sábado, 26 de novembro de 2005

ESTE NATAL


Hoje, não sei porquê – talvez porque vamos entrar em Dezembro – lembrei-me que está na altura de escolher os cartões de Boas Festas, fazer a lista e começar a estruturar um pequeno texto divertido para dar ainda mais cor e conforto ao cartão.
Dar um toque pessoal, um desenho, uma citação – qualquer coisa que faça a pessoa que o recebe sorrir e dizer “É mesmo da Marta.”
Eu gosto destas pequenas coisas – às vezes, escolho um tema e mando o mesmo cartão com um texto diferente, o texto que penso ser o mais adequado à pessoa a quem escrevo.
Não vou negar que houve um ano em que não o fiz – talvez porque me sentia desiludida comigo mesmo e com o mundo.
Este ano, sinto-me também desiludida, mais com o mundo do que comigo mesmo, mas como diz Paulo Coelho no “Diário de Um Mago:

Atacar ou fugir fazem parte da luta.
O que não faz parte da luta é ficar paralisado de medo”

e eu resolvi “atacar” – “atacar” a depressão, a angústia que se infiltra cada vez mais nas paredes desta casa, a casa dos meus Pais .
A casa que me viu crescer, tornar-me mulher e conhece todas as minhas hesitações, todas as minhas dores e só raramente é que ouve o som do meu riso, porque deixou de ser o meu abrigo.
Vou fazer a festa sozinha, vou vasculhar a Net à procura dos meus cartões e cada um dos meus amigos receberá um.
Uma surpresa – pode dizer apenas “Feliz Natal”,
Cuidado com o Champagne”
ou “Manda-me um SMS para saber que estás vivo” ou
“Pena não estares aqui para beberes cacau comigo à meia-noite”.

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