terça-feira, 9 de maio de 2006

SAUDADES


À Avó

Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos
que não regressarias, que ninguém regressa
de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas têm a
espessura do teu silêncio, as visitas são
desejadas apenas a outras mesas.
Sob a tua cadeira, o tapete continua engelhado,
como à tua ida.
Provavelmente ficará assim para sempre.
No outro Natal, quando a casa se encheu
por causa das crianças e um de nós ocupou
a cabeceira, não cheguei a saber se
era para tornar a festa menos dolorosa
se para voltar a sentir o quente do teu colo

Escolhi este poema, por causa da ternura que transpira em cada uma destas palavras.

O retrato perfeito de alguém que viveu, espalhou e quis sempre o bem dos outros.

Alguém que estará sempre presente......

Na nossa vida, nos nossos corações, na nossa memória.......

Alguém para quem, mesmo que ela o pense, o tempo nunca foi inútil.............

Como a minha Tia Maria, de quem falei aqui num outro Post e hoje, acordei cheia de saudades dela................

P.S.: De Maria do Rosário Pedreira "A Casa e o Cheiro dos Livros"

1 comentário:

amigona disse...

A saudade que está na nossa memória dói tanto!