segunda-feira, 16 de julho de 2018

O INDECISO - O FIM


Gonçalo aceita fazer trabalhos como freelancer.

Não é muito seguro, sabe que tem que se esforçar muito, mas é perfeito para a sua mente organizada.

Controla o processo todo e em breve, há algumas empresas que o chamam para completar os seus próprios projectos.

Oferecem um lugar na empresa, mas Gonçalo está a gostar de estabelecer as suas próprias rotinas.

Até que um dos amigos da universidade fica desempregado e contacta-o.

Teve uma ideia " maluca ", chama-lhe, mas não tem nada de louca quando lha explica.

Abrir uma pequena empresa, o amigo já fazia algum trabalho de consultadoria e pode trazer essa pequena carteira de clientes.

O Gonçalo também tem alguns clientes fieis e para já, pode resultar.

" Vamos avançar com cuidado!" diz o amigo e o Gonçalo concorda.

Estabelecem um plano e escolhem um espaço.

O pai resolve emprestar-lhe "algum capital", o amigo entrega o projecto na Segurança Social e abrem ao público com uma festa discreta.

O nome? 

Não hesitam, pois o amigo também conhecia bem a irmã: CLÁUDIA'S PROJECTS.


FIM

domingo, 15 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE V


A Cláudia não resiste, não podem fazer mais nada por ela.

Não, não pode ser verdade, mas é. Gonçalo sente-se vazio, está a viver um pesadelo.

Refugia-se na noite, ele que raramente saia, esquece-se de si no pior lado da vida.

Álcool, muito álcool, amigos duvidosos.  Tudo para esconder uma dor absurda.

Até que acorda uma manhã num local desconhecido no meio de gente que não sabe quem.

Como veio aqui parar? Quem são? Não se lembra e volta para casa, arrastando os pés e uma cabeça pesada.

A Mãe está novamente lavada em lágrimas, mas é por ele, não por Cláudia. Isso choca-o...

Não sabe o que fazer... Pedir desculpas não é suficiente...

Gonçalo pede ajuda então... 

Há muito que a empresa onde trabalhava o despediu, mas não está preocupado com isso.

Cláudia, onde estás? 

Faz-lhe falta o riso, as observações irreverentes, os ditos engraçados...

Gonçalo sorri... De certeza absoluta que a Cláudia não queria que ele vivesse assim...

Derrotado, revoltado, escondido na amargura....

CONTINUA




sexta-feira, 13 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE IV


Atende irritado, pronto para repreender.

" Oh meu Deus, Gonçalo, é a Cláudia! " grita a Mãe.

Teve um acidente, pensa Gonçalo, como,  onde, quer perguntar, mas a Mãe não dá tempo.

" Vem ter comigo ao Hospital! " e todos na sala o olham assustado.

" Há algum problema? " pergunta a recepcionista e Gonçalo fita-a sem compreender.

" Podemos ajudar? " repete e Gonçalo diz que não pode ficar, que a irmã teve um acidente.

É grave? mas Gonçalo não sabe, está completamente desorientado.

A empresa não o deixa sair sozinho e alguém o conduz até ao Hospital, onde Gonçalo encontra a Mãe em lágrimas.

" Não sabemos nada... Mas é grave, Gonçalo, temos que nos preparar para o pior." explica o pai.

O motorista aperta-lhe a mão, despede-se educadamente.

E esperam.... A noite inteira....

Gonçalo tenta saber o que aconteceu, mas nem o Pai nem a Mãe querem falar do assunto.

A tia Isabel chega entretanto e o tio Francisco também. 

É este quem explica ao Gonçalo que a Cláudia foi à praia com uns amigos. 

Alguém deve ter bebido demais ou simplesmente ignora o limite de velocidade.  

Ao fazer uma curva, perdem o controlo do carro e este capota e aterra na berma.

Um dos amigos morre no local, outro fica ferido gravemente, mas é a irmã quem está pior.

Gonçalo quer falar, mas não consegue.

Aproxima-se um médico.


CONTINUA





O INDECISO - PARTE III


O primeiro emprego é um choque para a mente organizada do Gonçalo.

