quarta-feira, 9 de novembro de 2005

PERFEITO

Dedicado a alguém muito especial

Que maldade – deixar tocar o telemóvel uma eternidade e no fim, ouvir uma voz pausada, sem timbre “Chegou à caixa de correio do nº tal. Ao ouvir o sinal…blá, blá,, “blá”!!
E eu que precisava tanto de falar contigo…
Primeiro, fiquei destroçada, mas depois, tive vontade de te bater.
Todo aquele cuidado em me pôr à vontade, frisar vezes sem conta “liga sempre que precisares. Não te preocupes com as horas…” e agora nada!
Fiquei parada, no meio daquele temporal, tipo estátua, sem me aperceber de nada - nem das pessoas que me olhavam curiosas nem da chuva torrencial que quase me arrancou o guarda-chuva das mãos.
Balbuciei qualquer coisa sobre o egoísmo e a insensibilidade dos homens, mas quando me acalmei, procurei desculpas – coitado, está a chover e tem que se concentrar na condução”, ou “está ainda em reunião e tem o telemóvel desligado ou “isto não é muito importante. Pode esperar até amanhã! Se calhar até estou a ver as coisas mal.”
Mais ou menos confortada, lá cheguei a casa, mudei de roupa e instalei-me confortavelmente no sofá. Já embrenhada no livro, o toque do telemóvel assustou-me e dado a hora, atendi a medo.
Não precisava - eras apenas tu a desculpares-te por não me teres atendido, - “estava tanta chuva e a polícia estava a vigiar” e a perguntares-me, carinhosamente o que se passava e o que podias fazer por mim.
O que mais posso desejar de um amigo, que considero perfeito!!!

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