sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O SAPO CANTOR - PARTE III


" Silêncio!" impôs o Ancião " Ninguém vai fazer nada! Vamos ser civilizados e dar-lhe um prazo para se organizar... Caso não o faça, tomaremos as medidas necessárias!" acrescentou.

E, eis porque, um mês passado o sapo cantor entrou de malas e bagagens num comboio a caminho do Leste. Talvez por lá os sapos apreciem mais o belo canto, pensou.

Infeliz, foi até à carruagem bar. Ao abrir a porta, quase ensurdeceu com o barulho.

O bar estava cheio de gente, uns a beberem, outros a cantarem.  E são árias de ópera, registrou o sapo ao aproximar-se a custo do balcão.

" Um chá, se faz o favor." pediu " O que se passa aqui?" perguntou ao empregado.

" É uma companhia de ópera itinerante e para animar a viagem, cantam as áreas favoritas dos outros passageiros." explicou o empregado, servindo-lhe o chá.

A ária terminou e o sapo aplaudiu como os demais, gritando: "Bravo!"

O cantor agradeceu e sorridente, perguntou-lhe: " Então, o que gostaria de ouvir?"

" Eu? " repete o sapo cantor, admirado.

CONTINUA

terça-feira, 27 de setembro de 2016

O SAPO CANTOR - PARTE II


O professor abanou a cabeça e suspirou:

" Nem os meus conselhos sobre o canto ele quer ouvir! Achas mesmo que posso discutir esse assunto com ele? Já se queixa de ser um incompreendido; imagina se lhe digo que os vizinhos estão fartos dele!" 

" Então, falo eu com ele! Temos que resolver isto; caso contrário, teremos um motim em mãos!" decidiu o Ancião.

Mas, tal como o professor o avisou, o sapo cantor recusou-se a ouvi-lo e repetiu:

" Sou um incompreendido! Estou rodeado de ignorantes que não sabem o que é a arte!"

O Ancião zangou-se e repreendeu-o:

" Não é nada disso! Apenas não querem que cantes à noite! Aluga um estúdio; trabalha lá e descansa em casa!!!" explicou.

Saiu, exasperado com a teimosia do cantor e sem saber o que dizer aos outros sapos.

Estes esperavam-no no gabinete e o Ancião não esteve com rodeios. Contou tudo.

Os outros sapos ficaram furiosos e a discussão foi violenta.

" Ele é que é um ignorante! E incompreendido? Ah, espero que não me encontre na rua; não respondo por mim!" disse um.

" Se voltar a cantar às duas da manhã, arrombo a porta e desfaço a dita sala de música." gritou outro.

(CONTINUA)

sábado, 24 de setembro de 2016

O SAPO CANTOR


Esta é a história...

                   De um sapo que queria ser cantor de ópera.  
                   Estudava noite e dia para grande aborrecimento dos vizinhos.

" Porque é que não trabalhas num estúdio?" perguntavam-lhe. O sapo prometia que assim faria, mas depois esquecia-se e na noite seguinte, os vizinhos acordavam sobressaltados com a sua voz potente.

" Isto não pode continuar!" disseram ao Ancião naquela manhã " Isto tem que ficar resolvido de uma maneira ou outra! Se ele não se calar, somos até capazes de lhe incendiar a casa!" ameaçaram.

O Ancião resolveu falar primeiro com o professor de canto. Queria saber o que ele pensava, até porque conhecia bem o cantor e talvez soubesse como o poderiam convencer a mudar de comportamento.

Este ouviu-o educadamente, mas, quando o Ancião terminou, abanou a cabeça.

" Impossível! Está tão obcecado pelo canto; quer tanto ser o maior tenor do Mundo que não escuta ninguém!"  lamentou-se.

O Ancião surpreendeu-se e perguntou-lhe:

" Mas não és o professor dele? Não foste tu quem o ensinou a colocar a voz, etc?"


CONTINUA




quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A EMPRESA - PARTE IX


O Bernardo confessa tudo e pede-nos para não contactarmos a polícia.

Não o fazemos, mas comunicamos ao Instituto de Emprego que, embora o trabalho fosse satisfatório, o Bernardo não continuaria o estágio na Empresa por "não se enquadrar na nossa política". 

Como lhe disse o Jaime quando se inteirou da situação:

" Todos merecemos uma segunda oportunidade. Vê lá não estragues a próxima; podes não encontrar pessoas tão compreensivas!" frisa.

A Ana tenta localizar o Jorge, mas ele não atende o telemóvel. A Master D apenas nos diz que ele aceitou um outro estágio e considera o assunto encerrado.

A vida volta ao normal... Ou não, pois sinto-me um pouco culpada por tudo o que se passou e a minha relação com a Ana e a Carolina está diferente.

Noto uma certa distância a nível pessoal, pois ambas continuam a cumprir as funções atribuídas de forma eficiente e dedicada.

Mas há sempre um "mas".   Recebo uma notificação do Tribunal para me apresentar hoje às 10h00 para esclarecimentos sobre o " estágio de Jorge Manuel Rodrigues na Empresa de Eventos Mor".

Aguardo que me chamem...  O que vai acontecer agora? A mim e à empresa...

Como diria a minha Mãe: " Devias ter pensado antes!"


