sexta-feira, 29 de abril de 2005

TENTAÇÕES

De ti muito tenho que dizer, mas para quê estragar este dia tão lindo, tão cheio de luz?
Aconselham os peritos nesta matéria de corações destroçados, em stress o champanhe e bombons a receita mágica; tudo fica diferente, especialmente se cairmos realmente em tentação e encararmos isso como uma solução.
Mas isso é uma outra história, da qual não quero falar.
Vou falar de chocolate, de bombons de chocolates famosos duma confeitaria que faz parte da história do Porto.
Estou a falar da Arcádia, ali na Avenida dos Aliados, ponto de encontro para lanches e uns bombons deliciosos, em caixas ou caixinhas (dependendo do peso) brancas e azuis e com um laçarote dourado.
Uma série de circunstâncias fez com que fechasse a parte da loja que dava para a Avenida dos Aliados e continuasse a trabalhar numa rua estreita e escura, onde só os conhecedores e apreciadores vão.
Num destes centros comerciais, a Arcádia abriu agora uma loja – a Loja do Chocolate.
Uma loja muito simples, com um jogo interessante de cores e luminosidade e a única coisa que nos separa dos bombons é o vidro.
Embora eu não aprecie o chocolate tanto como dantes, não resisti a comprar um coração em chocolate de leite.
Havia de todos os tamanhos, de chocolate preto, branco ou simplesmente de leite.
A receita dada pelos peritos não resultou – talvez porque não o acompanhei com uma taça de champanhe!
Ou talvez porque todas essas manifestações de amizade, todas essas brincadeiras sejam apenas fogo de vista para me enganar e ter que estar sempre “en garde” cansa!
Há dias em que gostava de ser má, mas sei à partida que não resolvia nada!
Seria talvez pior!
De qualquer forma, o convite está feito – se estiverem no Porto, procurem a
a Loja do Chocolate (no Norteshopping) e deliciem-se a saborear os bombons, que contam parte da história do Porto!

quarta-feira, 27 de abril de 2005

ESTAR SÓ

Tenho que reconhecer que te esforçaste, e muito para me tentares convencer a mostrar-te o meu sorriso!
Fizeste caretas, fingiste que ias cair e agarraste-te ao meu braço, mas eu apenas te olhei com uma indiferença estudada.
Alguma vez tinha que aprender que não posso confiar em ti - em 5 minutos deixo de ser a "tua amiga do peito", como insistem em dizer os outros no gozo, bem sei, para uma grande "incompetente, que só me lixou a vida"!
Como se nunca tivesses cometido um erro!
Como se fosses infalível!
Creio que te apercebeste disso, pois murmuraste, entre dentes, como se de grande pecado se tratasse, para mostrares que consideras a minha vida um grande vazio, "Deves ter passado ontem a tarde na FNAC!"
Não gostaste nada da minha resposta, pois não?
Mas eu vou repetir, as vezes que forem precisas, para que entendas:
"Procuramos os sítios onde nos sentimos bem"
e eu - pouco importa se entro profundamente no enredo do livro e deixo de existir neste mundo por minutos - gosto de estar na FNAC.
Nunca pensaste que até podes ser tu quem está na realidade só, por muito activo que sejas?

domingo, 24 de abril de 2005

O CORAÇÃO

O livro da Susanna Tamaro que estou a ler chama-se:

Vai aonde te leva o coração”

O estilo não é inédito; é uma carta aberta, um diário, chamemos-lhe assim.
Uma avó que está doente, que sabe que vai morrer e está só!
A neta está na América e ela resolve confiar ao papel tudo aquilo que lhe quis dizer e/ou não teve coragem – aqueles segredos de família que se guardam e de que nunca se fala, porque se acha que ainda temos tempo.
Mas todos sabemos como o tempo prega partidas e um dia, pode ser tarde demais.
Há quem aceite e diga “Porque é que não me disse mais cedo? Sofreu tanto e sozinha!”, há quem corte relações e viva amargurada e há ainda quem ache que isso é passado e não tem lugar no presente.
O livro dá uma resposta possível e eu concordo com ela, porque é o que os meus amigos (os meus amigos verdadeiros!) me dizem:

E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera…….Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar.”

