domingo, 26 de dezembro de 2004

UM PASSEIO COM O VENTO

Tal era o emaranhado do meu pensamento, que o vento resolveu acabar com isso e me obrigou a vaguear por esses caminhos tortuosos da minha mente!
Estranhos pensamentos a ter no Natal, mas hoje estou mais sozinha do que nunca!
Tanto queria eu dar gritos de alegria, mas o ambiente está sombrio, está frio e quaisquer tentativas de conforto são recusadas!
Tento ver as coisas, vestindo a pele dos outros, mas a porta fecha-se, com estrondo, como se duma intrusa se tratasse!
Sinto-me como a Florbela Espanca se descreve no soneto “Eu…” –
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…”

Porque não posso simplesmente encolher os ombros e esquecer!
Porque a minha porta aos meus pais eu não posso fechar!
Por isso, fingi que não compreendi e deixei que o vento me levasse!
Do ar, têm-se uma perspectiva diferente e dou por mim a rir, porque me sinto livre de aceitar as atenções de quem tudo faz para me reconfortar.
Quando assentei os pés na terra, tinha parado de chover e o sol fazia jus à canção dos “Simply Red” (Sunrise), que agora escuto!
Acho que agora vou passar e alguém me vai ver!

2 comentários:

lique disse...

Querida Marta, sabes que esses pensamentos surgem precisamente após (e às vezes durante) as festas. Eu chamo-lhes a "ressaca do Natal". Esperando que te sintas sempre visível para quem desejas que te veja, deixo-te um beijo.

Carmem L Vilanova disse...

Eu passei e te vi!
Esta bem bonito este post. Parabens pela escolha, amiga Marta!
Beijos!