quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

SUSPEITAS

Sei que estás preocupado;
não negues – conheço-te bem!
Ainda mais porque desviaste os olhos
quando te perguntei se podia ajudar
e isso é sinal que as coisas
são mais graves do que eu pensava
e não tens coragem de me dizer.
Fala comigo;
eu pedi-te isso e é melhor encarar a verdade.
Não a quero ouvir pelos outros,
pois sei que se vão aproveitar
da minha sensibilidade e "pisar-me".
Não lhes vou dar a satisfação
de me verem chorar ou ficar atrapalhada;
tu sempre me aconselhaste
a passar por cima disso
e talvez seja por isso,
que achem que eu sou "importante".
Porque, sabes, eu não me manifesto muito
e acho que estas "bocas",
estes boatos
nunca existiriam se houvesse respeito.
Como não há,
é cada um por si,
a defender-se como pode
e não admira que todos pintem
um quadro diferente
com cores
cada vez mais carregadas, mais duras.
O que é que vais fazer da tua vida
se as nossas suspeitas se confirmarem?
E o que é que eu vou fazer da minha?
É o que me custa mais a aceitar
– mesmo a nível do governo,
fala-se muito,
promete-se muito,
mas raramente se faz alguma coisa!
Vou esperar que fales comigo;
acho que me deves isso
– é que não te quero riscar da minha vida!

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