sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

LIVROS



Livros... 

Um livro novo com que me delicio todas as manhãs antes de entrar num Mundo caótico...

Uma viagem... 

Perguntas e mais perguntas e ter que refrear aquela vontade de avançar páginas e ler o final...

Um livro... Um prazer... Uma porta... Uma luz...

Um companheiro perfeito nos dias e nas noites em que nos sentimos mais sós...

 Em que se teme o silêncio... Porque a pergunta que ocupa o pensamento é :

" Se acontece alguma coisa, terei tempo de chamar o INEM?"

 Porquê hoje a pergunta?

Porque, se fosse viva, a minha Mãe faria 92 anos e adorava ler...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

SEM RETORNO



Hoje falo...

Da culpa que se atribui ao tempo... Como justificação de todos os males...

Até da má educação...

Pergunto-me se o tempo saberá disso...

Porque o único problema que há é que o tempo precipita-se... 

Apressa-se.... Escoa-se... 

Sem retorno...


 

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

NUNCA OU QUERO





“ Nunca ” e “ Quero “…. As palavras proibidas da infância…

E se me atrevesse a perguntar porquê, a resposta era invariavelmente “Porque sim!”

Compreendi o porquê do “nunca” ser uma palavra ingrata anos mais tarde… 

Quando me deparei com uma situação que não sabia como resolver… 

Que me afastou da minha zona de conforto e mostrou-me o lado mais negro do Mundo…

Todos somos vulneráveis… Todos temos horas do Diabo… Todos erramos…

E o “hoje” não é o “ontem”…

E se soubermos isso, não precisamos dizer….

“Nunca” ou “Quero”



sábado, 20 de fevereiro de 2016

VAZIA



Fala-se em horas do Diabo....

Aquele momento em que tudo é um descalabro e achamos que é impossível abrir novo caminho por entre as pedras...

Porque há sempre vozes malditas que sussurram que somos fracos e incapazes de procurar a luz...

Mas quem vive das desgraças dos outros desconhece o vazio da sua própria vida e preenche-o com a chamada "bisbilhotice"...

Não sou perfeita... Talvez até seja fraca... 

Mas sei que a minha vida não é em nada vazia...




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EM TUMULTO



Hoje não tenho palavras...  

E eu que gosto tanto de palavras... fico muda perante a beleza de um mar em tumulto...

Das ondas gigantes que se desfazem violentamente na praia... 

Da espuma que toca o céu cinzento, carregado que se reflecte no mar...

Esse mar em tumulto, um retrato a sépia...




