sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A EMPRESA - PARTE VII


O Jorge entra sozinho, pois, segundo diz, o Bernardo está numa reunião de trabalho.

Aguarda educadamente que eu fale. Exponho-lhe a situação e pergunto-lhe se tem alguma coisa a dizer sobre o assunto.

A Ana e a Carolina tentam ler-lhe a expressão, mas ele é enigmático. 

Estão ansiosas, preocupadas, mas não dizem nada.

" Então? " insisto e a resposta chega calma, educada.

" Se me está a perguntar se eu tirei alguma coisa da casa dos clientes, a resposta é não.
Nunca faria isso; sempre me disseram que, se quero ser respeitado, tenho primeiro que respeitar os outros." e sorri levemente.

As minhas assistentes respiram de alivio, mas eu pergunto novamente:

" Tem a certeza? " e a postura do Jorge muda. 

O corpo fica hirto, tenso e os olhos parecem de aço, mas continua a falar calma, educadamente:

" Eu disse que não tirei nada da casa dos clientes. Nunca faria isso! Nunca!" frisa.

Começo a ficar desconfortável e não me atrevo a encarar as assistentes.

Estamos os quatro em silêncio, sem sabermos muito bem que atitude tomar quando o Augusto entra, empurrando o Bernardo.

" Vou contar tudo o que se passou e NÃO TE ATREVAS a negar! EU VI!!!" grita.

(CONTINUA)


2 comentários:

Sofá Amarelo disse...

"Tem a certeza?" é uma expressão que deixa qualquer inocente ou culpado num estado de ansiedade e de incerteza. Será, com certeza, a expressão mais utilizada por advogados ou interrogadores policiais... e provoca grandes alterações de semblantes, reacções diversas e imprevistas... está aqui todo o ingrediente para uma grande história de enredo...

Daniel Costa disse...

Marta
O desconforto, no caso, reflecte sempre a incerteza e provoca mau estar ao inquirido, quer carregue ou não, com a culpa.
Veja e comente o post
Olinda Capital Colonial – Invasão de Pernambuco
http://amornaguerra.blogspot.pt/
BRASIL: SORRISO DE DEUS.

Beijos