quinta-feira, 31 de março de 2005

INVICTA

Hoje, resolvi seguir um caminho diferente!
Saí, por isso na Cordoaria e cruzei a rua para descer os Clérigos.
Detive-me uns minutos a apreciar a fachada restaurada e bem cuidada da Livraria “Lello & Irmão” e senti, por fim um sorriso a iluminar-me o coração e a marcar com cor os meus lábios.
A fachada da “Lello & Irmão” é um dos ex-libris da cidade e vale bem a pena perder uns minutos, mesmo eu que aqui moro, a estudar os pormenores.
E, depois o azul pálido do céu rodeava-a, fazia sobressair as figuras pintadas e por entre a janela entreaberta, o rosa do tecto transformou-se num sonho cheio de histórias.
Dos tempos medievais, em que a cidade era muito diferente do que é hoje!
Ou não
!
Continuamos a defender a cidade com toda a garra, com toda a nossa lealdade, com todo o nosso amor!
Por isso, faz todo o sentido chamar-lhe “Invicta”!

terça-feira, 29 de março de 2005

O SEXO DOS ANJOS

Não sei se os Anjos têm sexo – acho que até há um livro ou um programa de rádio com esse título, mas não tenho a certeza!
E não quero saber disso – se têm cabelo encaracolado preto ou loiro, se vestem grandes túnicas brancas com asas douradas ou se tocam flautas douradas.
Ou mesmo se voam!
No entanto, acho que sim, que têm vozes cristalinas e doces, abençoadas por Deus e que todos as podemos ouvir – eu chamo-lhe a voz da minha consciência!
A minha sombra, o meu aconchego, o meu amparo, a pedra que me segura e não me deixa cair!
Se não fosse a voz do meu Anjo da Guarda, como é que eu comunicaria com o sol,a lua e o mar?
Como é que eu escutaria os lamentos da lua, os comentários brincalhões do sol ou os discursos majestosos do mar?
O que me diz neste momento o meu Anjo da Guarda?
Sussurra-me, acariciando levemente a minha face que devo ir ao Spa – relaxar no jacuzzi, deixar que aquela água borbulhante e quente nos massaje o corpo e liberte a nossa mente do peso dos problemas!
É uma boa ideia, não acham?

segunda-feira, 28 de março de 2005

A CAIXA

Encontrei, bem lá no fundo da estante, a caixa que faltava arrumar e que contém os meus segredos.
Segredos?
São apenas papéis sem importância – cartões de parabéns, as raras cartas que a minha madrinha me escreveu, frases copiadas de livros emprestados, com anotações escritas à pressa para transformar depois num texto…
Enfim, coisas que os outros consideram ninharias, mas que para mim, são tão preciosos como um poema de Pablo Neruda!
No meio desses papéis, encontrei uma fotografia de um grupo de pessoas que conheci num “Breakfast Club” – o “Club” do Instituto Wall Street, que funcionava aos sábados de manhã.
Diverti-me imenso nesses “Breakfasts” – encontrei pessoas interessantes, vivas, divertidas e com estilos de vida e ideias variados.
Foi aí que reformulei muitas coisas que tinha aceite como verdade, impostas pela vida familiar e participava activamente nas saídas em grupo, quer se tratasse de um jantar ou de um simples passeio de barco.
Aprendi também a rir e a participar com gosto das brincadeiras, dos comentários ditos com um humor e com uma inteligência bem estruturada.
Sem serem, necessariamente grosseiros!
Ou com insinuações sexuais!
Porque, embora sexo seja um tema interessante, que nos faz vibrar, só nos diz respeito; faz parte da nossa intimidade!
E, às vezes, as pessoas transformam-no em algo grotesco, violento, arrepiante mesmo!