sábado, 13 de fevereiro de 2016

OBCECADA


Sou obcecada pela perfeição.
Quero ter um corpo perfeito e para isso faço dietas rigorosas e agressivas.
Castigo o meu corpo com longas horas de ginásio. Ignoro qualquer sinal de cansaço, de dor, porque tudo o que importa é saber que os outros me acham perfeita.
Sou ambiciosa, exigente no trabalho e não descanso enquanto não atinjo os meus objectivos. Sou temida e respeitada, há mesmo quem me inveje.
Mas eu continuo a avançar, sem olhar para dentro de mim, sem tempo para os outros.
Afastei-me do meu marido, mal falo à minha Mãe e as minhas irmãs para mim são estranhas. Estão presas a uma vida cheia de rotinas, preocupadas com os maridos e os filhos, desleixando o corpo.
Mas eu sou perfeita... Até ao dia em que o médico se mostrou preocupado com um mero exame de rotina.
Uma tosse seca e irritativa que não me deixava dormir e falar convenientemente.
É uma gripe?” Pergunto, mas o médico apenas sorri e pede-me para fazer uma série de exames que adio sempre.
Mas ontem desmaio numa reunião importante; assustam-se e alguém chama o 112.
E estou aqui, internada num hospital cinzento, sem carácter, numa enfermaria cheia de gente queixosa. “Não há quartos particulares?” mas a enfermeira limita-se a tirar a febre e a medir a tensão e deixa-me com milhares de perguntas por responder.
Levam-me para fazer um exame complicado e quando volto à enfermaria, a minha Mãe está lá. Deve ter sido a minha secretária que a avisou e ela confirma com um sorriso.
Está – estamos- pouco à vontade; temos pouco a dizer uma à outra, mas sinto que está preocupada e que me quer fazer perguntas. Mas hesita e ficamos as duas caladas até as visitas terminarem.
O dia seguinte é igual ao de ontem; exames, análises e tentam que eu coma uma comida com um aspecto muito desagradável. A enfermeira fica zangada e vai chamar o médico.
Quando este aparece, a minha Mãe, que chega entretanto, está exasperada, pois estou a gritar e a incomodar as outras pessoas. Tento levantar-me, mas creio que cairia se o médico não me amparasse.
Vamos conversar?” e ajuda-me a voltar para a cama. Espera que a minha Mãe se sente e fecha a cortina.
Explica, então que tenho uma infecção muito grave, resistente aos antibióticos. As minhas dietas malucas alteraram todo o meu sistema imunitário e aconselha-me a ter uma consulta com um nutricionista e com um psicólogo.
Um nutricionista? Um psicólogo? Perante o meu espanto, o médico diz calmamente que posso sofrer de um distúrbio alimentar e que quer que os colegas me avaliem. A minha Mãe agradece e noto-lhe uma certa tristeza no olhar.
Uma das minhas irmãs aparece e eu fico horrorizada com o aspecto dela. Está gorda, a roupa não lhe assenta bem, mas surpreende-me que não esteja preocupada com isso.
Quer saber o que se passa, o que pode fazer e até me oferece a casa dela se precisar de um local para descansar. Quase me falta o ar; ir para casa dela quando tenho uma casa deslumbrante, perfeita como eu? Mas a Mãe interrompe, ainda é muito cedo para se falar nisso, pois terei que ficar no hospital 10 dias ou mais.
Como? Tenho uma apresentação na próxima semana, a viagem a Cuba na seguinte. Não posso deixar tudo nas mãos dos meus assistentes; tenho que estar presente para resolver os detalhes de última hora.
Começo a ficar agitada, a minha irmã chama a enfermeira que me dá um sedativo ligeiro.
Mas não consigo descansar; sinto a garganta a inchar, a impedir-me de respirar. E sinto o coração acelerado, a explodir-me no peito. Soam alarmes, ouço a voz aflita da minha Mãe dizer “ Não está a respirar!!! ” e passos apressados.
Fecha-se a cortina, dá-se instruções rápidas, há mãos a comprimir o meu peito, colocam uma máscara.
Continuo a sufocar numa agonia atroz; ainda tento reagir, expulsar a dor, mas fica tudo escuro.
É assim a Morte?” quero saber, mas já não sou nada.
Eu que queria tanto ser perfeita...


TEMA: OBSESSÕES
Uma outra versão do tema...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

LIVRE



Esta noite...

Sou ousada e desafio o Vento e a chuva... A música de Vivaldi soa livre, intensa...

Comove a chuva... Apazigua o Vento e a noite rende-se à paixão...

E eu?....Voo em cada acorde...

Livre, em paz...