Se eu começasse agora a escrever o meu livro tipo diário, começaria assim:

Rotularam-me; esta mania idiota de rotularem as pessoas, sem tentarem saber quem elas são na verdade!
Pena que não aceitem que os outros as rotulem também
…..”

GERALMENTE

Geralmente, se tenho tempo, visito os blogs das pessoas que deixam um comentário no meu.
Visitei, por isso o da Betty e li com bastante atenção o texto sobre a Susanna Tamaro.
O nome desta autora não me era desconhecido e aquilo que estava a ler não correspondia ao perfil, à imagem que tinha dela.
E lembrei-me que tinha 2 livros dela, dois livros que dei à minha mãe no Dia da Mãe e que esta não quis ler, porque afirmou “para desgraças, já bastam as minhas”.
Os livros ficaram por isso na prateleira da estante, a ganhar pó e eu senti-me rejeitada, rejeitando inconscientemente a leitura de um livro, de que até estou a gostar.
Talvez porque a tal couraça, de que a própria Susanna Tamaro fala, não é realmente à prova de água e sofreu com o impacto fissuras que é preciso reparar cuidadosamente.
Que ainda estão a ser reparadas, que vão continuar a ser reparadas, porque há, haverá sempre alturas em que me sentirei mais vulnerável e deixarei as lágrimas correrem livremente pela cara abaixo.
O que não é vergonha nenhuma ou sinal de fraqueza
!

sexta-feira, 22 de abril de 2005

MAIS UMA VEZ O PORTO

Ao abrir o e-mail, recebi o melhor presente que alguém me poderia dar!
Fotografias do Porto, os seus recantos escondidos, o cair da noite numa cidade com uma luz muito própria.
Sou suspeita, claro está e não posso mesmo ser imparcial, porque o Porto é, enfim o Porto!
Quem é que não gosta de passear no Jardim dos Sentimentos num dia de Sol, ver e sentir o rio invadir-nos as narinas?
Ou descer até à Ribeira e sentarmo-nos numa esplanada?
Ou, então entrar no barco ali ancorado e fazer o cruzeiro pelas 5 pontes?
E, porque não atravessar a Ponte D.Luis a pé, entrar em Gaia pelo tabuleiro inferior, visitar as caves e provar o Vinho do Porto?
Pena o tempo estar chuvoso, porque este fim-de-semana seria ideal para fazer tudo isso!
Para esquecer as amarguras da vida e “lavar as vistas” no que temos de mais precioso, de mais agradável e querido!
O PORTO!!!!!!!!!

quinta-feira, 21 de abril de 2005

CULPA DA PRIMAVERA

Não sei se a culpa é da Primavera, mas que estamos todos nervosos, estamos!
Estamos nitidamente com os nervos à flor da pele e interpretamos mal e agressivamente as palavras que nos dirigem.
Pessoalmente, acho que o problema tem a ver com a química – quero, com isto, dizer que a comunicação se torna difícil quando não gostamos muito
da pessoa com quem estamos a lidar.
Cria uma certa tensão negativa, que muitas vezes não se ultrapassa!
Claro está que as pessoas podem dizer que a culpa é da Primavera apenas para disfarçar o facto de estarmos preocupados com a situação precária em que vivemos.
Acreditem que não sabermos se amanhã teremos ou não emprego arrasa qualquer um e com o tempo incerto como está, sem qualquer estímulo positivo, a nossa primeira reacção é realmente agredir a outra pessoa.
Principalmente se a outra pessoa, sabendo o nosso ponto fraco, “ataca” por aí!
O que não é correcto e nada de bom abona em seu favor!
Culpa da Primavera ou não – a verdade é que só vamos suspirar de alívio quando anunciarem na TV que a Bolsa fechou em alta, que abriram novas empresas e que outras vão investir cá, etc...
Será??

quarta-feira, 20 de abril de 2005

GOSTOS

Ouço murmúrios e sei que é de mim que falam, mas nada digo.

