terça-feira, 26 de setembro de 2017

MORTE SUSPEITA - PARTE II


Mas a Esmeralda está a gozar um momento zen e nem sequer pensa no Jacinto.

Por isso, quem matou o Jacinto? E, porquê?

Ninguém sabe e o Inspector Leandro está preocupado.

Informaram-no sobre a rivalidade entre o Jacinto e o Falcão, o chefe da segurança, mas este desvaloriza a situação.

" Havia o problema dos horários; o Jacinto dizia que a jardinagem não tem um horário fixo e eu tenho um plano a cumprir. " explica o Falcão " Não se trata de rivalidade, mas sim, de objectivos diferentes. Tivemos, sim, uma discussão por causa disso, mas chegamos a um acordo. Ia matar o homem, porquê?" remata.

O Inspector concorda com ele e fala com os outros membros da equipa.

A opinião é geral: o Jacinto era um homem justo, sempre atento ao pormenor e exigente.

" Mas a jardinagem era a paixão dele... Lia tudo sobre o assunto e estava a tentar convencer o bispo a investir em orquídeas." conta o Eduardo, o aprendiz.

" Namoradas, amigas?" interrompe Leandro.

" Não, não lhe conheço ninguém." responde o aprendiz, pensativo 

" Mas não recebia visitas?" insiste Leandro, mas o aprendiz abana a cabeça. Vive fora da propriedade e, como só tem 18 anos, não se mistura com os tipos mais velhos.

Leandro deixa-o ir e pede para falar com o estagiário.


CONTINUA

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

MORTE SUSPEITA


"
MORTE SUSPEITA NOS JARDINS DO BISPO

Esta manhã, os jardineiros ao serviço do bispado depararam-se com um corpo no roseiral.
Trata-se de um homem com cerca de 35, 40 anos que aparentava sinais de espancamento om um objecto ainda não identificado.

Contudo, suspeita-se que seja o Chefe da Equipa de Jardinagem, Jacinto Almeida, mais conhecido por Jacinto Jardineiro.

A polícia está a investigar várias pistas, sendo que o motivo do acontecimento e o facto do corpo ter sido deixado no roseiral está a intrigar as autoridades.

O que foi dito é que Jacinto Jardineiro era um homem afável, trabalhador, mas um pouco solitário.

"

" OH, OH!!!" exclama Letícia, incrédula " O Jacinto... o Jacinto está morto! Oh, Joaquim, o que terá acontecido???" e o Joaquim, que cobiçava o último pedaço de torrada, esquece-a por completo, tal é o espanto.

" O quê??? O Jacinto? O Jacinto que eu conheço... está morto???" pergunta Luis Abençoado ao cão que lhe põe a pata no joelho num gesto solitário.

A primeira reacção do Tadeu Policarpo é " Bem feito!" ainda a lembrar-se da sova que ele lhe deu, mas arrepende-se de imediato.

Coitado, o homem estava magoado com o facto dele, Tadeu, lhe ter roubado a namorada.

" Terá sido a Esmeralda?" pensa.


CONTINUA

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ABENÇOADO - FIM


A Letícia tem razão.

O Jacinto encontrou o Tadeu e a Esmeralda aos beijos em plena rua em Lisboa e chovem insultos e socos.

Conclusão: O Tadeu e a Esmeralda ficam em Lisboa e o Jacinto, que parece estar mais envergonhado que os " traidores", resolve aceitar o convite do Bispo e fica em Lamego.

Sei disto porque resolvo visitar o pobre rapaz e dar-lhe um pouco de conforto.

Mas, embora pareça estar satisfeito com a minha visita, sinto que quer distância do passado.

Por isso, volto a casa, um pouco desiludido por não o conseguir ajudar.

Mas posso ajudar a Letícia e o Joaquim com a sua loja gourmet.

Empresto-lhes o capital necessário para o fazerem e estão a ter um grande sucesso.

O Joaquim está a acabar o curso de Gestão e Marketing e a Letícia resolveu frequentar um Curso de Culinária, pois o objectivo a longo prazo é abrir um catering.

Pagam-me todos os meses uma quantia para reduzir o valor do empréstimo e estão felizes.

Eu?

Eu estou mais interessado na vida, se bem que, às vezes, lembro-me de tudo o que me aconteceu e bebo demais.


FIM

domingo, 17 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE IV


Começo a jantar uma ou duas vez por semana com eles. 

São pessoas bem educadas, simpáticas, com planos para a vida e sinto-me um privilegiado por os partilharem comigo.

Também apareço no escritório com mais frequência e até fecho dois negócios razoáveis.

Claro que quando bebo demais, faço "gazeta", mas isso já não está a acontecer tão frequentemente.

