sexta-feira, 18 de março de 2005

CONSOLO OU NÃO

Encontrei “consolo” ao comprar um livro da minha escritora favorita e não foi, portanto difícil transpor a “fronteira” entre o real e o irreal.
Se bem que o livro nada tenha de irreal – pode ser a história de qualquer pessoa, que “foge”, não à polícia, mas sim de si própria, porque acha que não pertence a lugar nenhum.
Como eu! Como eu gostaria de estar neste momento em Aghia Anna (Grécia), sentada naquela pequena taverna, escura e fresca e respirar em paz.
Esquecer do que poderá acontecer, do que eventualmente vai acontecer e não saber se vou ter força suficiente para enfrentar.
Diz o ditado “Mais fácil dizer do que fazer”, mas nem todos somos heróis e mesmo os heróis podem ter medo!
Só que naquela altura, esquecem que o têm e avançam!
Dizem os outros que continuo a viver as coisas intensamente – a construir um “cenário” que pode nunca acontecer.
Mas eu estou completamente sozinha com duas pessoas idosas, que se podem sentir mal durante a noite.
Há sempre um telefone para ligar ao 112, mas enquanto eles não chegam, o que é que eu faço para minimizar o susto deles e o meu próprio?
Esta é a minha realidade, igual à de muitos outros, mas está a tornar-se pesada demais e eu tenho realmente que “fugir”, nem que seja por uns dias!

1 comentário:

Dora disse...

Marta, o teu post deixou-me preocupada. Na net há bastante informação sobre pessoas que cuidam ("caregivers")de idosos, doentes, etc. Em toda essa documentação vem sublinhada a importância de quem cuida dos outros reservar um tempo para si, devendo a família estruturar-se de modo a que isso aconteça. O teu caso parece extremamente ingrato...Tenta saber se existem associações das doenças que mais afectam essas pessoas e contacta-as, talvez possas obter alguma ajuda...Um beijinho e um fim de semana tranquilo para todos.