 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

OBSESSÕES


A distância entre o prato e o garfo deve ser exactamente de 1 mm.
E a toalha não pode ter vincos; caso tenha, recuso sentar-me à mesa e espero que tragam outra.
Favor pegar no copo pelo pé; nunca tocar no copo com as mãos e colocá-lo sempre à esquerda do prato.
Ah, já me esquecia; quero um arranjo de flores naturais no centro da mesa a uma distância de 5 mm. Não, as travessas ficam neste aparador por ordem – a terrina da sopa, a salada, o arroz, o peixe ou a carne e depois o prato com a fruta a qual deve ser bem lavada antes.
Nada de empilhar os pratos sujos, utilizar o tabuleiro para os levar para a cozinha.
Por falar em cozinha, ela deve estar sempre limpa, com o chão brilhante e os balcões polidos. E aqui é a lavandaria e o quarto das roupas. Só das roupas da casa – lençóis, toalhas de banho, etc.
Nunca misture a roupa de cor com a branca. Tenho um armário só para a roupa branca!
E atenção à forma como arruma a roupa de cor – os azuis na pilha do azul e assim sucessivamente.
Esta é a porta que dá para o jardim. Há um jardineiro, claro, mas tem que varrer sempre este pátio e nunca, mas NUNCA, entre em casa com os sapatos que levou para o jardim.
E quanto a sapatos, nada de sandálias ou chinelos. Sempre sabrinas, e de cores discretas; azul escuro, castanho, preto. O branco é aceitável e deve andar sempre de meias cor de carne e sem MALHAS! Mesmo no Verão!
Quando limpar estas salas, veja se deixa tudo no mesmo lugar. Alinhe sempre as revistas com o cinzeiro e feche as janelas quando terminar. Não, abre-as quando começar a limpar e fecha-as quando sair. O pó encontra sempre uma maneira de entrar e eu tenho horror a pó...
E aqui são os quartos. O da direita é do meu filho – ele é um pouco desarrumado, mas tem as suas regras. Ele explica-lhe como quer que o arrume.
Este é o das minhas filhas. São gémeas falsas, vai ser fácil distingui-las... Gostam de partilhar o quarto e as roupas, o que acho um absurdo... Elas também lhe vão dizer como querem que trabalhe aqui.
A casa de banho é comum aos três e eles sabem que a devem deixar limpa depois de a utilizarem. Mas, de qualquer maneira, quero que vigie a limpeza, mude as toalhas, veja se há sabonetes, papel higiênico, etc.
O meu quarto é o maior... Deve ser a última coisa a arrumar, pois tem que mudar os lençóis e as toalhas diariamente. Espanar muito bem os tapetes e a colcha e, de quinze em quinze dias, tira-a e manda-a lavar a seco. Tirar também os reposteiros; cada colcha tem reposteiros a condizer...
Este é o quarto de vestir do meu marido e aquele o meu. Tome em atenção a ordem em que os fatos, as camisas e os sapatos estão arrumados; o meu marido é muito exigente nisso e cuidado quando passar os fatos e as camisas... Se estas não tiverem os botões todos, não as guarde. Peça à Dona Carolina, a costureira que vem cá todas as semanas para os coser...
Deve fazer a mesma coisa com a minha roupa – bem passadas a ferro; nada de bainhas descosidas, falta de botões e nódoas.
A minha casa de banho também deve estar brilhante. Os espelhos e o chão bem polidos, as toalhas simétricas - nada de ponta acima, ponta abaixo - e o tapete deve estar rigorosamente a 1 cm do lavatório.
Creio que está tudo. É muita coisa para assimilar, eu compreendo, mas tenho a certeza de que vai conseguir organizar-se em poucos dias.
Há alguma pergunta que queira fazer? Não? Então, quando pode começar?
Como? Não quer trabalhar aqui? Pagamos muito bem; de quinze em quinze dias tem o fim-de-semana livre... O que quer mais?
Trabalhar com gente maluca? Está a chamar-nos malucos? Tenha tento na língua...
Onde pensa que está?
SAIA JÁ DA MINHA CASA!



Texto publicado na nova Colectânea da Lua de Marfim com o título/tema "Obsessões". O Lançamento foi no sábado passado, 06 de Fevereiro.
Espero que gostem.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O REINO - PARTE IV



III Parte

O meu foi um casamento de amor...
E fui feliz numa época em que as traições e as intrigas fervilhavam.
Não foi fácil percorrer todo este caminho, sei que deixei coisas por fazer e esperava que tu as completasses.
Por mim, por tudo aquilo que construímos juntos nesse Reino onde tanto amor houve!
Nunca pensei que te sentirias assim tão desesperado... Tão só...
E isso doí-me... Profundamente...
Por não saber já como te ajudar a viver sem mim...


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Continuação da história "O REINO" (ver posts anteriores)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

CAVALO DE TROIA


Não sei porquê, mas hoje lembrei-me da Guerra de Troia.

Dos amores ilícitos de Helena e Páris... 

Da morte inesperada de Aquiles e do célebre Cavalo de madeira...

Será porque, às vezes, temos a sensação de que estamos cercados por inimigos? 

Será por isso que é tão difícil confiarmos em alguém?

Ou não é nada do que digo e é apenas vontade de escrever a minha versão da Guerra de Troia? 

A personagem pode chamar-se Helena, pode apaixonar-se loucamente por alguém... 

E nada ser como ela sonhou... Porque alguém pode deixar à porta um Cavalo de Troia...