Naquele fim de semana, o Tadeu anuncia os seus planos de viagem. Vai até Lisboa com a Esmeralda; tem uma reunião com um dos seus contactos do " Mundo da Música" como diz e " quem sabe? se não será a grande oportunidade da Esmeralda? "

O Jacinto não está muito satisfeito, nota-se, mas como tem um serviço em Lamego, não os pode acompanhar.

" Isto vai explodir!" confidencia a Letícia no dia seguinte.

" Não quero saber!" afirma o Joaquim " Eles que se entendam... Que se matem uns aos outros, mas que nos deixem em paz!"

" Concordo contigo! Mas não sei quem é mais parvo... Não acredito que o Tadeu tenha contactos no Mundo da Música." repito.

CONTINUA

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE III


A porta do camarim da Esmeralda é fechado com estrondo e nós escapulimo-nos.

Sento-me no local mais sossegado do bar e pergunto:

" Há quanto tempo dura isto? " e a Letícia suspira antes de confessar: 

" Desde que ela começou a cantar aqui... Ainda por cima, o Tadeu disse-lhe que tem contactos numa editora e lhe pode arranjar uma audição."

" E, tem? " questiono, mas a Letícia abana a cabeça.

" A única coisa que sei é que o Jacinto não gosta da ideia.... Mudando de assunto, quer jantar comigo e com o Joaquim amanhã? No K, por volta das sete da tarde? " convida.

Fico surpreendido com o convite, mas aceito e não sei se é por isso que, no dia seguinte apareço a uma hora escandalosa no escritório.

Onze horas da manhã! Ficam todos a olhar para mim, ainda mais porque peço para ver os novos projectos, dou uma ou duas sugestões e revejo os antigos.

Às sete da tarde, estou já sentado a uma mesa no K, com uma cerveja na mão.

A Letícia e o Joaquim aparecem pouco depois e o jantar é muito agradável.


CONTINUA

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ABENÇOADO - PARTE II


O Tadeu até nem é má pessoa, mas ficou parvo quando conheceu a Esmeralda, aspirante a fadista.

Loira, roliça com um ar tão frágil que o Tadeu a quis proteger.  

Por isso, ao regressar de uma visita à casa de banho, tropeço e quase caio se não fosse a Letícia segurar-me.

" O que fazes aqui, rapariga? " pergunto, pois este corredor é interdito ao pessoal do bar durante o espectáculo.

" Shh..." sussurra e puxa-me para um camarim vazio. Apaga as luzes, deixa uma nesga da porta aberta e esperamos.

Tento falar, mas a Letícia pede-me silêncio. E, esperamos os dois, sei lá por quem ou quê.

O Tadeu aparece, vindo do corredor que leva ao escritório, vestiário do pessoal e armazém.

Uns segundos depois, a Esmeralda (a artista da noite) desce as escadas de serviço e ao ver o Tadeu, suspira:

" Ai, meu amor, esperei todo o dia por este momento!" e os dois beijam-se com tal sofreguidão que eu fico assustado.

" O Jacinto vem cá este noite? " indaga o Tadeu.

" Não, tem uns planos para rever. Podemos ficar juntos a noite toda. Disse - lhe que ficava em casa da Letícia." responde Esmeralda.

" Mentirosa!" murmura a minha companheira do crime.

CONTINUA

sábado, 9 de setembro de 2017

ABENÇOADO


Abençoado... Que raio de nome, principalmente porque não me sinto nada abençoado!

Não, não estou a falar de traumas de infância... Foi normal com uns pais atentos, carinhosos, mas que sabiam impor limites.

Tirei o curso que quis; abri a empresa e conheci a Beatriz por quem me apaixonei loucamente e com quem casei. 

E, uma noite, depois de uma noite divertida, perdi o controlo do carro, fui de encontro a uma árvore e a Beatriz teve morte imediata.

Foi depois de sair do hospital que comecei a beber. Mais do que devia... Não o suficiente para ficar bêbado, mas muito alegre.

Tive a sorte de conhecer a Letícia Violeta e o Joaquim Tacanho que tentaram manter-me nos eixos.

A Letícia limpava-me a casa de vez em quando e deixava-me comida feita no frigorífico e o Joaquim Tacanho fez um acordo com um taxista para me levar a casa quando via que eu já não estava em condições de guiar.

Nunca me pediram dinheiro; pelo contrário, sempre o recusaram.

Nada como o Tadeu que tenho a impressão de que, e se a Letícia não estivesse com atenção, cobrava-me o dobro do preço...

CONTINUA

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

TADEU - FIM


Tadeu desmaia e quando acorda, está no Hospital.

Não tem nada partido; por precaução, uma vez que os ligamentos estão doridos, aconselham que mantenha o braço ligado e não faça esforços por uns dias.

E, o que aconteceu a Esmeralda? Pensa enquanto o barman o leva a casa.

" Sabes alguma coisa da maluca que apareceu no bar?" pergunta-lhe.

