O PATINHO FEITO PARTE IV
A Sofia relata-me a conversa que teve com o irmão, não ligues ao que ele diz, só o disse para te provocar, concluí, e tu caíste que nem uma parvinha!
Este Mundo é muito complicado, suspiro e a Sofia concorda.
Acabamos por falar no concurso que a escola lançou, a minha prima vai concorrer, e tu? Tens bons desenhos, até podes ilustrar a minha história, sugere, mas eu estou indecisa.
A Sofia encolhe os ombros, pensa e depois diz-me alguma coisa, pede e despede-se.
Também ela tem que apagar as luzes às onze; eu faço-o com relutância, estou inquieta e não sei bem porquê.
Acordo horas mais tarde, estou com sede, levanto-me para ir até à cozinha, ouço vozes no corredor.
As histórias que aquela Rosário conta, diz a Mãe e o Pai ri baixinho, sinceramente não sei como o Bento a atura, responde.
E está sempre a namoriscar contigo, afirma a Mãe e o Pai volta a rir, sou irresistível, sabes disso, mas só tu tens a minha atenção completa! afirma.
Abro a porta nesse momento, os Pais afastam-se rapidamente, o que foi, filhota? pergunta o Pai, estou com sede, explico, ok, vamos os dois, também vou buscar água para mim e para a tua Mãe.
A Mãe dá-me um beijo quando passo por ela, entra no quarto enquanto eu e o Pai vamos até à cozinha.
Está um pouco desarrumada, o Pai faz-me um careta, amanhã, arruma-se, sussurra, procura copos limpos, abre o frigorífico e deita a água.
Entrega-me um dos copos, pega nos outros dois, olha-me fixamente, estás bem, Francisca? Doí-te alguma coisa? e eu abano a cabeça.
Voltamos para os quartos, o Pai atira-me um beijo antes de entrar no dele e eu suspiro, a conversa deles perturba-me.
Se calhar, estou a ver coisas que não existem, mas aqueles telefonemas? A Sofia acha que são de trabalho, mas a um sábado à tarde?
No dia seguinte, observo-os tão atentamente, procuro sinais, não sei bem de quê que o Pai questiona, sei que não fiz a barba hoje, mas não estou assim tão mal! Não pareço um assassino, pois não?
A Mãe ri-se, eu fico muito corada, o Pai é atraente, tenha a barba feita ou não.
Durante a semana, a professora de Inglês chama-me a atenção, ouviste o que eu disse, Francisca? e a minha colega aponta discretamente com o lápis a frase que estamos a analisar.
No recreio, a Sofia volta a perguntar, se estou interessada em ilustrar a história dela, digo que sim, sempre fico com a mente ocupada.
CONTINUA
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E a pensar o que pode andar por aí escondido.
Abraço e saúde