porque o elevador avariou e o sinal de alarme disparou.

Fiquei mais uns minutos na cama, a pensar na vida. A pensar se devia ou não continuar a trabalhar à noite.

Mas a noite é fascinante e não me adaptaria ao ritmo do dia. Talvez pudesse abrir o meu próprio bar ou uma empresa de segurança.

Tinha que pensar nisso a sério, mas entretanto, o Leonardo telefonou-me e desafiou-me para uma corrida.

Quando regressei, já passava das sete e tive que me apressar, pois ia jantar com a minha Mãe.

Não notei nada de anormal no bar ao picar o ponto às dez. Não estava cheio, ainda era cedo e por isso, resolvi ir até à cozinha.

O Leonardo fez-me sinal de imediato e saímos para o corredor.

" O que foi? " perguntei.

" Sabes, aquele individuo? Aquele que o Paulo foi levar a casa? " e continuou, quando acenei que sim " Apareceu morto na Avenida X!" 

" Morto? Na Avenida X? " repeti, surpreendido porque a dita Avenida era perto do bar. 

"Como? Uma hemorragia interna? Bem disse ao Paulo que o devia levar ao Hospital, mas ele não quis." comentei, enquanto o Leonardo acendia mais um cigarro.

" Andam à procura do Paulo. Ao que parece, o tal indivíduo tinha um cartão do bar no bolso." explicou o barman.

" Andam? Como é que sabes tudo isso? " observei e o Leonardo fez uma careta.

" Conheces a Arlette? Aquela loira que trabalha na loja da Aurora? Assistiu a tudo e contou-me." 

Como a Arlette era uma exagerada e tinha uma relação de amor/ódio com o Leonardo... fiquei, como se costuma dizer, de pé atrás.



CONTINUA

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

CONFUSÃO - PARTE II


Avaliei a cena rapidamente e houve qualquer coisa que não estava bem.

Talvez tenham sido as risadas abafadas dos assistentes ou a expressão irônica da mulher em questão.

Como quem diz: " Oh, por favor, estamos no século passado? O homem está apenas bêbado."

Ajudei-o a levantar e ouvi o gerente dizer:

" Leva-o para o meu gabinete. " e abriu a porta de acesso à parte privada do bar.

" Não será melhor chamar o 112? Deve ter o nariz partido." sugeri, mas o gerente abanou a cabeça.

" Não te preocupes! Deita-o aí no sofá para acalmar um pouco e eu levo-o a casa. Volta para o teu posto!" ordenou.

No bar, já ninguém falava do incidente e o ambiente era festivo.

Voltei ao meu posto à porta, mas estava tudo sossegado.  

Na pausa, fui até à cozinha comer qualquer coisa e beber uma Coca Cola e perguntei se sabiam alguma coisa sobre o individuo e um dos barmen respondeu-me que já devia estar em casa, pois tinha visto o gerente sair com ele.

" E, como é que ele estava?" e o Leonardo deu uma risada: " Bêbado. O Paulo teve que o amparar até ao carro."

Encolhi os ombros e avisei o pessoal de que estava na hora de fechar.

O protesto foi geral, mas não vacilei.

CONTINUA


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A CONFUSÃO


Eu já sabia que isto ia correr mal...

O tipo estava completamente embriagado e só queria armar confusão. Tentei impedir que entrasse, mas ele olhou para mim de alto e disse:

" Sabes quem eu sou? Sou amigo do gerente e posso fazer-te a vida negra..." e, nem de propósito, o gerente apareceu à porta nesse momento e deu entrada livre ao sujeito que me fez um gesto feio.

Estou habituado a gestos feios; fazem parte da vida que levo como segurança e não foi isso verdadeiramente que me aborreceu.

Foi ter aquele pressentimento de que a entrada daquele tipo ia complicar a noite.

E complicou... Há pessoas que não gostam de ser humilhadas, agredidas verbal e fisicamente.

Por isso, quando me chamaram, o tipo estava no chão com o nariz partido, copos e garrafas espalhados pelo chão e dois indivíduos seguravam um outro que gritava:

" DEIXA A MINHA NAMORADA EM PAZ! ACHAS QUE TE PODES METER COM AS MULHERES DOS OUTROS?"

CONTINUA