quarta-feira, 30 de março de 2016

VERSÃO DOS FACTOS



Hoje, sou eu a cronista do Reino...

De um dia absurdamente normal... Sem que nada memorável o assinale...

Porque as pessoas teimam em o desperdiçar, falando de banalidades e intrometendo-se na vida alheia...

Claro que sei que o Reino tem problemas... 

Claro que queria que as coisas fossem diferentes...

Resolvo alguma coisa se viver eternamente infeliz e encher os dias com discursos inflamados sobre respeito, moralidade e afins?

Não, não resolvo... Torna-me apenas mais infeliz, mais amargurada e isso é o verdadeiro desperdício...

Por isso, não me digam como devo viver...

Sou uma cronista e esta é a minha versão dos factos....





sábado, 26 de março de 2016

A CRÓNICA DO REINO




Sou eu, o cronista deste Reino, quem termina esta história.
E persiste a dúvida: devo cingir-me apenas aos factos e esquecer a história de amor?
Uma história de amor tão intensa, tão verdadeira que ditou a morte do Reino?
Como encontrar as palavras certas para descrever a angústia daquele Rei feliz no dia em que a Rainha desapareceu?
E a dor daquele filho quando compreendeu que o Pai perdeu o interesse na vida?
Houve quem o criticasse por nos abandonar e lutar por causas desconhecidas.
O nosso Reino precisava de quem lutasse por ele...
Mas o Rei era orgulhoso, recusou a ajuda e o Príncipe não podia ficar...
A História dirá que foi um cobarde, mas eu, que vivo nestes tempos, só posso escrever …
Que o Reino ficou abandonado, o Rei sozinho porque ninguém soube como os amar depois...


quarta-feira, 23 de março de 2016

PÁSCOA


Páscoa...

Amêndoas, ovos de chocolate e pão-de-ló... 

Cheiros... risos... memórias de outras Páscoas....

De almoços no Restaurante Chinês, saboreando como se tratasse do melhor Champagne um Sumol de laranja...

De vestidos novos... De estar à mesa com a "gente grande" e ser tratada como tal...

Porque era Páscoa, um dia de festa... 

Continuo a gostar da Páscoa... Mas nada é como me lembro...

Não há tempo... O Mundo pode explodir a qualquer momento...

Boa Páscoa....




 

sexta-feira, 18 de março de 2016

PEDESTAL





Há quem viva num pedestal… 

E falar com um mero mortal é um grande favor… Um privilegio…

Talvez seja feliz no seu pedestal… Porque não?  

A felicidade escreve-se… Sente-se de muitas maneiras…

Ninguém está certo… Mas também não está errado…

O que está errado é ser-se velhaco e humilhar os outros…



terça-feira, 15 de março de 2016

CLARIDADE


Esqueço-me...

No brilho da noite... Na claridade do tempo...

E penso... 

Nas cores... Na música... Nos sonhos...

E escrevo...

Poemas que estão sempre inacabados...

Porque há sempre novos caminhos... novos sonhos... novas cores....


sexta-feira, 11 de março de 2016

FALAR



Hoje, estou cansada demais para pensar... 

E até o silêncio me incomoda...

Talvez seja porque não encontro a minha voz... 

Se não a ouvir, não liberto os sonhos... 

Escondo os sorrisos e nada se desenha no olhar...

Hoje, não quero pensar... Nem quero falar... 

Quero apenas quebrar o silêncio....


 

