segunda-feira, 16 de julho de 2018

O INDECISO - O FIM


Gonçalo aceita fazer trabalhos como freelancer.

Não é muito seguro, sabe que tem que se esforçar muito, mas é perfeito para a sua mente organizada.

Controla o processo todo e em breve, há algumas empresas que o chamam para completar os seus próprios projectos.

Oferecem um lugar na empresa, mas Gonçalo está a gostar de estabelecer as suas próprias rotinas.

Até que um dos amigos da universidade fica desempregado e contacta-o.

Teve uma ideia " maluca ", chama-lhe, mas não tem nada de louca quando lha explica.

Abrir uma pequena empresa, o amigo já fazia algum trabalho de consultadoria e pode trazer essa pequena carteira de clientes.

O Gonçalo também tem alguns clientes fieis e para já, pode resultar.

" Vamos avançar com cuidado!" diz o amigo e o Gonçalo concorda.

Estabelecem um plano e escolhem um espaço.

O pai resolve emprestar-lhe "algum capital", o amigo entrega o projecto na Segurança Social e abrem ao público com uma festa discreta.

O nome? 

Não hesitam, pois o amigo também conhecia bem a irmã: CLÁUDIA'S PROJECTS.


FIM

domingo, 15 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE V


A Cláudia não resiste, não podem fazer mais nada por ela.

Não, não pode ser verdade, mas é. Gonçalo sente-se vazio, está a viver um pesadelo.

Refugia-se na noite, ele que raramente saia, esquece-se de si no pior lado da vida.

Álcool, muito álcool, amigos duvidosos.  Tudo para esconder uma dor absurda.

Até que acorda uma manhã num local desconhecido no meio de gente que não sabe quem.

Como veio aqui parar? Quem são? Não se lembra e volta para casa, arrastando os pés e uma cabeça pesada.

A Mãe está novamente lavada em lágrimas, mas é por ele, não por Cláudia. Isso choca-o...

Não sabe o que fazer... Pedir desculpas não é suficiente...

Gonçalo pede ajuda então... 

Há muito que a empresa onde trabalhava o despediu, mas não está preocupado com isso.

Cláudia, onde estás? 

Faz-lhe falta o riso, as observações irreverentes, os ditos engraçados...

Gonçalo sorri... De certeza absoluta que a Cláudia não queria que ele vivesse assim...

Derrotado, revoltado, escondido na amargura....

CONTINUA




sexta-feira, 13 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE IV


Atende irritado, pronto para repreender.

" Oh meu Deus, Gonçalo, é a Cláudia! " grita a Mãe.

Teve um acidente, pensa Gonçalo, como,  onde, quer perguntar, mas a Mãe não dá tempo.

" Vem ter comigo ao Hospital! " e todos na sala o olham assustado.

" Há algum problema? " pergunta a recepcionista e Gonçalo fita-a sem compreender.

" Podemos ajudar? " repete e Gonçalo diz que não pode ficar, que a irmã teve um acidente.

É grave? mas Gonçalo não sabe, está completamente desorientado.

A empresa não o deixa sair sozinho e alguém o conduz até ao Hospital, onde Gonçalo encontra a Mãe em lágrimas.

" Não sabemos nada... Mas é grave, Gonçalo, temos que nos preparar para o pior." explica o pai.

O motorista aperta-lhe a mão, despede-se educadamente.

E esperam.... A noite inteira....

Gonçalo tenta saber o que aconteceu, mas nem o Pai nem a Mãe querem falar do assunto.

A tia Isabel chega entretanto e o tio Francisco também. 

É este quem explica ao Gonçalo que a Cláudia foi à praia com uns amigos. 

Alguém deve ter bebido demais ou simplesmente ignora o limite de velocidade.  

Ao fazer uma curva, perdem o controlo do carro e este capota e aterra na berma.

Um dos amigos morre no local, outro fica ferido gravemente, mas é a irmã quem está pior.

Gonçalo quer falar, mas não consegue.

Aproxima-se um médico.


CONTINUA





O INDECISO - PARTE III


O primeiro emprego é um choque para a mente organizada do Gonçalo.

Prazos, metas, exigências, pressões... O que é isto? 

Ter que justificar cada passo, cada decisão...

" Chama-se trabalho em equipa!" goza a Cláudia.

Gonçalo está extenuado, acha que não vai conseguir. 

Fala com uns amigos, mas estes gostam de sentir a adrenalina, de trabalhar sobre pressão.

Tenta adaptar-se, mas exigem cada vez e entra em pânico quando pensa que não vai cumprir o prazo.

Consegue, mas pensa que errou na carreira. Ou é ele, a maneira de ser que está errada.

" És introvertido, não te expressas. Oh, pá, dá um soco na mesa e anda para a frente." aconselha a irmã.

Gonçalo tenta falar mais, pesquisa mais, apresenta ideias inovadoras.

Algumas são aceites, outras rejeitadas de imediato com umas piadas à mistura.

Fica ofendido e começa a procurar outro local para trabalhar, mais calmo.

" Oh, pá, não ligues. Já te disse, anda para a frente!" repete a Cláudia, toda entusiasmada com o curso de Jornalismo.

Mas Gonçalo continua a responder a anúncios, acha que vai encontrar o emprego ideal.

É convocado para uma entrevista e é enquanto espera que recebe o telefonema que lhe mudará a vida.

A de toda a família.