MÚSICA

Que bom foi ouvir música – não “heavy metal”, mas música que entrou directamente no meu coração e me fez lembrar uma viagem inesquecível!
Estou a falar da bossa nova e de novos cantores brasileiros que impuseram um cunho muito pessoal a um ritmo que deu volta ao mundo.
Maria Rita, Vanessa da Mata – apenas para citar alguns, num CD compilado por Gilberto Gil!
Que saudades tenho do Brasil!
Achei tudo tão diferente da Europa – foi uma viagem ao reino dos sentidos, deixei que me controlassem, me inspirassem e adaptei-me rapidamente ao ritmo das cidades que visitei, aos cheiros e aos sons que cercaram o meu corpo e mente.
Nunca esquecerei o nascer ou o pôr-do-sol ou a vista inspiradora de histórias e canções da “Cidade Maravilhosa”, lá em cima do Pão de Açúcar!
Naquela altura, eu não escrevia – guiava-me apenas pela memória; encarava cada viagem apenas como um capítulo de mais um livro que lia!
Agora, como mudei tudo, talvez esteja na altura de reunir os bocados dispersos das minhas memórias, das minhas fotografias e reescrever a minha própria história sobre a “Cidade Maravilhosa”.
Ou sobre a Bahia ou mesmo Brasília!

sábado, 26 de março de 2005

SER OU NÃO HUMANA

Diz o povo “Dorme com Deus e com os Anjos” e ontem, acordei em paz comigo mesmo.
Saí para a rua e misturei-me com os outros anoraks e guarda-chuvas, pois a chuva e o vento forte marcaram presença neste dia – uma presença inesperada para a Páscoa, que se diz ser a época do recomeço.
E quando se pensa em recomeçar, pensa-se logo em Sol, Calor, Cores Vivas e em Sorrisos.
A chuva e o vento impediram o Sol de aparecer, mas não a música, as máquinas fotográficas e gente, muita gente a falar com sotaque!
O Patinho Feio não entrou na Igreja, para agradecer a Deus, porque achou que Deus já sabia que ela estava em Paz.
As marcas do medo e da insegurança, que fazem às vezes com que ela hesite, estão ainda visíveis, mas não tenho que ser sempre forte!
De vez em quando, tenho mesmo que quebrar e chorar!
E não tenho vergonha em confessar que tenho medo, sim de, um dia não ser capaz de me erguer do chão e continuar a andar!
Sou humana, não sou?

quarta-feira, 23 de março de 2005

RICA EM SENTIMENTOS

Quando olhas para mim assim, com essa expressão tão sentida, o que é que eu posso fazer?
Sorrio quando te deixo, finalmente subir para o meu colo e aninhares-te contra o meu peito com um grande suspiro de satisfação.
Depois adormeces e eu tenho tempo para continuar a ler o meu livro ou sigo-te o exemplo e durmo também.
A crianças ou a cachorrinhos não se nega colo; estende-se os braços!
Confiam em nós; necessitam da nossa protecção e sentem a nossa rejeição, que não merecem.
É um facto – não tenho e nunca terei filhos, mas posso dedicar-lhes horas do meu dia, um dia quando estiver mais liberta.
Entretanto, distraio-me com as que passam por mim e sorriem.
Ou me lançam a língua de fora!
Ou me dizem, com um ar muito solene e num tom indiferente, sem atribuir grande importância ao facto, que “Sim, chamo-me Marta, mas não sou a única!”
Ou a bebé, que descobriu o quão maravilhoso é andar e se agarrou depois à perna do pai com tanta força, que ele quase tropeçou e entornou os cafés!
Momentos únicos, que preenchem a minha vida, que dão luz às minhas memórias e não me fazem sentir nada a “solteirona”, que alguém me chamou depreciativamente!
Sou uma mulher do mundo, aberta para o mundo, fiel a mim própria e ao que acredito – estou só, é verdade, mas tenho uma vida rica!
Em sentimentos e afins
!

terça-feira, 22 de março de 2005

ONTEM

Ontem à noite, estava tudo calmo.
A televisão estava ligada, mas eu não estava com disposição para ver debates sobre o estado da nação – sei muito bem como está a nação; sinto-o no corpo – e resolvi fazer qualquer coisa que detesto, mas que tem que ser feito.
Arrumar papeis, que deixo acumular, porque nem sempre tenho tempo de os ler com olhos de ver!
Papeis que até já deixaram de ter interesse e por isso, embora me tenha arrependido de não os ter lido antes, tive que rasgar e deitar fora.
Entre eles, encontrei uma folha com vários nºs de telemóveis e surpresa das surpresas, estava lá o teu.
Há muito que o apaguei da minha lista e quando mudei de telemóvel, não o registei.
Há coisas que não vale a pena dissecar, tentar compreender se há outra alternativa, porque é que falhou – é aceitar as coisas tal como elas são.
Porque é como está escrito no livro, que estou a ler “só podemos confiar em nós próprios e nos amigos que vamos fazendo ao longo da vida” e como uma amiga me disse “Não se pode anular tanto!!!”.
Reflexo talvez duma educação muito virada para o que os outros dizem e pensam de nós.
Os outros.... a maior parte das vezes, nem sequer sabem que estamos lá, que existimos!
Se soubessem.....o mundo seria diferente, não era tão cruel e corrupto, não é?