Prazos, metas, exigências, pressões... O que é isto? 

Ter que justificar cada passo, cada decisão...

" Chama-se trabalho em equipa!" goza a Cláudia.

Gonçalo está extenuado, acha que não vai conseguir. 

Fala com uns amigos, mas estes gostam de sentir a adrenalina, de trabalhar sobre pressão.

Tenta adaptar-se, mas exigem cada vez e entra em pânico quando pensa que não vai cumprir o prazo.

Consegue, mas pensa que errou na carreira. Ou é ele, a maneira de ser que está errada.

" És introvertido, não te expressas. Oh, pá, dá um soco na mesa e anda para a frente." aconselha a irmã.

Gonçalo tenta falar mais, pesquisa mais, apresenta ideias inovadoras.

Algumas são aceites, outras rejeitadas de imediato com umas piadas à mistura.

Fica ofendido e começa a procurar outro local para trabalhar, mais calmo.

" Oh, pá, não ligues. Já te disse, anda para a frente!" repete a Cláudia, toda entusiasmada com o curso de Jornalismo.

Mas Gonçalo continua a responder a anúncios, acha que vai encontrar o emprego ideal.

É convocado para uma entrevista e é enquanto espera que recebe o telefonema que lhe mudará a vida.

A de toda a família.


CONTINUA

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O INDECISO - PARTE II


" Gonçalo, o que queres fazer na vida? " pergunta a Mãe.

Gonçalo fica calado... Não sabe verdadeiramente o que quer.

Sabe o que os outros esperam dele, mas ele apenas quer que o deixem em paz.

" Tens que ter algum objectivo... alguma coisa que te interessa e te faça vibrar... " insiste a Mãe.

Gonçalo sorri e nem tenta explicar o vazio que há dentro dele. Nunca o entenderia...

Às vezes, nem ele próprio entende. Este aborrecimento, esta tristeza sem limites...

Ok, tem uma família simpática, gosta do curso e até é um bom aluno.

Mas... maldito "mas" que não o deixa avançar e ser livre como a Cláudia que vive apenas o momento.

A irmã entra como uma furação na sala e distraí a Mãe.

Gonçalo murmura uma desculpa e fecha-se no quarto.

Tem umas fotos para descarregar, actualizar o blog e acabar de ler aquele livro.

Este é o seu Mundo... não lhe preenche o vazio que sente, mas não o agride.

Foi ele quem o criou. Sabe que está a adiar o confronto com a realidade.

Mas a realidade não precisa dele agora.


CONTINUA

terça-feira, 10 de julho de 2018

O INDECISO


" Mas afinal o que queres? " pergunta, desesperada, a Cláudia.

O irmão encolhe os ombros e responde.

" Não sei!" e a irmã tem vontade de lhe bater.

Há mais de dez minutos que olha para os cartazes do cinema e é incapaz de decidir qual o filme que quer ver.

" Desisto! " explode Cláudia " Vou ao cinema e quero lá saber se tu vens ou não!"

" A Mãe disse-me para não te perder de vista." insiste o Gonçalo.

" Quero lá saber. Vou ver um filme e está decidido!" e avança para a fila.

Gonçalo vê-a comprar o bilhete e entrar, mas continua indeciso.

Acaba por não ir e fica à espera da irmã, que reaparece duas horas, eufórica.

Foi um bom filme, uma história bem explorada, com bons actores. 

" Não podia ser melhor e tu? Não fizeste nada? " pergunta.

Gonçalo mostra-lhe o livro que comprou e agora é a vez da Cláudia encolher os ombros.

Chegados a casa, a Mãe não sabe o que dizer.

A Cláudia tem toda a razão; talvez fosse melhor ter concordado com a saída de amigas.

" Gonçalo, vamos conversar? "

CONTINUA

domingo, 8 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - O FIM


O detective Fontes aparece com novidades.

A culpa foi do Mateus...

Perguntou à Anabela se queria ganhar um dinheiro extra e sem o conhecimento do Mendes.

Anabela aceitou e deve ter achado muito estranho entrar num gabinete vazio.