segunda-feira, 7 de março de 2016

LEANDRO - PARTE III



Este apresentou-se ao supervisor, explicou-lhe o que pretendia e após uma conversa para confirmar detalhes, Leandro saiu, recomendando calma.
Na rua, telefonou ao Sargento Bernardes e pediu-lhe que localizasse a Vera Almeida. O Sargento Bernardes protestou, dizendo que seria difícil contactar alguém num domingo à tarde e Leandro impacientou-se.
Consulta o site dos Edifícios Leopardo, estes sítios têm todos sites na Internet. Vê se têm gabinete de segurança e vais lá falar com eles sobre essa Empresa e essa senhora! Contacta também o médico-legista e avisa que vou lá falar com eles.” e desligou, pensando no passo seguinte.
Conhecer o morto e avaliar os ferimentos. Por isso, 10 minutos depois entrava na morgue, mas só fariam a autópsia no dia seguinte. Leandro insistiu em ver o morto e observou atentamente os ferimentos na face e no tronco e os hematomas nas mãos.
Não tinha qualquer identificação nos bolsos!” avisou o assistente “Deve ter 30, 35 anos, não mais do que isso e parece estar em boa forma física. Já tiramos as impressões digitais e amanhã consultamos os Arquivos.”
Leandro assentiu e pediu: “ Tira-me uma foto do rosto? Obrigado. Acha que ele tentou defender-se e é por isso que tem estes hematomas nas mãos? “
Só o saberemos amanhã depois da autópsia, mas posso confirmar que foi o ferimento de bala que o matou. Alguém o espancou fortemente e concordo consigo. Tentou defender-se, mas depois foi baleado. “ assentiu o assistente “ Enviamos o relatório logo que possível.”
O mais rápido possível. Eu passo cá amanhã à tarde!” prometeu Leandro e saiu para a noite.


quinta-feira, 3 de março de 2016

LEANDRO - PARTE II


Se roubaram alguma coisa, só vamos saber amanhã quando o escritório abrir.” ponderou, mas um dos seguranças, que estava a fazer a ronda e passava ali naquele momento interveio:
Não, a empresa que funcionava neste escritório fechou e estão a transferir tudo para um armazém aqui perto.”
Leandro ficou curioso, pois essa informação não constava do relatório.
Quem está a fazer essa transferência? Tem algum nome, nº de contacto? “ perguntou e o segurança sorriu e desculpou-se:
A Administração deve ter esses elementos! Se quiser vir comigo até à sala de segurança, dou-lhe o nº de telemóvel de um dos membros! “ acrescentou. Leandro seguiu-o e os dois homens desceram no elevador de serviço em silêncio.
Conhece alguém que trabalhasse naquele escritório? “ lembrou-se Leandro de perguntar e o segurança ficou pensativo por uns minutos. Quando as portas do elevador se abriram, disse:
Sim, conheci uma das sócias. Mas ela já deixou de trabalhar na empresa há uns dois, três meses! Não sei se será útil!” acrescentou.
Mas Leandro atalhou imediatamente: “ Isso é óptimo! Sabe o nome dela? Tem o nº de telemóvel? Para onde foi?” e abriu o bloco de notas. O homem hesitou e pediu:
O inspector não lhe diz que fui eu? É que....” e Leandro adivinhou logo o que se tinha passado:
Teve um caso com ela e terminou mal.” e alto, assegurou: ” Não se preocupe; serei bastante discreto. Mas qualquer informação que a sua amiga me possa dar para eu compreender o ambiente daquele escritório é importante!”

Chama-se Vera, Vera Almeida e creio que trabalha agora na Down Corporation, nos Edifícios Leopardo! “ Leandro fez sinal de que sabia onde era e tomou nota do nome. Jacinto abriu a porta da sala de segurança e fez entrar o inspector.

terça-feira, 1 de março de 2016

LEANDRO




Leandro Pimenta, inspector da Judiciária, não gostava de trabalhar ao domingo.
Se era dia de descanso, como dizia a Bíblia, porque é que os Centros Comerciais estavam abertos? Ou as lojas ao pé do rio? Por causa do turismo? Por causa da crise? Tudo isto era preguiça, falta de valores, de amor a Deus.
Leandro suspirou e pegou num dos relatórios que o sargento tinha deixado em cima da secretária. À primeira vista, parecia apenas mais um assalto, mas ninguém sabia de quem era o corpo que encontraram no interior do escritório.
A equipa de segurança disse que tinha feito a ronda às 24h00 e não havia nada a assinalar. Portanto, foi uma surpresa quando o alarme soou às 03h00 da manhã e se depararam com aquele cenário de horror no escritório 303.
Leandro resolveu ir até ao local do crime. Identificou-se aos seguranças e ao policia de serviço.
Este abriu a porta e disse calmamente: “ O assistente do médico legista já levou o corpo, mas creio que ainda não fizeram a autópsia.”
Eu sei; já pedi para me informarem, pois quero estar presente. O corpo estava aqui? “ e apontou para o sítio marcado com uma fita amarela. 
Sem esperar por resposta, continuou a andar pela sala, abriu portas e procurou sinais de arrombamento.
Nada! Que estranho!


Nota:
A minha tentativa de um conto policial.