sexta-feira, 22 de novembro de 2019

SOAP OPERA



O novo romance do Jaime, " Onde está o Manuel?" é um sucesso e o Leonardo está muito satisfeito.

" Vais passar umas férias no Dubai à minha custa!" ri-se o Jaime, mas o Leonardo não está preocupado com isso.

Quer saber quais são os planos do Jaime. 

Vai continuar com a série sobre o Detective Latitude ou criar um novo personagem?

O Jaime leva o seu tempo a responder; está indeciso.  

Está um pouco farto da personagem e da sua atitude descontraída; talvez escreva uma " soap opera".

" O que queres dizer com isso? " pergunta o Leonardo.

" Muitas personagens, traições, ciúmes, mortes." diz o Jaime vagamente.

Está mais interessado em observar as pessoas que estão no restaurante.

Há uma mulher alta e loira que lhe chama a atenção. 

Não é bonita, mas o entusiasmo com que fala ilumina-lhe o rosto. Sente que a observam e olha na direcção do Jaime.

Sorri, os olhos verdes brincam com o escritor e este retribuí-lhe o sorriso.

" Jaime, Jaime!" e o Leonardo bate na mesa " Não estejas a namoriscar; explica a tua ideia. Não achas que é uma idiotice escrever uma " soap opera " depois de um livro tão interessante? "

" É só uma ideia! Na verdade, estou um pouco farto de escrever sobre crimes passionais. Gostava de tentar outra coisa; sobre a vida das crianças de pais separados..." o Jaime continua a observar a mulher loira.

Esta entrega um cartão ao empregado e saí.

CONTINUA

P.S.: Estes personagens aparecem no meu conto " A Novela" de Março 2019

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

VERA - FIM



Como trabalho de casa, a médica pede à Vera para encontrar formas de fortalecer a confiança.

Como, a Vera fica pensativa, mas o sobrinho pede-lhe ajuda.

Está a acabar a tese e pensa fazer um video. 

A tia é tão criativa, tem uma voz agradável, é ideal para o que quer fazer.

Os fins de semana são passados a discutir os vários ângulos do video e a Vera adora ver como a ideia está a evoluir.

O resultado é óptimo e a Vera anuncia que vai voltar a estudar.

Marketing digital, acrescenta, é o que a interessa verdadeiramente.

Estás maluca? perguntam-lhe, mas a Vera tem a certeza absoluta e entre o emprego e o curso, a frustração,o desânimo que lhe enchiam o dia quase desaparecem.

O sobrinho recebe uma proposta de emprego, o video é um ponto forte, mas ele confessa que teve também a ajuda da tia.

A empresa pede para conhecer a Vera, que fica surpreendida, mas vai à entrevista.

O curso de marketing digital é interessante, dizem-lhe, tem que terminar, mas ela será uma mais valia para a empresa.

Coordenará os workshops, apresentam-lhe as pessoas com quem vai trabalhar e a Vera fica entusiasmada.

Quando recebe a proposta formal, pede a demissão da outra empresa e é um alívio, diz mais tarde à médica.

A médica está satisfeita, acha que está apta a enfrentar o Mundo sem ela.

Perante o olhar espantada da Vera, diz que a pode consultar sempre que quiser.

Mas tem a certeza absoluta de que a Vera está agora mais confiante em si e voará sem medo de cair.

Porque a Vida é feita de altos e baixos e o segredo está em como sobreviver aos baixos.


FIM

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

VERA - PARTE IV


" Se calhar, foste tu a autora do crime, Vera!" diz a Helena maliciosa.

" EU??? " repete a Vera, estupefacta.

" Sim, vocês as duas estavam sempre a discutir e, às vezes, a Luísa tinha razão. A Vera é muito leviana!" acrescenta a Cristiana.

" E ia matá-la? Vocês estão tolinhas?" responde a Vera, indignada.

" Nunca se sabe!" continua a Cristiana " A Vera está armada em menina bem, trabalha só para si... nunca em equipa!"

A Vera fica boquiaberta com a injustiça dos comentários e as outras duas riem-se.

Esperam que desate a chorar, mas a Vera recompõe-se e comenta:

" Lamento que pensem isso, porque, ao que eu saiba, nunca prejudiquei ninguém." e senta-se.