" Claro que o deve ter questionado e ele agrediu-a. " conta o detective " Ela tentou fugir, mas ele tinha travado a porta e bateu-lhe até ela ficar inconsciente. "

" E eu? " pergunto.

" Ele preparava-se para sair, mas a Cristina entrou, viu a Anabela naquele estado e tentou socorrê-la. Antes que gritasse por socorro, agrediu-a também, o que lhe deu tempo para fugir."

" Não me lembro de nada. Senti que estava alguém atrás de mim... mas é tudo o que sei." confesso.

" Não há problema! Já o apanhamos e ele confessou. " 

O detective sorri e diz:

" Sei que lhe vão dar alta. Vai voltar a dançar no Clube? Vai ter coragem para isso?"

" Não, não. Enviei alguns CV's e propuseram-me um part-time com possibilidade de ficar em full time. Pode ser que tenha sorte e fique." acrescento.

" Boa! Obrigada pela ajuda e boa sorte no novo emprego. " e despede-se com um forte aperto de mão.

Eu deixo o hospital uns dias depois. 

O Mendes ainda me tentou convencer a voltar, mas eu quero tentar outras coisas. 

Será que vou ter sorte?



FIM

sexta-feira, 6 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE VI


Nem de propósito, o Brites visita-me nesse dia.

Entrega-me um ramo de flores e uma caixa de bombons e instala-se numa cadeira, pronto para uma conversa.

Não resisto e pergunto-lhe:

" Estavas de folga quando mataram a Anabela? "

" Não, o Mendes mandou-me tomar conta da sala principal e disse ao Mateus para estar de guarda ao corredor dos gabinetes." diz.

" Não me lembro de ver o Mateus no corredor... Foi o que disse ao detective que esteve cá." comento.

" Acho que ele já sabia, mas queria confirmar contigo! " avisa o Brites " Afinal, és uma vitima e uma testemunha!" acrescenta.

" Quem me encontrou? " e o Brites suspira.

" O cliente que estava à tua espera quis falar com o Mendes e este pediu-me para te procurar. As meninas no vestiário disseram que tinhas mudado de roupa, pois ias dançar para um gabinete. Ora, não estavas no gabinete 3, por isso, procuramos em todos." conta o segurança.

" E, agora, o que é que vai acontecer? " mas o Brites abana a cabeça e aconselha:

" A polícia já deve ter muitos elementos, mas queria confirmar alguns pormenores contigo. Quem matou a Anabela, quase de certeza te agrediu." e despede-se.

Está de serviço esta noite.

Passa-me uma ideia maluca pela cabeça.

Terá sido uma armadilha preparada pelo Mendes e o Mateus? Terá a Anabela descoberto algum podre sobre eles e exigido dinheiro?


CONTINUA

quarta-feira, 4 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE V


" Vamos falar daquela noite, do que se lembra, pode ser? " sugere.

" Sei que não queria trabalhar, mas não me lembro porquê.." admito " Talvez porque era " noite livre". " acrescento.

" O que é a noite livre? " quer saber Fontes.

" É um clube exclusivo, só para membros nas noites de sexta-feita e sábado. Mas o gerente resolveu abrir à quinta-feira à todos aqueles que têm dinheiro para gastar." explico.

" Portanto, uma clientela não tão selecta, cuidada." termina o detective " Quem lhe pediu para fazer a dança privada? Estava mais alguém presente? "

" Foi o gerente, pouco tempo depois de eu terminar a minha dança. Não me lembro de ninguém no corredor.... mas onde estava o segurança? " digo.

" Devia estar um segurança no corredor? Tem a certeza? Essa informação é muito importante!" repete o detective.

" Há, geralmente um segurança no corredor dos gabinetes para impedir cenas desagradáveis, especialmente nas noites livres. Os homens podem confundir dança privada com sexo." respondo.

" Não havia um segurança no corredor naquela noite? Pense." insiste Fontes.

Mas eu começo a ficar confusa, agitada e ele levanta-se rapidamente.

" Não tem importância. Deu-me uma informação que posso confirmar. Descanse, eu volto mais tarde." e saí.