CONTINUA

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE II


" Gonçalo, o que queres fazer na vida? " pergunta a Mãe.

Gonçalo fica calado... Não sabe verdadeiramente o que quer.

Sabe o que os outros esperam dele, mas ele apenas quer que o deixem em paz.

" Tens que ter algum objectivo... alguma coisa que te interessa e te faça vibrar... " insiste a Mãe.

Gonçalo sorri e nem tenta explicar o vazio que há dentro dele. Nunca o entenderia...

Às vezes, nem ele próprio entende. Este aborrecimento, esta tristeza sem limites...

Ok, tem uma família simpática, gosta do curso e até é um bom aluno.

Mas... maldito "mas" que não o deixa avançar e ser livre como a Cláudia que vive apenas o momento.

A irmã entra como uma furação na sala e distraí a Mãe.

Gonçalo murmura uma desculpa e fecha-se no quarto.

Tem umas fotos para descarregar, actualizar o blog e acabar de ler aquele livro.

Este é o seu Mundo... não lhe preenche o vazio que sente, mas não o agride.

Foi ele quem o criou. Sabe que está a adiar o confronto com a realidade.

Mas a realidade não precisa dele agora.


CONTINUA

terça-feira, 10 de julho de 2018

O INDECISO


" Mas afinal o que queres? " pergunta, desesperada, a Cláudia.

O irmão encolhe os ombros e responde.

" Não sei!" e a irmã tem vontade de lhe bater.

Há mais de dez minutos que olha para os cartazes do cinema e é incapaz de decidir qual o filme que quer ver.

" Desisto! " explode Cláudia " Vou ao cinema e quero lá saber se tu vens ou não!"

" A Mãe disse-me para não te perder de vista." insiste o Gonçalo.

" Quero lá saber. Vou ver um filme e está decidido!" e avança para a fila.

Gonçalo vê-a comprar o bilhete e entrar, mas continua indeciso.

Acaba por não ir e fica à espera da irmã, que reaparece duas horas, eufórica.

Foi um bom filme, uma história bem explorada, com bons actores. 

" Não podia ser melhor e tu? Não fizeste nada? " pergunta.

Gonçalo mostra-lhe o livro que comprou e agora é a vez da Cláudia encolher os ombros.

Chegados a casa, a Mãe não sabe o que dizer.

A Cláudia tem toda a razão; talvez fosse melhor ter concordado com a saída de amigas.

" Gonçalo, vamos conversar? "

CONTINUA

domingo, 8 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - O FIM


O detective Fontes aparece com novidades.

A culpa foi do Mateus...

Perguntou à Anabela se queria ganhar um dinheiro extra e sem o conhecimento do Mendes.

Anabela aceitou e deve ter achado muito estranho entrar num gabinete vazio.

" Claro que o deve ter questionado e ele agrediu-a. " conta o detective " Ela tentou fugir, mas ele tinha travado a porta e bateu-lhe até ela ficar inconsciente. "

" E eu? " pergunto.

" Ele preparava-se para sair, mas a Cristina entrou, viu a Anabela naquele estado e tentou socorrê-la. Antes que gritasse por socorro, agrediu-a também, o que lhe deu tempo para fugir."

" Não me lembro de nada. Senti que estava alguém atrás de mim... mas é tudo o que sei." confesso.

" Não há problema! Já o apanhamos e ele confessou. " 

O detective sorri e diz:

" Sei que lhe vão dar alta. Vai voltar a dançar no Clube? Vai ter coragem para isso?"

" Não, não. Enviei alguns CV's e propuseram-me um part-time com possibilidade de ficar em full time. Pode ser que tenha sorte e fique." acrescento.

" Boa! Obrigada pela ajuda e boa sorte no novo emprego. " e despede-se com um forte aperto de mão.

Eu deixo o hospital uns dias depois. 

O Mendes ainda me tentou convencer a voltar, mas eu quero tentar outras coisas. 

Será que vou ter sorte?



FIM

sexta-feira, 6 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE VI


Nem de propósito, o Brites visita-me nesse dia.

Entrega-me um ramo de flores e uma caixa de bombons e instala-se numa cadeira, pronto para uma conversa.

Não resisto e pergunto-lhe:

" Estavas de folga quando mataram a Anabela? "

" Não, o Mendes mandou-me tomar conta da sala principal e disse ao Mateus para estar de guarda ao corredor dos gabinetes." diz.

" Não me lembro de ver o Mateus no corredor... Foi o que disse ao detective que esteve cá." comento.

" Acho que ele já sabia, mas queria confirmar contigo! " avisa o Brites " Afinal, és uma vitima e uma testemunha!" acrescenta.

" Quem me encontrou? " e o Brites suspira.

" O cliente que estava à tua espera quis falar com o Mendes e este pediu-me para te procurar. As meninas no vestiário disseram que tinhas mudado de roupa, pois ias dançar para um gabinete. Ora, não estavas no gabinete 3, por isso, procuramos em todos." conta o segurança.

" E, agora, o que é que vai acontecer? " mas o Brites abana a cabeça e aconselha:

" A polícia já deve ter muitos elementos, mas queria confirmar alguns pormenores contigo. Quem matou a Anabela, quase de certeza te agrediu." e despede-se.

Está de serviço esta noite.

Passa-me uma ideia maluca pela cabeça.

Terá sido uma armadilha preparada pelo Mendes e o Mateus? Terá a Anabela descoberto algum podre sobre eles e exigido dinheiro?


CONTINUA