terça-feira, 17 de maio de 2005

FACAS

Longe vai o tempo em que não me falares ou olhares para a minha cara me “matava”.
Confundia isso com amor e há um poema de Manuel Alegre que fala disso:

Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Mas, mesmo no amor tem que haver respeito e tenho constatado diariamente que há pessoas que não sabem o que isso é.
Pelo menos, desconhecem os moldes em que mo ensinaram e às vezes, eu própria o confundo, porque engloba vários sentimentos.
Não é só o respeito pelos mais velhos de que falo; falo do respeito diário pelas pessoas que conhecemos de vista e a quem fica bem dizer um “bom dia”.
Ou ouvir uma pessoa até ao fim e então expor à nossa posição.
Ou se tivermos que a interromper, dizer “Com licença. Posso? Não se importa?”
As pessoas confundem isso com servilismo e por isso, acham estas frases uma autêntica mariquice.
“Porque isso já não se usa!”
Entram a “matar”, porque o que interessa é salvaguardar, resolver os seus próprios assuntos da forma mais rápida.
Interrompem-nos quando estamos a falar mesmo ao telefone; fazem comentários descabidos e emitem opiniões que não lhe são pedidos.
Podem dizer que se trata de falta de educação e não de respeito, mas uma coisa não funciona sem a outra, na minha opinião!

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