A enfermeira entra e pergunta-me como me sinto.

Aconselha-me a dormir, mas eu continuo a pensar se o segurança estava lá ou não.

O Brites não devia estar de serviço, pois ele nunca abandona o posto e acorre logo quando gritamos a palavra-chave.

CONTINUA

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE IV


Dão-me um sedativo, acalmo.

Disse a verdade ao detective Fontes, não sei quem era a Anabela.

Um corpo admirável, uma dançarina perfeita, mas também muito arrogante e invejosa.

Vigiava as nossas roupas, as nossas danças e até os clientes que pediam uma dança privada.

Dizia-se que era amante de alguém poderoso, mas apenas se suspeitava que estava ligada a tráfego de droga, pois a Anabela tinha um carro topo de gama e a roupa era de marca.

Ganha-se bem como dançarina exótica, mas não a esse ponto.

Havia uma certa rivalidade entre nós, o detective tinha razão. 

Eu também era muito solicitada para danças privadas.

Mas eu seleccionava os meus clientes, a Anabela não. Impunha uma tarifa e dançava para todos que a pagassem.

Teria sido um deles que a matou? Por ciúmes? Para atingir o dito amante dela? Ou simplesmente por estar no sítio errado à hora errada?

O detective volta no dia seguinte e pergunta:

" Então, fazia ou não danças privadas? Porque se mostrou relutante naquela noite? Porque entrou naquele gabinete quando lhe disseram que era no gabinete 3?"

" Sim, fazia danças privadas, mas para clientes especiais. Não sabia para quem ia dançar naquela noite e isso fez com que me enganasse no numero do gabinete!" confesso.

" Tinha medo? Porquê? Segundo diz o gerente, aquele é um clube exclusivo." insiste o Fontes.

" Sou designer freelancer.  Nem sempre tenho trabalho e é por isso que danço naquele clube. Não quer dizer que seja uma..." respondo, indignada.

Fontes sorri.


CONTINUA

sábado, 30 de junho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE III


Apresenta-se como Luis Pontes e diz que tem algumas perguntas a fazer-me.

Que o posso interromper em qualquer altura se me sentir cansada, mas que tenho que entender que querem esclarecer a morte da Anabela.

" Mas eu não sei nada! " protesto " Nem a conhecia muito bem!"

" Não eram amigas ? Não saiam juntas, praticavam juntas? " insiste o detective Pontes.

" Não! Eramos colegas de trabalho; podíamos falar sobre os temas das danças, o guarda-roupa, mas mais nada. " exclamo e começo a ficar agitada.

O Pontes olha para mim, desconfiado.

" Por favor... não me lembro de mais nada! Não se importa de chamar a enfermeira? " peço.

" Era habitual a Anabela dançar em festas privadas? " pergunta-me " Aqueles gabinetes são para festas privadas, não são? "

" São, mas eu raramente faço festas privadas! " respondo.

" Ah, sim? Mas disseram-me que é uma das favoritas e mais bem pagas... Quer mesmo afirmar que raramente fazia festas privadas? " diz.

Toco a campainha, custa-me a respirar.

A enfermeira que entra no quarto pede ao detective Pontes para sair, mas tenho quase a certeza de que ele vai voltar.


CONTINUA

quinta-feira, 28 de junho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA - PARTE II


Estão todos a falar alto e continuam, mesmo quando as luzes se apagam e começo a dançar.

Há uns assobios, uns palavrões e alguém tenta invadir o palco, mas o segurança impede-o.

Termino o número mais cedo, não estou com cabeça para aturar esta multidão, mas ao sair do palco, o gerente faz-me sinal para o seguir.

" O que se passa contigo? Nem pareces tu!" interpela-me " Vais fazer uma dança privada no gabinete 3. Apressa-te a mudar de roupa e está lá dentro de 5 minutos!"

Suspiro.... O que mais me vai acontecer esta noite?

Mudo para uma lingerie mais reduzida, um vestido muito transparente e lá sigo para o gabinete.

Ele disse 3 ou 13? 

Indecisa, abro a porta do gabinete 13 e vejo a Anabela caída no chão coberta de sangue.

