quinta-feira, 4 de maio de 2006

JACARANDÁ



Encontrei este poema de Eugénio de Andrade

Tenho o nome de uma flor
Tenho o nome de uma flor

quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.

E associei com esta citação, que encontrei há que tempos num livrinho muito interessante:

"A amizade é como o perfume das flores. Derrama o seu aroma sobre aquele que está em sua presença." (Dugpa Rimpoché)


Sem tentar dissecar o verdadeiro sentido do poema e da citação, isto lembrou-me de:

como eu gosto:

do cheiro de terra molhada, remexida, pronta para um novo ciclo
da relva cortada recentemente e cheia de gotas de orvalho
da flor do jacarandá que havia no jardim, lá perto de casa e que não vai florescer mais

Como a vida passa depressa, nos torna frágeis e nos faz sentir a falta de uma coisa tão simples, como o jacarandá do jardim, que "morreu" talvez por não ter tido o cuidado que merecia.

Quem é que se lembra de um jardim obscuro, numa zona da cidade, que embora próxima da Baixa, é pouco importante?

P.S.: Poema de Eugénio Andrade do livro «As Mãos e os Frutos»


2 comentários:

Ant disse...

É uma pena, de facto. É que o tempo é pouco para os pormenores, não é?

AS disse...

Na verdade há coisas simples que tanto representam no nosso quotidiano, na nossa vida... como uma singela flor de jacarandá...

Um beijo Marta