domingo, 20 de março de 2005

"SUNRISE" - O NASCER DO SOL

Não me perguntem porquê, mas a manhã de sábado não é nada, se não escutar “Sunrise” dos Simply Red, pelo menos, umas 4 ou 5 vezes.
Fala de amor, como todas as canções, mas, e pensando bem, quem é que não gosta de saber que, quando a olham, parece que estão a ver o sol a nascer?
Primeiro, vê-se um
clarão amarelado, um clarão que empurra a noite, expandindo-se lentamente à medida que o sol, majestoso e confiante do respeito dos seus súbitos aparece!
Depois….não há palavras para descrever um lindo dia de sol!!!
Vive-se apenas!
Esquece-se tudo e sente-se a expressão preocupada e carregada que se desenhou nos nossos rostos e nos tornou mais pesados, mais sombrios, desaparecer como magia!
Pena que ainda fiquem os cochichos, as “bocas”, os olhares trocistas, de quem não sabe aproveitar o tempo!

sexta-feira, 18 de março de 2005

CONSOLO OU NÃO

Encontrei “consolo” ao comprar um livro da minha escritora favorita e não foi, portanto difícil transpor a “fronteira” entre o real e o irreal.
Se bem que o livro nada tenha de irreal – pode ser a história de qualquer pessoa, que “foge”, não à polícia, mas sim de si própria, porque acha que não pertence a lugar nenhum.
Como eu! Como eu gostaria de estar neste momento em Aghia Anna (Grécia), sentada naquela pequena taverna, escura e fresca e respirar em paz.
Esquecer do que poderá acontecer, do que eventualmente vai acontecer e não saber se vou ter força suficiente para enfrentar.
Diz o ditado “Mais fácil dizer do que fazer”, mas nem todos somos heróis e mesmo os heróis podem ter medo!
Só que naquela altura, esquecem que o têm e avançam!
Dizem os outros que continuo a viver as coisas intensamente – a construir um “cenário” que pode nunca acontecer.
Mas eu estou completamente sozinha com duas pessoas idosas, que se podem sentir mal durante a noite.
Há sempre um telefone para ligar ao 112, mas enquanto eles não chegam, o que é que eu faço para minimizar o susto deles e o meu próprio?
Esta é a minha realidade, igual à de muitos outros, mas está a tornar-se pesada demais e eu tenho realmente que “fugir”, nem que seja por uns dias!

quinta-feira, 17 de março de 2005

RIR COM GOSTO

Ontem, ri-me verdadeiramente, com gosto, com prazer!
Um riso vindo lá do fundo, que fez acelerar a pulsação e fluir o sangue mais depressa, e a capa pesada e grossa que me cobria os olhos desapareceu, sem qualquer explicação.
E tudo porque a minha mãe disse que não entendia porque é que consideravam o chocolate como afrodisíaco.
Pobre da minha mãe, para quem o tempo corria com segurança e se sente agora desamparada, deslocada!
Não deixa de ter razão – vivemos rápido demais, queremos tudo e as certezas de hoje são as incertezas de amanhã.
Queremos o exótico, descuramos a razão e a verdade, mas eu posso assegurar que o tempo e as prioridades têm uma perspectiva completamente diferente quando estamos na cama do Hospital e não sabemos se vamos sair de lá pelo nosso próprio pé!
Chamem-me antiquada, chamem-me o que quiserem, mas deixem-me abrandar o ritmo, viver cada segundo, cada minuto, com calma, com prazer!
Pelo menos, naquelas coisas a que posso chamar verdadeiramente minhas!

quarta-feira, 16 de março de 2005

PEDIR NADA


Para "fugir" de ti, entrei numa livraria - o meu refúgio, a minha tentação, o meio que conheço bem e de que já falei!

Há quem se tente por uma fatia de bolo de chocolate, com chantilly e um chá fumegante;

há quem aproveite o vento e as ondas rebeldes para fazer surf ou subir a serra com a bicicleta de montanha!