Abafo um grito e ajoelho-me.  Pego-lhe na mão e tento ver se respira.

Ouço um barulho atrás de mim, mas antes de ter qualquer reacção, sinto uma pancada forte na cabeça.

Desmaio...

Acordo meses mais tarde e estou ainda a assimilar o que me aconteceu quando um detective aparece no hospital.


CONTINUA

quarta-feira, 27 de junho de 2018

DANÇARINA EXÓTICA



Sou fã da Demi Moore e vi e revi todos os filmes dela.

Talvez tenha sido por isso que me tornei dançarina exótica num clube exclusivo e tenha escolhido como música para o número de abertura a canção de Annie Lennox.

Exactamente como no filme " StripTease"...

Claro que tive que inovar, ter aulas de jazz e dança de varão para aperfeiçoar os números, mas as músicas escolhidas são quase sempre de Annie Lennox.

E, antes de entrar em cena, penso sempre no que a Demi diria ou faria.

Mas, esta noite, estou aborrecida. 

Se me perguntarem porquê, não sei responder.

Talvez não devesse ter concordado em substituir a Ivone... 

Talvez devesse ter ido ao cinema, sei lá.

Qualquer coisa do que ter que dançar e despir-me para desconhecidos.

Ainda por cima, hoje é noite livre, o que significa que podemos ter uma audiência mais rude.

CONTINUA








terça-feira, 26 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - O FIM



A família parece que não me vê há anos, tal é a festa que me faz.

Interessam-se pelo artigo, fazem imensas perguntas e os meus irmãos imaginam uma história de terror.

Depois de uma última revisão, entrego o artigo ao professor.

Estou confiante de que vou ter uma boa nota e é uma desilusão quando o professor o devolve com várias notas.

" Pesquisa bem feita " escreveu " Lucidez, fluidez de escrita, coerência. Podia ter desenvolvido, explorado mais o facto de ter tido pouco acesso a informação relevante. No geral, um bom trabalho."

 A Mãe tenta consolar-me da " derrota" que não é " derrota, é uma aprendizagem" como diz o Pai.

Mal sabemos que aquele artigo, os diários do Inspector Leandro servem de base para os meus romances policiais anos mais tarde.

São um sucesso; recebo várias propostas para filmes, séries e só concordo porque sou eu quem vai adaptar o livro.

O nome do meu Inspector?

Claro que tinha que ser LEANDRO, um homem culto, inteligente.

Como o verdadeiro Inspector Leandro.


FIM

domingo, 24 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE VI


A minha Mãe não me acorda a tempo no dia seguinte e eu refilo.

Ela diz sensatamente que eu não lhe pedi nada e peço-lhe desculpas pelo meu comportamento.

Saio a voar de casa, já estou atrasado para uma aula.

Depois passo a tarde encafuado nos arquivos do jornal a tentar descobrir mais notícias sobre o Bando dos Poderosos.

Prendem os membros "dispensáveis", mas os verdadeiros culpados desaparecem convenientemente.

" No diário que deixou, o Inspector Leandro fala num bando chamado " do Morto ", mas a Brigada Anti-Gangue diz que estavam a investigar na altura o gangue dos Poderosos.

O Zé do Laço estava a trabalhar para esse Gangue quando morreu e a conclusão óbvia é que havia um infiltrado da brigada que, talvez para salvar a pele, acusou o " Bobo da Travessa".

O Inspector Leandro estaria talvez a investigar um homicídio relacionado com o Bando do Morto, mas penso que esse era o nome de código do pobre do Zé do Laço.

A Brigada teve algum sucesso com a investigação ao Bando dos Poderosos, mas não conseguiu prender os cabecilhas.

O Inspector Leandro não conseguiu descobrir quem assassinou o Zé do Laço. 

Tinha, no entanto a certeza absoluta de que a morte deste foi um aviso do Bando dos Poderosos.

Estava a chegar perto de mais. De quê, de quem?

Tenho quase a certeza de que as Brigadas de Homicídios e Anti-Gangues sabem a verdade, mas nunca o vão admitir.

