quarta-feira, 31 de agosto de 2005

ALORS


Alors”, tiraste o dia para me “atormentares”?
No bom sentido, claro está, porque cada mensagem que recebo faz com que me ria até às lágrimas.
Favor não refilar se a minha mensagem estiver em francês, com mistura de inglês; a mensagem fica mais curta e é a minha vingança, já que não posso deitar a língua de fora ou atirar-te uma almofada e atingir num sítio onde te doa. Sou má??

Ah, e o que dizer do cavalheiro que está dias calado, sem nada dizer, mantendo-me à distância!
Não compreendo muito bem o porquê de me manteres às vezes à distância, mas aprendi a respeitar essa tua faceta e por isso, não insisto.
Um dia, vais explicar tudo isso, mas neste momento, quero saber como é que nos poderíamos encontrar se eu estive no Centro e tu no Sul do País!
Imaginação não nos falta e não levarás a mal se eu fantasiar que um de nós vai seduzir o outro, tendo como pano de fundo a Diana Krall a cantar “The Look of Love”.
Para completar a cena, podias oferecer-me um ramo de rosas vermelhas!!!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

"NOUVELLE SAISON"


Com o fim de férias e do Verão, acho que devo terminar a “Saison” como comecei – recomendando o concerto “The Four Seasons” de Vivaldi.
Contudo, desta vez recomendo o “Parque dos Poetas”, o anfiteatro que ali há para o ouvir – na hora mágica. Naquela hora em que o sol anuncia graciosamente a sua retirada, como se muito cansado estivesse, depois de nos castigar com temperaturas elevadas e confusões relacionadas com os incêndios.
A poesia pode igualmente ser uma forma de música e os poetas que aqui estão, apreciariam à sua maneira a paz que transpira deste concerto.
É um ciclo que termina; começa outro, com outras aventuras, novos enganos, tristezas profundas ou risos francos, desenvolvendo uma nova maneira de interpretar a poesia e a música.
Seja como for, não me vou deixar envolver pelos Nocturnos de Chopin!

sábado, 27 de agosto de 2005

O RIO


O único barulho que está a perturbar a tranquilidade do rio é o do motor do barco que se prepara para atracar no cais.
O vento é frio; faz com que me arrependa de não ter casaco, mas o rio não dá conta do meu desconforto.
Continua a deslizar, sem medos, impávido, sereno e não é difícil de imaginar porque é que a cidade nasceu e se desenvolveu a partir daqui.
Apesar de estar arrepiada, continuo sentada na esplanada, longe de tudo e de todos:
Da zanga familiar que não me diz respeito, mas que lamento!
Do “menino mau” que insiste em impor a sua presença, em intrometer-se em assuntos que não lhe dizem respeito e que exige medidas drásticas!
Eu só penso no que posso continuar a plantar no meu Jardim – talvez a Amoreira (Prudência), a Macieira (Amor), Fetos (Segurança) e alguns Jacintos (Sabedoria).
Sem esquecer, claro está a flor que ilustra o espírito da cidade – a camélia (Nobreza)!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

TALVEZ


Talvez eu esteja realmente a fantasiar as coisas!
Talvez espere realmente que as pessoas tenham atitudes dignas!
Ou talvez esteja saturada de tudo e de todos e esteja realmente na altura de mudar tudo – recomeçar noutro lugar!
Continuar os meus projectos, num espaço mais aberto, mais cultivado, mais livre!
Onde encontre pessoas com os mesmos interesses ou outros que me possam cativar, que sejam o complemento dos meus
!
Talvez a primeira coisa a arrancar seja a hortelã – no Jardim dos Sentimentos é sinónimo de “crueldade” e eu conheço-a bem demais!
Talvez esteja na altura de eu própria ser cruel! Plantar uma olaia (traição) ou joio (inveja)!
Ou talvez não! Porque, se eu não a mereço, os outros também não!
O melhor será:
talvez esquecer,
encarar isto como o fim de um livro (THE END) e
como não gostamos do tema, vamos arrumar o livro e deixar que o pó o cubra totalmente!