Apenas aguardo que a onda venha, embata no penhasco e invada imperiosamente a praia, varrendo destroços e deixando apenas espuma.

E que eu possa continuar a escrever, tranquilamente, sem nada que interrompa o esboço que faço para o meu texto.

Meras anotações, que desenvolverei mais tarde e tenho pena de já aqui não estares para as discutir contigo.

Foi uma decisão unilateral e continuo a achar que me devias ter deixado participar, mas, como já afirmei antes, não vou mendigar, não vou pedir-te amor se achas que não mo podes dar da forma como o quero receber.

Contudo, não me podes impedir de escrever, aqui no meu bloco a última coisa que me disseste
:

Que esperavas que eu encontrasse alguém que gostasse de mim e se casasse comigo!

Para quem já tinha sofrido uma desilusão tão grande, como eu, esta frase provou-me que, acima de tudo, pensaste em mim, no meu conforto, na minha realização como pessoa e mulher!

Será sempre um daqueles amigos especiais, sempre presentes mesmo quando ausentes e por quem largamos tudo e lamentamos que os braços sejam pequenos demais para abraçar convenientemente
!

terça-feira, 19 de abril de 2005

CADEIA DE LITERATURA

São só 7 perguntas, às quais respondi a pedido da minha amiga Carmen Vilanova e peço a quem leia que as transmita a quem gostar efectivamente de ler.

P - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
R - "CIRCLE OF FRIENDS" da Maeve Binchy, pois encontrei um circulo de amigos, onde me sinto à vontade e sou eu própria.
P - Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
R - Nem sempre. Identifico-me quase sempre com uma das personagens dos livros que leio. Não a tento imitar; quero apenas saber como é que ela vai resolver os problemas que surgem!
P- Qual foi o último livro que compraste?
R - "Seigneurs de la nuit", Juliette Benzoni - sobre personagens sinistras como Casanova
P - Qual foi o último livro que leste?
R - Reli "Como água para o chocolate" de Laura Esquivel, para me contagiar com a "joie de vivre" que o livro transmite.
P - Que livros estás a ler?
R - "Swift as desire" de Laura Esquivel para nunca me esquecer que há um lado positivo de amor que é preciso procurar e agarrar
P - Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
R - Todos da Maeve Binchy, porque foi através dela que eu conheci a Irlanda e quando lá fui (à Irlanda), disse com alegria "É tal e qual como a Maeve Binchy descreve nos livros dela".
P - A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê?
R - À minha irmã Cristina, porque adora ler como eu e esteve presente quando eu mais precisei dela
À minha amiga Aluena Lisboa, pelo carinho que demonstra
Á minha amiga Inês Varejão, porque me ensinou muita coisa!

domingo, 17 de abril de 2005

NOTA

Quanto falo da Laura Esquivel no meu texto anterior (Tema Favorito), falo nela porque ela apresenta nos seus livros o amor como nós queremos que seja.
Caloroso, único, sem, contudo esconder a dor e as frustações que o cercam.
"Swift as desire" é um livro maravilhoso - uma filha que vai ao ponto de aprender o código Morse para poder comunicar com o pai, cuja doença está a impor limites e não o deixa soltar para o mundo exterior aquilo que ele mais ama - as palavras, a entoação que lhe damos, originando imensos canais. Tal como um rádio!
É por isso que lhe peço desculpa - porque cativei o amor que une aquele pai e aquela filha e quero aplicá-lo na minha realidade.
Porque eu também não concordo com o que o artigo da Visão (que não foi escrito pela Laura Esquivel) diz - o amor é muito mais que um "acto de egoismo"!
E se eu estiver a sofrer de amor, como já sofri, é a única forma de o apreciar e o procurar ainda mais.
Cito a Laura Esquival como uma referência positiva ao amor!

