sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ZÉLIA - PARTE V


A Mãe fica calada por uns minutos e sugere:

" É melhor vires até cá. Não devemos falar nisto ao telefone!" e desliga sem esperar pela minha resposta.

Não posso ir sem terminar a reunião e é com alívio que vejo que a outra equipa recusa o nosso convite para almoço.

A minha assistente arruma os dossiers e pergunta: " Vamos almoçar?"

" Não, obrigada. Tenho que sair; surgiu um problema familiar. Espero estar de volta a meio da tarde. Discutimos então os pormenores." e, pegando na carteira, desço até à garagem.

A Andreia deve ter ficado admirada com a minha saída abrupta. Geralmente, após reuniões importantes como esta, gosto de rever de imediato todos os detalhes e enviar a proposta final antes do final do expediente.

Mas não hoje! Hoje fui "convocada" à casa dos meus Pais e "proibida" de desobedecer.

Os meus Pais moram numa vivenda num bairro sossegado. O portão está aberto e eu entro sem problemas.

Fico ali parada por uns minutos a observar o jardim antes de tocar à porta

É a minha Mãe quem abre. Como sempre, o cabelo está impecável e a roupa foi escolhida com cuidado.

" Ah, Maria Teresa. Não sei se gosto desse teu novo corte de cabelo!" é o cumprimento que me dirige.

Sorrio e dou-lhe um beijo. 

" A Mãe está óptima! Os anos não passam por si!" retribuo irónica, mas a Mãe atalha de imediato.

" Deixa de ser engraçada, Maria Teresa! Vai cumprimentar o teu Pai; temos muito que conversar." e empurra-me para a sala de estar.

O meu Pai levanta-se do sofá e cumprimenta-me, muito sério. Também não gostou muito da atitude que tomei, mas foi mais compreensivo.

" Isto é muito sério, Teresa." confidencia.

(CONTINUA)     

 


1 comentário:

Sofá Amarelo disse...

Aí está a prova que mesmo num mundo digamos algo diferente, os protagonistas também têm uma família e também são pessoas sujeitas a laços familiares e àquelas pequenas coisas que geralmente só se associam às pessoas ditas normais... e o que virá a seguir a uma confidência...