domingo, 7 de maio de 2006

TEMPO INÚTIL

Li, reli, repeti em voz baixa, escrevi e reescrevi aquelas duas frases do poema, mas não consegui entender a mensagem.

Discuti comigo mesmo; aborreci-me, abandonei o poema, deixei que caísse ao chão e adormeci.

Quando acordei, cheia de sede e dorida, por ter estado deitada numa posição incorrecta, o pobre do poema continuava desprezado no meio do chão, meio oculto já pelas sombras que o entardecer traz.

Voltei a ler devagarinho, soletrando cada letra, alongando cada sílaba e pensando numa música diferente para cada som.

Nada entre nós tem o nome da pressa”
“Entre nós o tempo desenha-se assim, devagar

com lentidão, mas aparente, porque a decisão terá que ser sempre tomada.

Estou novamente a desenhar o meu tempo, a recortar novas silhuetas, a estudar velhos projectos, rejeitados por medo ou conselhos prudentes dos outros, mas que representam agora uma alternativa para que o meu tempo neste mundo conturbado não seja inútil.
P.S.: Poema de Maria do Rosário Pedreira "A Casa e o Cheiro dos livros"

4 comentários:

AS disse...

Minha querida, por vezes num poema, com a preocupação de vermos o que está nas entrelinhas, não vemos o que está escrito nas linhas!...

Gosto muito da poesia da M. Rosário pedreira...

Beijosss

Pitucha disse...

Adorei a frase "nada entre nós tem o nome da pressa".
E um vamos vivendo, vamos saboreando...
Beijos

Ana disse...

Começo a achar que nos preocupamos demasiado em interpretar os poemas. Eu, quando me oferecem um, busco sem parar o que quis dizer quando o deu, porque escolheu aquele, o que está implícito no poema. Muitas vezes, se calhar, só escolheram aquele porque gostam dele e não porque quiseram dizer isto ou aquilo. Mas também eu não o consigo evitar...

Beijinhos

Ant disse...

Tantas palavras que ficam na gaveta e que um dia descobrimos que valem a pena ser redescobertas.
beijo