sábado, 16 de abril de 2005

TEMA FAVORITO

Continuamos a falar do nosso tema favorito – o amor!
Tudo na vida está ligado ao amor e por isso, não é de admirar que eu tenha feito o pequeno teste que a revista Visão (nº 632 – de 14 a 20 de Abril) publicou, ao explicar no artigo de fundo a razão pela qual nos apaixonamos.
Segundo o artigo, “apaixonamo-nos não pelo outro mas pelas fantasias que criamos acerca dele. A paixão é, muitas vezes, um acto de egoísmo” e lá fiquei eu, com uma dúvida.
Porque é que eu tenho 50% de probabilidades de “sofrer de amor” e de ficar dependente?
Tenho que admitir que nesta questão eu meto positivamente “água”, mas adoro “criar a minha fantasia acerca dele”, o que é perfeitamente saudável. E já me aconteceu concretizar essa minha fantasia.
Não creio que fosse um acto de egoísmo, porque senti que havia realmente comunicação entre nós.
Quanto a “sofrer de amor”, temos que encarar a coisa filosoficamente – não sou a primeira nem serei a última. Faço parte da estatística e a pergunta é lógica – qual é o problema?
Agora que já me é fácil analisar o que correu mal nas minhas relações amorosas, vou procurar não cometer os mesmos erros, se é que de erros podemos falar, se conhecer alguém com um sinal suficientemente forte para me cativar.
Peço desculpa à Laura Esquivel, mas eu creio que ela me perdoará.
Afinal, “captei” o sinal, a mensagem que ela procura transmitir no livro que leio “Swift as desire”!

sexta-feira, 15 de abril de 2005

PALAVRAS E DESTINO

Às vezes, gostaria de trocar de lugar contigo, “Menina Nua da Praça”.
Estás aí, sentada nesse pedestal e a única coisa que te poderá incomodar será o voar das pombas.
É tão lindo ver as pombas voarem ou beberem água – acho repousante e fico curiosa ao pensar nos segredos que guardas - tragédias, choros, gritos de alegria e de angústia.
A verdade, Menina Nua da Praça”, é que eu sou “transparente” e não consigo esconder o que me vai na alma.
Por isso, é que estou a ter estes problemas todos com alguém, que nem meu amigo é!
Que se comporta como um menino grande e se diverte a provocar-me!
Talvez, de facto a culpa seja minha, mas descer de nível e ir ao encontro do dele, é uma aberração – é ir contra a raiz do meu ser!
Estarei errada?
Novamente?
Afinal de contas, quem é que controla a minha vida?
Não serei eu?
Por isso, ninguém me pode obrigar a gostar do que eu realmente não gosto!
Mesmo que me considerem “uma idiotazinha”, “uma coitadinha
”!

quarta-feira, 13 de abril de 2005

NOVOS DESEJOS

Estou a criar um novo hábito – reler livros!
Não porque me marcaram especialmente, mas apenas porque os encontrei, escondidos, esquecidos no meio daquela pilha, que caiu e deixou um rasto de pó na alcatifa.
Porque esta semana, estou a fazer arrumações, sem qualquer ajuda.
Prefiro assim, pois doutra forma, não faço as coisas como gostaria; há sempre uma pergunta “Vais dar isso? Oh, não dês; ainda o podes vestir!” e lá fico eu, com roupa que não visto, porque já não se enquadra na minha imagem actual.
Vou fazer alguém muito feliz com a roupa que vou dar e é isso que importa; nada mais
!
Agora estou a seleccionar os livros – limpar o pó, colar as capas se estiverem rasgadas e arrumar nas prateleiras por autor. É mais fácil, porque tenho vários livros do mesmo autor e posso localizar o que preciso num instante.
Por isso, trago comigo, para ler enquanto bebo um pingo, “Swift as desire” de Laura Esquivel, que diz que a “comunicação entre as pessoas é a chave para o amor”.
Contudo, a personagem principal, com uma sensibilidade fora do normal, escuta os mais íntimos desejos de toda a gente, mas não consegue comunicar com o seu ente mais querido.
Porquê?
Terei que descobrir novamente, o que vai ser um desafio, pois vou ler o livro com outros olhos, com outra maturidade.
O que queria no dia em que o comprei é muito diferente do que quero agora – por isso, qual vai ser a minha surpresa?