" O Gonçalves diz que ela enfrenta uma série de acusações: invasão de propriedade, posse de arma de fogo não declarada e ataque a terceiros. O chefe vai ter que falar com a polícia." explica o barman.

Tadeu sobe a escada com esforço. O elevador está em manutenção e, como não tem horários normais, não gosta de fazer barulho e acordar os vizinhos.

" Ah, Esmeralda, Esmeralda, o que faço agora?" sussurra.

Tem que avançar com a queixa; há duas testemunhas que assistiram ao incidente e têm o direito de trabalhar num sítio seguro.

Seria um pouco estranho ele desistir da queixa e talvez seja o que a Esmeralda precise para enfrentar a realidade.

Esmeralda fica com pena suspensa e uma das exigências do acordo é entrar num programa de reabilitação.

Tadeu visita-a e aconselha-a a voltar à profissão de doceira.

" Até podes frequentar workshops e aperfeiçoar o Bolo de Kiev.... Aproveita a oportunidade, Esmeralda; esquece esse sonho maluco de seres fadista."

Mas Esmeralda olha-o desconfiada. Afinal, foi por causa das promessas dele que tudo isto aconteceu.

Por isso, pede-lhe para sair e Tadeu regressa ao bar, derrotado.

Meses depois, sabe que Esmeralda voltou para a terra e reabriu a banca de bolos.

Quem lho diz é o Luis Abençoado que decidiu fazer uma visita aos bares da capital.

E aqui está ele a beber um gin duplo e a contar as novidades.

" Oh, Abençoado, diga-me uma coisa..." pergunta o Tadeu " Abençoado é mesmo o seu nome? "

Mas Luis não lhe responde.  A sua história é apenas sua...

Ele só veio contar as novidades...


FIM

domingo, 3 de setembro de 2017

TADEU - PARTE III


Atravessa o corredor e quando abre a porta de acesso ao bar, ouve a voz da Esmeralda a gritar:

" SERVE-ME UMA BEBIDA, IDIOTA.... BEM SERVIDA, NÃO SABES O QUE É ??? "

" Não acha que já bebeu mais do que devia? " interrompe o segurança e põe-lhe a mão no braço.

Mas a Esmeralda dá-lhe um safanão e tira qualquer coisa da carteira.

" Para trás ou atiro!" ameaça e Tadeu vê que ela segura uma arma. " Onde é que esta maluca arranjou uma arma? " pensa antes de avançar.

" Mas o que se passa aqui?" pergunta " Esmeralda, baixa essa arma. Ainda magoas alguém!"

" QUERO UMA BEBIDA. Pelos vistos, o teu empregado chique não sabe o que é uma bebida bem servida." acusa a ex-amante.

" Não, não vais beber mais nada!" decide o Tadeu, fazendo sinal ao barman para se afastar.

" Baixa essa arma, Esmeralda.... Não, Gonçalves, não vale a pena chamar a polícia... Pelo menos, para já." acrescenta e aproxima-se da mulher que está com um aspecto terrível.

Precisa de cortar o cabelo, tomar um bom banho e o vestido está rasgado e cheio de nódoas.

" EU DISPARO!" volta a gritar a Esmeralda e Tadeu encolhe os ombros, estendendo a mão.

O impossível acontece e Tadeu surpreende-se quando a bala lhe roça o ombro.

A arma caí ao chão, Esmeralda grita e o segurança aproveita a confusão para a dominar.

" CHAMA A A POLÍCIA! E uma ambulância!" ordena ao barman que se precipita para o telefone.


CONTINUA

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

TADEU - PARTE II


De vez em quando, a Esmeralda aparece e pede-lhe dinheiro emprestado.

Desesperado, Tadeu sugere:

" Porque é que não voltas a fazer o teu famoso " Bolo de Kiev" e não o tentas vender numa banca no Mercado? "

" Não, não.... Quero ser fadista!" repete Esmeralda, um pouco embriagada.

Tadeu desiste e empresta-lhe cento e cinquenta euros.

" UNHAS DE FOME! " grita-lhe a ex-amante, mas aceita o dinheiro que o Tadeu sabe que vai desaparecer rapidamente.

Também não compreende porque é que ela insiste naquele sonho maluco de ser fadista.

Pior, porque é que afirma que está a ser um sucesso, se só canta nas tascas mais pobres da zona. 

Talvez os clientes estejam tão embriagados como ela e não prestem atenção à voz medíocre que tem.

Tadeu suspira e concentra-se no trabalho. 

Os últimos clientes já devem ter saído e o segurança e o barman conversam baixinho.

" Horas de ir para casa." pensa e faz logout.

Está já de pé, com o casaco na mão quando se apercebe do silêncio.

As máquinas deviam estar a funcionar; o barman devia estar no vestiário e regra geral, o segurança bate-lhe à porta para lhe dizer que está tudo fechado.


CONTINUA