domingo, 31 de janeiro de 2010

CONFESSO (UMA HISTÓRIA II)

Amanhã, todos saberão.

O que eu confesso.

O que não tenho medo de admitir

Ter conhecido,

finalmente,

a paixão

e

o prazer.

Com a ternura

do 1º toque.

A surpresa,

o calor

do sentir a pele

contra a pele.

Apesar da timidez,

ao princípio.


Não sei ainda

se estou a

amar

o suficiente.

Entreguei-me

à paixão,

sim.

Pus de lado

a minha máscara

e

desatei os nós

do meu pensamento.

Creio, sim,

que

começo

a amar-te

o suficiente



Foto de Knut Hoftun Knudsen "Depths nº 2"


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Nota: Um novo ensaio poético a partir da mesma frase.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

DE COMO (UMA HISTÓRIA)


Amanhã,

todos saberão.

Como me beijaste,

arrebatadamente,

em público.

Especularão o porquê

de eu ficar surpreendida

e contarão em detalhe

como te tentei afastar

com o braço.

Como eles próprios ficaram

surpreendidos

quando o apoiei no teu ombro

e me rendi,

com paixão,

à sofreguidão

da tua boca.

Não vão esquecer a forma

desenvergonhada como

colei o meu corpo ao teu

e de como os teus braços

me apertaram.

De como olhamos

um para o outro

quando o beijo passou

e eu desatei a chorar.

Como me voltaste a abraçar

e como saímos,

sem pressas,

da sala.

Houve quem ficasse

indignado,

houve alguém que chorou,

feliz por nós.

Quem teve inveja,

bebeu mais um copo

e quem riu...

garantiu

que a noite seria maravilhosa...

Foto de Catarzyna Rzeszowska
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domingo, 24 de janeiro de 2010




Um dia, poderei não te escrever

e desterrar para a Lua

os meus desejos.



Voltar a ser

recatada,

com os olhos

sempre no chão.



Como pude

ser assim?

Como pude

viver na sombra?



Tenho medo,

amor,

de voltar

para lá.

Não é que não

tenha medo de

outras coisas.



Mas da sombra,

onde esqueceram

o meu nome....



Tenho medo,

amor,

não me deixes

voltar para lá.





Foto de Graça Loureiro, "From here to there" (Olhares)


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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

INTOCÁVEIS



Simples

divagar sobre a Lua

em frases certas

e vazias.

Escancaro as portas

do meu mundo

quando sonho

em ti.

Deixo que

me guies

no teu.

O nosso mundo

não tem

nome

e somos

egoístas

ao pensar

que

somos

intocáveis...



NOTA:

Termina aqui ou continua
este ensaio/jogo poético?

Decisão vossa.

Regras:


1- Obrigatório o comentário

ao poema em si

2 - Resposta à pergunta feita acima





Foto de Hugo Macedo (Olhares)
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

EXTÂSE (PARTE II)






Grito,

gemo

de prazer,

quando

te saboreio,

pedacinho

por

pedacinho.



Num beijo possessivo,

explorando-te

com a língua.



Tenho a certeza

de que estou

acordada,

de que

o meu corpo

está quente

e húmido.

Quando



tu,

suspiras



em extâse...




Foto de Paulo César, 1000 Imagens "O ùltimo beijo"



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Nota:

Trata-se de

um pequeno ensaio/jogo poético,

a partir da mesma frase neste
e no post anterior.


(Continua)

sábado, 16 de janeiro de 2010

ACORDADA






















Grito,
gemo
de prazer
quando viajas
em mim.
Forte,
densa,
perigosa
essa chama,
nesse labirinto
em que se tornou
o nosso corpo.
E eu pergunto-me
se não estarei a
sonhar acordada

(Continua)




Foto de Rodrigo Reis, "Pensar, sonhar, realizar" (Olhares)
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

EXISTES













Para mim,



tu existes



Para mim,



não há palavras




Para mim,



há abraços e beijos



Para mim,



há tudo a dizer



mesmo que eu negue



verbalmente.



Adoro-te,



amo-te,



gosto-te.



Qual a diferença?

Não quero saber.


Sei que existes.



Em mim.




Foto de Marcos Sobral Nudes & Fashion "Coast Beauty" (Olhares)

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

EXPOSTA

Continuo indecisa


e atafulho os versos


de metáforas inúteis.




Não gosto deles,


meu amor.


Porque não são nossos.




Não te falam


de mim.


Não compreendem


a minha vontade


de ser rebelde




De me expor


totalmente a ti.









Eis que os meus versos


voltam a ser


intimistas.




Volto a ler-te.


E, estou


completamente


exposta a ti,


nessas vontades


que se juntam.







Foto de ABrito (Olhares)


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

DESESPERADAMENTE









Escrevo-te na minha pele




que geme baixinho.




Desesperadamente.




Indecisa,




fico à toa




e escolho




os labirintos




do silêncio.




Esse silêncio




que me apazigua




a alma




e te devolve




ao prazer do toque




com a minha pele










Foto de Hugo Amador, "After the rain" (Olhares)




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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

INCAPAZ



















Hoje, nem as palavras
me obedecem.
Estão vazias,
esmagadas
em mim.
Nada se encaixa.
Nem o teu olhar,
pousado em mim.
Não me reconheço
e a minha pele arrepia-se,
com a estranha sensação
de que,
a qualquer momento,
se abrirá numa chaga.

Não vou pedir perdão.

Se gritar bem alto
no seio da Lua.
Se te ignorar
e te expulsar
desta sala vazia.
Onde ninguém fala ou ri
Onde ninguém ama
Porque eu sei que me amas
e hoje eu sinto-me incapaz
de me amar,
para te amar intensamente

Foto de Daniel Pedrogam, "Sound of Silence" (Olhares)
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