GOURMET

A receita desta semana?
Doces conventuais – nem é preciso salientar o facto de que vamos cometer um dos 7 pecados mortais e estragar a linha, que conseguimos manter, às vezes com bastante sacrifício.
É talvez irónico falar de receitas e doces, logo eu que não sou uma grande
“gourmet”, ou como se diz em gíria, um “bom garfo”!
Mas os olhos também comem e eu gosto de ver mesas bem decoradas.
O objectivo de ensinar estas receitas conventuais será preservar a forma correcta de confeccionar os doces, abençoados por Deus e património duma cultura religiosa.
Ter cuidado com a selecção dos ingredientes e seguir a receita tal como foi concebida é fundamental!
Defendo, portanto a tradição, que é rica, que não deve morrer e não vai destoar numa mesa ultra moderna, com um serviço excêntrico.
Quanto à linha – isso é o mais difícil, o que não faltam são conselhos para isso, mas, como tudo na vida, é preciso ter disciplina.
Basta provar um bocadinho e recusar delicadamente, sem fugir às regras da boa educação, uma segunda vez
!

segunda-feira, 11 de abril de 2005

DE A A Z

Parece ser a pergunta favorita das revistas – descrever qualquer coisa de A a Z, ou enumerar a lista de preferência da pessoa desde o livro à cor favorita.
Foi exactamente ao ler uma coisa nesse formato, sobre o Porto que me lembrei de fazer a minha lista de A a Z sobre o que associo sempre que penso nesta cidade.

Começando pelo A e não sei se vou conseguir preencher todas as letras:

A – de Aliados, o palco de todas as festas, do banho caloroso das multidões.
B – de Bolsa, o palácio da Bolsa e o seu salão Árabe
C – de Clérigos, a rua, a Igreja e a Torre
D – de discreta, tudo o que valoriza a cidade é organizado duma forma eficiente e sem grandes alaridos
E – de estátuas, a mais famosa sem dúvida a Menina Nua da Praça
F – de futebol, os Dragões, o azul e o branco a esvoaçar
G – de garra, de luta pelo que se acredita
H – de heróis, tantos, muitos dos quais nem sequer conhecemos o nome
I – de Igrejas, desde o Bonfim à de Nevogilde, todas contam um pouco a história do Porto
J – de Jardins, o dos Sentimentos no Palácio de Cristal e o das Rosas em Serralves
L – de Luz do Sol, que rompe o nevoeiro e dá outra dimensão à cidade
M – de Marginal, um passeio de eléctrico à beira mar e rio
N – de Nevoeiro frio e denso das manhãs de Inverno
P – de Palácios, do Freixo
R – de Rio Douro, com tesouros escondidos bem lá no fundo e de que não fala
S – de Serralves, o Museu, a Casa de Chá, os jardins e a Quinta, onde tudo é possível, mas não perder-se
T – Tempo para percorrer as ruas, os museus, os cafés, os mercados do Bolhão e do Bom Sucesso
V - de Vinho do Porto, do seu Museu, das suas Caves, a sua honra, o nosso cartão de visita

Enfim, uma cidade recheada de história e de pessoas como eu que a amam incondicionalmente!