Implicaria talvez uma investigação mais profunda aos actos de cada uma das brigadas e poderiam descobrir situações ditas... "

Aqui paro, à procura da palavra mais adequada.

O telemóvel toca, distraí-me e rogo uma praga.

" Terei hoje o prazer da tua companhia ao jantar? " pergunta-me a Mãe.


CONTINUA

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE V


O meu professor diz que estou doido e a confundir as coisas.

Artigo de opinião? Fui convidado por algum jornal ou revista?

" Não está a ter dificuldades em obter informações? Escreva sobre isso. Qual é o problema? " 

Saio do gabinete um pouco desorientado e leio novamente as notas.

Talvez tenha razão e eu possa especular sobre as razões de não ter acesso a certas informações.

Até porque o caso do Zé do Laço deve estar encerrado... não é uma "ongoing investigation" como dizem nos CSI.

Por isso, começo a escrever:

" Quem diria que o Zé do Laço, nascido e criado na Travessa do Laço, acabaria os seus dias como informador da polícia?

Na Travessa do Laço, todos dizem que ele era um pequeno ladrão, não muito esperto, mas que era engraçado.

Tornou-se no "bobo" da Travessa, porque os esquemas que montava quase nunca resultavam.

Terá sido em resultado de um desses esquemas que o Inspector Leandro o conheceu e é a partir daqui que a informação começa a ser confusa.

Porque há muitas questões....

"
Paro, olho para o relógio.... Nossa, quase meia noite e nem sequer jantei.

Vou até à cozinha e vejo que a minha Mãe deixou um tabuleiro preparado.

Leio com um sorriso o bilhete que deixou.


CONTINUA


quinta-feira, 21 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE IV


" OLHA O MEU AMIGO" berra o Leão " Está a escrever uma história sobre o Zé do Laço que rima com bagaço..." e todos riem.

O Peres pergunta-me: " Então, que tal vai a investigação? " e sou sincero quando respondo que não sei.

" Os Homicídios mandam-me falar com a Brigada Anti-Gangues e estes dizem muita coisa. Oh, pá, conheces alguém no Ministério? Preciso de falar com um detido."

" AH, AH..." ri-se o Leão que ouviu a última parte " Até já fala como eles. Não é preso, é detido... Bebe mais uma cerveja."

No dia seguinte, estou com uma tremenda dor de cabeça.

Mas tento contactar o Ministério... Sem sucesso...

Com muita dificuldade, consigo descobrir o nome do advogado do tal membro do gangue.

Explico a situação numa carta simples, sincera e espero semanas até receber uma resposta muito seca.

" Lamento informar V.Exa. de que o nosso cliente não autoriza nem uma visita nem qualquer referência à sua pessoa num artigo que venha a escrever...

Com...." blá, blá...

Não sei verdadeiramente o que fazer.  Tento ligar novamente ao Sargento Bernardes, mas este está ocupado a " investigação em curso" e a Brigada Anti-Gangues deve ter bloqueado o meu numero.

Só se escrever um artigo de opinião.

Quanto mais matuto no assunto, mais gosto da ideia...


CONTINUA

terça-feira, 19 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE III


O contacto da Brigada Anti-Gangues explica-me que demora meses, mesmo anos a preparar uma operação como a que estava em curso quando o Zé do Laço morreu.

Não, não era o Bando do Morto, suspeitavam do Bando dos Poderosos. Ah, sim, muito importante, muito mais que o outro bando e o Zé do Laço foi crucial no desenrolar da acção.

" Então, tinham um infiltrado? E o Zé do Laço sabia? Terá sido por isso que ele morreu? " as perguntas chovem e eu quase não deixo falar o inspector.

" Talvez sim... Mas eu só sei o que se passou relativamente à operação desta brigada. O Leandro era dos homicídios e se contactou alguém da brigada relativamente ao assunto... não sei." sorri e eu fico com a impressão de que está a esconder alguma coisa.

Levanto-me, agradeço e resolvo ir até ao Jornal. Vasculhar o arquivo, desenterrar notícias sobre estes Bandos de nomes tão curiosos.

