quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O REINO - PARTE III




Sinto-me só... 
Tão só que, às vezes não consigo falar e chamam-me arrogante...
Não sabem nada sobre mim... Nem sobre as Montanhas Mágicas onde fica o meu Reino... Onde ainda vive o meu Pai, o guardião das memórias da minha Mãe.
Também sinto a falta dela, mas nunca o confessei... Nem mesmo ao meu Pai...
E amanhã há uma nova batalha... Para vingar uma traição de um rei ambicioso...
Não peço nada a Deus e sei que poderei não sobreviver... 
Mas não penso nisso agora...
Porque o hoje ainda me pertence e canto baixinho velhas canções de infância...



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Continuação da minha história "O Reino" (ver posts anteriores)


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

VERDADE



Não sei se a verdade anda por aí... Continua a ser tão distorcida...

Torna-se numa versão muito pessoal dos factos, defendida em grandes discursos inflamados... até incoerentes, por vezes... 

Totalmente convencidos de que a verdade (a sua) é lei...

Por isso, continuo a perguntar: A verdade? Qual é a verdade? 

Alguém está interessado em saber qual é a minha verdade? 

Porque não basta dizer "Eu só digo as verdades e tu não gostas de ouvir as verdades!" 

A verdade é que ouvi um insulto... 

Mesmo que não tenham lançado para o ar palavrões... 

 

domingo, 24 de janeiro de 2016

O REINO - PARTE II



...

Porque é isso o que sou: um velho triste, sem futuro, sem tempo...
Ás vezes, chamo por ela e sinto que me responde. Paro, olho em volto e vejo-a. Se é a memória a pregar-me uma partida, que seja...
Ela foi o amor da minha vida e nada mais tenho a dizer...

II Parte

Sou um príncipe sem reino, sem rumo. Um aventureiro, dizem uns; outros, chamam-me mercenário. Não tenho lealdades; combato por quem pode pagar o meu preço...

Talvez um dia possa voltar ao meu Reino, reconstruí-lo, sorrir e ver os outros sorrir. Ou não; a vida é tão frágil, o Mundo tão exigente que posso perder a vida, aqui, num sítio que não conheço, que não quero conhecer...


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Continuação da minha história "O Reino"...
Aguardo as vossas sugestões...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O MUNDO



Esta noite, leio o meu nome na Lua...

Escrevo histórias no seu brilho... 

Invento mil personagens com a cumplicidade do Vento...

Num turbilhão de palavras... Num labirinto de paixões e cores...

Em rabiscos alegres... Num Mundo de fantasia...

Para acreditarmos de que é possível...

O Mundo real deslumbrar-nos...




sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

OBSESSÕES







Aqui fica o convite para o lançamento da nova colectânea da Lua de Marfim, subordinada ao Tema "Obsessões" e onde participo.


Deixo aqui um "cheirinho" de um dos textos que enviei.


A distância entre o prato e o garfo deve ser exactamente de 1 mm.
E a toalha não pode ter vincos; caso tenha, recuso sentar-me à mesa e espero que tragam outra.
Favor pegar no copo pelo pé; nunca tocar no copo com as mãos e colocá-lo sempre à esquerda do prato.
Ah, já me esquecia; quero um arranjo de flores naturais no centro da mesa a uma distância de 5 mm. Não, as travessas ficam neste aparador por ordem – a terrina da sopa, a salada, o arroz, o peixe ou a carne e depois o prato com a fruta a qual deve ser bem lavada antes.
Nada de empilhar os pratos sujos, utilizar o tabuleiro para os levar para a cozinha.
Por falar em cozinha, ela deve estar sempre limpa, com o chão brilhante e os balcões polidos. E aqui é a lavandaria e o quarto das roupas. Só das roupas da casa – lençóis, toalhas de banho, etc.
Nunca misture a roupa de cor com a branca. Tenho um armário só para a roupa branca!
E atenção à forma como arruma a roupa de cor – os azuis na pilha do azul e assim sucessivamente.
Esta é a porta que dá para o jardim. Há um jardineiro, claro, mas tem que varrer sempre este pátio e nunca, mas NUNCA, entre em casa com os sapatos que levou para o jardim.
E quanto a sapatos, nada de sandálias ou chinelos. Sempre sabrinas, e de cores discretas; azul escuro, castanho, preto. O branco é aceitável e deve andar sempre de meias cor de carne e sem MALHAS! Mesmo no Verão!

Quando limpar estas salas, veja se deixa tudo no mesmo lugar. Alinhe sempre as revistas com o cinzeiro e feche as janelas quando terminar. Não, abre-as quando começar a limpar e fecha-as quando sair. O pó encontra sempre uma maneira de entrar e eu tenho horror a pó...

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

SEM REINO





Sou um Rei sem Reino... 
Estou exilado na minha própria mente... Não tenho palavras de alento para oferecer ao meu povo, que se arrasta pelo tempo, sem esperança.
Sei que há contos e ditos sobre o que arruinou o Reino, mas tento encobrir a verdade, pois é dolorosa demais para a reviver.
Talvez devesse dizer o que sinto verdadeiramente, confessar o meu desalento, a minha frustração. Mas sou Rei e tenho que ser forte. Não posso revelar as minhas fraquezas como um simples mortal.
Ou posso, se amei profundamente alguém que me completava? Se tudo correu mal quando ela me deixou só? Sinto que morri com ela; perdi o interesse na vida quando acordei só...

Estou a divagar nas memórias de outrora... É tudo o que resta, é tudo o que tenho. Sou um velho insuportável e todos se esquecem de mim. Até o meu filho que preferiu partir à procura de glória do que ficar preso nesta tristeza.


Nota:
Uma história em que estou a trabalhar.
Aceito sugestões - se devo continuar, falar no que aconteceu, etc....

sábado, 9 de janeiro de 2016

SOZINHA



Hoje...

A chuva escreve-se violentamente nos vidros... 

Até o Vento hesita em se manifestar...

Não sei se a chuva se sente sozinha... 

Sei que eu me sinto nesses dias em que a chuva me expulsa a luminosidade do dia...

Será que a chuva sabe que, apesar de tudo, a luz está lá? Mesmo que trema de frio...

Demorei muito tempo a descobrir essa luz, a libertar-me nas memórias...

E hoje...  Hoje, digo à chuva que não está sozinha...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

OBSESSÃO - PARTE I



Sou obcecada pela perfeição.
Quero ter um corpo perfeito e para isso faço dietas rigorosas e agressivas.
Castigo o meu corpo com longas horas de ginásio. Ignoro qualquer sinal de cansaço, de dor, porque tudo o que importa é saber que os outros me acham perfeita.
Sou ambiciosa, exigente no trabalho e não descanso enquanto não atinjo os meus objectivos. Sou temida e respeitada, há mesmo quem me inveje.
Mas eu continuo a avançar, sem olhar para dentro de mim, sem tempo para os outros.
Afastei-me do meu marido, mal falo à minha Mãe e as minhas irmãs para mim são estranhas. Estão presas a uma vida cheia de rotinas, preocupadas com os maridos e os filhos, desleixando o corpo.
Mas eu sou perfeita... Até ao dia em que o médico se mostrou preocupado com um mero exame de rotina.


TEMA PROPOSTO PELA EDITORA LUA DE MARFIM "OBSESSÕES"
Esta é a minha resposta (os dois primeiros parágrafos). Espero que gostem...