segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ZÉLIA - FIM


" Sabes onde está a teu irmão?" insiste a Mãe antes de eu pedir explicações ao Pai.

" Não, disse que tinha que "desaparecer" por uns dias; deixou-me um nº de telemóvel..." confesso " mas já tentei ligar e dá sinal de impedido." 

Os meus Pais não dizem nada por uns minutos e eu começo a sentir-me desconfortável.

" Mas o que se passa? Porque é que me chamaram?" questiono.

" Veio cá um individuo muito educado, verdade seja dita, e perguntou-nos pelo teu irmão." conta o meu Pai, acendendo um charuto.

O cheiro incomoda-me, mas não digo nada.

" Não o conheço; deve ser de algum grupo novo e da pesada!" confidencia " Respondemos que não sabíamos, que não o víamos há uns dias e ele apenas sorriu."

" Depois, polidamente pediu-nos para comunicarmos ao Bruno Machado que aguarda uma resposta até ao fim do mês!" concluí a Mãe " Sabes o que ele anda a fazer, Maria Teresa? Quem é que ele irritou?"

Abano a cabeça; o meu irmão respeitou a minha decisão de me manter à margem dos negócios da família e se me avisou do "desaparecimento" foi, talvez, por pensar que não associariam o meu nome ao dele.

Ia explicar isso aos meus Pais quando a porta se abre e o guarda-costas do meu Pai anuncia solenemente:

" Está aqui a Polícia!"


E eu sinto a minha vida, pela qual lutei tanto, a desmoronar-se....



FIM

2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Aqui está um conto policial tal como deve ser... deixar em aberto todo um cenário porque nada na vida é definitivo, nem as histórias... por isso é de bom tom que se uma história termina, deixe espaço a quem lê para pensar e quiçá imaginar o que poderá passar-se a partir do momento em que se lê a palavra 'Fim'!

Agostinho disse...

Hei-de vir à Zélia. Agora não tenho tempo. .