domingo, 2 de outubro de 2005

BOOKCROSSING

Esqueci-me de falar de uma outra maneira de nos consolarmos.
Que é importante, porque nos permite fazer uma espécie de levitação, ou seja, deixarmos o nosso corpo aqui e entrarmos na alma de uma das personagens.
Estou a falar de um livro e este ano resolvi inscrever-me no BookCrossing e fazer parte de uma comunidade, cujo objectivo é fazer uma biblioteca universal.
Tenho montes de livros aqui que estão “mortinhos” por sacudir o pó, viajar, conhecer nova gente e novos objectivos.
O livro voltará para mim – não por uma questão de egoísmo, mas porque faz parte da minha vida e não podemos abandonar um companheiro de batalhas, que, por vezes, perdemos. Ele é o único que sabe dos nossos segredos, que nunca revelará, porque a única coisa que regista é o toque e o perfume da nossa pele.
No BookCrossing, tenho uma estante com uma série de livros registados.
Um dos membros desta comunidade, que me convidou a visitar a sua estante, diz que os “livros dizem muito sobre a pessoa que os compra.”
Se concordo com esta afirmação?
Claro que sim e se visitarem a minha estante, vão ficar a saber que gosto de um bom policial, com uma história inteligente e soluções plausíveis.
Ou de um romance – não daqueles “lamechas” e cor-de-rosa – mas de ficção histórica ou não, com pessoas reais, situações reais, com as quais me possa identificar.
Que é o caso do que estou a acabar de ler – “Os filhos de Eve” em que cada uma das personagens encontra a sua razão de viver e as histórias do passado – ressentimento, amargura, etc - deixam, muitas vezes, de ter sentido.
Afinal de contas, na história de crianças, a tartaruga cortou a meta?

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