É a vez das outras duas ficarem caladas. A atada, a idiota a fazer-lhes um discurso? E, tinham que admitir, ela não tinha prejudicado ninguém.


Pensando bem, para atingir os seus objectivos, a Luísa não se importava de " calcar" fosse quem fosse.

Roubou o caixa e se a Helena fosse acusada do roubo, melhor.

Por isso, não fizeram mais comentários e concentraram-se nos projectos em mão.

A Vera presta pouca atenção ao trabalho e o Chefe tem que lhe chamar a atenção.

Não pode definir o que sente - se humilhada, se frustrada ou simplesmente irritada.

Não pode realmente continuar a trabalhar na empresa, explica à médica, uma coisa é não gostarem de mim, outra é insinuarem que fui culpada da morte da Luísa.

As pessoas dizem coisas estúpidas no calor do momento, insiste a médica.

Não, não foi, afirma a Vera com a confiança que a médica queria que ela ganhasse.


CONTINUA

terça-feira, 19 de novembro de 2019

VERA - PARTE III


O roubo é o tema das conversas naquele dia e a Vera apercebe-se que as pessoas, com quem a Luísa trocava piadas e afins são quem mais a criticam.

" São horas do Diabo!" resume a D.Clotilde, a faz tudo da empresa e não acrescenta mais nada.

Vera está curiosa em saber como é que o serviço será organizado a partir de agora, mas, quando chega à empresa no dia seguinte, é impedida de entrar pela polícia.

Pedem-lhe a identificação e só depois de verificarem os dados, é que abrem a fita que limita o perímetro.

A Vera passa, olha para a entrada e vê um corpo.  Um sem-abrigo que morreu ali?

A polícia faz-lhe sinal para seguir em frente, para contornar o edifício e na entrada lateral, raramente usado, está o Chefe à espera dela.

" Entre, Vera! Explica-lhe já tudo:" e no átrio, que a D.Clotilde está já a arrumar, estão a Helena e a Cristiana, visivelmente chocadas.

" Vera, alguém matou a Luísa e largou o corpo na entrada principal!" explica o Chefe " Vai haver uma investigação, a polícia vai interrogar-nos, mas vamos manter a calma."

" O Chefe acha que podemos manter a calma com um assassino à solta? " interrompe a Cristiana de imediato.

" Oh, menina, tenha calma, não sabemos os detalhes todos!" observa a D. Clotilde " Lá por terem assassinado a menina Luísa, não quer dizer que nos matem também."

" A D.Clotilde tem toda a razão." concorda o Chefe " Pelas razões óbvias, não podemos utilizar a entrada principal, por isso, avisem todos os fornecedores e clientes que se devem entrar por aqui Quanto à central telefónica, já estamos a colocar um biombo para a separar da entrada."

" Por quanto tempo? " pergunta a Vera.

" Não sei, Vera. Para já, vamos trabalhar calmamente e quando a polícia quiser falar convosco, sejam sinceros." aconselha o Chefe.

Sobem para os gabinetes, mas não dizem nada, se bem que a pergunta seja:

Quem matou a Luísa? E, porquê deixá-la na entrada do escritório?


CONTINUA





segunda-feira, 18 de novembro de 2019

VERA - PARTE II


Continua a achar que o problema está nela, a Vera confessa, mas a médica volta a insistir que não há culpas.

As pessoas têm feitios, valores diferentes, mas se não há respeito, não há nada.

A Vera quer acreditar no que a médica, mas depois daquela discussão, não vê como ultrapassar a questão.

Nota que a colega está a troçar dela, mas a Vera mantém o mesmo tom de voz, baixo, calma quando lhe responde que é só uma colega de trabalho, não tem que lhe dar ordens.

A colega fica muito séria, diz-lhe que é tão criança, nem parece ter a idade que tem e a Vera não compreende muito bem se foi insultada, se devia ter dito mais alguma coisa.

Decidiu que era melhor esquecer, ignorar os comentários idiotas e concentrar-se no que gosta de fazer.

Mas, um dia a discussão com a colega é tão grave que o Chefe a aconselha a tirar uns dias de férias.

