quinta-feira, 13 de outubro de 2005

LER ROMANCES DE AMOR

Não sei porquê – lembrei-me do livro de Luis Sepúlveda “O Velho que lia romances de amor”.
É um livro muito pequeno, lê-se num instante, mas fica-se com vontade de o reler logo de seguida.
Como se cada palavra encerrasse nela um segredo que queremos desvendar, custe o que custar e o maior segredo do livro é a simplicidade dessas palavras.
Como se a vida fosse fácil, mesmo muito fácil, mas a selva é densa demais, cruel demais e rapidamente engole tudo o que lhe aparece pela frente.
Também eu li romances de amor – com grandes tragédias pelo meio, mas todos ficam felizes no fim, conhecem o estilo?
Não estou nada feliz com o meu romance de amor; mesmo nas páginas da história que escrevo, tal como eu, a minha personagem procura novas saídas, reencontra antigos projectos e desafios para se esquecer do amor que escorreu pelos dedos, tal como a areia, nem ela própria compreende como!
Talvez deva novamente reler “O Velho que lia romances de amor”.
Talvez para me convencer que chamar-me “querida” nada significa; talvez me dê coragem para lhe pedir que só me chame isso se o disser com a verdade no coração.
Para quê desperdiçar palavras, se o que me fica na boca não é mel?

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