sexta-feira, 11 de março de 2005

À LUA

Pablo Neruda escreveu

Eu me vou. Estou triste, mas eu estou sempre triste.
Eu venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
........

Sabes, Lua?
Não sei porque me lembrei novamente deste poema, porque a única coisa que te queria mostrar era a minha écharpe nova.
O tecido é tão leve e transparente que mal o sinto quando o enrolo ao pescoço e como é preta, com uns fios prateados, quase invisíveis, lembra-me a noite.
Uma noite clara, sem nuvens, em que o teu brilho reclama a minha presença e de que me ausentei, inconscientemente!
Tenho-te deixado sozinha; procurei consolo noutras paragens e deve ter sido por isso que te escondeste.
Estás magoada comigo; nem sabes se me vais perdoar!
Perdoa-me, sim Lua – sei que não era de ti que me devia esconder; deixa-me brincar contigo, novamente.
Deixa que te mostre a leveza com que a minha écharpe se enrola no meu pescoço!

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