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

DE VOLTA AO PORTO


Deixo a porta encostada e não acendo as luzes.
Abro, apenas as janelas para que a brisa entre e me faça companhia.
Nas mãos, tenho a máquina fotográfica e rebobino o rolo cuidadosamente.
Vagueei por aí, esta tarde a tirar fotografias, a tudo e a nada, sem obedecer a um plano.
Apenas sabia que procurava a paz do Jardim dos Sentimentos, para me redescobrir e apaziguar a alma que insistes em perturbar.
Há uma estátua no Jardim, a que chamam dor.
Primeiro, olhamos para a cara, com os olhos fechados para esconder a expressão de dor que se adivinha pela forma como o corpo se deixa cair contra a parede.
Plantaram murta à volta da estátua, a única que existe no Jardim e na pequena placa, que pensei teria uma explicação mais profunda, apenas escreveram "murta" e o nome em latim.
Estranho ver a Dor representada; estranho ser a única estátua no Jardim.
Ou talvez não!
Fiquei a pensar como esculpir a inveja ou a saudade e esqueci-me por completo que tu existias.
Sorri e passei a mão carinhosamente no tronco da Oliveira!
Estou em Paz!
É bom estar de volta ao Porto!

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

UMA CARTA PARA AMIGOS


Caros Amigos,

Hoje escolhi escrever um texto tipo carta, porque toda a gente gosta de receber uma carta e não neguem esse facto!
Não neguem principalmente que é uma agradável surpresa receber uma carta que não é uma conta para pagar…
Não me estou a esquecer dos SMS e dos e-mails!
A comunicação tornou-se mais rápida, mas o vocabulário elegante e as fórmulas de delicadeza quase desapareceram.
A carta talvez esteja um pouco desactualizada, mas continua a ser uma forma elegante de transmitir as mensagens.

Como tudo, é uma pena que não invistam neste “tipo de arte”, pois é de uma arte que se trata, exigindo uma boa caligrafia, articulação das palavras, conhecimento de gramática, etc.
Tudo isto implica trabalho e eu sou suspeita, pois adoro escrever.

Sei que muitas pessoas consideram uma obrigação, um grande aborrecimento escrever cartas, mas na minha modesta opinião, isso não quer dizer que não se tenha as noções básicas para o fazer quando necessário.
Aqui a “idealista” prepara-se para partir para Lisboa no 1º comboio da tarde de sábado.
Embora esteja de férias, sempre que puder, vou navegar pelo meu blog, pelo vosso e conhecer quem resolver passar por aqui.
É um prazer comunicar convosco e deixo aqui um grande abraço

Marta

quarta-feira, 10 de agosto de 2005

ESPREITAR


Ontem, “espreitei” o blog da Dora e vejo que ela partilha a minha opinião sobre a amizade.
Realmente, como um dos seus “comentadores” frisa, “ter um amigo assim é algo precioso” e infelizmente, tenho-me deparado com as noções mais absurdas sobre o que é a amizade.
Houve uma altura até em que duvidei dos meus próprios valores e o post da Dora lembrou-me um texto, que escrevi há muito tempo, para um blog já esquecido.
Não guardei cópia; lembro-me apenas que lhe chamei “confidencial” e ofereci como explicação o facto de que “temos que nos valorizar, mesmo que os outros não o façam”.
Nesta linha de pensamento, vou transcrever uma frase do livro que li recentemente, “Little Earthquakes”:

You have to let people be who they are
Como escrevi num dos primeiros posts que aqui publiquei:

A amizade não é oferecer um bombom envenenado ou um telefonema insultuoso.....
A amizade é acalmar a violência que percorre o nosso corpo quando nos sentimos injustiçados.....”


Acho que vou tentar refazer o tal “post”; terei que o modernizar, adaptar às circunstâncias, mas não é isso o que fazemos todos os dias?
Adaptarmo-nos ao mundo, com força, com vontade, mas acreditando na verdade e na justiça das coisas.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

FÉRIAS

Este ano, vou deixar que o vento decida e me conduza até a um sítio diferente, se bem que seja familiar.

Onde cada minuto do dia é vivido intensamente, seja com um livro empolgante, seja no jardim onde há uma rosa com o meu nome, seja num local altamente turístico.


Onde vai haver conversa franca até altas horas de noite e eu vou esquecer as minhas preocupações e concentrar-me em ser feliz.

