domingo, 24 de março de 2019

A NOVELA - FIM


Os culpados estão sentados no sofá. Estão sujos, com fome e um pouco apreensivos.

Sim, que a Mãe do Luis disse-lhes umas verdades.

Onde é que estavam com a cabeça? Mentirem, faltarem às aulas e preocuparem toda a gente? A que propósito passaram a noite no Museu Municipal?

O Manuel, como líder, contou a história. Queriam recriar a aventura do herói do livro; ele esconde-se num Museu e consegue impedir o roubo de uma estátua.

" O que é que estava em perigo no nosso Museu?" pergunta o Pai do Francisco friamente.

Nada, só queriam ver se conseguiam enganar os seguranças do Museu e passar lá a noite.

Foram bem-sucedidos e estão bastante satisfeitos com o resultado, acrescenta o Luis.

Mas os Pais não estão nada satisfeitos e durante dois meses, declaram, só saem de casa para ir à escola, visitas de estudo e almoçar em casa de familiares.

Não há Internet, Televisão, o telemóvel só pode ser utilizado para emergências, nada de jogos de futebol no parque, festas de ano.

E, quando o Manuel protesta, a Carolina pergunta-lhe se quer que prolonguem o prazo para um ano.

O Manuel cala-se de imediato e a Margarida aperta-lhe a mão em solidariedade.

Como a Carolina e o Rodrigo têm que voltar ao trabalho, o Jaime fica com os dois miúdos.

Só à noite é que consegue sentar-se ao computador e trabalhar um pouco.

Contudo, já não tem vontade de escrever sobre a Íris e o detective Latitude.

Abre um outro documento e escreve como título:

" ONDE ESTÁ O MANUEL?"

Um conto em que fala do medo que todos os Pais têm e que abalou a vida dele por umas horas.


FIM

3 comentários:

Larissa Santos disse...

Ficou em aberto...Adorei

Bjos
Votos de um óptimo Domingo.

Sofá Amarelo disse...

Os jovens não aguentam ficar sem internet nem telemóvel... é o pior castigo que se lhes pode dar porque aquilo é a vida deles, mas o motivo é plausível, os jovens só um dia mais tarde quando tiverem os seus próprios filhos talvez consigam perceber a preocupação dos pais... muito bem estruturada esta história, com emoção a rodos e alertas importantes. Parabéns pela narrativa :-)

Marta Vinhais disse...

Gostei muito deste teu conto...acho que existe por aí umas "pontas soltas" às quais podes dar continuidade.

Beijo
:) JLynce

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Por minha culpa, este comentário foi eliminado, mas consegui recuperá-lo.
As minhas desculpas.

Marta