quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O CHAPÉU DE PAPEL



Esta é a história de um chapéu de papel amarelo

Com uns corações pintados na dobra.

O chapéu sentiu-se importante e pensou: " Ah, gostam de mim! Ninguém me vai esquecer!"

Que ilusão! Um dia, esqueceram-se dele na mesa do jardim e veio o Vento que o atirou para longe.

O chapéu ainda gritou por socorro, mas ninguém o ouviu; ninguém lhe acudiu.

O Vento levou-o até a uma praia deserta e deixou-o cair na areia molhada.

Amarrotado, meio rasgado, o pobre chapéu assustou-se com a imensidão do Mar.

" Ele é sempre assim?" perguntou, hesitante à areia.

A areia riu-se e respondeu:

" Hoje está calmo! Mas nunca se sabe o que vai acontecer. Pode transformar-se num gigante em segundos."


" Mas porquê?" quis saber o chapéu, mas a areia apenas sorriu.

Minutos depois, tal como a areia tinha explicado, o Mar enfureceu-se. Tornou-se cinzento, agressivo e reclamou a posse da praia.

A areia desapareceu e o pobre do chapéu ficou submerso.  Não sobreviveu à violência.

Ficou feito em pedaços, enterrado na areia que sorriu ao Sol.

O Mar acalmou-se. O Vento partiu para o outro lado do Mundo.

E, alguém fez um outro chapéu de papel.

Escolheu uma outra cor e um outro menino pediu para desenharem tartarugas e macacos na dobra.


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A minha história de Natal....

Para as Catarinas, as Marianas, as Matildes e as Margaridas.

Para os Pedros, os Guilhermes, os Simãos e os Davids.

Para os meninos e meninas que conheço e para os que não conheço.

Que sejam Felizes... Que saibam que há dias em que perdemos, mas que há alternativas.

Exigem esforço e tempo, mas a Vida é isso mesmo....

4 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

Que belo conto de natal!

Assim o sonho se faz livre na cabeça de quem acredita!

Beijo

Sofá Amarelo disse...

Fiquei com pena do chapéu amarelo, afinal era tímido e assustadiço,,, é claro que chapéus há muitos e sendo de papel logo alguém pode fazer outro e noutra qualquer cor... mas como gosto do amarelo fiquei com pena do chapéu amarelo... quem sabe ele sobreviveu, veio o Sol e secou e pode um dia voltar à cabeça de alguma criança... também eu um dia perdi uma pulseira de cabedal numa praia com um macico enorme de areia e ao fim de alguns anos encontrei a dita pulseira... por isso, viva o chapéu amarelo :-)

El Comandante disse...

Como todos somos efémeros. Perfeita metáfora para os nossos dias. Parabéns pelo texto.

Agostinho disse...

História, bonita, de contar ao menino que há em nós. Não se ficou a saber se o chapéu era de três bicos. Ficámos a saber que era de papel amarelo com corações pintados e que o mar deu cabo dele.
O meu é redondo, de feltro castanho e veio do Porto nas asas duma gaivota, ou assim. Que tem asas tem é o chapéu também, tanto assim que algumas vezes me voou. Quando ponho a mão na cabeça e não o encontro vou, vou logo buscá-lo onde ficou.
Bjinho, Marta. É de conta-la aos meninos, pois...