Há quem pense que eu sou cobarde; talvez porque nem sempre partilho o que penso e o que me preocupa com essas pessoas.

Mas, como já aqui disse, há coisas que só partilhamos com as nossas irmãs e outras são tão íntimas que ninguém mais sabe. Outras - aguarda-se o momento ideal para as revelar...
Para mim, este não é o momento e por isso, quero esquecer….

Só me quero lembrar do vento, do sol e da lua e pode ser que, ao longe eu vislumbre novamente as minhas montanhas azuis!

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

A BRINCAR COM A SOMBRA E O VENTO

Nunca pensei que o vento tivesse sombra…….
É um amante impulsivo, irreverente, que nos abraça fortemente ou nos afasta violentamente, esgueirando-se depois pelas frinchas, pelas vielas, deixando-nos aturdidas.
Talvez a sombra seja a destruição, o caos que deixa, com uma arrogância sem igual.
Mas eu só lhe sinto o carinho quando brinca com os meus cabelos ou me tenta arrancar o casaco.
Ou a dança que concebe com as folhas quando paro no jardim para redescobrir a beleza daqueles recantos que conheço de cor.
Ou os murmúrios trocistas quando me sente contrariada, angustiada e com vontade de desaparecer.
Ou quando resolve brincar às escondidas comigo e desaparece no preciso momento em que eu fecho os olhos.
Nunca lhe levo a mal, porque quando eu menos esperar, lá aparece ele para me atormentar, me seduzir e me impede de respirar livremente.
Tal como um amante………………..

P.S.: “A Sombra do Vento” é um título de um livro. Infelizmente, não fixei o nome do autor!

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

ROMANCE DE VERÃO

Fazendo jus à frase do meu post “Essencial”, vou tentar escrever um romance de Verão e participar num concurso literário.
Estou um pouco assustada e perdida, pois tentar escrever um romance é completamente diferente dos textos que aqui publico.
A estrutura exige a mesma concentração e organização de ideias, mas enquanto nos posts eu faço pequenos comentários sobre o mundo em geral e o meu em particular, um romance implica um desenvolvimento muito mais alargado, para o qual talvez não esteja preparada.
Talvez porque nunca o tentei; deixei sempre que os outros queimassem o meu entusiasmo, explorando os meus pontos fracos e magoando a minha auto estima.
Ainda tenho as cicatrizes desse tempo e o meu objectivo agora é jogar com os pontos fracos revertendo a situação a meu favor para que os positivos se cimentem.
Por isso, vou tentar – o melhor talvez seja escolher um texto do blog e desenvolver a ideia.
Não sei se vai resultar; não sei se vou desistir a meio do caminho, porque bloqueei, porque adoeci ou porque é trabalho demais.
Tenho que tentar; doutra forma, não me perdoarei!
O resto vê-se!

terça-feira, 2 de agosto de 2005

SEI QUE ESTOU PERTO

Sei que estou perto!
O cheiro é diferente; cheira a algas, a sal, a areia molhada e basta dobrar aquela esquina para comunicar com o mar.
Nem preciso de descer à praia ou molhar os pés para me sentir ainda mais perto dele e sentir lentamente a calma, de que me despojaram, invadir-me novamente e a dor que me cortava a alma, desaparecer.

Porque, haja o que houver, voltamos sempre para casa, para o sítio onde demos os primeiros passos, os primeiros sorrisos e murmuramos as primeiras palavras.
É o nosso ponto de referência e sabemos que, apesar das amarguras, dos ressentimentos, das mágoas, aqui estamos em segurança.
Mesmo que o tempo tenha parado e se desconfie das mudanças!
Mesmo que os nossos novos hábitos escandalizem os que aqui ficaram e se esqueceram de olhar lá para fora!
Nunca nos perdemos a caminho de casa; podemos perder-nos de nós próprios, podemos ter vergonha de admitir que falhamos, mas aqui está o calor da família.

E, se sentirmos que eles desistiram da vida, temos que nos conformar e tentarmos não desistirmos nós!
É que, realmente não sabemos por quanto mais tempo eles aqui estarão,
se o fim está mais próximo do que pensamos, porque os sinais estão a tornar-se cada vez mais evidentes.