Foi ao ler o poema de Sophia de Mello Breyner:


Tempo
Tempo sem amor e sem demora
Que de mim me despe pelos caminhos fora
que compreendi que tenho que ocupar ainda mais o meu tempo; encontrar uma outra forma de espalhar este amor, desperdiçado, exausto pela tua superficialidade!

Não vou pedir; não vou mendigar nada - vou dar - talvez, para começar um grande sorriso ao empregado que me servir a fatia de bolo de chocolate, com chantilly!

Talvez tenha sorte e ele me traga a fatia com uma cereja no topo!

terça-feira, 15 de março de 2005

VELAS E NOITES DE PAIXÃO

Não dormi embalada pelo som da chuva a bater na janela – essa chuva que demora a aparecer, como se tivesse assinado um pacto e nos quisesse fazer sofrer!
Não, dormi a pensar em ti e pensar em ti é perigoso.
Significa que estou vulnerável e posso sofrer um “ataque” a qualquer momento – um “ataque” que me deixará novamente de rastos e terei que refazer tudo.
Sinto-me só e tu “animavas”, “sacudias” a realidade “verdadeira”, da qual, tu dizes, eu teimo em me esconder.
Gosto de ser seduzida....à moda antiga!
Dos preliminares para uma noite de paixão!
Ser convidada para um jantar a dois, num restaurante discreto, com toalhas na mesa, com luzes baixas para dar mais ênfase às velas aromáticas acesas.
Sobretudo, falar-me de olhos nos olhos, baixinho, a acariciar-me, a fazer sentir-me importante!

Tu nunca me fizeste sentir importante – nunca me convidaste para jantar e a sensação que tive foi que vivemos momentos roubados.
Roubados a quê ou a quem?
Ao teu tempo, às tuas outras conquistas, ao teu outro mundo?
Que mundo é esse – que exigência te faz para que queiras viver a vida duma forma tão rápida?

sábado, 12 de março de 2005

À PROCURA

Às vezes, pergunto-me se não trato este blog como um diário.
Não posso negar, ou quem me lê, que me sinto como uma “exploradora” e cada nova “descoberta”, pois procuro incessantemente a beleza, “espalha-se” pelos meus textos.
Nada há de errado em tentar encontrar a beleza e não me refiro apenas à física. Talvez seja um “cliché”, uma ideia muito batida e seja o que todos nós procuramos.
Mas é o que eu considero como beleza que é importante e todos já sabem como gosto de brincar com a lua ou animar o sol.
Como gosto de rir das coisas mais absurdas ou como fico magoada com a insensibilidade dos outros!
Como considero o vento como o meu amante favorito e como o meu amante verdadeiro me desiludiu!
Como abri a minha mente e o meu mundo fechado a coisas que desconhecia!
Pode alguém criticar-me porque, como diz a canção dos Simply Red, eu me sentir “brand new”?

sexta-feira, 11 de março de 2005

À LUA

Pablo Neruda escreveu

Eu me vou. Estou triste, mas eu estou sempre triste.
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
........

Sabes, Lua?
Não sei porque me lembrei novamente deste poema, porque a única coisa que te queria mostrar era a minha écharpe nova.
O tecido é tão leve e transparente que mal o sinto quando o enrolo ao pescoço e como é preta, com uns fios prateados, quase invisíveis, lembra-me a noite.
Uma noite clara, sem nuvens, em que o teu brilho reclama a minha presença e de que me ausentei, inconscientemente!
Tenho-te deixado sozinha; procurei consolo noutras paragens e deve ter sido por isso que te escondeste.
Estás magoada comigo; nem sabes se me vais perdoar!
Perdoa-me, sim Lua – sei que não era de ti que me devia esconder; deixa-me brincar contigo, novamente.
Deixa que te mostre a leveza com que a minha écharpe se enrola no meu pescoço!