Fico frustrado por não descobrir muito material sobre o Zé do Laço. 

Mas encontro o nome de um membro do Bandos dos Poderosos. Está preso, mas talvez o possa entrevistar.

Quem é que me poderá ajudar? O Dr Simão, o director do Jornal deve ter conhecimentos no Ministério.

Ou posso escrever uma carta ao advogado...

Satisfeito, arrumo as notas e saio para a night. 

Olho para o relógio...  

Ainda é cedo...

Talvez encontre alguém no Bar do Leão.

CONTINUA

A TRAVESSA DO LAÇO - PARTE II


O Sargento Bernardes confessa-se surpreendido, pois não sabia que o Inspector Leandro tinha uma irmã e um sobrinho da minha idade.

" Ele raramente falava da família.  Lamento, se soubesse, tinha ligado quando ele morreu." acrescenta.

Quer saber o que se passa, fica surpreendido pelo tema do meu artigo e confirma a opinião dos velhotes do café da Travessa do Laço.

" Às vezes, trabalhava para nós como informador e não sabemos exactamente se descobriram e foi por isso que o mataram." explica " Não te posso dizer mais do que isto; alguém empurrou um carro contra a esquadra na Noite de Natal com ele lá dentro."

" Mas foi algum gangue?" insisto " O diário do Tio só se refere à morte do Zé do Laço, como infeliz, azar dos azares... Depois escreve " Terá sido o gangue do Morto"? Quem é o gangue do Morto? "

Bernardes ri-se bem humorado. 

" Posso dar-te o contacto de alguém da Brigada Anti-Gangue. Podem explicar-te com funciona... " e escreve um nome num papel.

Levanta-se e dá a entrevista como terminada.

Recapitulando: 

O Zé do Laço aparece morto na noite de Natal.

O Tio Leandro estava de serviço.

Os suspeitos fazem parte de um gangue, o dito "Bando do Morto".

1ª Nota: O Zé do Laço está a trabalhar para o Tio Leandro como informador? Se sim, que tipo de informações?
2ª Nota: Terão combinado encontrar-se na Noite de Natal para passar informações? Terá sido por isso que o Tio não se importou de ficar de serviço?
3ª Nota: Quem deu com a língua nos dentes e expôs o Zé do Laço? Alguém do gangue seguiu-o e assistiu a algum encontro entre ele e o Tio?
4ª Nota: Ou a Brigada denunciou-o para proteger o infiltrado deles?


CONTINUA

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A TRAVESSA DO LAÇO


" É... Esta Travessa sem o Zé do Laço... não é nada!" dizem.

" Que ideia! O Zé do Laço era um pequeno ladrão que foi incriminado e apanhado no fogo cruzado dos gangues!" riem-se.

Estou num pequeno café na Travessa do Laço, um café bem limpo e com instalações modernas.

A clientela é constituída por velhotes, que se reúnem ali para falar sobre Futebol, jogar damas e recordar os tempos em que havia por ali uns rufias poderosos.

" Eu sei disso, mas era engraçado falar sobre as desventuras do Zé. Ouve lá, porque é que estás tão interessado nele? " interrogam-me.

" Sou estudante de jornalismo e tenho que escrever um artigo sobre criminosos." respondo.

Os velhotes riem-se e um comenta:

" E escolheste o Zé do Laço?" e as gargalhadas são mais intensas.

Fico a pensar se não terá sido uma má ideia, mas o meu Tio, o Inspector Leandro conhecia o Zé do Laço.

Encontrei uns diários dele quando estivemos a limpar a casa dele e achei engraçado o nome do Zé do Laço.

Amanhã, vou até à Judiciária tentar falar com o Sargento Bernardes. Sei que trabalhou com ele; talvez me diga alguma coisa.

A minha Mãe pouco fala dele; ele passava a maior parte do tempo imerso no trabalho e nem sempre aparecia nas festas familiares.

Mas deixou-lhe grande parte do dinheiro que tinha acumulado. O resto foi para a Misericórdia.

Porquê? Talvez para ajudar jovens como o Zé do Laço. 


CONTINUA

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O CLANDESTINO - O FIM


Mas a Noémia telefona nessa noite.

