segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

GENEROSO

A certa altura do seu livro “Paula”, Isabel Allende escreve “descobri como a vida pode ser generosa”.
Na altura em que o escreveu, a vida não lhe estava a ser generosa – ver morrer a filha não é fácil ou aceitável.
E, porquê escrever um livro sobre isso?
O livro dá a resposta - foi a própria agente da escritora que lhe pousou no colo uma resma de papel e lhe disse para escrever.
Como eu fiz na noite de Consoada – entrei no Messenger para conversar com alguém, bastante generoso, que me deixou uma mensagem a dizer “que estaria online a partir das 21h00 para conversar com quem se sente só”.
A solidão pesa; verga-nos, parte-nos a vontade e poucas são as pessoas que compreendem isso
.
“Oh, como é que podes dizer? Tens família; como é que te podes queixar disso” – não compreendem que, por muita amiga que a minha família seja, há uma curva na estrada, em que tudo acaba e não me acompanha mais.
Fico vulnerável, sozinha, a perguntar “E, agora?” – o “agora” é tentar preencher essa falha, como eu fiz, entrando no Messenger numa noite que, por tradição, é uma noite dedicada à família.
A minha família está parada na curva; sei que vai ficar ali (ler post "Realidade"), mas tal como a Isabel Allende diz, a vida pode ser generosa.
Obrigada, Aluena!

2 comentários:

ignorantia disse...

Olá, posso comentar aqui? E tratar por tu a uma pessoa que não conheço de lado algum?
Encontrei o teu blog há uns dias por acaso, já não me lembro em que perseguição de comentários noutros blogs: encontra-se um, segue-se um comentário, encontra-se outro... etc... Cheguei ao teu blog. Achei piada, "a Marta e eu"... também me chamo Marta. Li muitos dos posts arquivados. Isto para saberes de onde surjo: um encontro de acaso.
Depois, voltei lá.

O teu post recente, "Realidade", o da consoada, ficou-me às voltas no pensamento, não me esquecia do que escreveste. Apeteceu-me colocar em comentário àquele post, uma palavra que te falasse. Mas não a encontrei.

Afinal, era simples. Bastaria ter dito que achava que entendia porque o escreveste. Que o compreendia. Se calhar não há assim tão, tão pouca gente a entender-nos... Em certas alturas, a nós é que nos pode parecer isso: estamos um pouco à espera que seja assim, que pouca gente nos entenda... Não? Quem descrê mesmo, mesmo, de ser entendido, não encontra palavras que ficam a vibrar depois de serem lidas, como tu fazes. Bom, isto é o que eu acho. Espero que a ti não te aborreça.

Que estejas bem.

marta, outra

Aluena disse...

Marta amiga,
A FAMÍLIA somos todos nós.
Vivemos numa aldeia global.
Quantos no meio da multidão se sentem sós?
Adorei estar a falar contigo.
Voltaremos a repetir.
Mas quero que saibas que NUNCA ESTÁS SÓ, mesmo que isso te pareça.
A electricidade não se vê, mas existe e vêm os seus efeitos.
A presença de AMIGOS é igual.
FELIZ ANO NOVO!...
Muito sucesso, PAZ, AMOR, LUZ, SAÚDE, PACIÊNCIA, HARMONIA, TUDO...
AMIGA SEMPRE
ALUENA