quarta-feira, 9 de março de 2005

FRAGILIDADE

“Sonhos Frágeis” – nome de uma exposição fotográfica que achei interessante.
O fotógrafo (Antoine Agoudjan) diz no texto de apresentação “A fotografia é para mim um espelho. No momento em que vou disparar, sinto-me bem. O que importa é a paixão”.
Eu sorri ao ler, porque é o que tento fazer na vida – sentir com paixão as coisas que a vida me proporciona.
Como ontem ao vestir aquele fato preto, dum tecido macio, feito à medida do meu corpo, a evidenciar os pontos fortes, com um leve toque “sexy”.
Vesti uma blusa muito simples – um rosa forte e optei por não usar colares.
Escolhi uma longa écharpe preta, salpicada ao comprimento por discretos fios prateados!
Quando me olhei ao espelho, nem quis acreditar na transformação – ali estava eu, vestida, como se fosse posar para uma revista de moda!
Não, não sou eu”, mas era eu – só que tinha deixado de lado a forma desportiva e casual com que me visto normalmente e compreendido a vantagem de investir no lado chique, sem ser excessivamente formal.
Ontem, foi para mim um verdadeiro Dia Internacional da Mulher – senti-me bonita, excitada e brilhante.
Tal como o fotógrafo diz – vivi a noite com paixão e os meus sonhos nada tiveram de frágeis!

segunda-feira, 7 de março de 2005

AMOR SIMPLES E CALOROSO

Não descobri o porquê da paixão brutal de Pedro por Inês.
Há quem diga que ela era uma mulher fria e ambiciosa;
outros falam dela como um ser frágil, delicado, apelando portanto ao instinto de protecção de Pedro.
Só um homem duro como pedra é que não protege uma mulher e houve alguém que me protegeu!
Os nossos caminhos desencontraram-se, mas quando olho para trás, sem medo como alguém me aconselhou a fazer, lembro-me com carinho do conforto, da sensação de bem-estar que o abraço dele me proporcionou, do “quente” que se gerou no meu corpo.
Alguém também me disse que “nunca se deve bater a porta ao amor” e foi isso que Inês de Castro fez – viveu um grande amor, que ainda hoje dá azo a várias versões, favoráveis ou não à mulher do “colo de garça”.
Não tenho um “colo de garça” nem sou loira, mas devo ter outras qualidades que despertem num Pedro, perdido entre a multidão com que me cruzo todos os dias, tudo aquilo que um outro Pedro deu a Inês.
Os nomes, as circunstâncias e os objectivos serão diferentes, mas o que importa é que seja um amor simples, caloroso e verdadeiro

sexta-feira, 4 de março de 2005

JOIE DE VIVRE

Este fim de semana?

Recuperar a "joie de vivre" - no sentido literal da palavra!

Voltar aos locais onde fui feliz e que, por causa de rumores que me aprisionaram numa angústia sem fim, esqueci que existiam!

Talvez encontre coisas novas que me façam ficar de boca aberta e sorrir, sorrir como deve ser - com os olhos a brilhar!

Talvez descubra um livro que li há anos e que pensei que tinha perdido!

Ou talvez vá até à biblioteca, tentar saber mais sobre o "colo de garça" da "linda" Inês de Castro, a razão da paixão brutal de D Pedro e o porquê de eu não despertar um amor assim!

Talvez porque confirme que tudo foi tão perfeito que não podia continuar - daí a morte!

quarta-feira, 2 de março de 2005

ROSINHAS DE STA TERESA

Há livros curiosos!
Não é o primeiro livro de fotografias que vejo nem me surpreende o facto de serem fotografias de flores.
Bem enquadradas; a luz bem cuidada e temos mesmo a impressão de que podemos tocar as pétalas da flor.
Até aqui, não há nada de novo – mas o facto de terem convidado vários autores, como Jacinto Lucas Pires ou Rui Zink para escreverem textos alusivos a cada uma das fotografias, foi, na verdade, uma surpresa.

Não se limitaram a escrever uma simples frase; o Jacinto Lucas Pires concebeu uma pequena história e o Rui Zink uns versos, onde fala sobre a beleza da cor verde.
Não é aproveitar-me da ideia dos outros, mas acho que posso falar sobre a flor da minha eleição!
Rosinhas de Sta Teresa – são mesmo rosinhas, pequeninas, delicadas, quase transparentes, mas com um aroma forte.
Como têm um nome de Santa, associo-as à paz dum jardim num convento.
A crescerem no meio de plantas aromáticas, pelas mãos cuidadosas, pacientes e carinhosas de uma freira!
A envolverem um jardim com um cheiro muito próprio, muito simples!
Um tributo a Deus e à paz!
Há muito tempo que não as vejo – procura-se agora flores mais exóticas, mais atrevidas, às vezes sem qualquer significado!
Vou vaguear pela cidade, à procura das minhas rosinhas de Sta Teresa para, como se diz vulgarmente, “lavar as vistas”!