Quer passar uma semana com os meninos.  

" Estão no Algarve com a tua Mãe? Não há problema... estou em Huelva, é só atravessar a fronteira." diz.

Esteve a pensar e talvez seja uma boa ideia vender as casas. Investir parte do dinheiro num fundo para os estudos dos meninos. O que acha o Gustavo?

Talvez não seja má ideia, pensa o Gustavo. Pode comprar um andar perto da Mãe e do colégio.

Facilita a vida a toda a gente e é isso que faz quando regressa das férias.

Leva a D.Margarida (" Oh, Engenheiro, eu também? Mas porquê?" protesta a senhora, mas vê-se que fica feliz quando o Gustavo responde " A D.Margarida é parte da família.") e a Mãe.

Por isso, em meados de Outubro, os cinco mudam para um duplex cheio de Sol e ainda a cheirar a novo.

Apesar de já ter começado as aulas na Universidade, a Luísa aparece para darem passeios ditos "misteriosos" e que as gémeas adoram.

O Pedro continua sem falar muito e a Rita tem um novo hobby.

A D.Margarida está encantada com a nova casa e o Gustavo aprende a relaxar e a gerir a vida profissional e pessoal.

A Noémia telefona de vez em quando, combina fins de semana e cancela tudo à última da hora.

Os miúdos ficam desapontados e o Gustavo confessa que se sente perdido.

No fundo, não está. É uma pessoa de referência na vida dos miúdos, a vida está equilibrada e só falta mesmo, diz a brincar o Dr Gonçalves, conhecer alguém e apaixonar-se.

Gustavo ri-se, diz nem pensar, mas, num fim de semana, a Luísa vem ajudá-lo com os miúdos.

Acabam todos a jantar no MacDonald's, o Pedro encontrou uns amigos e a Rita e as gémeas estão a jogar.

A conversa entre os dois adultos é agradável e o Gustavo atreve-se a convidá-la para um jantar a sós.

Depois.... tudo acontece....



FIM


quarta-feira, 13 de junho de 2018

O CLANDESTINO - PARTE IV


No dia seguinte, Gustavo fala com a D.Margarida que o ouve atentamente.

" Não posso dizer que estou surpreendida; a D.Noémia passava mais tempo a viajar do que em casa." comenta " Não se preocupe, Engenheiro, eu ajudo-o. Vamos lá dar o pequeno almoço aos meninos. Já pensou em contratar uma babysitter? " sugere.

Entre os dois, convencem os miúdos a levantarem-se, a vestirem-se e a tomarem o pequeno almoço.

Depois, o Engenheiro Gustavo leva-os ao colégio e fica a pensa no que a D.Margarida disse sobre uma babysitter.

" Se quiser, a minha sobrinha Luísa é a pessoa indicada. Está na Universidade com uma bolsa e está à procura de um part-time para ganhar uns trocos. Eles vão ficar em férias dentro de duas semanas e podem ficar num ATL de manhã. A Luísa vai buscá-los à hora de almoço para passearem. O que acha? " 

O Gustavo acha que é uma boa ideia. Uma das avós telefona e diz que vai buscar os meninos ao colégio para lancharem fora.

Até podem jantar e dormir lá em casa, o que acha o Gustavo da ideia?

O Gustavo não tem nada a dizer; até agradece.

A sobrinha da D.Margarida é uma rapariga bem disposta e fica logo amiga das miúdas.

O Pedro continua calado, sem dizer nada, embora participe nas brincadeiras e nos passeios que a Luísa organiza.

Da América, há poucas notícias e o Gustavo não sabe o que dizer aos filhos.

Acaba por os deixar ir para o Algarve com a avó; tem um projecto para terminar.

" Pareces cansado!" comenta o Dr Gonçalves " Os miúdos? "

" Estão bem; estão no Algarve com a minha Mãe. Falei com eles ontem; parece que se estão a divertir." responde o Gustavo.

" E notícias da Noémia? " questiona o director financeiro.

Gustavo suspira.... Não sabe nada sobre a Noémia. 


CONTINUA