domingo, 10 de abril de 2005

FELIZ HOJE

Foi à frente do Majestic, em plena Rua Santa Catarina que a animação das ruas celebrou a chegada da Primavera!
Apesar da aragem fria, ao sol estava-se bem e a atitude dos portuenses mudou – estão mais descontraídos e lia-se prazer nos rostos ao observarem atentamente os pauliteiros de Miranda, e ao ouvirem os sons graves que a gaita-de-foles produz.
Os pauliteiros de Miranda, rapazes muito jovens, exibiram-se galantemente, com ares de conquistadores arrancando exclamações divertidas e sorrisos abertos a todos quantos assistiam, inclusive o meu!
Falo muito em sorrisos abertos, não falo?

É porque eu não sabia sorrir; não sabia como o sorriso faz bem à alma e aos outros – aproxima-nos!
Eu, que julguei ter encontrado o amor da minha vida, tive que
reconquistar o meu espaço e moldá-lo novamente, porque chorei
sem saber porquê.
A verdadeira angústia era essa – onde é que tinha errado?
Hoje, a minha Torre tem janelas, janelas grandes que estão sempre abertas para que o sol e da lua sejam os convidados de honra!
As minhas janelas abrem para um jardim, o meu jardim secreto, onde os livros continuam espalhados, sempre ao alcance da minha mão, porque não concebo a minha vida sem eles!
Mas há outras pessoas, pessoas saudáveis, há risos, brincadeiras, música e uma grande alegria
!
Terá sido tudo realmente uma ilusão ou a minha salvação?
Não sei; apenas posso repetir – sou muito, muito mais feliz hoje!

sexta-feira, 8 de abril de 2005

COM ARTE

Perguntaram-me, se eu pudesse voltar atrás no tempo se modificaria alguma coisa!
Não gosto muito deste tipo de pergunta; dá azo a que se pense nos nossos ressentimentos, na nossa amargura, no nosso desespero e infelicidade!
Há pessoas que nem respondem, que acham isso um disparate, mas eu fui obrigada a olhar para dentro de mim e por isso, respeito a pergunta e a pessoa que ma faz!
Neste momento, tenho que ser sincera – no geral, não modificava nada.
Estou mais feliz hoje do que há 3 anos – não é que tenha esquecido a culpa e o remorso, mas acho que consegui resolver o que provocou a avalanche de sentimentos negativos.
Porque é disso que se trata – de sentimentos negativos e de pessoas que destabilizam a nossa vida de tal forma que nos arrastam nesse turbilhão de dor e confusão.
Estou a aprender a “envelhecer” com arte – e sobretudo, tentar ser feliz para não me deixar “aprisionar” como a minha mãe e arrastar-me numa velhice tão sofrida, tão agressiva.
Talvez não esteja a ser justa com a minha mãe; talvez devesse compreender um pouco mais o ponto de vista dela, mas há muito que ela se trancou num castelo e levantou a ponte levadiça!
Não é que eu não penetre no castelo, mas às vezes, nem o sol nem o mundo ali entra!

quinta-feira, 7 de abril de 2005

O CALOR DA PRIMAVERA

Após 22 anos de encontros clandestinos, Pedro e Tita podem, finalmente mostrar ao mundo a sua paixão.
Ninguém previu que tanta emoção iria causar a morte a Pedro e tal como Julieta, Tita correu ao encontro do seu amado.
Acabei hoje o livro (Como água para o chocolate), bem cedo enquanto tomava um pingo e sinto-me nas nuvens.
Não por estar apaixonada, mas porque foi realmente um grande prazer reler este livro.
O livro está muito manuseado, porque voltei muitas vezes atrás, apenas para me integrar ainda mais na beleza e na magia da história, escrita duma forma muito simples, mas muito calorosa.
Como se adivinhasse que entrou a valer o calor da Primavera!
Finalmente!
Hoje, sinto-me muito, mas mesmo muito bem!

