terça-feira, 30 de março de 2010

ADORO





Sei onde andas.
Sei onde te procurar.
Sei porque te procuro.
Não são ciúmes; nem medo de traição.
Apenas quero deambular pelas ruas
e não quero estar sozinha.
Quero-te ao meu lado, quero ouvir-te rir
dos disparates que tenho vontade de gritar.
Porque, às vezes, eu digo disparates
- estou bem consciente disso -
e o porquê ilude-me.
Deambulo, então pelas ruas à procura da resposta,
a inventar tempo que não existe,
mas que insisto em sonhar.
Não é sonho ouvir, sentir o teu riso
nem acordar embrulhada no mesmo lençol.
Nem é inventar tempo,
sentir-me enraizada na tua vida.
E os disparates,
esses disparates que grito,
dizem que apenas que te adoro.



Foto de Filipe P Neto, "Caminhando à Chuva" (Olhares)
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sexta-feira, 26 de março de 2010

COERENTE




Não sei o que pensei.

Não sei se o que pensei antes de adormecer, foi coerente.

Lembro-me, sim, que gritei.

E gritei bem alto.

Com o meu corpo todo contraído,

tentando negar toda uma vontade,

todo um desejo que a palma da tua mão anotou

ao deslizar em mim.

Essa mão, que eu supunha estar dormente,

por a ter pousada, leve, confortável

sobre o meu pulso.




Foto de Marina Segura "Smile"


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terça-feira, 23 de março de 2010

EXPECTANTE - VERSO


Vejo que a luz do dia enfraquece.
Vejo-te, mais do que te sinto.
Vejo como a tua boca
se entreabre,
se move,
como a tua língua espreita,
expectante.
Vejo o meu dedo a acariciar-te
os lábios,
fascinado,
enamorado,
mas a minha boca
murmura "não".
Não, hoje não me
reencontrarás
nos meus gemidos
de prazer.
Estou triste,
estou desanimada,
sinto-me sozinha.
Amar-te agora,
seria como que
uma mentira.
Não te amaria em pleno e
magoar-me-ia.


Foto de Marcus Steinmeyer "Fine Art", Olhares
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Cópias, totais ou parciais, proibidas

NOTA: Mais um ensaio/jogo poético com a palavra "amar-te" - razão porque o post anterior tem no título a palavra "frente" e este "verso".


domingo, 21 de março de 2010

IMPACIENTE - FRENTE


Continuamos loucos.
Febris,
impacientes.
Loucuras de que não
temos memórias,
mas que estão
agora presentes.
O prazer no prazer.
Sem pensar em mais nada.
Sem lamentar não te ter
conhecido antes.
Amar-te,
embebendo-me
no teu desejo,
e sentir-me
impaciente,
tão impaciente
como tu,
para te possuir.
Nessa confusão
em que fica
o corpo,
depois do amor.
No olhar,
no sorriso
já nosso.
Memórias
partilhadas,
sentidas e
tocadas.


Foto de Pascal Renoux


Textos protegidos pelo IGAC


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terça-feira, 16 de março de 2010

PURA PAIXÃO



De que te fala o meu corpo,
quando se deixa cair contra ti,
exausto,
ofegante?
Amei-te,
provoquei-te
Insinuei
ter ciúmes de ti.
Tu riste,
excitaste-me,
amaste-me
também.
Dizer o que o meu corpo
te conta?
Não, não dizes;
sei-o pelo beijo traquinas
que depositas
no meu nariz.
Tão perto do meu,
tão cúmplice do teu.
Qual o segredo
que o teu corpo me confessa
ao cruzar-se
com a minha perna nua,
suada?

Pura paixão???


Foto de Hugo Macedo
"O Corpo fala por si" (Olhares)

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sábado, 13 de março de 2010

DESPERDÍCIO

Em dias assim,
é como se
a chuva me castigasse.
Por hoje
estares ausente
do meu tempo
e achar tal
um desperdício.
Às vezes, amor,
também eu me
interrogo e
arrependo-me
de ter ciúmes
do teu tempo.
Em dias assim,
pensamos
demais,
despimos
as palavras,
ficamos sós,
esquecidos
do mundo,
num desperdício.




Foto de Vitor MMM Costa,
"Tu nunca me esqueças nunca",
1000 Imagens
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terça-feira, 9 de março de 2010

CHEIRO




Trivial
Dizer qualquer coisa
tão trivial
como "ai".
E eu digo-o
muitas vezes
quando me amas.
Quando me lambuzo
no teu cheiro
e fico
relutante em
o lavar de mim.
Ou tenho frio
e
não me posso
acolher
em ti.
Resgato-o,
então,
dos sonhos,
das memórias.
Mas, algo me diz,
que esta noite
me deitarás
na tua cama
e
me cobrirás
novamente
com esse
teu cheiro.




Foto de Pascal Renoux
Textos protegidos pelo IGAC -
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domingo, 7 de março de 2010

EM CASCATA



Hoje fico aqui.
No cinzento
da tua
noite,
eu, que
a vivo
intensamente.
Eu, que te
beijo nos
teus beijos,
e os
sinto,
em cascata,
a infiltrarem-se
no meu corpo.
Lêem-me a
alma,
disputam-me
os
segredos,
que, tantas vezes,
em poemas lamechas
de louvor,
confessei à Lua.
Hoje, fico aqui quieta.
A Lua até me pode
ver e pintar-me.
Mas as cores,
para saborearmos
a noite,
só tu as
encontrarás.


Foto de Hugo Macedo "This must be" (Olhares)
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Cópias, totais ou parciais,
proibidas

terça-feira, 2 de março de 2010

LÂNGUIDO



Pareço adormecida.
E quem não adormece,
deitada ao Sol?
Mas não;
estou apenas
a sonhar acordada.
A imaginar que
as dobras do lençol
são as tuas mãos
e o suor que escorre
é o óleo
com que me
massajas
as costas.
"mmm"
todo o prazer
no meu corpo.
Continuo
de olhos fechados;
tenho medo
de os abrir,
denunciar no olhar,
esse secreto calor,
(não sei se por estar a pensar em ti,
não sei se do Sol)
que irradia
no meu corpo
lânguido


Foto de Hugo Macedo (Olhares)
Textos protegidos pelo IGAC -
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