FIM



A próxima história é....?????


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A EMPRESA - PARTE VIII


" O que se passa, Augusto?" pergunto aborrecida com a interrupção, mas o Augusto nem me ouve, tão exaltado está.

" Apanhei este idiota a esconder umas garrafas de vinho no carro dele! E não é a primeira vez!" Para para respirar e continua: " Num evento, não sei se há 3, 4 semanas, faltaram umas garrafas de vinho e quando o confrontei sobre o assunto, pois ele era o responsável pelo vinho, teve o desplante de insinuar que teria sido a equipa de limpeza a tirá-las!" 

" A equipa de limpeza? " repete a Ana " Mas eles trabalham connosco há anos!"

" Pois, eu não gostei e comecei a vigiá-lo para ter provas. E, hoje, apanhei-o!" e dá um encontrão ao Bernardo, que está muito pálido.

A Carolina também está pálida e quando olha para mim, não gosto do que vejo.

Censura-me e não deixa de ter razão. Mordo o lábio e não respondo quando o Augusto pergunta:

" O que vamos fazer? Chamar a polícia? "

" Não! Não façam isso! Eu devolvo tudo!" interrompe o Bernardo, não sei se assustado ou envergonhado.

O que me preocupa agora não é o que fazemos com o Bernardo, mas com o Jorge, que presenciou a cena toda. O que faço? Peço desculpas? Ofereço-lhe um lugar no quadro da empresa? 

Mas o Jorge já sabe o que vai fazer e muito calmo, anuncia:

" Dadas as circunstâncias, acho que me devo retirar. Há assuntos que os senhores têm que resolver e não têm nada a ver comigo. Amanhã, passo cá para retirar os meus objectos pessoais."

" Oh, Jorge, o que estás a dizer? Espera aí; vamos conversar." pede a Ana.

" Não, D Ana. Como compreendo, não posso ficar aqui. Mas obrigada, D Ana, a senhora foi sempre muito amável. A senhora também, D Carolina." e com um aperto de mão ao Augusto, saí.

Com dignidade... A vergonha fica comigo....

(CONTINUA)



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A EMPRESA - PARTE VII


O Jorge entra sozinho, pois, segundo diz, o Bernardo está numa reunião de trabalho.

Aguarda educadamente que eu fale. Exponho-lhe a situação e pergunto-lhe se tem alguma coisa a dizer sobre o assunto.

A Ana e a Carolina tentam ler-lhe a expressão, mas ele é enigmático. 

Estão ansiosas, preocupadas, mas não dizem nada.

" Então? " insisto e a resposta chega calma, educada.

" Se me está a perguntar se eu tirei alguma coisa da casa dos clientes, a resposta é não.
Nunca faria isso; sempre me disseram que, se quero ser respeitado, tenho primeiro que respeitar os outros." e sorri levemente.

As minhas assistentes respiram de alivio, mas eu pergunto novamente:

" Tem a certeza? " e a postura do Jorge muda. 

O corpo fica hirto, tenso e os olhos parecem de aço, mas continua a falar calma, educadamente:

" Eu disse que não tirei nada da casa dos clientes. Nunca faria isso! Nunca!" frisa.

Começo a ficar desconfortável e não me atrevo a encarar as assistentes.

Estamos os quatro em silêncio, sem sabermos muito bem que atitude tomar quando o Augusto entra, empurrando o Bernardo.

" Vou contar tudo o que se passou e NÃO TE ATREVAS a negar! EU VI!!!" grita.

(CONTINUA)


terça-feira, 13 de setembro de 2016

A EMPRESA - PARTE VI


" Não, não acredito, Mena. Os dois são muito bons e eu e a Ana até vamos recomendar que um deles fique depois do estágio." confidencia a Carolina.

Contudo, a Ana, que entra nesse momento, interrompe-a:

" Olha que não sei se será boa ideia, Carolina. Estive ao telefone com a D Margarida Santarém e ela perguntou-me uma coisa muito estranha." comenta, sentando-se no sofá ao lado da Carolina.

Inclino-me para a frente e incentivo-a a falar: 

" Anda lá, conta tudo; não escondas nada!" peço.

A Ana respira fundo e continua: " Perguntou-me se tinha plena confiança nas pessoas que estiveram presentes no jantar que ofereceu há uma semana. "Desapareceu" um telemóvel de um dos convidados e encontraram vazia a carteira de um outro. A D Margarida pediu imensa desculpa por estar a questionar isso, mas nunca aconteceu tal coisa nos outros jantares que nós lhe organizamos. Não sei o que pensar!" confessa.

" Quem estava presente? " pergunto-lhe e a Ana diz: " Eu, a Amélia e os dois estagiários. O Bernardo tinha a lista dos convidados e organizou os lugares e o Jorge tratou do bar. Oh, meu Deus, terá sido um deles?" murmura.

" Não duvides! Vamos resolver isto agora!" marco a extensão dos Recursos Humanos e mando chamar os dois estagiários.

" Oh, Mena, está a ser precipitada! Temos que investigar isto cuidadosamente!" recomenda a Carolina.

" Podes estar a acusar um inocente!" acrescenta a Ana. 

Mas eu ignoro-as...

(CONTINUA)