Porquê ela e não a outra, mas não se atreve a perguntar, o Chefe diz que falam quando ela regressar.

Assim, a Vera vai passar um fim de semana prolongado a Santiago de Compostela, tira imensas fotografias e fica mais relaxada.

Contudo, encontra o escritório em pé de guerra e há tantos rumores que é difícil compreender o que se passa.

Finalmente, alguém conta-lhe em pormenor e a Vera fica espantada.

A Lúcia, a colega com quem teve a discussão, foi apanhada a roubar.

Ainda tentou negar, atirar a culpa para a Helena, mas havia testemunhas e ela acabou por aceitar a demissão, sem indemnização e em troca, a empresa não apresenta queixa à polícia.

" E. tão formidável que ela era!" comenta a Helena " Nem sequer pensou nos outros... Só me afastei cinco minutos, mas foi o suficiente para ela pegar no dinheiro."


CONTINUA


domingo, 17 de novembro de 2019

VERA


" Respira fundo, Vera, não mostres medo!" pensar é fácil, agir é mais complicado e a Vera sente-se muito sozinha.

Culpa sua, talvez, mas rejeita de imediato o pensamento. 

A médica não quer que pense nisso, tem apenas que compreender que não faz parte da vida daquelas pessoas, que nunca foram suas amigas.

Toleram-na apenas, é alguém que trabalha com eles e não existe fora do escritório.

Mas o pior, acha a Vera, é a divisão entre as pessoas, trabalham na mesma empresa, mas a médica diz que está a ter uma visão muito romântica da vida.

Será?  Encontre os seus próprios amigos, invista nas coisas de que gosta, seja quem é e não uma sombra, aconselha a médica.

Mesmo que os outros não gostem? E a médica apenas sorri, porque a realidade é essa.

Encontramos pessoas com quem estabelecemos laços para toda a vida e outras que não suportamos.

E, com isto em mente, a Vera abre a porta e entra.

Há sorrisos, oh, pá, estás melhor, mas esquecem-na pouco depois e a Vera fica a olhar para a secretária vazia.

Aquele primeiro dia é complicado, a secretária permanece vazia e ninguém lhe fala.

Vera sente-se frustrada. Ok, esteve ausente dois meses, mas esteve bastante doente e ninguém pensou que recuperasse.

Assim é que não recupero, murmura quando sai e nem responde quando, em casa lhe perguntam como correu o dia.


CONTINUA



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

O REGRESSO - O FIM


O almoço até corre bem, a Sandra não está propriamente à vontade, mas a Cristina está bem disposta e só conta anedotas.

Combinam que, pelo menos um vez por mês almoçam juntas. 

Naquela restaurante ou noutro e cada uma paga o seu.

A Sandra agradece a companhia e desaparece na sala do arquivo. 

Diz que tem muita coisa a catalogar, mas talvez se encontrem na cafetaria mais tarde para um café?

Porque não? pensam a Carla e a Cristina, uma troca de palavras amáveis é essencial para a vida.

" Pena a Beatriz!" comenta a Carla nessa noite " A Sandra mostrou-se um pouco hesitante, um pouco indecisa, mas suspeito que está a reaprender a viver..."

" Vai demorar a confiar nas pessoas." confirma o Brites " Não te preocupes com a Beatriz, parece-me ser aquele tipo de pessoa que é um herói quando tudo corre bem, mas esquiva-se quando as coisas dão para o torto."

" Sim, porque ela também alimentava a troca de comentários impróprios... Claro que a Sandra também me disse que tinha a vida garantida porque estou casada com um detective, mas eu fiz de conta."

" Vida garantida?" ri-se o Brites, atraindo-a a si, mas a Sofia resolve interromper o romance dos pais.

Os meses passam, a Sandra começa a sorrir mais, mais descontraída, mais confiante e a Carla recebe uma proposta de emprego irrecusável.

O Brites incentiva-a a aceitar e os colegas oferecem-lhe um jantar de despedida.

A Cristina e a Sandra obrigam-na a prometer que continuam a almoçar juntas uma vez por mês e a Carla ocupa satisfeita o novo lugar.

É num desses almoços, quase um ano depois, que a Sandra conta tudo o que lhe aconteceu às duas amigas.

Porque confia nelas....


FIM