terça-feira, 2 de agosto de 2005

SEI QUE ESTOU PERTO

Sei que estou perto!
O cheiro é diferente; cheira a algas, a sal, a areia molhada e basta dobrar aquela esquina para comunicar com o mar.
Nem preciso de descer à praia ou molhar os pés para me sentir ainda mais perto dele e sentir lentamente a calma, de que me despojaram, invadir-me novamente e a dor que me cortava a alma, desaparecer.

Porque, haja o que houver, voltamos sempre para casa, para o sítio onde demos os primeiros passos, os primeiros sorrisos e murmuramos as primeiras palavras.
É o nosso ponto de referência e sabemos que, apesar das amarguras, dos ressentimentos, das mágoas, aqui estamos em segurança.
Mesmo que o tempo tenha parado e se desconfie das mudanças!
Mesmo que os nossos novos hábitos escandalizem os que aqui ficaram e se esqueceram de olhar lá para fora!
Nunca nos perdemos a caminho de casa; podemos perder-nos de nós próprios, podemos ter vergonha de admitir que falhamos, mas aqui está o calor da família.

E, se sentirmos que eles desistiram da vida, temos que nos conformar e tentarmos não desistirmos nós!
É que, realmente não sabemos por quanto mais tempo eles aqui estarão,
se o fim está mais próximo do que pensamos, porque os sinais estão a tornar-se cada vez mais evidentes.

1 comentário:

Dora disse...

Nunca nos perdemos a caminho de casa, tens toda a razão Marta! Muita força, amiga! A tua energia é caudalosa, pressente-se isso!