quarta-feira, 6 de abril de 2005

MOLHO DE PÉTALAS DE ROSA

Ontem, não sei se por ter lido um poema sobre a Brasileira, pensei em ir até lá.
Mas a Brasileira já não é o café de que me lembro e fiquei desapontada.
Modernizaram o interior, mantendo apenas as portas e o toldo em ferro trabalhado!
Contudo, não deixa de ser um lugar agradável para se estar e por isso, sentei-me a ler o meu livro.
Não sei o que me deu, porque raramente o faço, mas decidi reler Como água para o chocolate da Laura Esquivel.
O termo é empolgante e, embora me recorde muito bem do enredo, há certos aspectos que agora me chamam mais a atenção.
Por exemplo, o que é verdadeiramente o prato “Cordoniz com molho de pétalas de rosa”?
Será mesmo possível esmagar as pétalas da rosa e transformá-las num molho afrodisíaco?
Agora, tudo é possível e talvez não seja má ideia adaptar uma receita a cada mês do ano, tal como a Laura Esquivel faz neste livro.
Este mês, e porque todos os dias ouço pessoas discutirem receitas, talvez se possa tentar uma entrada interessante:

“FOIE-GRAS COM UVAS FRESCAS” (tema de um curso de cozinha organizado pela empresa 1000 Paladares)

terça-feira, 5 de abril de 2005

A SEREIA

Quem é que não se lembra de ler O Fato Novo do Imperador ou “A Pequena Sereira” de Hans Christian Andersen?
Ontem, deliciei-me a folhear uma edição comemorativa dos 200 anos do seu nascimento e “perdi-me” a reler “A Pequena Sereira”.
É uma edição muito simples, com ilustrações muito bem concebidas, com um simples toque modernista.
As cores de fundo escolhidas foram o verde e o azul (ou não falasse do céu e do mar e estas são as cores que associamos a esses dois elementos) e a artista captou muito bem o moral da história.
Pobre sereia!
Abdicou de tudo para estar ao lado do seu Príncipe, que se apaixonou e casou com outra, porque não a reconheceu como a sua salvadora!
O que prova que:
a vida não passa de um circulo vicioso – tudo se repete, com ligeiras variações!
o amor é imortal, é cruel, pode transformar-se em ódio e destruir-nos, mas não podemos viver sem ele!

segunda-feira, 4 de abril de 2005

A TORRE

Quando comecei a escrever este texto, pensei em escrever sobre a Torre dos Clérigos.
Mas compreendi que não conseguia; a única coisa que posso fazer é imaginar histórias de amor trágicas, paixões brutais e escondidas, cuja única testemunha, ideal para guardar segredo, tenha sido a Torre.
Mantive o título, porque acho que muitas pessoas vivem numa torre e não nos deixam aproximar!
E do que quero falar,
é uma coisa tão simples como um beijo na face!
Nunca me tinha apercebido da importância que um beijo assume para determinadas pessoas, que o consideram tão íntimo que o evitam dar - um simples beijo na face!
Aconteceu-me isso e fiquei extremamente chocada, porque para mim, um beijo na face é um sinal de afecto, quer se trate de família ou de amigos.
É perfeitamente natural que eu cumprimente a minha mãe com um beijo. Não lhe vou estender a mão ou dar-lhe uma pancadinha amigável nas costas!
Tão simples como isso e num mundo onde todos precisamos de afecto, carinho e o próprio Papa falava de amor, parece-me excessiva, para não dizer infantil, essa preocupação em atribuir ao beijo um outro significado que não seja o calor humano!
Claro que não posso negar - o beijo tem realmente essa vertente erótica e sensual – mas para quê falarmos sempre disso?
Porque é que não vemos o beijo apenas, e só isso, como uma forma de nos confortar, de nos fazer sentir bem-vindos?
Ou talvez esteja errada e se trate apenas de opções, maneiras de ser e de ver as coisas diferentes!