quinta-feira, 27 de janeiro de 2005

MARISCADA

Havia 3 coisas que o meu pai gostava de fazer:
ver filmes de cowboys, ir ao circo e uma mariscada.
Enquanto fomos pequenas, vimos todos circos possíveis e imaginários e não perdíamos uma história de cowboys, sempre à espera do duelo final, em que o cowboy, defensor dos oprimidos, saca da pistola, aponta ao coração e mata com um tiro certeiro o mau da fita, quase sempre vestido de preto e com um grande bigode.

Quanto à mariscada, era sempre especial - para comemorar as boas notas, o regresso da "minha filha do meio, que está a viver em Londres", os nossos aniversários!

Como esquecer?
as torradas com a manteiga a pingar,
os camarões como aperitivo e que "atacávamos" com gosto, enquanto preparavámos o estômago para o prato principal, geralmente uma santola
Nem me quero lembrar, porque há anos que deixámos de lá ir - àquele restaurante em Matosinhos, na esquina daquela rua!
Creio que o pai também já não se lembra - está velho, está cansado e com problemas de audição!

Mas eu lembro - me e talvez, quem sabe?, possa conversar com ele sobre isso e fazê-lo rir!

Há dias em que não consigo nada - conversar ou rir com ele!
Há dias em que lamento não ter saído de casa, mas agora, neste momento, seria uma crueldade deixá-los sós!

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